Nikolay Ignatyev

Conde Nikolay Pavlovich Ignatyev (ortografia histórica: Nicolai Ignatieff; em russo: Николай Павлович Игнатьев; São Petersburgo, 17 de janeiro (29 de janeiro; calendário ocidental) de 1832 – 20 de junho (3 de julho; calendário ocidental) de 1908) foi um nobre, estadista e diplomata russo.

Nikolay Pavlovich Ignatyev
Никола́й Па́влович Игна́тьев
Ignatyev em 1900
Nascimento 29 de janeiro de 1832
São Petersburgo
Morte 3 de julho de 1908 (76 anos)
Nacionalidade Russo
Progenitores Mãe: Maria Ivanovna Maltsova
Pai: Pavel Nikolayevich Ignatyev
Ocupação estadista e diplomata
Título Conde

Foi Presidente do Comitê de ministros da Rússia de 1872 até 1880 e ministro do interior de 1881 até junho de 1882.[1]

BiografiaEditar

JuventudeEditar

Era filho de Maria Ivanovna Maltsova e do capitão Pavel Nikolaievich Ignatiev, que se tinha convertido no favorito do czar Nicolau I devido à sua atuação durante a Revolta Dezembrista. O próprio herdeiro do trono, o Grão-Duque Alexandre, foi padrinho de batismo do jovem Nikolai Ignatiev. Depois de se graduar no Corpo de Pagens aos 17 anos, tornou-se oficial do regimento da Guarda de Hussardos de Sua Majestade e foi promovido a adido militar na embaixada russa em Londres, a cargo de operações de informação. Foi, porém, expulso do Reino Unido após uma operação falhada.

Carreira diplomáticaEditar

A carreira diplomática de Ignatiev començou com o Congresso de Paris de 1856, que fez terminar a Guerra da Crimeia.[2] Ignatiev atuou como adido militar nas negociações para estabelecer a fronteira russo-turca no Baixo Danúbio.

Dois anos depois foi enviado com uma pequena escolta numa perigosa missão à Ásia Central, visitando o Canato de Khiva e o Emirado de Bucara. O cã de Khiva tentou sem êxito tomá-lo como refém, mas conseguiu escapar e voltou À Rússia depois de assinar um tratado de amizade com o emir de Bucara.

O seu seguinte destino foi o Extremo Oriente, como ministro plenipotenciário junto da corte imperial chinesa. Conseguiu que o governo chinês, aterrorizado pela expedição anglo-francesa, assinasse o Tratado de Aigun (28 de maio de 1858).[3] Segundo este acordo, era revista a fronteira China-Rússia, determinada no Tratado de Nerchinsk de 1689. A Rússia ganhou não apenas território na margem esquerda do rio Amur, mas também a Manchúria Exterior, a área até à costa do oceano Pacífico que não congelava, onde se fundou o porto de Vladivostok en 1860.

Os BalcãsEditar

 
Monumento a Ignatiev em Varna, Bulgária.

O êxito de Ignatiev abriu-lhe as portas da embaixada russa em Constantinopla, cargo que ocupou de 1864 a 1877. O seu principal interesse foi a libertação dos cristãos orientais do jugo otomano, colocando-os sob a proteção do Império Russo, em particular os búlgaros. A sua atividade, na sua maioria extra-oficial e secreta, culminou na Guerra russo-turca de 1877-1878, ao final da qual negociou o Tratado de San Stefano com os turcos.[4] Porém, já que as grandes potências se encarregaram de que a Rússia não obtivesse as vantagens que procurava, Ignatiev perdeu o favor do czar, em boa medida graças aos esforços do conde Piotr Shuvalov, e foi retirado do serviço ativo. Depois, o tratado foi revisto pelo Tratado de Berlim, no qual Shuvalov foi o representante russo.

Apesar de tudo, o conde Ignatiev continuou a ser tremendamente popular na Bulgária, e mesmo considerado como candidato ao trono da Bulgária, que acabou por ser atribuído ao seu inimigo pessoal, o príncipe Fernando de Saxe-Coburgo.

Últimos anosEditar

Entretanto Ignatiev serviu como Governador de Nizhni Novgorod, onde fomentou a expansão da Feira de Makariev. Pouco depois da ascensão de Alexandre III, em maio de 1881 foi nomeado Ministro do Interior, com o intuito de empreender uma política nacionalista e reacionária. Após vários pogrom, distúrbios anti-semitas, os quais Ignatiev foi acusado de fomentar, em maio de 1882 promulgou as infames Leis de Maio, um conjunto de disposições anti-semitas. Outros autores defendem que a política do governo foi a detenção dos perseguidores e proteção dos judeus, de pouco êxito devido à apatia das autoridades locais. Tras retirarse en junio de 1882 não teve já influência nos assuntos públicos.

O seu filho, o conde Pavel Ignatyev, foi o último Ministro da Educação do czar Nicolau II. O seu neto George Ignatieff tornou-se cidadão do Canadá e exerceu a carreira diplomática. O seu bisneto Michael Ignatieff foi líder do Partido Liberal do Canadá entre 2008 e 2011.

Referências

  1. The Modern Encyclopedia of Russian and Soviet History, Volume 14. Joseph L. Wieczynski, edi. Academic International Press, 1994. p. 130.
  2. Spector, Ivar. (1969) An introduction to Russian history and culture. 5ª edi. Van Nostrand, p. 139.
  3. Walker, Hugh Dyson. (2012) East Asia: A New History. Bloomington, IN: AuthorHouse. p. 334. ISBN: 978-1-4772-6516-1
  4. The New Encyclopaedia Britannica, Volume 5. 15ª edi. Encyclopaedia Britannica, 1998. p. 368.

Ligações externasEditar

 
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