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Igreja de Santo António (Lagos)

igreja em Lagos, Portugal
Disambig grey.svg Nota: Para mais templos com este nome, veja Igreja de Santo António.
Igreja de Santo António (Lagos)
Lagos 20170416 080000 (34506457582).jpg
Apresentação
Tipo
Diocese
Estilo
Estatuto patrimonial
Monumento Nacional (d)Visualizar e editar dados no Wikidata
Localização
Endereço
Coordenadas

A Igreja de Santo António é um edifício religioso localizado em Lagos, no Distrito de Faro, em Portugal. É um dos principais monumentos em Lagos, sendo conhecido pela sua riqueza interior em painéis de azulejo e talha dourada.[1] Anexo ao edifício da igreja está o Museu Municipal de Lagos.[2]

DescriçãoEditar

TemploEditar

ExteriorEditar

 
Ornamentação da fachada.

A Igreja é de traça barroca, como pode ser comprovado pela sua fachada principal, contendo um óculo enfeitado com conchas e um escudo nacional com ramificações, de estilo jesuítico. O aspecto exterior da Igreja é simples, com paredes de cantaria lisa.[3]

O frontão principal está voltado para o poente (rua General Alberto da Silveira), englobando a entrada principal. A fachada lateral, virada para o Largo do Compromisso Marítimo (rua Silva Lopes), inclui um arco de volta perfeita, de grandes proporções, que cria um alpendre abobadado.[3]

Tem duas torres sineiras, de dimensões distintas. A torre sul, de maior dimensão, ostenta um relógio.[3]

 
Interior da Igreja de Santo António.

InteriorEditar

A nave, de tecto abobadado pintado, encontra-se decorada com azulejos do Século XVIII e talha dourada.[4] A talha inclui estátuas de cariátides, meninos hercúleos e atlantes barbudos.[4] Ao longo das paredes laterais encontram-se oito quadros, representando cenas da vida de Santo António de Lisboa, pintados pelo mestre José Joaquim Rasquinho de Loulé.[5]

A sacristia, à qual se acede a partir do altar, é actualmente uma sala de exposição de Arte Sacra, onde se encontram paramentos, estatuária e outros artigos religiosos.[carece de fontes?]

A igreja só presta serviços religiosos uma vez por ano, no dia do seu padroeiro, em 13 de Junho.[carece de fontes?]

 
Entrada do Museu, em 2016.

MuseuEditar

O Museu Municipal de Lagos está anexo à igreja, possuindo uma rica colecção de pintura, etnografia, numismática, arqueologia e arte sacra, incluindo talha do Século XVII.[1]

Importância e conservaçãoEditar

Em Janeiro de 2016, a Igreja de Santo António era o terceiro monumento nacional no Algarve a ser mais visitado, estado apenas atrás da Fortaleza de Sagres e do Castelo de Silves.[4] Do ponto do vista histórico e artístico, o seu interior é considerado um dos principais exemplos do barroco português.[4]

A Igreja foi classificada como Monumento Nacional, pelo decreto n.º 9 842, de 1924.[6]

HistóriaEditar

Construção e Século XIXEditar

A igreja foi provavelmente edificada sob o reinado de D. João V, foi construída para servir de local de culto para os militares de Lagos.[carece de fontes?] Foi construída pelas autoridades militares, sendo um dos exemplos em Portugal de um templo dedicado a Santo António que não estava anexado a um convento franciscano.[7] Foi dedicada a Santo António, que estava ligado às forças militares de Lagos desde Janeiro de 1668, quando foi integrado no Regimento de Infantaria n.º 2.[8] Danificada no Sismo de 1755, foi recuperada em 1769 por ordem de Hugo Beaty, comandante do Regimento de Infantaria de Lagos. No interior da igreja, os azulejos, as pinturas da abóbada e a talha dourada foram instaladas no Século XVIII.[4]

Em 1839, foi instalado um relógio na torre Sul da igreja.[3]

Século XXEditar

Em princípios do século XX, a igreja, ainda sobre administração militar, encontrava-se num estado de preservação bastante grave, uma vez que infiltrações de água no telhado estavam a danificar a pintura da abóbada, os emadeiramentos do coro e a talha dourada.[6] Devido a problemas de ordem financeira, não se pôde levar a cabo a reparação do edifício.[carece de fontes?] Em 1924, a Igreja foi classificada como Monumento Nacional.[6] Em 1929, deixa de pertencer ao Ministério da Guerra, passando a ser administrado pelo Ministério da Instrução Pública.[9] Em 9 de Junho desse ano, o jornal O Algarve noticiou que em breve teriam início as obras de reparação da igreja.[10] Igualmente durante a Década de 1920, foi retocada a pintura na abóbada da igreja, provavelmente durante o processo para a abertura do museu.[4] As reparações, supervisionadas por José Formosinho, iniciaram-se em 1930.[11] Em 1931, a secção de arte sacra do Museu Regional de Lagos foi instalada na sacristia da Igreja.[carece de fontes?] Em 1932, foi inaugurado o Museu Regional de Lagos, que foi instalado junto à Igreja de Santo António.[2] Foi criado para albergar os vestígios arqueológicos encontrados no concelho e nas suas redondezas, além de colecções sobre história natural e etnografia, tendo-se destacado pela riqueza do seu acervo histórico e cultural, e por ser um dos poucos museus na região durante muitos anos.[12]

A abóbada conheceu uma nova intervenção na sua pintura nos anos 50, cujos vestígios foram encontrados durante obras de restauro na década de 2010.[4] A igreja sofreu danos durante o |Sismo de 28 de Fevereiro de 1969, tendo ficado com grandes fendas na torre maior e nos interiores.[13] Em 8 de Março desse ano, o presidente do conselho de ministros, Marcello Caetano, esteve no Algarve para avaliar os estragos causados pelo sismo, tendo passado pelas igrejas de Santo António e Igreja de Santa Maria.[13]

Em 10 de Outubro de 1984, o Diário de Lisboa noticiou que tinha sido assinado um acordo entre a autarquia de Lagos e o Ministério do Equipamento Social para um grande programa de reabilitação urbana do centro histórico da cidade, e que a Direcção-Geral dos Monumentos Nacionais já tinha iniciado uma série de trabalhos de recuperação em vários monumentos de Lagos, estando nessa altura previstas obras de conservação na Igreja de Santo António.[14]

 
Igreja de Santo António em Maio de 2018, quando estavam a decorrer obras de ampliação e conservação no museu.

Século XXIEditar

Em 12 Outubro de 2013, a Câmara Municipal de Lagos e a Direcção Regional de Cultura decidiram encerrar temporariamente a Igreja de Santo António, devido à deformação da abóbada e o seu descolamento em relação à fachada, o que podia levar a uma derrocada.[1] Esta medida abrangeu apenas a igreja em si, tendo o museu permanecido em funcionamento.[1] Nesta altura, já a autarquia de Lagos tinha entregado uma candidatura para a reabilitação da cobertura do edifício, através da empresa municipal Futurlagos, em parceria com a Direcção Regional.[1] O plano, que já tinha sido aprovado como parte do Plano Operacional Algarve 21, tinha um valor de cerca de 21 mil euros.[1] No entanto, análises posteriores sobre a deformação da abóbada e outros problemas apontaram para a necessidade de obras mais complexas, e por isso mais dispendiosas, levando a uma reavaliação física e financeira do projecto, que ultrapassou as quantias aprovadas anteriormente.[1] Devido à situação urgente da igreja, um grupo de trabalho composto por especialistas em arquitectura e arqueologia foi enviado ao local para fazer uma avaliação, e no dia 17 desse mês foram enviados dois técnicos do Instituto Superior de Engenharia da Universidade do Algarve.[1] Com efeito, previa-se que nessa altura aquela instituição de ensino iria ser parceira nas obras, uma vez que dispunha dos meios humanos e técnicos necessários para avaliar a situação e apresentar soluções.[1] Após o encerramento ao público, foi colocada uma estrutura no interior da igreja, de forma a escorar a abóbada, e estava prevista a instalação de uma cobertura provisória, que iria permitir a remoção do telhado e analisar melhor os seus problemas.[1]

Entre 14 e 16 de Julho de 2015, a igreja esteve encerrada ao público, para obras de restauro, tendo sido intervencionada a abóbada, a talha dourada e os sistemas de iluminação.[2] Em 1 de Novembro de 2015, o museu foi encerrado ao público durante alguns dias, devido a um temporal no Algarve.[15] Nessa altura, estavam quase terminadas as obras de requalificação da igreja, que incidiram sobre a abóbada, a cobertura e outras partes do edifício, estando prevista a sua conclusão oficial em 28 de Novembro.[15] Estava igualmente programado o encerramento de parte das salas do museu para trabalhos de manutenção, que teriam uma duração prevista de três meses.[15] No entanto, as obras, que inicialmente deviam centrar-se apenas no telhado, acabaram por abranger uma grande parte do edifício, tendo sido feitos trabalhos de conservação e restauro na cobertura, na abóbada e noutros elementos, tanto funcionais como ornamentais.[4] As obras iniciaram-se com a reparação da cobertura e a conservação e reabilitação da abóbada.[4] Em seguida foram restauradas as pinturas da abóbada, sob a coordenação de Pedro Gago, trabalho que demorou vários meses, tendo cerca de três semanas despendidas a identificar e remover as repintagens das décadas de 1920 e 1950, de forma a regressar à pintura original.[4] Também foram reconstituídas algumas partes que já tinham desaparecido, tendo-se por exemplo removido uma descontinuidade em cima do altar, do lado direito.[4] Quanto à talha dourada, foi alvo de processos de reparação e limpeza, tendo sido várias partes utilizando materiais originais, como o sobrecéu do púlpito, que estava a cair, e onde foram recolocadas duas figuras.[4] A limpeza abrangeu igualmente o tecto da sala, que foi tratado com um fungicida, enquanto que a talha foi limpa manualmente, com trinchas e aparelhos de aspiração.[4] Segundo a arqueóloga Elena Morán, também foi substituído o sistema de iluminação no interior, que já estava obsoleto, e cujos projectores, de grandes dimensões, tinham tendência a sobreaquecer, danificando tanto as pinturas como a talha.[4] Nessa altura, estava planeada a introdução de um sistema avançado de iluminação, que permitisse uma melhor visibilidade sobre os quadros e a talha, e ao mesmo tempo manter o ambiente da igreja.[4] Um dos elementos que não intervencionado a fundo foi o óculo no topo do coro alto, tendo sido apenas recuperadas as talhas naquela zona, que estavam estragadas devido à entrada de água, embora o óculo em si não tenha sido conservado, faltando ainda a instalação de um vidro especial para filtrar os raios ultravioleta, que provocam danos na talha dourada.[4] Devido às obras de conservação e melhoramento, o interior da igreja passou a estar muito mais visível, tendo sido recuperados vários elementos que estiveram quase invisíveis durante muitos anos.[4]

A igreja só foi reaberta oficialmente em 30 de Janeiro de 2016, numa cerimónia que contou com um concerto de música barroca pelo Ensemble Sons Antigos a Sul.[4] Segundo o arquitecto Frederico Paula, da empresa Futurlagos, esta intervenção concluiu um período de cerca de três anos de obras na Igreja de Santo António, que total custaram 350 mil Euros, dos quais 125 mil vieram da Câmara Municipal, enquanto que 215 mil foram pagos pelo Programa Operacional Algarve 21.[4] Após a conclusão das obras na igreja, iniciou-se a remodelação do museu municipal, que encerrou em 1 de Setembro de 2017.[12] Nessa altura, previa-se que os trabalhos do museu estariam concluídos nos primeiros meses de 2019.[12] Durante as obras, a Igreja de Santo António permaneceu aberta.[12] Estas duas intervenções fizeram parte de um programa de reabilitação e preservação do património da autarquia de Lagos, que também incluiu as muralhas de Lagos, a Igreja de São Sebastião, o Mercado de Escravos e o Armazém Regimental.[16]

Em Novembro de 2018, foi realizada em Lagos a reunião anual da associação Urban Sketchers, iniciativa que contou com visitas comentadas a vários monumentos, incluindo a Igreja de Santo António.[17]

BibliografiaEditar

  • PAULA, Rui Mendes (1992). Lagos. Evolução Humana e Património. Vila Real de Santo António: Câmara Municipal de Lagos. 392 páginas. ISBN 972-95676-2-X 
  • FORMOSINHO, José Ramos (1930). Museu Regional de Lagos Dr. José Formosinho. Uma Reacção Crítica ao Modelo Estabelecido. Lagos: Não publicado 

Referências

  1. a b c d e f g h i j RODRIGUES, Elisabete (18 de Outubro de 2013). «Técnicos avaliam obras necessárias na Igreja de Santo António fechada por precaução». Sul Informação. Consultado em 13 de Outubro de 2019 
  2. a b c «Igreja de Santo António em Lagos encerra de hoje até 16 de Julho». Sul Informação. 14 de Julho de 2015. Consultado em 12 de Outubro de 2019 
  3. a b c d PAULA, 1992:288
  4. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s RODRIGUES, Elisabete (31 de Janeiro de 2016). «Igreja de Santo António reabre após recuperar esplendor do Barroco». Sul Informação. Consultado em 14 de Outubro de 2019 
  5. Segundo a brochura oficial da Câmara Municipal de Lagos
  6. a b c FORMOSINHO, 1930:2
  7. FARIA, Francisco Leite de (1985). «Santo António e Portugal» (PDF). Revista Municipal de Lisboa. Ano XLVI (2.ª Série) (11). Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa. p. 21. Consultado em 15 de Outubro de 2019 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  8. CIPRIANO, Rita (12 de Junho de 2016). «António, o santo casamenteiro que chegou a general». Observador. Consultado em 14 de Outubro de 2019 
  9. FORMOSINHO, 1930:3
  10. «Igreja de Santo Antonio de Lagos» (PDF). O Algarve. Ano 22 (1105). Faro. 9 de Junho de 1929. p. 1. Consultado em 15 de Outubro de 2019 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  11. FORMOSINHO, 1930:4
  12. a b c d PIEDADE, Francisco (28 de Agosto de 2017). «Lagos: Museu Municipal encerra para remodelação». Diário Online / Região Sul. Consultado em 12 de Outubro de 2019 
  13. a b «A visita do presidente do conselho à zona sinistrada do Algarve» (PDF). A Capital. Ano II (374). Lisboa: Sociedade Gráfica da Capital. 8 de Março de 1969. p. 4. Consultado em 15 de Outubro de 2019 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  14. «Recuperação do centro histórico de Lagos vai custar 200 mil contos». Diário de Lisboa. Ano 64 (21581). Lisboa: Renascença Gráfica. 10 de Outubro de 1984. p. 9. Consultado em 24 de Setembro de 2019 – via Casa Comum / Fundação Mário Soares 
  15. a b c «Interior da Igreja de Santo António de Lagos já pode ser «apreciado em todo o seu esplendor»». Sul Informação. 6 de Novembro de 2015. Consultado em 12 de Outubro de 2019 
  16. «Multiplicam-se as ações de conservação do património edificado». Revista Municipal de Lagos. Lagos: Câmara Municipal de Lagos. Agosto de 2019. p. 18. Consultado em 10 de Outubro de 2019 – via Issuu 
  17. «Urban Sketchers de todo o país encontram-se em Lagos». Sul Informação. 25 de Outubro de 2018. Consultado em 12 de Outubro de 2019 

Ligações externasEditar