Jurate Rosales

jornalista venezuelana

Jurate Regina Statkutė de Rosales, (Kaunas, Lituânia, 9 de setembro de 1929) é uma jornalista e investigadora venezuelana de origem lituana, Doutora Honorífica na Universidade Lituana de Ciências Educacionais de Vilna.[1]

BiografiaEditar

Nasceu em Kaunas o 9 de setembro de 1929; cursou o seu ensino primário em Paris, onde viveu com os seus pais até 1938. O seu pai, Jonas Statkus, foi o primeiro diretor do Departamento de Segurança do Estado de Lituânia no período entreguerras. Depois de que a União Soviética ocupasse o país após o ultimato soviético à Lituânia de 1940, Statkus foi preso o 6 de julho de 1940 junto com Augustinas Povilaitis e o general Kazys Skučas, e transladados à Prisão de Butirka em Moscovo; a data da morte de Jonas Statkus continua a ser desconhecida.[2]

Ao finalizar a Segunda Guerra Mundial, Jurate Rosales emigrou novamente a França, onde estudou latim e francês, obtendo o diploma para o ensino desta língua. Depois continuou os seus estudos na Universidade de Columbia de Nova York, onde ensinou espanhol, inglês e alemão.[3]

Em 1960, contraiu casal com o engenheiro venezuelano Luis Rosales, com quem teve cinco filhos: Luis, Juan, Sarunas, Rimas e Saulius. Pese ao exílio manteve a sua cultura de origem e na sua casa falam-se tanto espanhol como lituano.[4]

Desde 1983 é chefe de reportagem da popular revista de oposição Zêta. Além dos seus artigos semanais e o seu trabalho editorial, tem uma secção permanente no diário El Nuevo País e participa em entrevistas por rádio, televisão e internet. Durante muito tempo colaborou com o jornal Dirva, com base em Cleveland.[5]

Em Venezuela, Estados Unidos, Espanha e Lituânia publicou estudos que sustentam a hipótese de que os godos não eram um povo germánico mas báltico, continuando a corrente de autores bálticos que começa com o erudito prusiano Matthaeus Praetorius, e segue com os historiadores lituanos Simonas Daukantas, Alexander M. Račkus e Česlovas Gedgaudas, e o linguista lituano Kazimieras Būga.[6]

A sua tese sobre os godosEditar

Jurate Rosales afirma que a identificação dos godos como um povo germánico é errónea, sustentando que a língua e a religião dos godos eram bálticas.

Segundo Rosales o erro se produziu em 1769, quando o erudito sueco Johan Ihre concluiu que a língua em que se escreveu a Bíblia de Ulfilas (único texto conhecido em língua gótica) era de tipo germánico, sem ter em conta que foi traduzida para uma pequena população de godos que falava um dialeto misturado de gótico (báltico, segundo Rosales) e germánico, por estar rodeada de uma população germánica maior; o historiador Jordanes chamou a esses godos, que viviam na margem sul do Danubio, "os pequenos godos", distinguindo-os assim dos ostrogodos e os visigodos.[7] Antes desse suposto erro os habitantes do nordeste da Europa que não eram germanos eram chamados getes ou gethas nas crónicas medievais, das quais Būga e Rackus reuniram numerosos casos, como:

  • Gethas id est Letwanos, Chronicon polonisilesiacum, circa 1278 (Os godos, isto é, os lituanos)
  • Gete dicuntur Lithuani, Prutheni et alias ibidem gentes, W. Kadlubek, siglo XII (Godos são chamados os lituanos, os prussianos e outras gentes como eles)[8]

Rosales sustenta que os godos devem ser reconhecidos em alguns dos fatos atribuídos aos citas nas obras de Heródoto e Pompeu Trogo, e que a Gética de Jordanes e a Primeira Crónica Geral de Espanha de Alfonso X (rei de Leão e Castela), [9] são fontes fidedignas, em geral, no que toca à historia antiga e afirma que o livro de Alfonso X oferece a chave para colocar em ordem os fatos dos godos dentro da história da Europa e da Ásia, observando que a crônica de Alfonso X data corretamente a guerra de Troia uma vez que dize que aconteceu sendo Gideão juiz de Israel.[10]

Com base na descrição que é feita na Crônica contradize a identificação da ilha de Scandza (local de origem do povo gótico) com Escandinávia e propõe identifica-la com o Istmo da Curlândia, visto que o seno Codano mencionado na Crônica é a Baía de Gdansk e por a sua proximidade com o trecho final e a boca do rio Vístula, porque tanto (Kuršių) nerija, nome lituano do istmo, como Scandza significam a mesma coisa, "a que se submerge".[11]

Indica que a batalha do rei de Egito Sesóstris contra os citas relatada por Pompeu Trogo é a mesma que aquela relatada por Alfonso X que enfrenta ao rei de Egito Uesoso contra os godos e o suo rei Thanauso, e desque foi reconhecido em Sesóstris o faraó Ramessés II, propõe que esta batalha deve ser identificada com aquela travada entre egípcios e hititas por volta de 1270 (portanto Cadexe).[12]

Sugere que a continuidade milenar da população e da sua cultura no território nordeste europeu permite a identificação dos bálticos com os primeiros indo-europeus, pois é a região de onde saíram as diversas migrações que criaram o domínio indo-europeu.[13]

Segundo Rosales a aparência dos nomes Sembus e Neuri em inscrições encontradas no sul da França, no território que fazia parte do reino visigodo, indica que uma parte dos godos que chegou à Península Ibérica eram sembos, que viviam em terras que hoje são Polônia, enquanto outra parte eram neuros, cuja origem é a área entre o alto Volga, Moscou e Kiev, os dialetos que falavam já estão extintos, mas o dialeto dzukas, ainda vivo na Lituânia, pode ser o último resto do prussiano falado pelos sembos; atribui à influência do báltico no latim o aparecimento da palatalização e dos ditongos que caracterizam o castelhano, o leonês e o galego-português, uma vez que são muito semelhantes aos ditongos das línguas bálticas e propõe etimologias bálticas para um conjunto de palavras e sobrenomes do castelhano.[14]

Referências

  1. VYTAUTAS MAGNUS UNIVERSITY EDUCATION ACADEMY. Doctors of Honour and Professors of Honour
  2. Sava Lietuva > Leidėjai (primeiro parágrafo)
  3. Sava Lietuva > Leidėjai (segundo parágrafo)
  4. Sava Lietuva > Leidėjai (terceiro parágrafo)
  5. Sava Lietuva > Leidėjai (quarto parágrafo)
  6. Jurate Rosales, Los godos; Barcelona, Ariel (2004)
  7. Jurate Rosales, Los godos, Barcelona: Ariel (2004), p. 32
  8. Jurate Rosales, Los godos, Barcelona: Ariel (2004), p. 28-30
  9. Jurate Rosales, Los godos, Barcelona: Ariel (2004), p. 73, 74
  10. Jurate Rosales, Los godos, Barcelona: Ariel (2004), p. 82
  11. Jurate Rosales, Los godos, Barcelona: Ariel (2004), p. 83-86.
  12. Jurate Rosales, Los godos, Barcelona: Ariel (2004), capítulo 6
  13. Jurate Rosales, Los godos, Barcelona: Ariel (2004), p. 318.
  14. Jurate Rosales, Los godos; Barcelona: Ariel (2004), p. 43-69, 187, 271-289

Ligações externasEditar