Tiago, o Justo

apóstolo de Jesus Cristo, primeiro bispo de Jerusalém
(Redirecionado de Tiago (irmão de Jesus))

Tiago, o Justo (em hebraico: יעקב; em grego: Iάκωβος), morto em 62 d.C., também conhecido como Tiago de Jerusalém, Tiago Adelfo (de Tiago Adelphoteos) ou ainda Tiago, irmão do Senhor, foi uma importante figura nos primeiros anos do Cristianismo. Muitas discussões discorrem pelas vertentes cristãs a respeito de seu grau de parentesco com Jesus. A afirmação bíblica e histórica predominante, é de que era irmão de Jesus, no sentido literal, pois era chamado de filho de José. No Livro História Eclesiástica, de Eusébio de Cesaréia, (onde são narrados eventos da Igreja Primitiva), lemos logo no início da parte II, o seguinte relato:

São Tiago, o Justo
Ícone de Tiago
Patriarca de Jerusalém,
Apóstolo, Mártir e Adelphotheos
Nascimento
?
Morte Jerusalém 
62
Veneração por Toda cristandade
Festa litúrgica 3 de maio na Igreja Católica;
1 de maio na Comunhão Anglicana;
23 de outubro na Igreja Luterana;
Atribuições cajado de tintureiro; segurando um livro
Polêmicas Tiago, o Justo ou Tiago, irmão do Senhor - É visto como primo de Jesus por Católicos e Ortodoxos;

Protestantes e tradições da Igreja Primitiva afirmam que era irmão de Jesus, por ser filho de José.

Gloriole.svg Portal dos Santos

"2.Naquele tempo também Tiago, o chamado irmão do Senhor.96 - porque também ele era chamado filho de José; pois bem, o pai de Cristo era José, já que estava casado com a Virgem quando, antes que convivessem descobriu-se que havia concebido do Espírito Santo, como ensina a Sagrada Escritura dos evangelhos -; este mesmo Tiago pois, a quem os antigos puseram o sobrenome de Justo, pelo superior mérito de sua virtude, refere-se que foi o primeiro a quem se confiou o trono episcopal da Igreja de Jerusalém."[1]


Tiago é chamado de "o Justo" por causa de sua retidão e religiosidade[2][3]. O nome também nos ajuda a distingui-lo de outras importantes figuras da igreja antiga de mesmo nome, como Tiago Maior (filho de Zebedeu) e Tiago Menor.

Durante o ministério terreno de Jesus, Tiago é contado entre os irmãos que não criam em seu nome como o Messias. Vindo a crer e fazer parte do grupo dos Apóstolos após ter visto pessoalmente a aparição de Jesus ressuscitado. Atos dos Apóstolos descreve que Tiago e os outros irmãos do Senhor, também fizeram parte dos crentes, após os eventos das aparições de Jesus. (1 Coríntios 15:7) ; (João 7:5).

HistoricidadeEditar

Com exceção de um punhado de referências nos Evangelhos, as principais fontes de sua vida são os Atos dos Apóstolos, as Epístolas paulinas, o historiador Flávio Josefo, Eusébio de Cesaréia e o autor cristão Hegésipo. Acredita-se que ele seja o autor da Epístola de Tiago no Novo Testamento, o primeiro dos Setenta Apóstolos e o autor do Decreto Apostólico de Atos 15. Na Epístola aos Gálatas, Paulo de Tarso o descreve em sua visita a Jerusalém, onde ele encontrou com Tiago e esteve com Simão Pedro.

Eusébio de Cesaréia, em seu Livro História Eclesiástica, faz menção de sua vida citando o Livro Memórias, de Hegésipo, que relata:

"4. Sucessor na direção da Igreja é, junto com os apóstolos, Tiago, o irmão do Senhor. Todos dão-lhe o sobrenome de "Justo", desde os tempos do Senhor até os nossos, pois eram muitos os que se chamavam Tiago. 5. Mas somente este foi santo desde o ventre de sua mãe. Não bebeu vinho nem bebida fermentada, não comeu carne; sobre sua cabeça não passou tesoura nem navalha e tampouco ungiu-se com azeite nem usou do banho. 6. Somente a ele era permitido entrar no santuário, pois não vestia lã, mas linho. E somente ele penetrava no templo, e ali se encontrava ajoelhado e pedindo perdão por seu povo, tanto que seus joelhos ficaram calejados como os de um camelo, por estar sempre de joelhos adorando a Deus e pedindo perdão para o povo. 7. Por sua eminente retidão era chamado "o Justo" e "Oblías", que em grego quer dizer proteção do povo e justiça, como declaram os profetas acerca dele."[4]


Tiago, o Justo, era o líder do movimento cristão em Jerusalém nas décadas seguintes à morte e ressurreição de Jesus, recebendo essa honraria em consenso dos Apóstolos, por ser da família de Jesus e descendente de Davi. Embora informação sobre a sua vida seja escassa e ambígua, diversas fontes primitivas citam-no como sendo irmão de Jesus. Historiadores já interpretaram isto de diversas maneiras, como sendo irmão num "sentido espiritual", ou literalmente, significando que Tiago era mesmo um parente de Jesus - meio-irmão, irmão de criação, primo, outro parente e mesmo irmão de sangue. A mais antiga liturgia cristã sobrevivente, a chamada Liturgia de São Tiago , o chama de "irmão de Deus" (Adelphotheos)[5], por conta da tradição Católica, Ortodoxa e Luterana.

Atribuições e MençõesEditar

Como era ilegal para qualquer um exceto o sumo-sacerdote do templo adentrar o Santo dos Santos e, mesmo assim, uma vez por ano durante o Yom Kippur, a citação de Hegésipo por Jerónimo indica que Tiago era considerado um sumo-sacerdote. A obra "Reconhecimentos", de Pseudo-Clemente, também sugere assim[6].

Jerónimo cita também o deuterocanônico Evangelho dos Hebreus assim:

"'Eis que o Senhor, após ter dado suas roupas ao servente do sacerdote, apareceu para Tiago, pois Tiago havia jurado que nunca mais comeria o pão daquele momento em que bebeu do cálice do Senhor até que ele pudesse vê-lo, renascido dos mortos'. Um pouco depois, o Senhor disse, 'traga uma mesa e pão'. E imediatamente ele acrescentou, 'Ele tomou o pão e o abençoou e o partiu e o entregou a Tiago, o Justo, e disse-lhe, "Meu irmão, coma seu pão, pois o Filho do Homem renasceu dos mortos"'". E assim ele liderou a igreja de Jerusalém por trinta anos, ou seja, até o sétimo ano de Nero.
 
De Viris Illustribus, Jerónimo, citando o Evangelho dos Hebreus[7].

Paulo descreveu Tiago como sendo uma das pessoas para que Cristo ressuscitado apareceu (I Coríntios 15:3-8). Em seguida, na mesma epístola, cita Tiago de uma forma que parece indicar que ele já teria sido casado (1 Coríntios 9:5). Em Gálatas, Paulo lista Tiago com Cefas (Simão Pedro) e João como sendo os três "pilares" da Igreja (Gálatas 2:9 e que irão ministrar aos "circuncidados" em Jerusalém, enquanto Paulo e seus companheiros irão ministrar para os não circuncidados (Gálatas 2:12). Estes termos são geralmente interpretados como significando judeus e gregos, que eram a maioria. Porém, isto é uma simplificação, uma vez que na província romana da Judeia já existiam alguns judeus que não eram circuncidados e alguns gregos, chamados de prosélitos ou judaizantes, e outros povos, como os egípcios, os etíopes e os árabes que o faziam.

Quando Pedro, tendo escapado milagrosamente da prisão, precisa fugir de Jerusalém por causa da perseguição de Herodes Agripa I, ele pede que Tiago seja informado (Atos 12:17). Quando Paulo chegou a Jerusalém para entregar o dinheiro que ele levantou para o fiéis, foi com Tiago que ele conversou, e foi Tiago que insistiu que ele se purificasse ritualmente no Templo de Herodes para provar sua fé e negar rumores de que estivesse pregando a rebelião contra a Torá (Atos 21:18 e seguintes), a acusação de antinomianismo.

Concílio de JerusalémEditar

Enquanto os cristãos de Antioquia estavam preocupados se o cristãos gentios precisariam ou não ser circuncidados para se salvarem, eles enviaram Paulo e Barnabé para se encontrar com a igreja de Jerusalém. Tiago tomou um papel proeminente na formação da decisão do Concílio (Atos 15:13 e seguintes). Tiago, dentre os que sabemos o nome, foi o último a falar, após Pedro, Paulo e Barnabé. Ele então proferiu o que chamou de sua "decisão" (Atos 15:19) - o sentido original se aproxima mais de "opinião"[8]. Ele apoiou todos ao ser contra o requisito e sugeriu proibições sobre consumo de sangue assim como carne utilizada em sacrifícios e também à fornicação. Esta se tornou a regra do Concílio, acordada por todos os apóstolos e anciãos e enviada para todas as igrejas por carta.

Primazia de PedroEditar

A controvérsia a respeito desse tema, tem relevância nas academias teológicas. Porém em contraste com a historicidade dos eventos da Igreja Primitiva, a tradição fica a critério da individualidade de fé de cada vertente cristã. O Catolicismo abraçou a idéia de Pedro ter sido a "pedra" na qual Jesus confiou sua Igreja. Porém, para muitas vertentes cristãs, Tiago tinha legitimidade na primazia, por ser irmão do próprio Cristo, e descendente de Davi, no qual a linhagem real de Jerusalém está alicerçada, originando ali, a primeira Igreja cristã, pela ordenança de Jesus, quando disse antes da ascensão como discorre os eventos de Lucas 24:47:49:

"47.E em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém.

48.E destas coisas sois vós testemunhas.49.E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder."

MorteEditar

Segundo uma passagem nas Antiguidades Judaicas, de Flávio Josefo, "o irmão de Jesus, que era chamado de Cristo, cujo nome era Tiago" encontrou a morte após a do procurador Pórcio Festo, antes que Lucceius Albinus fosse empossado[9] - cuja data é 62 d.C. O sumo-sacerdote Ananus ben Ananus tirou vantagem desta falta de controle imperial para reunir o Sinédrio que condenou Tiago "sob acusação de ter violado a Lei" e logo o executou por apedrejamento. Josefo relata ainda que o ato de Ananus foi amplamente considerado como um assassinato judicial e teria ofendido muitos dos "que eram consideradas as pessoas mais justas da cidade, e estritas na observância da Lei", que chegaram a se encontrar com o procurador Albinus para pedir-lhe que interferisse no assunto. Como resultado, o rei Agrippa trocou Ananus por Jesus, filho de Damneus.

George Albert Wells contesta a identificação de Tiago que foi executado por Ananus ben Ananus com Tiago, o Justo, considerando as palavras "que era chamado Cristo" como sendo uma interpolação posterior.

Eusébio de Cesareia, citando o relato de Josefo, preservou o registro de passagens das hoje perdidas obras de Hegésipo e Clemente de Alexandria[10]. O relato de Hegésipo é um pouco diferente do de Josefo e pode ter sido uma tentativa de reconciliá-los combinando-os. De acordo com Hegésipo, os escribas e os fariseus foram até Tiago em busca de ajuda para eliminar as crenças cristãs. O relato diz:

Ele vieram, portanto, em grupo até Tiago e disseram: "Nós te suplicamos, contenha o povo: pois eles se desviaram em suas opiniões sobre Jesus, como se ele fosse o Cristo. Nós te suplicamos, convença todos que vieram aqui para o dia da Páscoa, sobre Jesus. Pois nós todos ouvimos sua persuasão; pois nós também, assim como todo o povo, somos testemunhas que tu és justo e não mostras preferência por ninguém. Convence portanto o povo a não entreter opiniões errôneas sobre Jesus: pois todo o povo, e nós também, ouvimos a sua persuasão. Tome uma posição firme, então, no alto do templo, de modo que possas ser visto claramente por todos, e tuas palavras possam ser claramente ouvidas por todos. Pois, para comemorar a Páscoa, todas as tribos vieram para cá e também alguns gentios[11].

Para desgosto dos escribas e os fariseus, Tiago corajosamente testemunhou que Cristo "sentava-se no céu do lado direito Grande Poder e retornará nas nuvens celestiais". Então eles confabularam entre si "Erramos ao procurar seu testemunho sobre Jesus. Vamos então subir e jogá-lo de lá, para que eles tenham medo e não acreditem nele.

 
Fragmentos dos "Atos da Igreja" sobre o Martírio de Tiago, o irmão do Senhor.

Assim, os escribas e os fariseus:

...lançaram abaixo o homem justo... [e] começaram a apedrejá-lo, uma vez que ele não morrera na queda; Mas ele virou e se ajoelhou e disse: "Eu imploro-te, Senhor Deus nosso Pai, perdoa-os pois eles não sabem o que fazem."

E, enquanto eles estava apedrejando-o até a morte, um dos sacerdotes, dos filhos de Recab, o filho de Rechabim, de quem testemunhou Jeremias, o profeta, começou a gritar, dizendo: "Parem, o que estão fazendo? O homem justo está rogando por nós.". Mas um dentre eles, um dos tintureiros, tomou seu cajado com o qual ele estava acostumado a manipular as vestes que tingia, e atirou na cabeça do homem justo.
E assim ele sofreu o martírio; e eles o enterraram ali mesmo, e o pilar que foi erguido em sua memória ainda está lá, perto do templo. Este homem foi uma testemunha verdadeira tanto para os judeus quanto gregos de que Jesus é Cristo.

 
Fragmentos dos "Atos da Igreja" sobre o Martírio de Tiago, o irmão do Senhor [11].

Por conta do cerco e posterior captura de Jerusalém pelo imperador Vespasiano atrasou a escolha de Simeão de Jerusalém para suceder Tiago.

De acordo com Schaff, em 1904, este relato por "Hegésipo já foi citado muitas vezes por historiadores como tendo atribuído a data do martírio em 69 d.C.", embora ele conteste a afirmação de que Hegésipo tenha dado qualquer indicação sobre uma data[12].

InfluênciaEditar

A Epístola de Tiago é tradicionalmente atribuída a Tiago, o Justo. Historiadores modernos sobre a Igreja antiga tendem a colocar Tiago inserido nas tradições do Cristianismo Judaico. Enquanto Paulo enfatizava a fé sobre a observação da Lei, que ele considerava um fardo, uma disposição antinomiana, Tiago parece ter desposado de um posição oposta, que já foi negativamente chamada de judaizante. Um corpus (conjunto de obras) geralmente citado como prova disto são Reconhecimentos e as Homilias de Clemente (também conhecidas como Literatura clementina), versões de uma novela que já foi datada como sendo do início do século II d.C., onde Tiago aparece como uma figura santa que é atacada por um inimigo sem-nome que alguns críticos modernos acreditam ser Paulo. O estudioso James D. G. Dunn propôs que Pedro seria o "homem-ponte" (ou seja, o pontifex maximus) entre as duas "proeminentes lideranças": Paulo e Tiago[13].

Os teólogos cristãos tradicionais defendem também que os dois tinham crenças similares; os evangélicos afirmam que as afirmações de Tiago sobre "obras" se referem às obras que Deus produz nos cristãos, enquanto que teólogos ortodoxos e católicos afirmam que Paulo não diminuía a importância das obras (citando passagens como Romanos 6 e 8) e que Tiago não estava se referindo às obras cerimoniais da Torá (citando o fato de que no Concílio de Jerusalém, Tiago declarou que apenas uma pequena porção da Torá serviria aos gentios convertidos).

Alguns Evangelhos apócrifos são testemunha da reverência dos seguidores judeus de Jesus (como os Ebionitas) tinham por Tiago. O "Evangelho dos Hebreus", fragmento 21, relata a aparição do Jesus ressuscitado à Tiago. O "Evangelho de Tomé" (uma das obras encontradas na Biblioteca de Nag Hammadi), dito 12, relata que os discípulos perguntaram à Jesus: "Os discípulos perguntaram a Jesus: Sabemos que nos vais deixar. E quem será então nosso chefe? Respondeu Jesus: No ponto onde estais, ireis ter com Tiago, que está a par das coisas do céu e da terra.[14].

O fragmento X de Pápias faz referência à "Tiago, o bispo e apóstolo". O Panarion (29.4), de Epifânio de Salamina, descreve Tiago como tendo sido um Nazireu.

A obra pseudepígrafe "Primeiro Apocalipse de Tiago", associada com o nome de Tiago, menciona em muitos detalhes, alguns dos quais podem refletir tradições muito antigas: diz-se que ele teria autoridade sobre os doze apóstolos e sobre a igreja antiga. Esta obra também acrescenta, misteriosamente, que Tiago teria deixado Jerusalém e fugido para Pela antes do cerco romano na cidade em 70 d.C. Ben Witherington sugere que o que se pretende com essa afirmação é que os ossos de Tiago teriam sido levados da cidade por cristãos em fuga.

O Apócrifo de Tiago, cuja única cópia também foi encontrada em Nag Hammadi, e que parece ter sido escrita no Egito no século III d.C.[15] reconta uma aparição pós-ressurreição de Cristo à Tiago e Pedro. No diálogo, Pedro fala duas vezes(3:12; 9:1), mas não compreende Jesus. Apenas Tiago é citado nominalmente (6:20) e Tiago é a figura dominante.

O Proto-Evangelho de Tiago, uma obra do século II d.C., também se apresenta como escrita por Tiago - um sinal de que assim sendo, ela teria autoridade - e também o fazem diversas obras encontradas na Biblioteca de Nag Hammadi.

Fontes do Novo TestamentoEditar

Tiago aparece nos Evangelhos implicitamente e explicitamente. As mais antigas fontes no Novo Testamento sobre Tiago e quem chegaram até nossos dias foram as Epístolas paulinas, que são datadas na sexta década da era cristã, descrevendo eventos que ocorreram, grosso modo, entre 35 e 55 d.C. Os Atos dos Apóstolos, escritos entre 70 e 100 d.C., descrevem o mesmo período. Os Evangelhos, com uma data em disputa entre 70 e 110 d.C., descreve o período do ministério de Jesus, por volta do ano 30 d.C. Nestas fontes, há mais de uma pessoa chamada Tiago [16] e diferentes títulos são utilizados para distingui-las:

EpístolasEditar

  • Paulo cita ter encontrado brevemente "Tiago, o irmão do Senhor" em Gálatas 1:18-20.
  • A segunda vez que Paulo escreve sobre ter encontrado Tiago foi anos depois, durante uma disputa sobre a aceitação dos gentios na Igreja antiga - possivelmente o mesmo incidente citado nos Atos dos Apóstolos no Concílio de Jerusalém. É notável como Paulo cita Tiago antes de Pedro (Cefas) em Gálatas 2:9-10.
  • A terceira menção de Tiago em Gálatas está dentro do chamado "incidente em Antioquia". De acordo com Paulo, Pedro não só temia Tiago como já tinha se curvado à sua vontade, Gálatas 2:11-12.
  • Um Tiago é mencionado na Primeira Epístola aos Coríntios de Paulo, como um dos que encontraram Jesus após a ressurreição. Notável é como Paulo cita apenas Pedro e Tiago entre os discípulos e outros que viram Jesus, I Coríntios 15:3-7. Isto em geral é uma indicação de que este Tiago é o mesmo Tiago irmão caçula de Jesus[16]. Baseado nesta identificação, Paulo também pode estar se referindo ao Tiago que aparece anteriormente em sua epístola, em I Coríntios 9:5.

AtosEditar

  • Há um Tiago mencionado nos Atos, que a Enciclopédia Católica identifica com Tiago, irmão de Jesus[16], em Atos 12:17.
  • Tiago também é uma autoridade na igreja antiga no Concílio de Jerusalém, como pode ser visto em Atos 15:13-21, onde ele cita Amós 9:11-12.
  • Depois desta, há apenas mais uma menção à Tiago nos Atos, encontrando-se com Paulo logo antes de sua prisão (Atos 21:17-18).

EvangelhosEditar

Dois discípulos chamados TiagoEditar

Na lista dos discípulos encontrada nos Evangelhos, dois discípulos chamados Tiago são mencionados na lista dos doze apóstolos. Em Mateus 10:2-4 temos " Tiago e João, filhos de Zebedeu;" e "Tiago, filho de Alfeu". Tiago, filho de Zebedeu é também conhecido como Tiago Maior e claramente não se confunde com Tiago, o Justo[16]. Já Tiago, filho de Alfeu é geralmente identificado como sendo Tiago Menor. Em Atos 1:13, aparece apenas "Tiago" e "Tiago, filho de Alfeu".

Tiago, filho de MariaEditar

Uma Maria é também mencionada depois como sendo a mãe de Tiago, tanto no Evangelho de Marcos quanto no de Mateus. A interpretação católica geralmente defende que este Tiago deve ser identificado como sendo Tiago, filho de Alfeu, e com Tiago, irmão de Jesus, como sendo todos a mesma pessoa[16]. Maria aparece em Marcos 15:40, Marcos 16:1 e Mateus 27:56. Há discordâncias com relação a qual Maria seria sua mãe por parte de muitos cristãos. A tradição Católica crê que seja Maria de Cléofas. Mas, boa parte dos cristãos entendem que se refere a Maria de Nazaré, visto que é sabido historicamente que Tiago é filho de José, assim como era conhecido pela Igreja Primitiva.

Ver tambémEditar

 
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Referências

  1. Eusébio de Cesaréia. História Eclesiástica (PDF). Livro II. Parágrafo 2: [s.n.] 
  2. Eisenman, R. (1996). James the Brother of Jesus (em inglês). [S.l.]: Viking. ISBN 0-670-86932-5 
  3. No Evangelho de Tomé, «12». www.saindodamatrix.com.br , "E os discípulos disseram a Jesus, 'Nós sabemos que irás nos deixar. Quem será nosso líder?' Jesus disse a eles, 'Não importa onde estiverdes, estareis com Tiago o Justo, por quem o céu e a terra vieram a ser.'", em Miller, Robert J., ed. (1994). The Complete Gospels (em inglês). [S.l.]: Polebridge Press. ISBN 0-06-065587-9 
  4. Eusébio de Cesaréia. História Eclesiástica, livro II. [S.l.: s.n.] p. 47 
  5. Philip Schaff. «4 § 27». History of the Christian Church. James the Brother of the Lord (em inglês). [S.l.: s.n.]  - "And in the Liturgy of St. James, the brother of Jesus is raised to the dignity of "the brother of the very God" - "E na Liturgia de São Tiago, o irmão de Jesus é alçado à dignidade de "irmão do próprio Deus".
  6. «Tiago Padre na Wheaton University» (em inglês) 
  7. Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs de nome JER
  8. Theological Dictionary of the New Testament (em inglês). 3. Grand Rapids: Eerdmans. 1993 . Veja também «Strong's G2919» (em inglês) 
  9. Flávio Josefo. «XX.9». Antiguidades Judaicas 🔗. [S.l.: s.n.] 
  10. Eusébio de Cesareia. «23». História Eclesiástica. The Martyrdom of James, who was called the Brother of the Lord. (em inglês). II. [S.l.: s.n.] 
  11. a b Fragmentos dos "Atos da Igreja" sobre o Martírio de Tiago, o irmão do Senhor, livro 5.
  12. Schaff, Philip (1904). "A Select library of Nicene and post-Nicene fathers of the Christian church" (em inglês). [S.l.]: BiblioBazaar. ISBN 1-110-37346-5 
  13. Dunn, James D. G. (2002). «32». The Canon Debate. [S.l.]: McDonald & Sanders editors. 577 páginas  - "Pois Pedro seria na realidade e de fato o homem-ponte (pontifex maximus!) que fez mais que ninguém para manter coesa a diversidade do cristianismo no primeiro século. Tiago, o irmão de Jesus, e Paulo, as duas proeminentes lideranças do cristianismo no primeiro século, estavam por demais relacionados aos dois "ramos" do Cristianismo, pelo menos para os cristãos que estavam nos cantos opostos do espectro. Mas Pedro, como demonstrado principalmente no episódio de Antioquia em Gal 2, tinha tanto o cuidado de manter firme a sua herança judaica, que Paulo não tinha, e uma abertura às demandas do Cristianismo em desenvolvimento, que Tiago não tinha. João pode ter servido como a figura central que mantém junto os extremos, mas se os escritos ligados ao seu nome forem uma indicação de sua opinião, ele parece ter sido por demais individualista para ser este ponto de encontro. Outros conseguiram ligar a nova religião em desenvolvimento com mais firmeza aos seus eventos fundadores e a Jesus. Mas nenhum deles, incluindo os outros doze, parece ter tido um papel de contínua importância para toda gama do Cristianismo - embora Tiago, o irmão de João, poderia ter se mostrado uma exceção se tivesse sobrevivido." [Itálico no original]
  14. «Evangelho de Tomé» 
  15. Robinson, James M. (1990). The Nag Hammadi Library, revised edition. The Apocryphon of James (Trad. por Francis E. Williams) (em inglês). São Francisco: Harper Collins. ISBN 0-06-066929-2 
  16. a b c d e f   "Saint James the Less" na edição de 1913 da Enciclopédia Católica (em inglês). Em domínio público.


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Precedido por
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até 62 d.C.
Sucedido por
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História Eclesiástica - Livro II e III, Eusébio de Cesaréia

Ligações externasEditar

- Livro História Eclesiástica (Eusébio de Cesaréia).