Abrir menu principal
Quinto Corélio Rufo
Cônsul do Império Romano
Consulado 78 d.C.
Nascimento 31 d.C.
Morte 98 d.C.

Quinto Corélio Rufo (em latim: Quintus Corellius Rufus; 3198 (67 anos)) foi um senador romano nomeado cônsul sufecto para o nundínio de setembro a outubro de 78 com Lúcio Funisulano Vetoniano[1]. É conhecido por ter sido mentor de Plínio, o Jovem, que o citou afetuosamente em várias de suas cartas indicando que com frequência se aconselhava com ele. Em uma delas, Plínio conta as palavras de Rufo à sua filha em seu leito de morte sobre si mesmo: "Por causa de uma vida longa, pude angariar muitos amigos para você, mas sobretudo Segundo [Plínio] e Cornuto[2].

CarreiraEditar

Como Plínio conta que Corélio Rufo morreu aos 67 anos, é possível estimar que ele teria nascido em 30 ou 31, uma vez que a epístola na qual ele conta o evento é datada entre 97 e 98[3]. Pouco se sabe sobre sua vida antes de seu consulado. O único incidente relatado deste período é que ele teria contraído gota aos 32, o que levou Plínio a acreditar que a doença era hereditária. Rufo tratava sua condição através de dietas e de uma "vida virtuosa" em sua juventude, mas a doença piorou em sua velhice, acometendo todo o seu corpo e não apenas as suas pernas[4].

Depois do consulado, Rufo serviu como legado imperial da Germânia Superior entre 79 e 84[5]. Depois, seja por sua doença ou por uma antipatia de Domiciano, Rufo se retirou da vida pública. Plínio deixa claro que ele odiava o imperador: certa vez, durante uma visita, Rufo, preso em sua cama e sofrendo, lhe confidenciou: "Por que você acha que eu aguentei essa maldita dor por tanto tempo? Eu quer viver mais do que aquele patife"[6]. Plínio estava convencido de que se Rufo estivesse com a saúde melhor, ele certamente teria participado do complô para assassinar o imperador.

Depois da morte de Domiciano, Rufo retornou à vida pública e Plínio com frequência se aconselhava com ele. Durante uma discussão sobre jovens romanos com potencial perante o imperador Nerva, diversas pessoas elogiaram Plínio. Rufo comentou que ele próprio estava evitando elogiá-lo "por que ele não faz nada sem se aconselhar comigo"[7]. Plínio também conta que, embora ele não tenha buscado o conselho de Rufo antes de processar o delator Publício Certo no Senado, ele contou-lhe com antecedência os seus planos[8].

Nerva nomeou Rufo para uma comissão encarregada de comprar e alocar terras para aliviar as condições dos pobres de Roma, o que ele fez com a ajuda de um certo Cláudio Polião[9].

Acometido de dores insuportáveis, Corélio Rufo se suicidou deixando de se alimentar apesar dos apelos de sua família e amigos. Plínio escreveu em uma de suas epístolas a Caléstrio Tirão que nem ele conseguiu mudar a cabeça do velho Rufo "pois sua decisão de morrer já havia endurecido mais e mais inflexivelmente"[10]. Ele termina a carta implorando para que o amigo que lhe enviasse algum consolo que fosse original, "pois as condolências que eu ouvi e li e que chegaram a mim sem convite não se comparam a este grande luto"[11].

FamíliaEditar

Rufo se casou com Hispula, cujo nome indica uma relação com uma gente pouco comum. Ronald Syme fornece uma lista do punhado de nomes conhecidos da família, lembrando que a tia da segunda esposa dele era chamada Calpúrnia Hispula[12]. Os dois tiveram apenas uma filha conhecida, Corélia Hispula, que também era parte do círculo de amizades de Plínio; ela foi a primeira esposa de Lúcio Nerácio Marcelo, cônsul sufecto em 95 e cônsul em 129, com quem teve um filho, Lúcio Cornélio Nerácio Pansa, cônsul em 122.

Ver tambémEditar

Referências

  1. Paul Gallivan, "The Fasti for A. D. 70-96", Classical Quarterly, 31 (1981), pp. 203, 214
  2. Plínio, Epístolas IV.17.9
  3. Plínio, Epístolas I.12.11
  4. Plínio, Epístolas I.12.4-6
  5. Werner Eck, "Jahres- und Provinzialfasten der senatorischen Statthalter von 69/70 bis 138/139", Chiron, 12 (1982), pp. 302-305
  6. Plínio, Epístolas I.12.8
  7. Plínio, Epístolas IV.17.8
  8. Plínio, Epístolas IX.13.6
  9. Plínio, Epístolas VII.31.4
  10. Plínio, Epístolas I.12.10
  11. Plínio, Epístolas I.12.13
  12. Syme, "Personal Names in Annals I-VI", Journal of Roman Studies, 39 (1949), p. 14f