Abrir menu principal

Ofensiva no oeste da Líbia em 2019

Gnome globe current event.svg
Este artigo ou seção é sobre um conflito armado recente ou ainda em curso. A informação apresentada pode mudar com frequência. Não adicione especulações, nem texto sem referência a fontes confiáveis. (editado pela última vez em 11 de setembro de 2019) Warfare current.svg
Ofensiva no oeste da Líbia em 2019
Segunda Guerra Civil Líbia
Western Libya Operation (2019).png
Mapa mostrando a ofensiva do Exército Nacional da Líbia no oeste da Líbia
Data 4 de abril de 2019 – presente
Local Líbia Ocidental
Situação em curso
Beligerantes
Líbia Câmara dos Representantes da Líbia Apoio:
Arábia Saudita
 Egito
 Emirados Árabes Unidos
Líbia Governo do Acordo Nacional

Milicias de Misrata [4]

Milicias de Zawiya [1]
Comandantes
Khalifa Haftar Fayez al-Sarraj
Emad al-Tarabelsi[2]
Forças
18 000 a 25 000 homens[5][6] 20 000 homens pelo menos[6]
   
Total: 121 mortos, 561 feridos,[7]
13 625 deslocados de suas casas[8]

A ofensiva no oeste da Líbia de 2019, codinome "Operação Inundação da Dignidade",[9] é uma campanha militar do Exército Nacional Líbio sob o comando do marechal Khalifa Haftar, que representa a Câmara dos Representantes da Líbia, para capturar a região ocidental da Líbia e eventualmente, a capital Trípoli, mantida pelo Governo do Acordo Nacional, reconhecido internacionalmente.[10] Teve inicio em 4 de abril de 2019.[11]

AntecedentesEditar

Após a queda do regime de Gaddafi em 2011, o controle político e militar na Líbia entro em colapso. A luta entre diferentes facções se intensificou em 2014, com a Câmara dos Representantes, sediada na cidade de Tobruk, no leste, sendo a principal força política que afirma ser o governo legítimo da Líbia. A Câmara dos Representantes foi apoiada pelo Exército Nacional Líbio do Marechal Khalifa Haftar. No início de 2016, um governo rival, o Governo do Acordo Nacional (GAN), foi estabelecido em Trípoli com o apoio das Nações Unidas e de vários países ocidentais.[12] Também é apoiado pela Itália, principal parceiro econômico da Líbia, pela Turquia e pelo Catar.[13] O Exército Nacional Líbio, contudo, recebe apoio militar do Egito, dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita.[14][15][13] A Rússia, por sua vez, tem ligações com os dois governos rivais.[16] A França mantém uma posição ambígua reconhecendo formalmente o Governo do Acordo Nacional, mas também fornecendo apoio ao Exército Nacional Líbio durante operações contra os jihadistas.[15][5][17]

Houve várias tentativas de negociar entre os dois governos e organizar novas eleições ao longo de 2017 e 2018. A partir de 2019, os planos para as eleições ainda permaneciam frouxos.[18][19][20] A eclosão dos combates aconteceu antes de uma conferência nacional sobre a Líbia planejada com apoio internacional, marcada para 14 de abril, com o objetivo de criar um governo de unidade entre Sarraj e Haftar. A conferência foi planejada durante um ano[21] e representantes de todas as facções políticas foram convidados, com 120 a 150 delegados esperados. Seus objetivos eram criar uma estrutura para uma nova constituição e planejar novas eleições presidenciais e parlamentares. Em março de 2019, o avanço das forças de Haftar no sul e no oeste da Líbia durante a primeira parte daquele ano estava começando a causar preocupação para os organizadores da conferência.[22] No início de 2019, o Exército Nacional Líbio do marechal Khalifa Haftar liderou uma ofensiva em Fezzan, no sudoeste da Líbia, que permitiu que assumisse o controle de parte da região.[23][24][25] A proporção de forças é então favorável ao governo de Tobruk, que controla a maior parte do país.[15]

Em 4 de abril de 2019, uma gravação em áudio foi publicada no Facebook pelo marechal Haftar declarando guerra ao Governo do Acordo Nacional e anunciando que o Exército Nacional Líbio assumiria militarmente a cidade de Trípoli.[26]

Em resposta, o governo de Trípoli, liderado pelo primeiro-ministro Fayez al-Sarraj e pelo Conselho Presidencial, ordenou uma mobilização geral de todas as suas forças de segurança.[27][28]

CampanhaEditar

No dia 4 de abril, ao amanhecer, as forças do Exército Nacional Líbio chegaram aos arredores da cidade de Gharyan, 100 quilômetros ao sul de Trípoli.[14] O general Abdessalem al-Hassi, comandante das operações militares do Exército Nacional Líbio na região oeste, declarou que suas tropas entraram na cidade sem combates.[14] A AFP afirma, no entanto, que esta informação é "negada pela manhã por pelo menos quatro fontes locais".[14] Os povoados de Gheriane, localizada o 65 quilômetros a oeste de Trípoli, e Sermane, a 60 quilômetros a leste, são tomados no mesmo dia, sem combates, pelas forças pró-Haftar.[29]

Na noite de 4 de abril, dezenas de homens do Exército Nacional Líbio com quinze caminhonetes assumem o controle da barreira de segurança "ponte 27",[14] a 27 quilômetros a oeste de Trípoli.[6][30] O ataque é liderado pelas unidades 106 e 107, consideradas parte das tropas de elite do Exército Nacional Líbio. No entanto, no dia seguinte, pouco antes do amanhecer, uma milícia de Zauia pró-Governo do Acordo Nacional retoma este ponto depois de uma curta escaramuça e fazer dezenas de prisioneiros.[31][32] O porta-voz do Exército Nacional Líbio, Ahmad al-Mesmari, admite que 128 soldados foram capturados.[31] O Governo do Acordo Nacional, por sua vez, fornece um balanço de 145 prisioneiros e 60 veículos capturados.[15][33]

Os primeiros combates significativos começam em 5 de abril, no final do dia, a cerca de cinquenta quilômetros ao sul de Trípoli, nas proximidades de Gasr Ben Ghechir, Soug al-Khamis, Al-Saeh e Soug al-Sabt.[31] [32][6] As forças do Exército Nacional Líbio tentam então controlar o Aeroporto Internacional de Trípoli.[31] De acordo com o Governo do Acordo Nacional, eles conseguem tomá-lo brevemente antes de serem repelidos.[31] Os combates também ocorrem na região de El Azizia, a cerca de 50 quilômetros a sudoeste de Trípoli.[31] [32] O Exército Nacional Líbio reivindica a captura da cidade de El Azizia, assim como Tarhounah, a 90 quilômetros a sudeste de Trípoli, onde a milícia da cidade, a Sétima Brigada, desertou para se juntar ao Exército Nacional Líbio.[6][32][30]

Na noite de 5 de abril, as tropas do Exército Nacional Líbio também entram na cidade de Gasr Ben Ghechir, a menos de 30 quilômetros ao sul de Trípoli.[30][34]

Em 6 de abril, os combates continuam, particularmente nas proximidades de Wadi Al-Rabii e Gasr Ben Ghechir.[35] Ataques aéreos contra as tropas do Exército Nacional Líbio são relatados.[34][35]

Em 7 de abril, o Exército Nacional Líbio respondeu conduzindo bombardeios aéreos na região de Trípoli.[36]

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b «Haftar forces capture old Tripoli airport after clashes near Libyan capital». Middle East Eye and agencies. 5 de abril de 2019 
  2. a b «Libya's western Air Force strikes Haftar's forces positioned in Mizda, Sooq Al-Khamis». Libyan Express (em inglês). 6 de abril de 2019 
  3. «Fighting flares on outskirts of Tripoli». BBC. 6 de abril de 2019 
  4. «Armed groups from Libya's Misrata are moving to defend Tripoli: residents». Reuters. 4 de abril de 2019 
  5. a b Frédéric Bobin, En Libye, le maréchal Haftar intensifie la pression sur Tripoli, Le Monde, 5 de abril de 2019.
  6. a b c d e Maryline Dumas, Tripoli: les tensions se poursuivent, Le Figaro, 6 de abril de 2019.
  7. UN says fighting over Libya’s Tripoli has killed 121
  8. «Eastern Libya parliament head says forces will push Tripoli campaign». Reuters 
  9. «Libyan National Army Reaches Tripoli's Outskirt (Map)». South Front. 6 de abril de 2019 
  10. «Libya general tells forces to take capital». BBC (em inglês). 5 de abril de 2019 
  11. «Khalifa Haftar, Libya's strongest warlord, makes a push for Tripoli». The Economist. 5 de abril de 2019. ISSN 0013-0613 
  12. Fielder, Jez (5 de Abril de 2019). «Libya, a country divided: From Gaddafi to Haftar, how did they get here?». Euronews 
  13. a b Les puissants soutiens des deux camps rivaux libyens, ATS, 6 de abril de 2019.
  14. a b c d e Imed Lamloum, Libye: des forces du maréchal Haftar aux portes de Tripoli, AFP, 5 de abril de 2019.
  15. a b c d Célian Macé, Haftar, l’offensive de trop en Libye ?, Libération, 5 de abril de 2019.
  16. Jihâd Gillon, Russie : un pied dans chaque camp libyen, Jeune Afrique, 5 de fevereiro de 2019.
  17. Leela Jacinto, How the West’s silence emboldened Libya’s Haftar, France 24, 6 de abril de 2019.
  18. Asmahan Soliman; Hossam Bahgat (25 de fevereiro de 2017). «Haftar and Sarraj in Cairo: The details of Egypt's partially successful Libyan summit». Mada Masr 
  19. Mustafa Fetouri (8 de Maio de 2017). «Libyan peace may be possible after Abu Dhabi talks». The National 
  20. «Libya elections by June 2019, UN envoy tells Reuters at Palermo Conference». Libyan Express (em inglês). 12 de Novembro de 2018 
  21. «Libya Lurches Toward Battle for Capital as Sarraj Vows to Fight». Bloomberg News. 6 de Abril de 2019 
  22. Patrick Wintour (21 de Março de 2019). «UN Libya envoy hopes reconciliation talks will bring stability». The Guardian 
  23. François d’Alançon, Libye : la dynamique Haftar s’amplifie, La Croix, 14 de fevereiro de 2019.
  24. Frédéric Bobin, En Libye, les avancées du maréchal Haftar rebattent les cartes de la crise, Le Monde, 8 de fevereiro de 2019.
  25. Arianna Poletti, Libye : le maréchal Haftar avance dans le sud-ouest et inquiète Tripoli, Jeune Afrique, 8 de fevereiro de 2019.
  26. Abdulkader Assad (4 de Abril de 2019). «Khalifa Haftar declares war on Tripoli». The Libya Observer 
  27. «Libya declares mobilisation to face Haftar's forces». Middle East Monitor. 4 de Abril de 2019 
  28. Alexander Morgan; Matthew Holroyd (5 de Abril de 2019). «Tensions flare in Libya as eastern Libyan commander orders forces to move on Tripoli». Euronews 
  29. Libye: le maréchal Haftar ordonne à ses forces d'entrer dans Tripoli, RFI, 4 de abril de 2019.
  30. a b c Libye: la communauté internationale demande à Haftar de stopper son offensive, RFI, 5 de abril de 2019.
  31. a b c d e f Libye: Guterres "profondément inquiet", combats au sud de Tripoli, AFP, 5 de abril de 2019.
  32. a b c d Libye: l’offensive de Khalifa Haftar repoussée à 30 kilomètres de Tripoli, RFI, 5 de abril de 2019.
  33. Libye : Les combats se rapprochent de Tripoli, France 24, 5 de abril de 2019.
  34. a b Libye: l’ONU maintient la date de la conférence nationale, RFI, 6 de abril de 2019.
  35. a b Libye : des combats au sud de Tripoli font craindre un nouvel embrasement, Le Monde com AFP, 6 de abril de 2019.
  36. Libye: premiers bombardements aériens autour de Tripoli, RFI, 7 de abril de 2019.