Igreja de São Sebastião (Lagos)

igreja em Lagos, Portugal
Disambig grey.svg Nota: Para consultar outras igrejas com a mesma designação, veja Igreja de São Sebastião.

A Igreja de São Sebastião é um edifício religioso, localizado na cidade de Lagos, em Portugal. Foi construído durante o século XIV, sendo originalmente uma ermida dedicado a Nossa Senhora da Conceição, tendo sido ampliada para uma igreja e consagrada a São Sebastião no século XV.[1] Foi classificado como Monumento Nacional.[2] Um dos principais motivos de interesse na igreja é a mistura de vários estilos, causada por um prolongado período de construção, além de várias obras de reedificação posterior, como após os sismos de 1755 e 1969.[1]

Igreja de São Sebastião
Igreja de São Sebastião, em 2016.
Tipo Igreja
Estilo dominante Renascimento, Gótico tardio
Religião Igreja Católica Romana
Diocese Diocese do Algarve
Ano de consagração 1325 (N. Sra. da Conceição)
1463 (São Sebastião)
Website «Paróquia de São Sebastião» 
Património Nacional
Classificação  Monumento Nacional
Data 1924
DGPC 69861
SIPA 2881
Geografia
País Portugal Portugal
Cidade Lagos
Coordenadas 37° 6' 14.15" N 8° 40' 26.01" O
Localização do edifício em mapa dinâmico
Pormenor da torre sineira, em 2016.

DescriçãoEditar

Localização e composiçãoEditar

A igreja está situada junto à Rua Conselheiro Joaquim Machado, que originalmente tinha a denominação de Rua de São Sebastião.[3]

O edifício apresentava originalmente uma configuração no estilo gótico, tendo sido profundamente modificado no século XVI.[3] É reconhecido como um dos principais exemplos do estilo quinhentista no Algarve, apresentando uma planta típica daquele período, com três naves de cinco tramos e sem transepto, criando uma igreja-salão de grandes dimensões, apesar de ter ficado com uma ligeiro desnível entre a nave central e as laterais.[3] As naves são separadas por colunas de ordem dórica, de capitéis parcialmente jónicos, que suportam arcadas de volta perfeita, sendo rematadas por uma cabeceira de três partes, correspondente ao altar-mor e a duas capelas laterais,[1] sendo cada parte encimada por um óculo.[4] A capela-mor possui uma abóbada de canhão, estucada e com desenhos, enquanto que as laterais possem frontões no estilo clássico, e coberturas com painéis.[4] A cobertura possui naves de madeira, formadas por caixotões com tirante, enquanto que o telhado é de duas águas.[4] As paredes das naves laterais estão decoradas por um silhar de azulejos com vários padrões, típico dos séculos XVII e XVIII.[4] O interior da igreja encerra vários retábulos Neoclassicistas, que são considerados os maiores deste estilo na região.[3] Possuem um só corpo e tramo, sendo da autoria do arquitecto Francisco Xavier Fabri, que se destacou pelos seus trabalhos artísticos no Século XIX, em vários pontos do Algarve.[3] No interior destaca-se igualmente a talha dourada nas capelas laterais.[1] O edifício também inclui uma sacristia e uma casa paroquial, e possui um adro junto às fachadas frontal e lateral direita, com escadaria.[4]

A fachada principal, no estilo maneirista,[3] está virada a Oeste, não possuindo embasamento.[4] Está dividida em três panos, sendo o da esquerda correspondente à torre sineira,[4] do período barroco,[3] encimada por uma cúpula, enquanto que o da direita é rasgado por uma janela.[4] No pano central está situado o portal de entrada da igreja, com um arco de volta inteira sustentado por duas colunas sobre plintos,[4] de forma canelada e com capitéis jónicos,[3] que são rematadas por pináculos.[4] Sobre o portal situa-se um janelão central, com uma janela em cada lado.[4]

No lado Sul da igreja situa-se uma capela dos ossos e o portal lateral.[4] Este apresenta uma decoração muito mais complexa do que o seu congénere na fachada principal, estando delimitado por pilastras lavradas que suportam uma verga direita, com cabeças de anjo esculpidas.[4] No centro está um arco de volta perfeita com figuras naturalistas em relevo, e um escudo na pedra de fecho, com uma ave.[4] Este portal foi identificado pelo investigador José Eduardo Horta Correia como um dos primeiros exemplares do renascimento na região.[3] A capela dos ossos é considerado um dos elementos mais importantes na igreja devido à sua raridade no território nacional, principalmente no Algarve, onde só existem três exemplares.[5] Possui um retábulo em estilo joanino, e uma dupla arcada, sustentada por pilastras nas paredes laterais.[4] As paredes estão quase totalmente cobertas por ossos, dispostos de forma geométrica, com destaque para as caveiras, que foram posicionadas de frente.[4] A cobertura é de forma curva, e também estava coberta por ossos, organizados em caixotões, com as caveiras a formarem cruzes, estando dispostos de forma contínua na fileira central.[4] A parede do fundo possui um altar de pedra ladeado por colunas dóricas, que terminam em remates de forma enrolada e numa frontaleira, sendo o conjunto pintado com tons marmoreados.[4] Na posição central está uma tela pintada, com o tema Jesus no Gólgota.[4]

Conservação e importânciaEditar

O conjunto da igreja foi classificado como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 9842/24, de 20 de Junho.[2] A Zona de Especial Protecção foi definida por uma portaria de 30 de Outubro de 1969, publicada no Diário do Governo n.º 275, Série II, de 24 de Novembro de 1969.[3]

É considerado o edifício religioso mais visualmente marcante em toda a cidade, devido à sua posição, num local elevado e dominando o casario em redor.[3] Devido à sua localização e à sua relação com o Mercado Municipal, o edifício da igreja é um dos mais importantes no centro histórico de Lagos.[3]

 
Panorama do centro de Lagos na primeira metado do Século XX. Devido à sua posição, no alto de uma colina sobre o rio, a igreja surgiu sempre em situação dominante sobre o casario .

HistóriaEditar

Construção e e ampliaçãoEditar

O edifício foi construído em 1325, sendo originalmente uma ermida dedicada a Nossa Senhora da Conceição.[1] Foi instalada durante uma fase de grande expansão urbana de Lagos, durante a Baixa Idade Média,[3] num local que era considerado como um subúrbio da povoação principal, situada a Sul.[6] No século XV, o edifício já era sede de freguesia, tendo sido ampliado a partir de 1463, com o apoio do Bispo do Algarve, D. João de Melo.[1] Estas obras consistiram na construção de uma capela, que passou a ser utilizada como capela-mor.[3] Em 1490, o edifício foi elevado a uma igreja, passando a ser dedicado a São Sebastião, acreditando-se que iria proteger a povoação contra as epidemias de cólera.[1]

No Século XVI foi alvo de profundas obras de remodelação, que alteraram a sua estrutura, embora os atrasos nos trabalhos tenham feito com que o edifício passasse a apresentar uma miscelânea de estilos, que é principalmente evidente nos dois portais principais da igreja, tendo o lateral ficado com uma decoração muito mais elaborada do que o da fachada principal.[3]

Sismo de 1755 e reconstruçãoEditar

A igreja foi muito danificada pelo Sismo de 1755, com a derrocada da torre sineira e de outras partes do edifício, e provavelmente também do telhado.[3] Assim, a sede da paróquia passou a ser provisoriamente na Ermida de Santo Amaro, que sobreviveu ao terramoto, como relatado pelo prior, João Baptista Coelho de Castro, numa carta de 7 de Fevereiro de 1756:[7]

Com efeito, a torre sineira e a parte superior da fachada principal são típicas do estilo Barroco, sendo provavelmente posteriores ao sismo.[3] Devido ao estado do edifício, a sede da paróquia passou depois para o Convento de Nossa Senhora do Carmo (Lagos).[4] A igreja foi reconstruída com o apoio de um benemérito de Portimão.[4]

 
Panorama do centro de Lagos, em 2010. Apesar do desenvolvimento da cidade desde os finais do século XX, a igreja ainda mantém a sua posição dominante.

Séculos XIX a XXIEditar

Em 1828 foi instalado o relógio na torre, obra do ferreiro Costa e Sousa, e em 1833 a igreja passou a albergar a imagem de Nossa Senhora da Glória, que estava no Convento de Nossa Senhora do Loreto, devido ao perigo dos ataques inimigos, durante a Guerra Civil Portuguesa.[4] Em meados do século XIX ficou parcialmente arruinada devido a um incêndio, tendo sido reconstruída em 1858.[4]

Em 1924 a igreja foi classificada como Monumento Nacional,[5] e em 1934 a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais fez obras no edifício, que incluíram a reconstrução da cobertura, com a instalação de uma nova estrutura em madeira, a demolição das ruínas de um muro no adro, o reboco e a caiação das paredes exteriores, incluindo o adro e a torre sineira, a instalação de novos vidros nas janelas e nos óculos, pintura e reparação das janelas, das portas e dos gradeamentos metálicos no adro, e a reparação dos sobrados em várias partes do edifício, como na sacristia e no coro.[4] No ano seguinte foram feitos os rebocos e a caiação das paredes no lado Sul da capela-mor, e no muro do adro.[4] O monumento sofreu danos durante o Sismo de 1969, tendo nesse ano sido feito o apeamento da cobertura e a reinstalação das telhas, e reparadas as cimalhas.[4] Em 1978 foi feita a reconstrução das coberturas nas naves da igreja, tendo sido feitas também obras na torre sineira.[4] Entre 1979 e 1982 foram reconstruídas as coberturas das naves e da capela mor, e instalados vários elementos de sustentação, como lintéis, vigas e pernas de asnas, em betão armado.[4] Em 1985 foram melhoradas as instalações eléctricas, e no ano seguinte foi reconstruída a cobertura da sacristia.[4] Em 1991 voltaram a ser reparadas as coberturas, foram recuperados os elementos decorativos, e estabilizado o pavimento na fachada direita, e em 1994 foram novamente feitos trabalhos de restauro no edifício.[4]

Em Agosto de 2019, a autarquia já tinha decidido abrir o concurso para um estudo sobre a Igreja de São Sebastião, de forma a identificar as obras de recuperação que deveriam ser feitas no monumento.[5] Nessa altura, estava em fase de preparação uma obra no muro da igreja para a Rua Dr. Faria e Silva, que era considerava prioritária.[5] No orçamento da autarquia de Lagos para 2020, aprovado em Novembro de 2019, foi incluída a realização do estudo sobre a igreja.[8] Também já tinha sido adjudicada a empreitada para a reabilitação no adro, no valor de 12.750 Euros, e um estudo de diagnóstico para apurar as condições de conservação do edifício.[9]

 
Pormenor da fachada e da torre sineira, em 2014.

Ver tambémEditar

 
O Commons possui uma categoria com imagens e outros ficheiros sobre a Igreja de São Sebastião

Referências

  1. a b c d e f g «Arquitetónico Classificado: Igreja de São Sebastião». Câmara Municipal de Lagos. Consultado em 9 de Maio de 2020 
  2. a b PORTUGAL. Decreto n.º 9842/24, de 20 de Junho. Ministério da Instrução Pública: Direcção Geral das Belas Artes. Publicado no Diário do Governo n.º 137, Série I, de 20 de Junho de 1924.
  3. a b c d e f g h i j k l m n o p q «Igreja de São Sebastião». Património Cultural. Direcção Geral do Património Cultural. Consultado em 9 de Maio de 2020 
  4. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z aa ab ac ad NETO, João; COSTA, Anouk. «Igreja de São Sebastião / Igreja de Nossa Senhora da Conceição». Sistema de Informação do Património Arquitectónico. Direcção Geral do Património Cultural. Consultado em 11 de Maio de 2020 
  5. a b c d «Multiplicam-se as ações de conservação do património edificado». Revista Municipal de Lagos. Lagos: Câmara Municipal de Lagos. Agosto de 2019. p. 18. Consultado em 29 de Junho de 2020 – via Issuu 
  6. «Lagos - Casa da Fogaça». Portal do Arqueólogo. Direcção Geral do Património Cultural. Consultado em 9 de Maio de 2020 
  7. ROCHA, 1910:69-71
  8. «Câmara Municipal de Lagos aprova orçamento de 64 milhões». Barlavento. 8 de Novembro de 2019. Consultado em 12 de Maio de 2020 
  9. «Breves». Lagos: Revista Municipal (5). Lagos: Câmara Municipal de Lagos. Dezembro de 2019. p. 24. Consultado em 27 de Junho de 2020 – via Issuu 

BibliografiaEditar

  • ROCHA, Manoel João Paulo (1991) [1910]. Monografia de Lagos [Monographia: As Forças Militares de Lagos nas Guerras da Restauração e Peninsular e nas Pugnas pela Liberdade]. Faro: Algarve em Foco Editora (publicado originalmente pela Typographia Universal, no Porto). 488 páginas 

Ligações externasEditar


  Este artigo sobre Património de Portugal é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.