Abrir menu principal

Jácome de Ornelas Bruges de Ávila Paim da Câmara

Jácome de Ornelas Bruges de Ávila Paim da Câmara
Nascimento 14 de dezembro de 1833
Angra do Heroísmo
Morte 20 de janeiro de 1889 (55 anos)
Funchal
Cidadania Portugal
Ocupação latifundiário, político
Prêmios Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, Comendador da Ordem de Cristo

Jácome de Ornelas Bruges de Ávila Paim da Câmara ComCComNSC (Angra, 14 de Dezembro de 1833Funchal, 20 de Janeiro de 1889), 2.º conde da Praia, foi um político açoriano, fidalgo cavaleiro da Casa Real, que teve um longo percurso em cargos políticos e administrativos, entre os quais os de deputado, Par do Reino e governador civil. Governou por cinco vezes o Distrito de Angra do Heroísmo e foi durante 8 anos consecutivos governador civil do Distrito de Ponta Delgada. Pertenceu à Maçonaria.

BiografiaEditar

Jácome de Bruges Paim da Câmara foi o filho primogénito de Teotónio de Ornelas Bruges Paim da Câmara, o 1.º conde da Praia, e da sua primeira esposa, a madeirense Elvira Esmeraldo Monteiro.

Herdeiro da maior casa vincular da ilha e primogénito do líder setembrista do Distrito de Angra, foi desde cedo envolvido nas lides políticas locais, assumindo-se como continuador da carreira política do pai.

Foi eleito deputado nas listas do Partido Histórico pelo círculo de Angra do Heroísmo nas eleições gerais de 1 de Janeiro de 1860 (legislatura de 1860-1861) e de 22 de Abril de 1861 (legislatura de 1861-1864). Foi obrigado a renunciar ao mandato por em Junho de 1861 ter sido nomeado secretário-geral do governo civil de Angra do Heroísmo. Esta nomeação teria como efeito fazê-lo enveredar pela carreira da chefia político-administrativa, iniciando um ciclo de nomeações para magistrado administrativo distrital que ocuparia a maior parte da sua carreira política.

Entretanto, casou a 4 de Junho de 1860 com Maria Inácia Pacheco de Melo de Meneses Forjaz Sarmento de Lacerda, uma irmã do 1.º visconde de Nossa Senhora das Mercês, o que contribuiu para consolidar a sua influência política na ilha.

Confirmando a sua apetência para a administração distrital, exerceu por cinco vezes o cargo de governador civil do Distrito de Angra do Heroísmo, nos seguintes períodos:

Foi ainda governador civil do Distrito de Ponta Delgada durante o período que decorreu de 13 de Setembro de 1869 a 11 de Outubro de 1877, num total de mais de oito anos, uma proeza notável num período marcado pela instabilidade política.

Por decreto de 24 de Dezembro de 1864 foi feito 2.º visconde de Bruges, título que havia pertencido a seu pai e que este tinha trocado pelo de conde da Praia.

Foi adido à legação de Portugal em Bruxelas.

Em 1866, foi sócio fundador da Sociedade Promotora das Artes e Letras da cidade de Angra do Heroísmo.

Após a morte de seu pai, ocorrida em Outubro de 1870, herdou a posição de líder do Partido Histórico no Distrito de Angra do Heroísmo, cargo que manteve, após o Pacto da Granja, no Partido Progressista. Recebeu também em herança a grande casa vincular paterna, a maior da ilha Terceira, mas já muito afectada pelas enormes despesas que aquele fizera no apoio à causa liberal durante a Regência de Angra. Diz-se que o património que recebeu estava crivado de dívidas, razão pela qual foi forçado a vender a maioria dos bens que herdou.

Por esta altura foi confirmado, por decreto de 9 de Novembro de 1870, no título de 2.º conde da Vila da Praia da Vitória, sucedendo também no título a seu pai.

Par do Reino por sucessão no lugar de seu pai, não se lhe conhecem intervenções relevantes na Câmara dos Pares.

Voltou a ser eleito deputado para a legislatura de 1884-1887, tendo prestado juramento nas Cortes a 28 de Fevereiro de 1885. As suas intervenções parlamentares versaram apenas questões relativas ao seu círculo eleitoral, tendo apoiado outros deputados açorianos em projectos relativos a obras públicas, navegação e fiscalidade no arquipélago.

Faleceu no Funchal, 20 de Janeiro de 1889. Durante a sua carreira foi agraciado com a grã-cruz da Imperial Ordem de Francisco José da Áustria e feito comendador da Ordem Militar de Cristo e da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa. Era ainda oficial da Academia de França.

Existe um seu retrato a óleo, da autoria de Salvador Escolá Arimany, no salão nobre dos Paços do Concelho de Angra do Heroísmo.

Referências

  • Maria Filomena Mónica (coordenadora), Dicionário Biográfico Parlamentar (1834-1910), vol. I, pp. 540–541, Assembleia da República, Lisboa, 2004 (ISBN 972-671-120-7).
  • Jornal "O Angrense" nº 2801 de 28 de Janeiro de 1899, depósito da Biblioteca Pública e Arquivo de Angra do Heroísmo. (Palácio Bettencourt).

Ligações externasEditar