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Sapatos Pretos

filme de 1998 dirigido por João Canijo
Sapatos Pretos
Sapatos Pretos (PRT)
Portugal
1998 •  
Direção João Canijo
Elenco Ana Bustorff, Vítor Norte, João Reis
Idioma português

Sapatos Pretos é um filme português, realizado por João Canijo, no ano de 1998.O argumento foi escrito pelo próprio realizador e por Pierre Hodgson, tratando-se de uma produção luso-francesa. A história foi baseada num caso real que ocorreu em Portugal, e a pretensão do realizador foi entrar no Portugal rural e questionar os tão conhecidos "brandos costumes" portugueses, como o próprio afirmou no making of, disponível no DVD editado pela produtora "MADRAGOA FILMES". O filme conta a história de uma mulher em desespero de vida, que é agredida muito violentamente pelo marido, e começa uma tentativa de escape, realizando uma mudança radical de imagem. A partir desta mudança, a mulher continua a querer fugir cada vez mais do marido e da sua mãe chantagista, e o seu desejo de libertação culmina com a morte do marido. O filme fez bastante sucesso em Portugal, tendo sido o 21º maior sucesso de público no período 1980-2001. A recepção pela crítica não foi coesa.

HistóriaEditar

Dalila (Bustorff) é uma mulher casada e com um filho que não quer de modo algum envelhecer. O seu marido, Marcolino (Norte) é um homem violento e obscuro, que em actos inconscientes, dá tudo pela ostentação (oferece à mulher um descapotável novo após ter assinado uma hipoteca). Dalila sofre diariamente de violência doméstica por parte do marido, que chega a ser sádico. Mas, certa vez, Dalila ingressa em Lisboa,e quando regressa, torna-se alvo de falatório por parte dos cidadãos de Sines, isto porque ela consuma uma mudança radical: descolora o cabelo, muda o guarda-roupa, utilizando vestidos muito justos e curtos. Resumidamente, passa de comedida a desmedida; Mas Marcolino na verdade, não se importa que Dalila seja observada/comentada por outros homens. Ele usa-a como um objecto para revelar às outras pessoas. Esta nova Dalila, inventa um cancro no peito para poder realizar um aumento, o que desagrada ao marido, e é nesse momento em que o espectador se apercebe de que o marido é sádico, na cena mais violenta do filme. A renovada Dalila decide também arranjar um amante, e à medida que se moderniza, começa a perceber que não tem de ser batida, e a odiar cada vez mais o marido. Porém, Dalila está condicionada a não se divorciar do marido, já que a mãe (Breia), a chantageou, afirmando que ela "deixaria de ser filha dela" se se divorciasse do marido. Então Dalila, encurralada, considera que a única opção que lhe resta para se livrar do marido, é matá-lo. Ela pede esse favor ao amante, mas este não está disposto a fazê-lo. Então, ela contrata um matador, e tenciona pagar-lhe com a mala de jóias da pasta de Marcolino, que é vendedor de jóias. Dalila está a enganar o amante, Pompeu (Reis), já que este pensa que eles vão fugir e utilizar o dinheiro para abrir um restaurante no México. Ela planeia um crime perfeito, para enganar tudo e todos, mas é encriminada por uns sapatos pretos que comprou numa sapataria em Lisboa, através de uma vizinha, Ercília (Madruga) que apenas juntou "A mais B"...

ProduçãoEditar

O projecto original de João Canijo era fazer um filme rude e agressivo, por isso tentou fugir ao lado de telenovela da história acrescentando-lhe muita agressividade, utilizando uma técnica de filmagem de estilo amador e pouca luz, o que chega a ser incomodativo para o espectador. Ana Bustorff referiu que sabia que aceitar o papel principal era expor-se extremamente em frente a uma câmara e aos espectadores que iam assistir ao filme (contém cenas de nudez muito explícitas), mas também disse que só entendia o trabalho arriscando nos papéis que fazia, mas acrescentou que se sentiu muito descompensada e confusa durante momentos de filmagem. Vítor Norte e João Reis disseram que algumas cenas foram difíceis de fazer devido ao pudor, mas que, acima de tudo, foi uma rodagem divertida.

Reacção ao filmeEditar

O filme foi bem recebido pelo público,tendo tido aproximadamente 52387 espectadores em Portugal, o que é um número aceitável, dada a época. A reacção pela crítica foi misturada: uma crítica no Jornal Expresso, a 10-4-1998, chamou-lhe "um filme grosseiro". Outras críticas elogiaram o filme, algumas chamaram-no de "grande filme português"(Mário Jorge Torres, in Jornal Público), e uma crítica disse que a personagem principal não iria ser esquecida pelos portugueses.

Elenco PrincipalEditar

Dalila ... Ana Bustorff

Marcolino ... Vítor Norte

Pompeu ... João Reis

Mãe de Dalila ... Márcia Breia

Ercília ... Teresa Madruga

Jordão ... Fernando Luís

PrémiosEditar

Globo de Ouro em 1999 na categoria de Melhor Actriz para Ana Bustorff

Prémio Nova Gente em 1999 na categoria de Melhor Actriz para Ana Bustorff

Ligações externasEditar