Messênia (Grécia Antiga)

A Messênia (em grego clássico: Μεσσηνία) foi uma região da Grécia antiga localizada no sudoeste do Peloponeso, mais ou menos equivalendo à região moderna da Messênia na Grécia. Ao norte, fazia fronteira com a Élida ao longo do Rio Neda. A partir dali, a fronteira com a Arcádia corria ao longo do topo dos montes Eleu e Nômia e então ao sopé da cordilheira do Taigeto. A fronteira ocidental com a Lacônia ia ao longo do cume do Taigeto para o Rio Koskaraka, e então ao longo do rio para o mar, perto da cidade de Avia. A presença de rios tornava a região da Messênia bastante fértil.

Messênia, região a oeste da península do Peloponeso.

A Messênia antiga permaneceu sem alteração de nome e com pouca alteração de seu território para a unidade regional moderna da Grécia de mesmo nome. A população permaneceu grega, embora tenha havido alguma imigração de eslavos, albaneses e turcos.

HistóriaEditar

Era do BronzeEditar

Os gregos do período clássico acreditavam que primeiros habitantes de Messênia eram os "pelasgos", tal como em outras regiões da Grécia. Supostamente, as tribos helênicas haviam chegado à Grécia, e a Messênia foi colonizada por eólios. Os poemas homéricos sugerem que durante o período micênico, a Messênia oriental estava sob o domínio de Menelau de Esparta, enquanto a costa ocidental estava sob Neleu de Pilos. Depois da morte de Menelau, Neleu empurrou a fronteira até a cordilheira do Taigeto.[1] A cidade micênica de Pilos foi identificada com o local moderno de Ano Englianos, na Messênia ocidental. As escavações em Pilos e em Nicória revelaram que na Messênia da Idade do Bronze (Século XIV a. C.), havia um reino burocrático e agrícola governado pelo wanax em Pilos. Os messênios falavam o grego micênico e adoravam os deuses gregos em santuários locais como os de Esfagianes. Durante a lendária invasão dórica do Peloponeso durante o Período Obscuro grego, a Messênia foi supostamente invadida por dórios sob Cresfontes, chegando da Arcádia. Tomaram como Esteniclaro sua capital na planície do norte, e estenderam então, primeiramente seu domínio, e então seu governo sobre o distrito inteiro.[2]

Período arcaicoEditar

Durante o Período Arcaico, a riqueza relativa da Messênia em solo fértil e clima favorável atraiu os vizinhos espartanos.[3] A Primeira Guerra Messênia estourou - como resultado do assassinato do rei espartano Teleclo pelos messênios; alegou-se que, apesar do heroísmo do rei Eufais e seu sucessor Aristodemo, terminou na sujeição de Messênia por Esparta por volta de 720 a.C.[4] Duas gerações mais tarde, os messênios se revoltaram e, sob a liderança de Aristômene, no que se convencionou denominar Segunda Guerra Messênia, e mantiveram os espartanos à distância durante dezessete anos (685 a.C. - 668 a.C.). Descrições desta revolta indicam que a Messênia foi autorizada a manter um certo grau de autonomia após a primeira guerra, uma vez que descrevem as batalhas entre os exércitos organizados em ambos os lados. No entanto, a fortaleza de Eira finalmente caiu após um cerco de onze anos.[5] Como o objetivo dos espartanos era aumentar o número de lotes de terra para seus cidadãos, muitos dos messênios conquistados (aqueles que não conseguiram deixar a área) foram reduzidos à condição de escravidão, como hilotas.[6] O poeta espartano Tirteu descreve como os messênios suportaram a insolência dos seus senhores:

Como burros usados por cargas intoleráveis,

Então eles fizeram o estresse da força cruel obrigar,
De todos os frutos que a terra bem cultivada proporciona,

A metade para suportar seus senhores orgulhosos.
— Bury and Meiggs, "A History of Greece," 4th Ed

Período clássicoEditar

 
Monte Itome.

Os messênios se revoltaram novamente em 464 a.C., depois de um terremoto em Esparta, que destruiu a cidade e causou grande perda de vidas.[7] Os insurgentes defenderam-se durante alguns anos na cidadela no topo do Monte Itome, como haviam feito na Primeira Guerra Messênia. Os espartanos foram incapazes de expulsá-los de sua fortaleza no Monte Itome e, assim, concordaram com uma trégua mediada pelos atenienses por meio da qual messênios revoltosos saíram do Peloponeso e foram estabelecidos pelos atenienses em Lepanto, no território da Lócrida Ozólia.[8]

Período helenísticoEditar

Após a decisiva Batalha de Leuctra, em 371 a.C., quando os espartanos sofreram uma derrota severa nas mãos de Tebas, Epaminondas invadiu a Messênia e libertou-a do regime espartano.[9] Epaminondas convidou os messênios exilados espalhados pela Itália, Sicília, África e outros lugares para retornarem ao seu país. A cidade de Messene foi fundada em 369 a.C. para ser a principal da região e, como Megalópolis, na Arcádia, tornou-se um centro de poder que se opôs com vigor a Esparta. Outras cidades, também, foram fundadas ou reconstruídas nesse período, embora uma grande parte da terra ainda permanecesse muito escassamente povoada.[10] Embora bastante independente, a Messênia nunca se tornou realmente poderosa ou capaz de ficar sem apoio externo. Após a queda do poder tebano, a quem os messênios tinham devido a sua fundação, a cidade se tornou um aliado de Filipe II da Macedônia e evitou novos conflitos no século IV a.C. Posteriormente, os messênios se uniram à Liga Aqueia, e as tropas messênias lutaram junto com os aqueus e Antígono Doson em Selásia em 222 a.C. Filipe V da Macedônia enviou Demétrio de Faro para capturar a Messênia, mas a tentativa falhou e custou a vida de Demétrio. Logo depois, o tirano espartano Nábis conseguiu tomar a cidade, mas foi forçado a se aposentar com a chegada oportuna de Filopômen e dos megalopolitanos. Uma guerra mais tarde estourou com a Liga Aqueia, durante o qual Filopômen foi capturado e posto à morte pelos messênios (183 a.C.),[11] mas Licortas tomou a cidade no ano seguinte, e juntou-se outra vez à liga Aqueia, embora muito enfraquecido pela perda de Ávia, Thuria, e Fáris, que se desligou e entrou novamente na Liga como membro independente.

Período romanoEditar

Em 146 a.C., os messênios, juntamente com os outros estados da Grécia, foram levados diretamente sob domínio romano. Durante séculos houve uma disputa entre Messênia e Esparta sobre a posse do Ager Dentheliales na encosta ocidental do Taigeto. Depois de várias decisões de Filipe II da Macedônia, Antígono, Lúcio Múmio, Júlio César, Marco Antônio, Augusto César e outros, a questão foi resolvida no ano de 25 d.C. por Tibério e pelo Senado em favor dos messênios.[12]

Referências

  1. Homero, Odisseia, 3.488-89, 21.15-16, 21.18.
  2. Hall, Jonathan. The Dorianization of the Messenians. In: Luraghi, Nino, and Susan E. Alcock, eds. 2003. Helots and Their Masters in Laconia and Messenia: Histories, Ideologies, Structures. Hellenic Studies Series 4. Washington, DC: Center for Hellenic Studies.
  3. Kennell, Nigel; Luraghi, Nino. Laconia and Messenia. In: Raaflaub, Kurt A.; Van Wees, Hans (Eds.)A Companion to Archaic Greece. John Wiley & Sons, 2012, p. 239-254.
  4. Pausânias, IV, 5-13.
  5. Diodoro Sículo, Livro XV, 66.3.
  6. LURAGHI, Nino; ALCOCK, Susan E. (Ed.). Helots and their masters in Laconia and Messenia: histories, ideologies, structures. Harvard Univ Center for Hellenic Studies, 2003.
  7. Plutarco, Vida de Címon, 16.4.
  8. Tucídides, História da Guerra do Peloponeso, I.101.2.
  9. ALCOCK, Susan E. The pseudo-history of Messenia unplugged. Transactions of the American Philological Association (1974-), v. 129, p. 333-341, 1999.
  10. Luraghi. Nino. The Ancient Messenians. Constructions of Ethnicity and Memory. Cambridge: Cambridge University Press, 2008, p. 100.
  11. Plutarco, Vida de Filopômen, 12.
  12. Tácito, Anais, IV, 43.

BibliografiaEditar

  • Luraghi. Nino. The Ancient Messenians. Cambridge: Cambridge University Press, 2008. ISBN 978-0-521-85587-7
  • Monzani, J. C. Nichoria: um exemplo de arqueologia espacial na Grécia. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia. Suplemento, (supl. 11), 2011, pp. 63-69.
  • Rusch, Scott M. Sparta at War: Strategy, Tactics, and Campaigns, 550-362 BC. London: Frontline Books, 2011.
  • Thein, Alexander. Messenia, Ethnic Identity, and Contingency. In: MCINERNEY, Jeremy. (ed.) A Companion to Ethnicity in the Ancient Mediterranean. Oxford: John Wiley & Sons, p. 285-297, 2014.

Ver tambémEditar