João Pereira Caldas

João Pereira Caldas (Cambeses, 1724Lisboa, 1794) foi um administrador colonial português.

João Pereira Caldas
Nascimento 1724
Morte 1794
Documento assinado por João Pereira Caldas em 28 de abril de 1788.

BiografiaEditar

Filho de Gonçalo Pereira Lobato e Sousa, governador da capitania do Maranhão, de 1753 a 1761, e de Joana Maria Pereira de Castro.

Foi governador geral do Piauí, de 1761 a 1769, e do Pará, de 1772 a 1780.

O governo na Capitania do PiauíEditar

Antes de tudo, Caldas foi um colonizador etnocida que foi responsável pela morte, prisão e escravidão de inúmeros indígenas. Natural de Valença, Portugal, governou o Piauí durante dez anos, no período de 1759 a 1769, sendo o primeiro governador da Capitania recém criada, tomou posse em 20 de setembro de 1759. Ao assumir o comando político-administrativo da Capitania, encontrou o Piauí com apenas um município, cuja sede era a Vila da Mocha, e apenas sete freguesias. Uma das suas primeira medidas foi confiscar os bens dos jesuítas e os expulsar da Capitania, segundo decisão tomada pelo Marquês de Pombal. Pretendia-se com essa atitude combater o poder e o prestígio da Companhia de Jesus, que controlava boa parte das fazendas de gado da região, as quais lhe foram doadas por Mafrense, para que então, tivesse o poder administrativo e de exploração dos indígenas para si.

Em 1762, vieram ordens da corte portuguesa para a criação de novas vilas: Parnaguá, Jerumenha, Valença, Campo Maior, Marvão (Castelo do Piauí) e São João da Parnaíba, e sob sua governança, o número de fazendas, que em 1697, de acordo com o cronista e censor Pe. Miguel de Carvalho, já haviam 129 fazendas, passando para 400 em 1730; durante o seu governo o Piauí já tinha 536 fazendas de gado. Fato que se deu como terrível produto do enfrentamento, invasão de terras e escravização de muitos indígenas habitantes da região do tronco étnico Tapuia e outros.

Algumas realizações de seu governo:

  • No manuscrito "Noticia sobre a guerra ordenada contra as nações de índios que infestavam a Capitania do Piauí (1774-1776), informava que após ter batido e matado grande quantidade de indígenas, ficaram no campo de batalha, entre mortos e feridos, por volta de 400 pessoas. Posto se proibido escravizar os indígenas, de acordo com a carta régia de 1° de Abril de 1680, Caldas "repartiu" os indígenas entre os moradores, obrigando estes a sustentarem e doutrinarem-os e ensinarem os "modos". E a parte que não teve subjugado destino de seu mando, foi presa até a morte. Nesta feita foram subjugados 737 indígenas, 400 mortos em batalha e 337 aprisionados e repartidos entre os colonos em praça pública. Alguns conseguiram fugir para outras regiões; entre eles, das etnias Anassu e Alongá, idos para a serra de Ibiapaba.[1]
  • A criação da Secretaria de Governo, da Providoria Real da Fazenda e o Almoxarifado. O Ouvidor da Mocha foi autorizado a implantar justiça, com seus cartórios e funcionários, em todas as vilas recém criadas.
  • A elevação das freguesias a categoria de vila. A instalação das vilas se deu através da carta régia de 19 de julho de 1761: Parnaguá, Jerumenha, Valença, Campo Maior, Marvão e São João da Parnaíba, preside a todas as solenidades o Governador João Pereira Caldas, que obtém o compromisso formal dos fazendeiros de cada um dos novos municípios de construírem a casa da Câmara e cadeia local.
  • Em 18 de agosto de 1762, assinou o decreto de instalação da vila de São João da Parnaíba, dentro das dependências da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo.[2]
  • Organização das Forças Regulares da Capitania, com efetivo de 2.774 homens. Com a cooperação de Clemente Pereira, o Governador Pereira Caldas organizou as forças regulares da Capitania, criando um efetivo militar de 2.774 regulares (600 na cavalaria e 1.174 na infantaria), com pequenos comandos em todas as vilas.
  • A criação do correio, inicialmente apenas para as correspondências oficiais.
  • A realização de um censo demográfico e econômico de toda Capitania. Esse censo constatava uma população de 12.746 habitantes.

O final de seu governo foi marcado por uma guerra contra os índios Timbiras, Gueguês e Acaroás, residentes no sul do Piauí e no Maranhão. Assim sendo, podemos notar 4 maneiras de como se efetuou o contato dos brancos com os indígenas no Piauí: guerra de extermínio, guerra de expulsão, guerra de preamento e guerra de redução.

Referências

  1. Mott, Luiz. «Piauí Colonial» (PDF). Biblioteca Digital Curt Nimuendajú - Coleção Nicolai. Consultado em 8 de agosto de 2021 
  2. «Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo, testemunha da história». Portal Piracuruca. Consultado em 12 de julho de 2021 

BibliografiaEditar

Piauí: Formação - Desenvolvimento - Perspectivas Organizado pelo Prof. R. N. Monteiro de Santana. FUNDAPI

Ligações externasEditar

Precedido por
Governador do Piauí
1761 — 1769
Sucedido por
Gonçalo Pereira Botelho de Castro
Precedido por
Fernão da Costa de Ataíde Teive Sousa Coutinho
Governador do Pará
1772 — 1780
Sucedido por
José de Nápoles Telo de Meneses


  Este artigo sobre uma pessoa é um esboço relacionado ao Projeto Biografias. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.