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Marrocos Taza

تازةⵜⴰⵣⴰ

 
  Município  
Vista de Taza
Vista de Taza
Taza está localizado em: Marrocos
Taza
Localização de Taza em Marrocos
Coordenadas 34° 13' N 4° 1' O
Região (1997-2015) Taza-Al Hoceima-Taounate
Província Taza
Administração
- Prefeito Hamid Kouskous (MP)
Área
- Total 37 km²
Altitude 550 m
População (2004) [1][2]
 - Total 137 778
    • Densidade 3 723,7 hab./km²
 - Estimativa (2012) 156 768
Código postal 35000,35015
Website www.ville-taza.com

Taza (em árabe: تازة; em tifinague: ⵜⴰⵣⴰ) é uma cidade do norte de Marrocos, capital da província homónima, que faz parte da região de Taza-Al Hoceima-Taounate. Em 2004 tinha 137 778 habitantes[1] e estimava-se que em 2012 tivesse 156 768 habitantes.[2]

Taza situa-se no chamado corredor ou passagem de Taza (em francês: trouée), uma planície estreita que separa as cadeias montanhosas do Rife, a norte, do Médio Atlas, a sul, à beira da extremidade nordeste do Parque Nacional de Tazekka, a pouco menos de 120 quilómetros por estrada a leste de Fez e 165 quilómetros a sul de Al Hoceima. Está ligada a Fez e Ujda pela autoestrada A9 e está previsto que em 2015 a via rápida R505 passe a ligar Taza com Al Hoceima e Nador. A linha ferroviária Fez-Ujda passa em Taza.

O corredor de Taza foi usado por vagas sucessivas de invasores que, vindos de leste, se dirigiam para as planícies costeiras do noroeste de África.[3]

A cidade esteve durante algum tempo separada em duas: a cidade antiga ergue-se rodeada de muralhas num planalto escarpado a pouco menos de 600 metros de altitude, enquanto que a cidade nova, criada pelos franceses na década de 1920, ocupa um planalto fértil a 445 metros de altitude.

Índice

HistóriaEditar

Da Pré-história aos IdríssidasEditar

fósseis e outros vestígios arqueológicos encontrados em à volta da cidade, como as grutas de Loghmari e a zona da ponte de Qarn Ennasrani, atestam que a ocupação humana remonta ao Paleolítico. Durante as escavações arqueológicas levadas a cabo durante o período colonial francês foram encontrados muitos artefatos que atualmente se encontram no Museu de Taza.

A posição estratégica e lugar de passagem entre o Rife e o Atlas, fez de Taza uma praça militar cobiçada pelos povos vindos de leste que desejavam conquistar as terras marroquinas, tendo a cidade passado pelas mãos de diversas dinastias que reinaram em Marrocos.

As tribos que habitavam a região de Taza e o vale do Inaouen (Ghiata, Sdarata, Tsoul, etc.), aliaram-se ao fundador da dinastia idríssida, Idris I (r. 788–791) o que tornou a cidade um ponto estratégico do Califado Idríssida.[carece de fontes?] Após a morte de Idris II (r. 808–828), seu filho Maomé I (r. 828–836) criou uma federação e entregou o governo das regiões dos huaras ao seu irmão Daúde, que se instalou em Taza.[4]

Mecnassas, almorávidas e almóadasEditar

Após a queda do Idríssidas, o líder mecnassa Ibn Abi Elafia conquista Taza e funda aí a sua dinastia. Posteriormente conquistou Fez e a maior parte de Marrocos, antes de ser derrotado pelo Califado Fatímida, o que o fez refugiar-se em Taza, onde construiu uma arrábita (mosteiro muçulmano fortificado). Algumas fontes associam a fundação da cidade tal como se conhece hoje à criação deste arrábita.

Em 1074, Taza é conquistada pelo emir almorávida Iúçufe ibne Taxufine. A cidade permanece sob o domínio dos almorávidas até 1132, quando é tomada pelo califa almóada Abde Almumine, que a declara capital provisória do seu reino. Para lutar contra os Benamerim (zenetas originários da regiões préssaarianas que fundarão a dinastia merínida meio século depois), o califa almóada manda construir uma muralha em redor da almedina. A Grande Mesquita de Taza, uma dos melhores exemplos ainda existentes da arquitetura almóada, foi terminada em 1172.

Merínidas e SaadianosEditar

Com o declínio dos almóadas, os seus sucessores Merínidas ocupam Taza desde 1216 (ou 1248 segundo outras fontes), considerada então «a chave do ferrolho do Gharb», como refere o autor do Bayân:[necessário esclarecer]

Uma vez instalado em Taza, Abu Iáia, príncipe merínida, fez soar os tambores e içar os estandartes. De todas as partes, os chefes das tribos acompanhados, de delegações vieram apresentar-lhe a sua homenagem. Porque ele tinha ocupado antes o cargo de emir no seio das tribos Banu Marin, mas sem tambores nem estandartes.

A reconstrução da grande mesquita almóada em 1291 é a edificação mais antiga de influência merínida ainda conservada. Outro monumento merínida importante é o madraçal (escola islâmica), situado no méchouar (palácio) construído por Abu Haçane Ali (r. 1331–1348) em 1323.[5]

O sultão saadiano Amade Almançor (r. 1578–1603) restaurou as muralhas de Taza e adaptou-as às novas técnicas de guerra de cerco, com o objetivo de barrar invasões dos turcos otomanos provenientes da vizinha Argélia.[3]

Alauitas e Protetorado FrancêsEditar

Em 1665, o líder alauita Mulei Arraxide conquistou Taza como parte da estratégia da conquista de Fez, que ocorreria no ano seguinte. Mulei Arraxide, que se tornou o primeiro sultão alauita que ainda hoje governa Marrocos, instalou em Taza a sua capital provisória e ali mandou construir o Dar el Makhzen (palácio real), a sul da cidade.

Em 1803, durante as suas viagens em África e na Ásia, o explorador e espião espanhol Domingo Badía e Leblich (conhecido no Oriente pelo seu pseudónimo e nome falso Ali Bei Alabassi) relata:

A cidade é rodeada de velhas muralhas e a torre da mesquita ergue-se acima dela como um obelisco. O rochedo é escarpado em alguns locais e coberto de pomares noutros, com hortas que rodeiam a sua base. Num lado existe um pequeno que se precipita, no outro vários regatos que tombam em cascatas, uma ponte arruinada acresce interesse ao quadro; uma quantidade inumerável de rouxinóis, de rolas e outros pássaros fazem deste sítio um local arrebatador. Os vales cobertos de searas abundantes fazem-se crer que os habitantes são mais laboriosos que os dos lados do mar (...)

Estive acampado todo o dia e fui à cidade para assistir à oração pública de sexta-feira. A cidade de Taza é a mais linda de todas aquelas que eu vi no império de Marrocos.

É a única que o olho não vê ponta de ruínas. As suas ruas são belas, as casas bonitas e pintadas. A principal mesquita é muito grande, bem construída e adornada dum belo vestíbulo. Há vários mercados bem fornecidos, um grande número de lojas e pomares muito belos, a água é excelente e o ar muito puro, os víveres são bons, de preço pouco elevado e em grande abundância; os habitantes pareceram ser gente de espírito. Estas vantagens fazem-me preferir a cidade de Teza a todas as outras cidades do império, mesmo às capitais Fez e Marrocos.[nt 1]

Em 1902, Rogui Bou Hamara[nt 2], um notável da corte do sultão Mulai Abdalazize e pretendente ao trono, volta a Marrocos sob uma identidade falsa depois de estar exilado na Argélia. Faz-se passar por Mulai Maomé, irmão do sultão e faz-se proclamar sultão em Taza. Evocando sentimentos piedosos, incita os berberes da região a revoltarem-se contra o verdadeiro sultão e permanece como governante da cidade durante sete anos. Perde o apoio das tribos das montanhas depois de vender concessões mineiras aos espanhóis, sendo capturado em 1909 e fuzilado e queimado em Fez por ordem do sultão Mulai Abdal Hafide.

Nos termos do Tratado de Fez, assinado a 30 de março de 1912, Taza passa a fazer parte do Protetorado Francês de Marrocos a 10 de maio de 1914, uma situação que se manteve até à independência em 1956.

Monumentos e atrações turísticasEditar

A principal artéria da cidade é animada pelo Mercado de Cereais e os socos (mercados ou zonas comerciais) onde é vendido artesanato berbere, como esteiras, tapetes, joalharia, bijuteria e todo o tipo de artefatos fabricados pelos berberes das montanhas.

A rua termina na antiga praça de armas ao fundo da qual se ergue a Mesquita dos Andaluzes ou Grande Mesquita, originalmente construída pelos almóadas no século XII e um dos mais belos exemplos da arquitetura almóada, a par da Kutubia de Marraquexe e da mesquita de Tinmel, as quais foram inspiradas na de Taza. O minarete, construído no século XII, tem a particularidade de ser mais largo na parte alta do que na base.

A rua Bab el-Qebbour atravessa a Kissaria (mercado coberto), conduzindo depois à Mesquita do Mercado, onde desemboca na porta Bab Jamaa, a entrada principal da cidade velha. Mais a sul, na porta oposta de Bab el-Rih (Porta do Vento), um bastião do século XVI encerra a casbá (fortaleza). As muralhas de Taza, construídas no século XII e reforçadas várias vezes, foram dotadas no século XVI pelo sultão saadiano Amade Almançor de um borj (forte) de 26 metros de lado cuja porta com grade e as casamatas superiores denotam uma clara influência europeia.

ArredoresEditar

  • Parque Nacional de Tazekka — Criado em 1950 com uma área inicial de 680 hectares, este parque nacional tinha como objetivo principal proteger os recursos naturais do Jbel Tazekka, uma montanha verdejante que domina a região e cujo cume se ergue a 1 980 m de altitude.
  • Gruta Friouato — Uma das grutas mais importantes da região. Situada no Parque Nacional de Tazzerka, tem com numerosas salas
  • Buiblane — Situado a cerca de 60 quilómetros de Taza, o Monte Buiblane é uma montanha que é coberta de neve seis meses por ano, o que faz dela uma das zonas com mais neve de Marrocos, quer em quantidade quer em duração. Há planos para a sua exploração turística.
  • Ras-El-Ma — Zona montanhosa onde os cumes chegam aos 1 100 m, situa-se a 13 quilómetros da cidade onde existe uma nascente, um ribeiro, cascatas, florestas e grutas. Faz parte de um circuito turístico que engloba vários locais com vocação turística, como Sidi Majbeur, Bab Boudir, Maghraoua, Bab Azhar, Bouiblane, etc.
  • Bab-Boudir — Localizada no interior do Parque Nacional de Tazekka, a 30 quilómetros de Taza, destaca-se pelo seu património construído e pelas atividades culturais. Nas imediações há nascentes, florestas e montanhas.
  • Bab Marzouka — Situada a uma dezena de quilómetros a oeste de Taza, na estrada de Fez, é uma comuna com elevada densidade populacional, que ocupa um vale panorâmico e fértil que tem como pano de fundo montanhas escarpadas que constituem a continuação do maciço de Tazzeka. . É um centro comercial de primeira importância para os habitantes de Beni Wajjan, Sidi Ahmed ben Ahmed e outras localidades. A população pertence sobretudo a duas tribos: os Ghiata, que falam árabe, e os berberes Béni Warayen.

BouchfaâEditar

Bouchfaâ é um comuna rural composta de vários douares (aldeias), como Bouchfaâ, Lemrabtine, Aghbal, Ahl Boudriss, etc., faz parte dos territórios da tribo dos Ghiata dos quais também faz parte a a comuna rural de Bouhlou, Bab Marzouka e parte da de Ghiata Al Gharbiya. A sede da comuna de Bouchfaâ encontra-se em frente ao espaço onde se realiza o soco (mercado semanal), perto de um duplo cotovelo do Uádi Ziregue, afluente do Inaouen.

A população vive principalmente da criação de uma raça local de caprinos e uma agricultura arcaica. A produção de azeite também tem alguma importância, existindo um lagar privado perto de Bouchfaâ e uma cooperativa em Aghbal. A riqueza florestal (sobretudo de alfarrobeiras e cedros) não é muito explorada.

Segundo uma lenda oral ainda viva, o personagem conhecido pelo nome de Bouhmara, que pretendia o trono entre 1902 e 1908 viveu entre Aghbal e Ahl Boudriss mais tempo do que viveu em Taza, a cidade que utilizou como capital do seu regime efémero.

ClimaEditar

Dados climatológicos para Taza
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima média (°C) 14,4 16,0 18,1 19,9 24,3 29,4 34,9 34,7 30,6 24,2 18,5 14,7 23,3
Temperatura mínima média (°C) 5,4 6,6 7,9 9,6 12,4 16,1 19,6 19,9 17,5 13,4 9,1 6,1 12,0
Precipitação (mm) 109,7 137,3 90,4 94,2 53,8 18,6 8,3 2,6 14,0 48,0 105,1 118,7 800,7
Dias com chuva 11,9 13,0 10,7 11,5 9,0 4,3 1,8 1,6 4,2 8,0 11,3 12,1 99,4
Horas de sol 6,2 6,7 7,4 8,1 9,4 10,3 11,2 10,3 9,0 7,5 6,3 6,0 8,2
Fonte: Hong Kong Observatory [6]

NotasEditar

  • Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia em francês, cujo título é «Taza», especificamente desta versão.
  1. Marrocos foi um nome comum dado a Marraquexe.
  2. Rogui: pretendente ao trono; Bou Hamara (ou Bou Hmara): homem da burra

ReferênciasEditar

  • Ellingham, Mark; McVeigh, Shaun; Jacobs, Daniel; Brown, Hamish (2004). The Rough Guide to Morocco (em inglês) 7ª ed. Nova Iorque, Londres, Deli: Rough Guide, Penguin Books. p. 174-178. 824 páginas. ISBN 9-781843-533139 
  • Eustache, D. (1998). «Idrisids». In: Lewis, B.; Ménage, V. L.; Pellat, Ch.; Schacht, J. The Encyclopaedia of Islam - Vol. III - H-Iram. Leida: Brill 
  • Le Guide Vert - Maroc (em francês). Paris: Michelin. 2003. p. 422-424. 460 páginas. ISBN 978-2-06-100708-2 
  1. a b «Recensement général de la population et de l'habitat 2004». www.hcp.ma (em francês). Royaume du Maroc - Haut-Comissariat au Plan. Consultado em 15 de fevereiro de 2012 
  2. a b «Maroc: Les villes les plus grandes avec des statistiques de la population». gazetteer.de (em francês). World Gazeteer. Consultado em 15 de fevereiro de 2012 
  3. a b Mana, Abdelkader (15 de agosto de 2008). «Le couloir de Taza, «route des Mérinides»». Jornal Le Matin du Sahara et du Maghreb (em inglês). www.maghress.com. Consultado em 14 de março de 2012 
  4. Eustache 1998, p. 1035.
  5. Chabâa, Qods. «Patrimoine Medersa mérinide de Taza». www.lesoir-echos.com (em francês). Le Soir-échos. Consultado em 14 de março de 2012 
  6. «Climatological Information for Taza, Morocco (1961-1990)». www.hko.gov.hk (em inglês). Hong Kong Observatory. 2003. Consultado em 15 de fevereiro de 2012. Cópia arquivada em 4 de junho de 2011 

Ligações externasEditar

 
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  • Carreiro, Heather (13 de abril de 2011). «A Day in Taza, Morocco». www.journeybeyondtravel.com (em inglês). Journey Beyond Travel. Consultado em 14 de março de 2012