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A catedral de San Salvador de Saragoça é uma das duas catedrais metropolitanas de Saragoça, junto com a basílica e catedral do Pilar. Habitualmente chamada "a Seo"[1] em contraposição a "o Pilar".

Está construída na laje do antigo foro romano de Caesar Augusta e da mesquita maior de Saraqusta, de cujo minarete ainda perdura a impronta na torre actual. O edifício foi começado no século XII em estilo románico integrado na mesquita aljama e foi objecto de muitas reformas e ampliações até 1704 em que se coloca o chapitel barroco arrematando a torre.

Em seu estado actual A Seo é uma igreja de cinco naves e seis trechos cobertos por abóbadas de crucería da mesma altura, o que dá ao recinto aspecto de igreja de planta quadrangular de salão. Na cabeceira situam-se duas ábsides (dos cinco originais) e, no lado da epístola, sobre duas dos desaparecidos, colocou-se a sacristía. Ao extremo do lado do evangelho construiu-se a «Parroquieta» para albergar o sepulcro de Lope de Lua.

A estrutura das naves está apoiada em contrafortes característicos do gótico tardio (e não em arbotantes como é habitual no estilo gótico clássico) que se fecham com muros formando capelas interiores. Cobre o cruzeiro (que não destaca em planta) um cimborrio de feito mudéjar.

O material construtivo fundamental é o tijolo, habitual na arquitectura aragonesa. O conjunto da catedral, em seu aspecto exterior, não reflete a estrutura interna devido ao fechamento com muros de vários espaços circundantes como dependências ou residências dos membros do cabildo.

O acesso principal realiza-se pelo lado ocidental, onde se levantou na segunda metade do século XVIII uma fachada barroca clasicista que substituiu ao portal mudéjar do século XIV de cujo chão ainda se conservam restos. Completam o conjunto da catedral o campanario barroco externo e a casa e arco do Deán, que conecta a catedral com um edifício exterior salvando a rua.

Estilos principaisEditar

 
Fachada, cimborrio e torre campanario.

Dos diversos estilos que a compõem, os elementos mais importantes são os seguintes:

  • Gótico: do século XIV e factura gótico-mudéjar, sobretudo nos corpos superiores do ábside e na capela funeraria de são Miguel ou «Parroquieta», que aloja o sepulcro do arcebispo dom Lope Fernández de Lua, assim mesmo gótico. As naves e cobertas do templo também mantêm este estilo ao longo de diversas ampliações desde o século XIV ao XVI. Do século XV data a sillería do coro e o magnífico retábulo maior de alabastro polícromo realizado por Pere Johan e Hans de Suabia, que está considerado como uma obra capital do gótico final europeu. O museu de tapices flamencos alberga telas dos séculos XIV ao XVIII, e está considerada como uma das três melhores colecções do mundo.
  • Mudéjar: como se disse antes, está presente aos ábsides, o muro exterior da Parroquieta e em sua textura de madeira dourada. De bela factura e boas proporções é o actual cimborrio, que coroa o cruzeiro da catedral e alumia o presbitério, realizado no século XVI, a cavalo entre as postrimerías do gótico-mudéjar e o incipiente estilo Renacentista. O mudéjar aragonés foi declarado Património da Humanidade.
  • Renacentista: cabe destacar o trascoro com suas capelas, bem como a Capela de São Bernardo, esculpida em alabastro, a dos Arcángeles e a de San Pedro Arbués, todas elas em estilo Reis Católicos. As reformas auspiciadas por Hernando de Aragón converteram à Seo numa igreja de planta de salão ou Hallenkirche, formada por cinco naves de igual altura, cobertas por sugerentes abóbadas de crucería, que vão desde a abóbada de crucería simples, passando pelos telefonemas de terceletes, até as de crucería estrelada, fruto do chamado gótico flamígero ou final. As abóbadas descansam sobre esbeltos pilares fasciculados, coroados com capiteles com ornamentação vegetal os mais antigos e com motivos heráldicos os dos pés da catedral que já foram realizados no século XVI.
  • Barroco: o campanario da Seo, que foi projectado pelo arquitecto italiano Giovanni Battista Contini. A fachada junto à torre, que actualmente é considerada a principal do templo, ainda que em realidade corresponda ao acesso de um braço do transepto, mostra um estilo barroco com influência neoclásica. Também há que destacar a decoração de algumas capelas e sobretudo as portadas interiores das mesmas.

HistóriaEditar

OrigensEditar

O solar em que se assenta a Seo foi desde antigo o centro religioso da cidade. Ali situava-se o templo principal de Caesar Augusta do antigo foro romano, cujos restos arqueológicos mostra o museu homônimo subterrâneo que se localiza na praça da catedral. Ao invés que outros templos de cidades romanas, não se construiu na confluencia do cardo e o decumano, senão a orlas do Ebro, contiguo ao porto fluvial.

Desde o século III a decadência da cidade levou a que fossem reutilizados seus materiais mas nobres. Desde mediados deste século está documentada a cristianización da cidade, que se converteu em sede episcopal visigoda dotada de sede catedralicia. No entanto desconhece-se a localização exata da catedral tardorromana, dedicada a san Vicente, ainda que o achado de um cancel visigótico no solar da Seo faz supor que pudesse se localizar ali.

A mesquitaEditar

Hanas ben Abdallah as San'ani (m. 718), discípulo de um dos allegados de Mahoma, foi o construtor, entre os anos 714 e 716 da mesquita maior de Saraqusta ao Baida, «Zaragoza a Branca», segundo nos conta a o-Humauydí (1029-1095). De ser verdadeiro, a mesquita maior seria uma das mais antigas de A o-Andalus. Em várias crônicas árabes recolhem-se tradições que atribuem a fijación do mihrab no muro oriental, onde hoje se situa a capilla de san Pedro Arbués, como uma hornacina talhada num sozinho bloco de mármol branco, quiçá alabastro, segundo a o-Zuhrí e uma crônica anônima:

[o mihrab está esculpido] de um sozinho bloco de mármol branco que não tem comparação em todo o ecumene
a o-Zuhrí
este mihrab é um bloco de mármol branco de uma sozinha peça ahuecado com uma maestría asombrosa e uma arte maravilhosa, em cima do qual se colocou uma concha de formas perfeitas; em todo mundo não existe um mihrab semelhante
crônica árabe anônima

Desta mesquita original, que ocupava uma superfície de 35 x 44 m. em direção oeste-este (a porta principal de rendimento à mesquita encontrava-se no mesmo lugar que a da atual catedral) só se conservaram restos de cimentación, e um elemento de grande relevancia: a impressão de dito mihrab. A mesquita primitiva constaria de um pátio aberto (sahn) e uma sala de oração coberta de cinco naves com muros perimetrales apoiados em sillares de alabastro.

O edifício experimentou duas ampliações, uma de mediados do século IX (856) e a segunda, atestiguada em 1023, baixo o rei taifa de Zaragoza Mundir I. O primeiro recrecimiento deve-se ao apogeo político de Musa ibn Musa, e empreendeu-se com o botim de uma aceifa empreendida contra a região de Barcelona. Consistiu na adición de duas naves à cada lado, até um total de nove e o ensanchamiento do pátio atingindo uma superfície de 56 x 44 metros. Devido à lenda e importância do mihrab, manteve-se em sua posição original, com o que ficou algo deslocado do eixo axial do templo.

A segunda ampliação de Mundir I, já como rei independente da taifa de Saraqusta, dotou à mesquita de uma superfície de 54 x 86 metros com o alargamiento para oriente de quase o duplo da longitude inicial, o que a converteu numa das maiores da o-Andalus. Para isso teve de transladar o bloco do mihrab escavando seus alicerces e o deslocando sobre rodillos, complicada operação que causou grietas na peça.Também erigió um grande alminar que, transformado em torre-campanario mudéjar, perduró até o século XVII, quando foi derrubado e substituído pela atual torre barroca. Durante a restauração, que terminou em 1999, se descobriram numerosos vestígios, como a planta do antigo edifício e a impronta do alminar nos muros externos, o que permitiu reconstruir seu aspecto original.

A catedral románicaEditar

Ficheiro:Janela romanica da Seo.jpg
Janela románica do ábside central (segunda metade do século XII).

A entrada em 1118 de Alfonso I o Batallador em Zaragoza, não supôs a imediata demolição da mesquita. Deu-se num ano aos muçulmanos para instalar-se extramuros e desde 1119 até o 4 de outubro de 1121, ano em que se consagrou o edifício baixo a advocación de San Salvador, se efetuaram as reformas necessárias para adaptar o templo às celebrações cristãs. A nova catedral (1166-1198) inicia-se baixo a proteção e patronazgo do bispo de Zaragoza Pedro Tarroja.

Em primeiro lugar se reorientó o eixo da catedral románica em sentido norte- sul (em frente ao oeste-este da mesquita) e se derrubaram onze trechos das naves convertendo o pátio muçulmano em claustro, transladando o rendimento principal ao lado sul, onde hoje se encontra a porta da Pabostría. Integrou-se assim no recinto da mesquita (ao modo como ocorre na mesquita de Córdoba) uma igreja de três naves sem ábsides e cujo transepto não ressaltava dos muros laterais. A nave central era de grande largura comparada com as laterais, bem mais estreitas, como sucedia em San Pedro de Rodas e San Salvador de Leyre. Foi coberta com techumbre de madeira a duas vertentes e mantinha o alminar da mesquita convertido em campanario. Pese a ser uma obra provisória, o edifício permaneceu neste estado até finais século XII.

A construção dos ábsides e de uma portada flanqueada por duas torres não se empreenderia até 1166. A nova obra, de planta basilical com cruzeiro e três naves terminadas em cinco ábsides (três centrais semicirculares flanqueados por dois quadrados), prolongou-se até 1198, e deve muito em seu estilo à catedral de Jaca, da que toma diversos elementos. Além da igreja, o edifício acabou possuindo arquivo, refectorio, enfermaria e duas claustros. Desta época conserva-se ainda o corpo inferior os ábsides, com janelas flanqueadas por duas colunas com capiteles historiados e arquivoltas enfeitadas com o chamado ajedrezado jaqués no exterior. No interior conserva-se um conjunto de esculturas que atualmente estão ocultas depois do retablo maior. Esta cabeceira está emparentada com a da catedral de Tudela, construída no mesmo período.

 
A portada románica seguia o modelo da de Saint Pierre de Moissac.

Também se finalizou nesta segunda metade do século XII a portada dos pés da igreja, construída no muro sul da antiga mesquita aproveitando o espaço aberto da porta de uma sala do oratorio islâmico. Na excavación arqueológica de 1994 descobriu-se a cimentación da portada num lugar próximo do atual trascoro, de planta abocinada, uma luz de 2,85 metros e duas torres cuadrangulares flanqueándola a ambos lados.

Esta portada e as torres não foram destruídas até 1549. Também se acharam restos escultóricos de idosos músicos do Apocalipsis e um leão, com o que o tímpano mostrava a Cristo entre o Tetramorfos rodeado pelo ciclo dos 24 idosos do Apocalipsis, isto é, o Cristo da Segunda Vinda ou da Parousía. O conjunto deveu ser similar ao tímpano da portada ocidental da igreja abacial de Saint Pierre de Moissac de 1130.

Desde 1204 até o século XV coroam-se na igreja todos os reis de Aragón por um privilégio outorgado pelo Papa Inocencio III. O rei, que a noite anterior tinha velado suas armas na Aljafería, se acercava desde ali em procissão. A cerimônia contava com quatro partes: investidura de armas, unción com o santo óleo, imposición da coroa e as insígnias reais e juramento dos fueros e liberdades do Reino de Aragón ante uma cruz gótica de ouro e pedras preciosas que esta catedral guardou sempre zelosamente como uma jóia muito preciosa. O último rei em ser coroado na Seo foi Carlos I de Aragón. A partir dele, os reis só terão que jurar os fueros. Na catedral também se celebravam os bautizos, casamentos e enterros reais.

A catedral gótico-mudéjarEditar

Ficheiro:A Seo - Detalhe 01.JPG
Detalhe da portada ocidental mudéjar do século XIV, desaparecida quase em sua totalidade depois da construção da fachada barroca. No centro aprecia-se o emblema heráldico dos Lua.

Em 1318 o Papa Juan XXII cria o arzobispado de Zaragoza, independizándolo da sede de Tarragona, com o que o edifício passa a ser catedral metropolitana. A partir deste momento as ampliações se farão usando materiais mais accesibles nesta zona geográfica e tradicionalmente utilizados pelos artífices mudéjares: o tijolo e o yeso.

Baixo a supervisión do arcebispo Pedro López de Lua (1317 - 1345) constrói-se uma igreja gótica de três naves que mantém os ábsides románicos. A nave central se realizará mais alta que as laterais, permitindo abrir janelas que em 1447 incorporarão vidrieras. Em 1346 começa-se um cimborrio mudéjar para dar luz à cabeceira com a participação dos maestros Juan de Barbastro e Domingo Serrano, que foi substituído por outro mais esbelto em 1520.

Em 1360, durante o arzobispado de Lope Fernández de Lua, levanta-se a fachada principal da Pabostría que, a exceção de alguns restos, não se conservou. O mesmo arcebispo manda edificar uma capilla dedicada a San Miguel Arcángel, o telefonema «Parroquieta», tudo em estilo gótico-mudéjar. Trata-se de um espaço rectangular e estreito que se insere como uma capilla fechada e independente dentro do edifício e que dom Lope projetou como seu capilla funeraria. A construção, iniciada já em 1374 por Miguel do Cellero, é um exemplo único do trabalho de maestros aragoneses e alarifes sevillanos, que tapizaron o muro exterior com desenhos geométricos de tijolos lisos e vidriados.

A culminación das obras em 1376 deu como resultado uma catedral gótica espaciosa e melhor alumiada.

Em 1403 o antigo cimborrio ameaçava ruína. O antipapa Benedicto XIII, o Papa Lua, aragonés de nascimento, impulsionará uma nova reforma do edifício. Elevaram-se os ábsides románicos e realizou-se um novo cimborrio em forma de tiara papal. Decorado em 1409 pelo maestro Mahoma Rami, pôde ser visto por Benedicto XIII em sua visita à cidade em 1410.

O retablo maior realizou-se durante o pontificado de dom Dalmau de Mur e Cervelló (1431-1456). Este arcebispo centrou-se em embellecer o interior do edifício, encarregando, além do retablo maior, a sillería do coro, vidrieras para a iluminación da nave central, a desaparecida portada da Pabostría e outras atuações menores.

O turbulento RenacimientoEditar

O 14 de setembro de 1485 foi assassinado na catedral o primeiro Inquisidor de Aragón Pedro Arbués (feito santo pelo Papa Pío IX em 1867) enquanto rezava protegido com capacete e malha. O fato foi conseqüência do mau recibimiento que teve a inquisición em Aragón, que se via como um ataque da coroa aos fueros. Em particular, parece que algumas das mais poderosas famílias de judeus conversos como os Sánchez, os Montesa, os Paternoy ou os Santángel, se sabendo vítimas prediletas da inquisición, estiveram implicados no assassinato.Existem alguns documentos que dizem claramente que os assassinos diretos foram os judeus Vidal Durán e Juan de Esperán. (Segundo notas de Pedro Navascués Palácio) Como conseqüência se produziu um levantamento popular contra os judeus e finalmente "nove executados, em pessoa, aparte de dois suicídios, treze queimados em estátua e quatro castigados por complicidad" segundo conta Jerónimo Zurita. O sepulcro do santo, realizado por Gil Morlanes pai, encontra-se no edifício, na capilla de San Pedro Arbués.

Ficheiro:Detalhe vista de Zaragoza (JB do Mazo)-num.jpg
Detalhe do quadro Vista de Zaragoza em 1647, por J.B. Martínez do Mazo, às vezes atribuído a seu maestro, Velázquez. As metas representadas correspondem a: 1- Cimborrio da Seo 2- Torre mudéjar da Seo 3- Palácio da Diputación do Reino 4- Lonja 5- Ponte de pedra

Durante os séculos XV e XVI muitos dos arcebispos de Zaragoza foram membros da casa real de Aragón. Foram-no:

  • Dom Juan de Aragón I (14401475) filho ilegítimo de Juan II de Aragón. Durante seu mandato construiu-se um novo órgão e mandou-se substituir no retablo maior as três cenas principais de madeira por outras de alabastro policromado.
  • Dom Alonso II de Aragón (1470 ou 14781520) filho ilegítimo de Fernando o Católico. Acrescentou uma nave por lado, passando a catedral de ter três a ter cinco naves e elevou todas à altura da nave central. O antigo cimborrio, que já ameaçava ruína desde 1417 foi gravemente dañado pelo derrube de um dos pilares que o sustentava em 1498. Encarregou-se a Juan Botero a construção de um novo cimborrio em forma de estrela de oito pontas que ainda se pode admirar entre as abóbadas da igreja. Entre 1505 e 1520 realizou-se a obra, que foi terminada por seu filho e sucessor, dom Juan de Aragón, bispo de 1520 a 1531.
  • Dom Hernando de Aragón (14981575), filho ilegítimo do anterior e doña Ana de Gurrea. Arcebispo desde 1539, foi uma das pessoas mais influentes do reino de Aragón. Grande mecenas e promotor das artes, dirigiu a última ampliação da catedral entre 1547 e 1550, acrescentando dois trechos completos aos pés. A ampliação foi encarregada inicialmente a Juan de Segura, mas executou-a finalmente Charles de Mendibe, que acrescentou os dois trechos dos pés às cinco naves com seus correspondentes novas capillas laterais, dois à cada lado lado, e mais quatro ao fundo. Entre 1549 e 1555 o arcebispo mandou realizar em alabastro seu sepulcro a Juan Vizcaíno e o de sua mãe, Ana de Gurrea, a Juan de Liceire, na nova capilla de San Bernardo. O retablo da capilla de San Bruno, encarregou-o ao escultor Pedro de Moreto.

Nos últimos séculosEditar

O antigo confronto entre os canónigos do Pilar e da Seo foi notorio no século XVII. Tanto é assim, que o cabildo do Pilar entabló um pleito para obter a sede episcopal, pleito que foi solucionado por Felipe IV a favor da Seo. As disputas não se solucionariam até que em 1676 o papa Clemente X decidiu de maneira salomónica e pela Bula de União fundir ambos cabildos. Na Seo residiriam 6 dignidades e 15 canónigos, igual que no Pilar, e o deán viveria seis meses na cada uma.

Também no século XVII se derrubou a antiga torre mudéjar, muito deteriorada, e se começou a construção de uma nova. O novo campanario barroco, desenhado por Juan Bautista Contini em Roma em 1683, começou a construir-se em 1686, concluindo-se em 1704 com a colocação do chapitel, que culmina seus noventa metros de altura.

A nova fachada de estilo barroco clasicista foi realizada pelo arquiteto Julián Yarza entre 1763 e 1767 a instâncias do arcebispo Francisco Ignacio Añoa e Busto. Sobre a porta principal figura o escudo do arcebispo Añoa e a lateral esquerda dá acesso à capilla de San Miguel, denominada popularmente «A Parroquieta».

Entre os anos 1960 e 1965 julgaram-se uma série de roubos produzidos na biblioteca da Seo, uma das mais importantes de Europa.Fernández Clemente, Eloy em O desaparecimento dos incunables da Seo, na revista Andalán (Zaragoza, 1985) Descobriu-se que tinham desaparecido uns 583 livros, códices, incunables e manuscritos, com um valor de 13.295.500 pesetas da época. A causa principal foi a desidia com a que tinha sido tratada a biblioteca desde metade do século XIX pelo cabildo, o que facilitou o trabalho consideravelmente a ladrões como Enzo Ferrajoli de Ry, um italiano nascido em Nápoles em 1913, com umas credenciales impecables e muitas conexões dentro do regime franquista, que se apropriou de uns 110 livros. Tão mal pôde se recuperar um tomo da Biblia políglota complutense e o Manipulos curatorum, durante muito tempo considerado o primeiro livro editado em Espanha. O resto, entre as que se encontrava por exemplo um livro dedicado a Aragón e assinado por Juan de Coloma, secretário de Fernando o Católico, o 2 de janeiro de 1492, dia da tomada de Granada, acabou em diversos lugares, como o British Museum e a universidade de Yale ou subastados por Sotheby's, que se negaram aos devolver, argumentando que os tinham comprado «de boa fé, por procedimentos habituais e a pessoas de confiança».

Na segunda metade do século XX realizou-se uma restauração em profundidade do edifício que durou uns 23 anos. O projeto pode-se dividir em quatro etapas:

  • de 1975 a 1987: substituição dos seis pilares da nave principal, tejados, aleros, vidrieras, cimentación, demolição de edifícios colindantes e excavación arqueológica.
  • de 1987 a 1992: parede da Parroquieta, cimborrio, capillas da cabeceira e fachada neoclásica.
  • de 1992 a 1994: finalización de atuações anteriores e excavación de restos muçulmanos e romanos.
  • de 1995 a 1998: restauração da torre, o chapitel e o relógio, o órgão, o retablo maior, em general todas as yeserías e capillas foram limpadas e restauradas; também se adecuó o museu de tapices.

Ao todo gastaram-se mais de dois mil milhões de pesetas, pagos por Diputación Geral de Aragón, o Arzobispado de Zaragoza e o Cabildo Metropolitano, o Ministério de Educação e Cultura, Ibercaja e a Caixa de Poupanças da Imaculada. No 2005, a sacristía ainda estava em processo de restauração.

O exteriorEditar

ÁbsidesEditar

Ficheiro:A Seo - Exterior ábside.JPG
Vista exterior dos ábsides e muro da Parroquieta

A zona inferior dos ábsides é a única conservada da catedral románica do século XII e remetem à Catedral de Jaca. Da ornamentación interior fica ainda uma arquería distribuída em três setores por quatro colunas adosadas. Esta solução decorativa interna, como se se tratasse do frontal de um altar, é habitual no románico aragonés, ainda que bastante inusual no europeu. Seu programa iconográfico trata da queda de Adán e Eva em pecado e a redenção de Cristo mediante sua morte e resurrección. As esculturas ocupam capiteles, arquivoltas e os espaços entre as colunas, com figuras de bulto mais redondo em suas frentes de maior tamanho e dois frisos: um à altura dos capiteles, dando continuidade ao a banda escultórica e outro como cornisa onde se assentam as figuras maiores. No entanto, todos estes restos permanecem ocultos ao espectador depois do retablo maior.

Ábside centralEditar

Desde o exterior aprecia-se a planta poligonal com lados nos que se abrem três janelas nos dois primeiros corpos. O primeiro, de fatura románica, está construído com sillería de pedra e inspira-se no modelo da Catedral de Jaca, apreciable nas molduras de taqueado jaqués das arquivoltas. O segundo, gótico-mudéjar e construído em tijolo, data do século XIV e em seus lienzos abrem-se grandes ventanales apontados (posteriormente cegados) de tracería de arquillos sustentados em finas colunas que arrematam em filigrana de rosetones, formando uma celosía no interior do arco. Sobre este segundo corpo aparece uma cornisa de merlones enfeitados com cerâmica vidriada (de cor azul, verde e branca) e arrematados com pirámides.

No interior divide-se em três paños separados por semicolumnas. Sua coberta original era de abóbada de quarto de esfera; no século XV elaborou-se outra de abóbadas nervadas arrematadas com finques decoradas em madeira talhada.

Destaca a profusa decoración escultórica do a cara interna do ábside —em contraste com a austeridad externa— tanto em capiteles como em arquivoltas e intercolumnios. Seu programa iconográfico consta de temas do Génesis e da infância de Cristo. Os relevos foram esculpidos entre 1175 e 1189 seguindo modelos provenzales, devido ao parecer à influência que exerceu o marquesado cujo título ostentaba Alfonso II de Aragón, impulsor desta obra.

PortasEditar

Ficheiro:A Seo - Pórtico.JPG
Fachada neoclásica.

O acesso efetua-se através de três portas: a da portada ocidental na fachada neoclásica, a de san Bartolomé e a da rua Pabostría. Existe outro pequeno acesso ao fundo da Sala Capitular e dantes da Sacristía que dá à praça de San Bruno. Esta porta, singela e flanqueada por colunas jónicas com guirnaldas e um frontón triangular, foi finalizada em 1806 por José Yarza e Lafuente.

A porta principal, situada no muro oeste e utilizada para o culto, é a da fachada neoclásica que dá à praça da Seo, onde esteve também o acesso da mesquita. Foi encarregada pelo arcebispo Añoa a Julián Yarza, um discípulo de Ventura Rodríguez. Apresentou seu projeto em 1763, baseando-se na projetada para a porta de san Bartolomé por Ventura Rodríguez, que não se chegou a iniciar. As obras prolongaram-se até 1767 e foi construída em pedra, tijolo e yeso. O revogue de pintura branca atual despojou-a de contraste-los materiais da original. À direita e no mesmo lado uma entrada mais pequena dá acesso direto à Parroquieta.

Ao este se encontra a porta de San Bartolomé, pela que acedem os visitantes restringido às horas nas que não se celebra o culto. Não foi embellecida, pese a que existiu o projeto para isso encarregado a Ventura Rodríguez dantes mencionado.

A terça, entrada da igreja cristã medieval e situada aos pés do templo no lado sul, é a porta da Pabostría, que aboca à estreita cale homônima. Sua construção deve-se à iniciativa de Hernándo de Aragón depois da última reforma do recinto e data de 1558. Desde o século XVIII permaneceu oculta depois de uma cancela barroca de madeira de 1783, mas a restauração finalizada em 1998 a devolveu a seu estado original, transladando a sobrepuerta barroca a modo de cortavientos à porta de san Bartolomé.

Arco e casa do deánEditar

 Ver artigo principal: Casa do Deán

Cerca da porta de San Bartolomé, porta do lado oriente da catedral, encontra-se um arco ojival sobre o que se construiu a casa chamada «do Deán». Em 1293 autorizou-se a construção de um corredor sobre a rua com o fim de comunicar a casa do prior (que estava adosada à igreja) com a nova casa do deán situada ao outro lado da rua.

De 1587 data uma reforma que proporcionou à galería um olhador com três airosos ventanales de tradição plateresco-mudéjar que dão à praça de San Bruno. O fino trabalho de yesería recorda o das portas e ventanales do palácio dos Reis Católicos de a Aljafería, de fins do século XV.

O campanarioEditar

Ficheiro:Torre da Seo.jpg
Torre barroca de Contini.
 Ver artigo principal: Torre da Seo

A torre-campanario foi projetada em estilo barroco romano em 1683 pelo arquiteto Giovanni Battista Contini para substituir à antiga torre mudéjar. À frente das obras, que finalizaram em 1704, estiveram os mestres de obras zaragozanos Pedro Cuyeo, Gaspar Serrano e Jaime Busiñac.

Contini foi discípulo de Carlo Fontana e a torre segue seu estilo. O campanario é uma esbelta torre de 90 metros de altura, e nela se reforça o jogo borrominesco de linhas onduladas que se incrementa desde um sólido paramento inferior quadrado até gráciles arremates curvilíneos e sinuosos.

Consta de quatro corpos: o inferior, a modo de basamento, construído em pedra e o resto de tijolo. Para os detalhes ornamentales (cornisas, balaustrada, esculturas) utilizou-se a pedra caliza. A largura dos corpos diminui em altura, e sua descrição é a que segue:

  • A base, de escassa altura, é de sillería com uma porta de arco de médio ponto.
  • O corpo inferior, de planta quadrada, chega à altura do teto das naves. Está ressaltado com placas rectangulares e uma cartela arrematada em frontón partido por um óculo.
  • O segundo corpo, já em tijolo, é de seção quadrada com aristas redondeadas que conformam seudopilastras toscanas de capitel em goleta. Em 1787 incorpora-se um relógio em seu frente rodeado por duas figuras do escultor Joaquín Arali que representam o Tempo e a Vigilância.
  • O terceiro corpo é de planta octogonal, com estreitos vãos de médio ponto para os sinos e semicolumnas corintias adosadas. Nos ângulos aparecem esculturas das Virtudes Cardinales, que foram acrescentadas num século depois, em 1786, por Joaquín Arali.
  • O quarto e último corpo, com flameros na base conjugados com as janelas do paramento e uma cornisa de entrantes cóncavos. Arremata com um airoso chapitel bulboso de entrante a sua metade coroado por uma fina agulha.

O interiorEditar

Capilla Maior ou PresbiterioEditar

Retablo maiorEditar

Dedicado ao Salvador, como correspondia à advocación da Seo zaragozana, foi talhado em alabastro e policromado desde 1434 a 1480 por vários artistas, entre os que destacam Pere Johan, Francisco Gomar e Hans de Suabia (ou Hans Piet d'Anso). Pode-se considerar uma de faze-las cimeira da escultura gótica européia e a jóia maior desta catedral. Mede 16 metros de altura por 10 metros de largo.

Promovido pelo arcebispo Dalmacio de Mur, sua construção atraiu escultores de reconhecida fama, como Pere Johan que trabalhava naquele momento em Tarragona. Ele se encarregou de esculpir em alabastro de Gelsa o sotabanco entre 1434 e 1440, que foi prolicomado. Sobre este basamento acha-se que o mesmo autor fez um corpo talhado em madeira que se fechava com portas. No zócalo alternan o escudo do arcebispo Dalmau com o do cabildo catedralicio. O banco mostra quatro casetones com cenas de vidas de santos aragoneses separadas por decoración vegetal onde se colocam, em celebrações importantes, os bustos-relicario de san Valero, san Vicente mártir e san Lorenzo doados por Benedicto XIII.

O corpo principal, elaborado entre 1441 e 1445 consta de três ruas com grandes cenas alojadas em decoración escultórica gótico-flamígera. Traça-a original foi modificada em 1473 pelo imaginero alemão Hans de Suabia que esculpió as atuais talhas de alabastro. O corpo central representa a Adoración dos Reis e as laterais a Transfiguración de Cristo e a Ascensión da Virgen. Hans de Suabia demorou seis anos em esculpir todas as histórias e cobrou 150 florines de ouro à terminação da cada uma delas. Em 1473 assinou novo contrato para trabalhar a parte superior ocupada em mais da metade por grandes doseletes góticos.

Morreu este escultor sem deixar feito o tabernáculo que teve que terminar seu discípulo o escultor de Daroca Gil Morlanes o Velho, que talhou e dourou as figuras do guardapolvo e realizou uma pequena câmera depois do retablo onde se custodia o sagrario.

A ParroquietaEditar

Lope Fernández de Lua inicia a construção de sua própria capilla funeraria em estilo mudéjar em 1360 baixo a advocación de San Miguel Arcángel, conhecida vulgarmente como «A Parroquieta». Trata-se de um espaço rectangular e estreito que ocupou o lugar do lado do evangelho da cabeceira da Seo e se edificou sobre o ábside mais ocidental e uma anterior capilla colateral que se abria ao transepto. A nova estância conformou-se bem como uma pequena igreja destinada a albergar a tumba de Lope de Lua.

A construção correu a cargo do maestro de obras Miguel do Cellero, e nela trabalharam artífices mudéjares de Aragón e Sevilla, como os «azurejeros» Garci Sánchez e um tal "Lop". Seu trabalho com a cerâmica vidriada e o tijolo em retículas geometrizantes produziram uma das obras mestres do mudéjar aragonés, o muro exterior da Parroquieta, um dos exemplos mais señeros deste estilo. No interior, alumiado escassamente por estreitas janelas apontadas, a cabeceira cobre-se com uma techumbre de artesa octogonal também mudéjar realizada em madeira dourada com lacerías e mocárabes.

No lado esquerdo um arcosolio enmarca o sepulcro de dom Lope de Lua, lavrado em alabastro gerundense por Pere Moragues. A urna está coberta com a estátua yacente do arcebispo. Os lados do sarcófago estão esculpidos também, com um séquito de personagens presididas pelo papa Clemente VI e o rei de Aragón Pedro IV. Na frente do nicho do arcosolio e os custados desenvolve-se a cerimônia fúnebre do enterro com estátuas plorantes originalmente douradas e policromadas com fundo de massa vítrea azul, à moda das tumbas reais do mausoleo de Santa María de Poblet.

Toda a Parroquieta foi restaurada em 1936 por Francisco Íñiguez Almech, quem a devolveu a seu estado original anterior ao que lhe deram reformas dieciochescas.

Capillas da cabeceiraEditar

Situadas no espaço delimitado pelos ábsides laterais, só o situado do lado da epístola se conserva em sua integridade, e aloja a bela imagem gótica da Virgen Branca. O do lado do evangelho foi destruído em parte para construir a sacristía e aparece como um portal não demasiado profundo.

Capilla da Virgen BrancaEditar

No ábside esquerdo situa-se a capilla da Virgen Branca. Tem uma portada plateresca de Francisco de Casas e Juan de Monferriz de 1574 e cobre-se com abóbada de terceletes decorada com pinturas e finques em madeira estofada. No interior encontra-se um retablo barroco de 1647 talhado em madeira com pinturas do zaragozano Jusepe Martínez e que apresenta cenas da vida da Virgen. Preside a capilla uma Virgen com menino de alabastro do século XV realizada pelo escultor Fortaner de Usesques, natural de Morlaas, capital do vizcondado de Bearn. No solo encontram-se diversas lápidas de arcebispos de Zaragoza dos séculos XVI ao XVII.

Capilla de San Pedro e San PabloEditar

Situada no acesso ao desaparecido ábside románico, a capilla de San Pedro e San Pablo está documentada já em 1403. Ingressa-se através de uma portada plateresca de yesería em forma de arco triunfal de médio ponto. O arremate do trasdós mostra a cena da Assunção de María. No interior, (reduzido no século XVIII para construir a sacristía) encontra-se um retablo de madeira dourada e policromada com cenas em relevo das vidas de San Pedro e San Pablo da segunda metade do século XVIII atribuído ao escultor navarro Domingo Tris Saz.

Capillas laterais e meridionalesEditar

Capilla de Nossa Senhora das NevesEditar

A capilla de Nossa Senhora das Neves foi acondicionada por doña Ana Manrique, condesa de Punho-em-rosto, para que servisse de capilla funeraria de seu irmão, dom Pedro Manrique, arcebispo de Zaragoza, a sua morte em 1615.

Capilla tardogótica que conserva a portada da época de Hernando de Aragón, ainda que a abóbada de crucería foi aberta para introduzir uma linterna. O retablo barroco completa-se com várias pinturas atribuídas a Francisco Jiménez Maza, entre as que destacam a Fundação da igreja de Santa María a Maior ou Santa María das Neves no monte Esquilino de Roma e a de Santo Dominguito de Val.

Capilla de San ValeroEditar

A capilla de San Valero, patrón e bispo de Zaragoza, foi decorada por ordem do arcediano Miguel Anonio de Urrutigoiti entre 1696 e 1698.

A portada churrigueresca, muito decorada em yeso, está presidida por duas esculturas de San Pedro e San Pablo, escoltados pelo escudo do Cabildo Metropolitano.

O interior está coberto por uma cúpula oval sobre pechinas e que possui uma linterna no centro para alumiar a capilla. Está muito decorada com yeserías, similar às da capilla de Santo Dominguito de Val. O retablo, também churrigueresco, de madeira dourada do século XVII, mostra cenas dos santos Valero, Vicente e Lorenzo. Nos lados duas grandes pinturas decoran as paredes: O interrogatório de San Valero e San Vicente por Daciano e Chegada do cráneo de San Valero a Zaragoza, ambas do século XVII. A autoria é discutida, ainda que atribuem-se a Pedro García Ferrer ou a Bartolomé Vicente.

Capilla de Santa Elena, de Nossa Senhora do Carmen ou do Santísimo SacramentoEditar

A capilla de Santa Elena, de Nossa Senhora do Carmen ou do Santísimo Sacramento foi reformada entre 1637 e 1646 por ordem de dom Francisco de Liñán.

A portada é de um estilo que se chamou protobarroco, um barroco sem excessiva decoración, talhada toda ela em yeso. Sobre o frontón, em cima das armas do fundador, numa hornacina, a figura de Santa Elena. A grade primeiramente também é de um estilo barroco muito severo, obra de Pedro de Tapia.

O interior está coberto com cúpula alumiada por uma linterna em seu centro, decorada em estilo barroco com yeserías que mostram aos quatro evangelistas e seis profetas. O retablo foi contratado em 1637 com Ramón Senz, escultor, Bernardo Conil, ensamblador, e Juan Galván e Juan de Orcoyen, ambos pintores. No entanto, grande parte das pinturas são de Francisco Lupicini, pintor de Florencia do século XVII, que as contratou em 1638. São de Lupicini as cenas da vida de Santa Helena do retablo que se encontram no banco e outras na parte a central, Crucifixión, A estigmación de San Francisco, Santa Catalina de Siena e o Descendimiento. Também são seus os lienzos das paredes laterais, Invenção da Santa Cruz por Santa Helena, Milagre da serpente no deserto, Subida ao Monte Calvario do Imperador Heraclio e Adoración da Santa Cruz no dia do Julgamento Final. A imagem que preside o retablo é uma escultura da Virgen do Carmen colocada no século XIX; trata-se de uma escultura barroca de começos do século XVIII, que se relaciona com a oficina dos Mesa.

Capilla dos arcángeles Miguel, Gabriel e RafaelEditar

Ficheiro:A Seo.jpg
Interior de A Seo. À direita, em madeira escura e alabastro, a Capilla dos arcángeles Miguel, Gabriel e Rafael ou Capilla de Zaporta. À esquerda, trascoro e capilla e templete barroco do Santo Cristo.

A capilla dos arcángeles Miguel, Gabriel e Rafael, ou simplesmente capilla de San Miguel, foi mandada construir e financiada por Gabriel Zaporta, senhor de Valimaña, o 13 de outubro de 1569, com intenção de convertê-la em sua capilla funeraria. De seu enterro só se conservou a tampa do sarcófago, uma chapa de bronze repujada com uma efigie de Zaporta, obra de Hernando de Ávila de 1578, que atualmente se encontra no Museu Capitular.

A portada, construída em 1570 pelos mazoneros zaragozanos Francisco e Jerónimo de Santa Cruz de auerdo a traça-a do pintor Tomás Peliguet, é de estilo plateresco, com pedestales de mármol negro e o resto de yeso policromado, imitando materiais mais caros. Sobre finque-a do arco, o escudo de Zaporta. A rejería de bronze é a melhor da catedral, também realizada em estilo plateresco por Guillén Trujarón em 1570. Dividida em três corpos, sobre basamento de mármol negro os dois corpos exteriores, está arrematada pelas armas de Zaporta, angelotes e lacerías.

O interior está coberto por uma abóbada de crucería estrellada. Os azulejos do arrimadero que cobre a parte inferior das paredes se acha que são do pintor Pedro Morone de Siena e estão datados entre 1572 e 1575. O retablo do século XVI é um belo exemplo de alternancia da mazonería de madeira com a escultura de alabastro. As figuras são de Juan de Anchieta, escultor de Azpeitia, a mazonería de Guillén Salbán e as pinturas a Juan de Ribera. No banco aparecem, de esquerda a direita, os relevos de dois evangelistas, a Anunciación e outros dois evangelistas, realizados em alabastro. Nos extremos, figuras de Santa Luzia e Santa Apolonia realizadas em madeira. No corpo principal, no centro, uma hornacina que mostra aos três arcángeles Miguel, Gabriel e Rafael triunfantes sobre os demônios, ao lado esquerdo esculturas de San Gabriel e san Francisco e ao lado direito esculturas de San Jerónimo e San Guillermo de Bourges. O retablo vem arrematado pelas imagens de San Pedro e San Pablo, entre os que se encontra um Calvario.

Capilla de Santo Dominguito de ValEditar

A capilla de Santo Dominguito de Val, patrón dos infantes da escolanía da cidade e dos monaguillos, criou-se pela união das antigas capillas do Espírito Santo e do Corpus Christi em 1671. Supostamente conservam-se restos do santo.

A portada foi realizada em yeso sobre pedestal de mármol, para 1700, em estilo churrigueresco. Destacam-se os relevos de Santo Dominguito de Val e da Eucaristía, que se completa com as imagens de outros santos.

O interior está coberto por uma cúpula elíptica sobre pechinas muito trabalhada em yeso e similar à da capilla de San Valero. O retablo é churrigueresco de madeira dourada do século XVII. Dominado pela figura de Santo Dominguito de Val crucificado, vestido com as roupas dos Meninos do Coro da catedral. Aos lados, esculturas de San Francisco Javier e San Ignacio de Loyola e arrematando o retablo, um quadro da Virgen de Guadalupe. Os muros estão cobertos com pinturas que Camón Aznar atribui a Bartolomé Vicente. Os lienzos contam o milagre que ocorreu na catedral em 1427, quando um moro tentou profanar a Sagrada Forma que uma mulher tinha guardado durante a eucaristía, se convertendo a Forma num formoso menino.

Capilla de San AgustínEditar

A capilla de San Agustín foi criada entre os anos 1720 e 1722. A portada realizada em yeso, similar à da capilla de San Vicente, de arco triunfal e cobertura de estilo churrigueresco, é uma das últimas que se realizaram.

A capilla está coberta com cúpula sobre pechinas, alumiada por uma linterna. Tanto a cúpula como as partes livres das paredes estão ricamente decoradas. Penduram aos lados pinturas de 1722 de Miguel Jerónimo Lorieri e Francisco do Plano, que mostram cenas da vida da Virgen.

O retablo é renacentista e foi construído em 1521 para a capilla de Santiago da mesma Catedral. Doña María de Alagón e Cariñena, viúva do camarero do arcebispo dom Alonso de Aragón, encarregou-lho aos escultores Gil Morlanes o jovem e Gabriel Yoly, pintando-o Martín de Aniano e Martín García. O basamento é de tabelas pintadas e o banco apresenta cinco hornacinas com cenas da vida da Virgen realizadas provavelmente por Yoly: a Anunciación, a Adoración dos Reis Magos, Pentecostés e a Dormición da Virgen. No centro, uma grande escultura policromada de San Agustín, realizada em 1722 pelo escultor José Sanz Alfaro, que substitui à antiga figura de San Agustín que tinha sido transladada à capilla de Santiago. Aos lados esculturas de San Bartolomé de Yoly e San Ambrosio de Morlanes. Na parte superior, cenas do Bautismo de Cristo de Morlanes, de San Joaquín com a Virgen Menina de Yoly e, no centro, um medallón com a Virgen com Menino. Arrematando o retablo, a cena do Abraço da Porta Dourada e o Pai Eterno.

Capilla de San Pedro ArbuésEditar

A capilla de San Pedro Arbués é uma das mais interessantes do templo. A portada foi realizada em estilo gótico isabelino, mas acrescentaram-se motivos barrocos no século XVIII.

A abóbada da capilla é de crucería, à que se acrescentou uma linterna no centro com o fim de melhorar a iluminación. Os muros estão recubiertos em sua parte inferior por cerâmica barroca e a parte superior está ocupada por grandes pinturas realizadas por Francisco Jiménez Maza em 1655. Os lienzos mostram cenas da vida e a morte de Pedro Arbués. O centro da capilla ocupa-o um baldaquino, também de metade do século XVII, sustentado por quatro colunas salomónicas de mármol negro e de coberta decorada com as figuras das Virtudeé.

Embaixo do baldaquino encontra-se o sepulcro do santo atribuído a Juan de Salazar. Transladou-se-se aqui em 1664 desde o lugar em que tinha sido assassinado, por motivo da beatificación. A tumba, que foi mandada talhar por Isabel a Católica, está decorada ricamente com relevos de cenas da vida do santo e estava arrematada com uma escultura yacente de Pedro Arbués, talhada em alabastro. A escultura transladou-se ao Museu Capitular para poder empregá-la como mesa de altar. Detrás, uma escultura do Santo, em glória, sobre uma nuvem, vestido com roupas de canónigo. A obra foi realizada por Juan Ramírez em 1725.

Capilla de San BernardoEditar

A capilla de San Bernardo de Claraval é uma de faze-las cimeira do renacimiento aragonés. Dentre 1549 e 1555, contém as tumbas do arcebispo dom Hernando de Aragón, que a mandou realizar, e de sua mãe doña Ana de Gurrea. Juan Vizcaíno realizou o sepulcro do arcebispo e Juan de Liceire o de sua mãe. O retablo da capilla de San Bruno, encarregou-o ao escultor Pedro de Moreto. Todo o conjunto foi realizado em alabastro. A grade, renacentista também, foi realizada por Guillén de Trujarón em 1553.

É esta a capilla que pediu este arcebispo para erigir seu panteón familiar, e por tanto, dispôs de todos os recursos econômicos para fazer dela um relevante conjunto artístico. Para isso dispunha de um espaço de planta cuadrangular que foi coberto com abóbada de crucería estrellada, ainda que a que nos chegou é fruto de uma reforma barroca de 1640. Foram dispostos três retablos em alabastro, o central dedicado a san Bernardo e os laterais ao próprio prelado e a sua mãe.

O retablo central de Pedro de Moreto, filho do florentino Juan de Moreto, é o de maior qualidade. Está formado por um zócalo, onde se situam as armas de Hernando de Aragón e um banco com várias cenas: a Degollación dos Inocentes, a Circuncisión e Jesús entre os doutores. Estas estão separadas por hornacinas que albergam figuras de bispos. O corpo divide-se em três ruas que separam colunas corintias profusamente lavradas. As laterais apresentam relevos sobre a Natividad (à esquerda do espectador) e a Apresentação de Jesús no Templo. A rua central reserva-se à Aparecimento da Virgen a san Bernardo e com anjos tenentes das armas de dom Hernando coroadas por um medallón da Trinidad.

Entre o retablo e os dois mausoleos dispõem-se estátuas dos reis de Aragón desde Juan I até Fernando o Católico e Carlos I.

O complexo funerario de Hernando de Aragón foi esculpido por Bernardo Pérez em 1550 com ajuda do imaginero Juan Pérez Vizcaíno. Responde ao tipo de leito com imagem yacente do difunto sobre a urna ataviada de pontifical. No frontal e alojadas em veneras representam-se as alegorias das virtudeé junto com uma inscrição laudatoria. Acompanha-se com um retablo do mesmo autor realizado em 1553, que consta de um banco, corpo com três ruas e cobertura. Na rua central representa-se a Crucifixión e nas laterais san Valero e san Blas, coroado todo isso com o Julgamento final.

Em quanto ao de sua mãe, doña Ana de Gurrea, enfrentado ao de seu filho, mostra uma composição similar. Foi esculpido por Juan de Liceire, e é de qualidade inferior ao do arcebispo. Em seu sepulcro aparece yacente e vestida com o hábito de Santiago. Em seu retablo aparecem, na rua central, a Virgen com o Menino e santa Ana, e nas laterais san Juan Bautista e Santiago o Maior. Na cobertura, a Natividad de María.

Capilla de San BenitoEditar

A capilla de San Benito foi mandada construir por dom Hernando de Aragón para recolher os corpos de seus serventes, sendo inaugurada o 4 de agosto de 1557. A capilla foi reformada em 1762 pela baronesa de Sangarren, com o que se perdeu o retablo renacentista original com as pinturas que Jerónimo Cosida tinha realizado em 1552.

A portada não tem nenhum elemento decorativo, sendo em arco apontado, tal como o eram as primeiras capillas da Catedral. A capilla ainda está fechada com a grade renacentista original realizada por Guillén de Trujarón em 1556.

O interior está coberto com uma abóbada de crucería, com as armas de são Hernando de Aragón nas ménsulas que a suportam. Durante a reforma do século XVIII introduziu-se uma linterna no centro. O retablo atual é entre barroco e neoclásico. A destacar no retablo a imagem de San Benito atribuída a José Ramírez de Arellano no centro, numa hornacina, e na cobertura uma figura de San Cristóbal, atribuída à oficina do mesmo.

Capilla de San MarcosEditar

A capilla de San Marcos, ou do Monumento, foi reformada a princípios do século XVIII para instalar o Monumento Eucarístico do Quinta-feira Santo, e daí seu nome.

A portada é churrigueresca, de yeso sobre pedestales de mármol, realizada em 1711 por José Serra. Mostra relevos com os instrumentos da Paixão, o Livro dos Sete Selos, bustos da Virgen e San Juan Evangelista; todo culminado pela imagem do Pai Eterno.

O interior está coberto com uma cúpula, coberta com pinturas de anjos meninos que portam as «armas de Cristo», sobre pechinas, ilustradas com as quatro Virtudes: Justiça, , Esperança e Caridade, todo isso faz de Juan Zabalo. Entre 1711 e 1713, Juan Zabalo não só pintaria os tetos, senão também os grandes lienzos das paredes, A Entrada de Jesús em Jerusalém e O beijo de Judas. Na reforma do século XVIII eliminou-se o retablo e substituiu-se por um telón, que oculta o Monumento de Quinta-feira Santo.

Capilla do NascimentoEditar

A capilla do Nascimento foi fundada pelo infanzón Jerónimo Ferrer Cerdán o 27 de julho de 1584, com a intenção de convertê-la em panteón familiar. Doña Ana Clavero, esposa do anterior, terminou a obra à morte de seu marido.

A portada do século XVI é muito singela, arrematada com as armas de Ferrer Cerdán. A grade de bronze é renacentista, de 1586, realizada por Hernando de Ávila, que também fez a da capilla de San Miguel para Zaporta.

O interior está coberto por uma abóbada de crucería, em cujas quatro ménsulas aparecem os escudos de Ferrer Cerdán e sua esposa. A parte inferior dos muros está coberta com cerâmica de Muel. O retablo, realizado a base de lienzos entramados numa armazón de madeira dourada e policromada de estilo plateresco, é uma obra mestre da pintura renacentista de Roland de Mois. O basamento contém as seguintes pinturas: A Epifanía, A Redenção e a Apresentação no Templo. No corpo principal, dividido em três ruas, encontra-se a pintura da Natividad do Menino Jesús e a adoración dos pastores. Em cale-las laterais tabelas de San Jerónimo (abaixo esquerda), Santo Domingo de Guzmán (acima esquerda), San Vicente Ferrer (abaixo direita) e San Francisco de Asís em oração (acima direita). Na cobertura, há um quadro de Jerónimo de MoraJosé Luis Morais Marín, A pintura aragonesa no século XVII, Zaragoza, Guara, 1980, págs. 43 e 46. ISBN 84-85303-34-2 de para 1616 que representa às duas Sagradas Famílias com san José, santa María, san Joaquín, santa Ana e o Menino.

Capilla das santas Justa e RufinaEditar

A capilla das santas Justa e Rufina foi fundada por dom Mateo Virto de Lado, Inquisidor Apostólico do Reino de Aragón, em 1643 com a intenção de convertê-lo em panteón familiar. As obras realizaram-se entre 1643 e 1644. Com o passo do tempo, a capilla seria herdada pelos condes de Guara e mais tarde pelos duques de Villahermosa, que a empregaram para o mesmo fim.

A portada é muito severa, com arco de médio ponto e labores de yeso. O interior está coberto com uma cúpula sobre pechinas com linterna, decorada com pinturas de Juan Galván. Este pintor também é autor dos grandes lienzos que cobrem as paredes, a Epifanía e a Fugida a Egito e se lhe atribui o lienzo central do retablo sobre as titulares da capilla. O retablo em si é de pouco interesse.

Capilla de San VicenteEditar

A capilla de San Vicente foi fundada em 1719 pelas cofradías do Corpus Christi e de San Vicente.

O portal barroco, suntuosamente decorado com motivos florais, grutescos, anjos e diversas alegorias, tudo em estuco sem pintar, mostra adiante das pilastras dois grandes esculturas de San Jorge e San Mauricio. Ademais podem-se apreciar as imagens de San Vicente, San Lorenzo e San Esteban. No centro, sobre finque-a, um grande relevo com anjos portando a Eucaristía numa grande custodia.

O interior está coberto com uma cúpula sobre pechinas com linterna muito decorada ao estilo barroco. O retablo é barroco, dourado, muito sobrio, presidido por uma escultura de San Vicente Mártir. A escultura é de para 1760, realizada por Carlos Salas, um escultor catalão assentado em Zaragoza. Em cima, outra imagem de uma custodia adorada por anjos realizada em honra ao Corpus Christi, a segunda advocación da capilla.

Capilla de Santiago o MaiorEditar

A capilla de Santiago foi reformada pelo arcebispo Antonio Ibáñez da Riva Herrera para convertê-la em sua capilla funeraria. A reforma eliminou qualquer vestígio da antiga capilla renacentista, modernizándola em estilo barroco.

A portada barroca, realizada dantes de 1700, é a mais espetacular da catedral. Realizada em yeso, com basamento de mármol, mostra grandes figuras rodeadas de espesso foliaje, triunfos e anjos. Dois grandes grupos de esculturas com dois prisioneiros atados a palmeras, um grupo à cada lado, decoran a parte inferior. A pedra finque do arco primeiramente está coberta pelo escudo dourado do arcebispo fundador. Em cima, em hornacinas, figuras de Santiago e os santos Roque, Sebastián e Domingo da Calçada.

A capilla está coberta por uma cúpula com linterna sobre pechinas, pintada com pinturas da época. Embaixo, um baldaquino barroco suportado por quatro colunas salomónicas, provavelmente inspirado no Baldaquino de San Pedro em Roma realizado por Bernini. Protegida pelo baldaquino, no centro, uma estátua renacentista de Santiago Apóstol, atribuída a Gil Morlanes o Jovem. A estátua acha-se que foi realizada entre 1520 e 1521, ao mesmo tempo que o antigo retablo da capilla, que atualmente se encontra na capilla de San Agustín.

As paredes estão decoradas por três grandes pinturas de Pablo Rabiella e Díez de Aux realizadas para 1696: A Batalha de Clavijo, O aparecimento da Virgen do Pilar em Zaragoza e O Martírio de Santiago. Numa das paredes, um arcosolio com uma escultura de alabastro do arcebispo orando, acolhe o enterro de Ibáñez da Riva, que foi transladado à capilla em maio 1780, setenta anos após sua morte em Madri, o 3 de setembro de 1710.

CoroEditar

O coro situa-se no centro da Catedral, seguindo a tradição espanhola. Mandado construir entre 1445 e 1447 pelo arcebispo Dalmau de Mur, que tem aqui seu sepulcro, está formado por 117 cadeiras góticas realizadas em roble de Navarra pelos mazoneros catalães Francisco e Antonio Gomar, o fustero Juan Navarro e o pintor Jaime Romeu. As cadeiras são muito sobrias, decoradas com elementos arquitectónicos e alguns elementos vegetales, a exceção das três cadeiras da presidência que estão algo mais trabalhadas. Depois dos graves danos que em 1498 sofreu a zona o cimborrio (se veio abaixo um dos pilares do cruzeiro), se dañó uma parte do coro, que foi restaurado por Bernardo Giner e Mateo de Cambiay entre 1532 e 1534. Fecha o conjunto uma grade de bronze dourado arrematada com esculturas de madeira dourada de El Salvador, San Pedro e San Pablo realizada por Juan Ramírez entre 1721 e 1722.

O órgão conserva restos do órgão gótico de 1469 e tubos dos séculos XV ao XVIII. O órgão atual é o resultado da integração da complexa história do instrumento realizada entre 1857 e 1859 por Pedro Roqués.

TrascoroEditar

A decoración do trascoro começou-se com Hernando de Aragón e se continuaria até os arcebispos Andrés Santos (1579-1585), Andrés de Cabrera e Bobadilla (1587-1592) e Alonso Gregorio (1593-1602).

Depois das reformas de Hernando de Aragón que acrescentaram dois trechos aos pés da catedral, a parte posterior do coro ficava à vista e se julgou conveniente embellecerla com relevos escultóricos. Para isso se dispôs um zócalo adintelado de painéis ornamentados de bajorrelieves alternando com hornacinas aveneradas que albergavam estátuas de bulto redondo. Entre estes elementos dispuseram-se colunas abalaustradas e todo o conjunto se decoró profusamente com motivos de glutescos nos entablamentos e angelotes nos arremates dos tímpanos (triangulares nas hornacinas e curvos nos painéis de cenas religiosas).

A imaginería contratou-se em 1557 a Arnao de Bruxelas e a ornamentación e a arquitectura a Juan Sanz de Tudelilla, tudo segundo os planos do pintor Jerónimo Cosida. Em 1579 se teria concluído o trecho meridional, ainda que entre 1720 e 1731 se incorporou no centro um baldaquino para alojar o altar do trascoro e a imagem do Santo Cristo. Em 1587 contratou-se ao escultor Juan Rigalte para que terminasse a obra no trecho do lado da epístola, ajudado por Pedro de Aramendía. O trecho oposto, o oriental, foi realizado já no final do século XVI.

Seguindo a parede do trascoro à esquerda da grade, podem-se apreciar os seguintes elementos:

Ficheiro:Trascoro e abóbadas da Seo.jpg
Trascoro e abóbadas da Seo.
  • Relevo de San Pedro Arbués, situado à esquerda da grade primeiramente, é um relevo em que se mostra o assassinato de Pedro Arbués na mesma Catedral. A escultura permite ver uma pequena representação do retablo maior da catedral e outros detalhes arquitectónicos.
  • Capilla de Santa Marta, em cujo retablo dentre 1701 e 1702, atribuído a Gregorio de Mesa, destaca a talha de Santa Marta em madeira dourada e policromada e as figuras sedentes de San Juan Bautista e do profeta Daniel.
  • Imagem de San Juan Bautista.
  • Capilla das Reliquias, cujo frente está ocupado por um armario, de portas pintadas ao óleo no Barroco.
  • Porta de acesso ao coro, de lacería mudéjar, apresenta em sua parte superior um relevo com o tribunal da Inquisición presidido por Pedro Arbués.
  • Relevo do martírio de San Esteban.
  • Capilla de San Juan Bautista, pequena capilla que contém um retablo barroco com uma imagem de San Juan Bautista, de princípios do século XVIII, além de dois quadros de San Ignacio de Loyola e San Francisco Javier.
  • Imagem de San Esteban.
  • Capilla de Santo Tomás de Villanueva, decorada baixo a iniciativa do arcebispo Manuel Pérez de Araciel e Rada, alberga uma imagem do santo titular realizada por Juan Ramírez em 1727.
  • Esculturas de San Valero e de um santo bispo.

A parede do evangelho tem as seguintes imagens e capillas:

  • Esculturas de San Timoteo e San Pedro Arbués.
  • Capilla das Vírgenes, dedicada a Santa Orosia, Santa Bárbara e Santa Catalina. As três vírgenes mártires aparecem numa pintura de finais do século XVI ou princípios do XVII.
  • Imagem de San Raimundo.
  • Capilla de San Felipe Neri, da primeira miad do século XVII, alberga um retablo de mármol no que o mais interessante é a figura do titular ajoelhado. Ademais na capilla encontram-se duas pinturas, uma de San Felipe Neri e outra de San Juan Crisóstomo.
  • Relevo do martírio de Santo Dominguito de Val.
  • Porta de acesso ao coro similar à do outro muro. O relevo mostra a decapitación de Santo Dominguito de Val.
  • Capilla de San Leonardo. Pequeno retablo churrigueresco com pinturas de finais do século XVII completado com dois lienzos do titular nas paredes.
  • Figura de San Clemente.
  • Capilla de San Pedro Nolasco. Possui um interessante retablo barroco de finais do século XVII. Os lienzos do corpo são de San José com o Menino, San Pedro Nolasco ante o aparecimento da Virgen e San Pedro Nolasco. O retablo arremata-o uma Santa Ana com a Virgen e o Menino.
  • Relevo com o translado do corpo de Santo Dominguito de Val.

No muro dos pés do trascoro encontra-se a capilla do Santo Cristo (vide infra). O muro está completado por dois relevos e duas estátuas. O lado da direita está dedicado a San Valero, o primeiro relevo da direita mostra seu martírio, seguido de uma figura do santo a sua esquerda e finalmente um relevo de San Valero presidindo um concilio. No lado da esquerda um relevo de San Valero e San Lorenzo, uma estátua de San Lorenzo e finalmente o martírio de San Lorenzo.

Capilla do Santo CristoEditar

No centro do muro dos pés do trascoro encontra-se a capilla do Santo Cristo, uma de melhore-las da Catedral. Foi construída ao mesmo tempo que as demais capillas do trascoro, mas já entre 1634 e 1639 foi modificada para ser capilla funeraria por dom Martín de Fontes, canónigo penitenciário e mais tarde bispo de Albarracín. O sepulcro mostra uma figura do bispo rezando.

Alberga o «Santo Cristo da Seo», que tem uma especial devoción na cidade, como dá mostra a zarzuela Gigantes e cabezudos:

Cristo da Seo,

Virgen do Pilar,

faz que se sosieguen

e não gritem mais.

Se em aumento segue

esta rebelião,

de uma grande surra

não me livro eu.

O Cristo é uma talha renacentista de três clavos e morto, provavelmente da época de dom Hernando de Aragón. Acompanham-no duas imagens da Mater Dolorosa e San Juan Evangelista, figuras policromadas do século XVI. O conjunto encontra-se embaixo de um baldaquino suportado por seis colunas salomónicas de mármol negro de Calatorao, obra de Juan Ramírez segundo projeto de Juan Zabalo e terminado em 1739. A cúpula do baldaquino está ricamente decorada arrematada com uma imagem de Cristo ressuscitado e seis anjos com os instrumentos da Paixão.

Sacristía maiorEditar

À sacristía acede-se através de uma porta mudéjar com elementos renacentistas de madeira dourada que se enmarca numa portada barroca de yeso que mostra as figuras do Salvador, San Joaquín, a Virgen e San José, com o Menino, o Pai Eterno e o Espírito Santo.

No interior conservam-se numerosas pinturas do século XVII e XVIII das escolas valenciana e aragonesa, entre as que cabe destacar uma Imaculada, o Julgamento de Salomón, a Fugida a Egito (da escola flamenca) e um Martírio de San Pedro. Também há que mencionar o tríptico de esmaltes de princípios do século XVI, obra de Nardon Penicaud, que mostra cenas do Nascimento, a Epifanía e a Circuncisión.

Há que destacar, ademais, o grande armario, em cujo interior se conservam os relicarios e cujas portas foram pintadas por José Luzán, maestro de Goya. Em seu interior conservam-se, entre outros, os busto-relicarios de San Valero, San Vicente e San Lorenzo, todos da escola de Aviñón; o primeiro doado em 1397 e os segundos em 1440 pelo papa Benedicto XIII. O busto de San Hermenegildo de 1552 é renacentista e obra de Juan de Orona; doação de Hernando de Aragón. O de San Pedro Arbués é uma obra barroca de 1664. Ademais, dentro do armario também está o grande ostensorio de prata (do século XVIII), a arqueta do Monumento da Quinta-feira Santo (do século XVI), as ánforas para consagrar os Santos Óleos (de Pascual de Agüero e seu filho Fernando dentre 1442 e 1443), candelabros, báculos, cetros, bandejas, etc.

Na sacristía também se encontra a custodia procesional, que realizou o orfebre Pedro Lamaison (com base num desenho de Damián Forment) entre 1537 e 1541 com 218 quilos de prata. O gasto foi pago por dom Hernando de Aragón. Em 1623 acrescentou-se um último corpo, obra realizada por Claudio Yenequi em 1623, e o basamento e uma imagem de Santo Tomás, realizada por Juan Dargallo em 1735, sufragado pelo arcebispo Tomás Crespo de Agüero. O conjunto se enmarca dentro do estilo plateresco.

A naveta em forma de carabela é uma obra de orfebrería espanhola do século XV. Aproveitou-se uma caracola colocando-lhe mastro, proa e popa para simular uma carabela que se colocou sobre um dragão de prata.

Diversos objetos, pinturas, esculturas e vestiduras (casullas, etc.) dos séculos XVI ao XVIII completam a coleção da catedral.

Os cartulariosEditar

Conservaram-se dois cartularios, os chamados «grande» e «pequeno» que contêm os documentos medievales mais importantes da catedral. O pequeno foi recopilado no final do século XIII e contém os documentos dos séculos XII e XIII principalmente. O grande foi recopilado no século XIV e contém documentos pontificios, reais, vendas, permutas etc. teve uma tentativa moderna de publicação, mas ainda não se levou a cabo.

O museu de tapicesEditar

O museu de tapices da Seo, localizado na sala capitular, possui uma importante coleção, composta por uns 60 paños dos séculos XV ao XVIII, que permite contemplar diversas épocas de evolução da arte do tapiz, pelo que se pode considerar uma das mais releventes e completas coleções no âmbito internacional.

Os mais antigos correspondem à série de A Paixão, com duas tapices datados no primeiro terço do século XV: Mistérios da Paixão até a preparação na Cruz também conhecido como História da Paixão, e A Crucifixión e a Resurrección.Cfr. ÁGREDA PINO, A. M. e LADOS SANZ, F. J., em CORRAL, J. L. (coord.) (2000), pág. 128: «A mais antiga série de tapices conservada [...] é a série de A Paixão, constituída por duas paños datados no primeiro terço do século XV [...] Pertencem estas peças ao chamado "estilo de Arrás", cujas características seguem pontualmente. Convém aclarar que ainda que de forma geral se atribuem às oficinas de Arrás a maior parte dos paños tecidos na primeira metade do século XV, tão só se conserva na atualidade uma série originaria deste centro licero, conhecida como História de San Piat e San Eleuterio», Ana María Ágreda Pino e Francisco Javier Lados Sanz, «Os tapices da Seo de Zaragoza», em Corral Lafuente, J. L. (coord.), A Seo do Salvador, Zaragoza, Livraria Geral (primeira publicação por fascículos em «A Seo», Heraldo de Aragón 1998), 2000, pp. 123-136. ISBN 84-7078-212-6. Estes paños seguem com fidelidade o chamado "estilo de Arras", criado pelo conhecido centro licero desta localidade francesa da região de flandes, que produziu suas colgaduras na primeira metade do século XV.

Da segunda metade do século XV datam outras três séries caracterizadas por sua adscripción ao "estilo de Tournai", por situar-se nesta cidade uma importante oficina flamenco ao que se atribui um exemplar na Seo: o tapiz da Expedição de Bruto a Aquitania, conhecido como o tapiz de As Naves.

As séries mais destacadas da coleção catedralicia de tapices, ordenadas cronologicamente, são:

  • Série «A Paixão» (paños franceses, estilo de Arrás, primeiro terço do século XV): Mistérios da Paixão até a preparação na Cruz, A Crucifixión e a Resurrección.
  • Série «As Naves» (oficina de Tournai, segunda metade do século XV): Expedição de Bruto a Aquitania ou As Naves.
  • Série «Asuero e Ester» (estilo de Tournai, segunda metade do século XV): Banquete de Asuero, Exaltación de Ester ao trono de Persia, Intriga de Amam.
  • Série «A Exaltación da Santa Cruz» (estilo de Tournai, segunda metade do século XV): Cautividad da Santa Cruz, Exaltación da Santa Cruz.
  • Série «História de Jefté» (estilo de Tournai, segunda metade do século XV): Voto de Jefté.
  • Série «História de San Juan Bautista» (paños flamencos, oficina de Bruxelas, primeira década do século XVI) O Bautista no Jordán, Bautismo de Jesucristo, San Juan Bautista ante Herodes. Sua prisão.
  • Série «História da Virgen» (paños flamencos, primeira metade do século XVI): Exaltación de María Mãe de Deus.
  • Série «Jesucristo. Simbolismo bíblico e mistérios de Mana» (paños flamencos, primeira metade do século XVI): Glorificación de Jesucristo, Resurrección de Lázaro.
  • Série «Simbolismo bíblico» (paños flamencos, primeira metade do século XVI): Apresentação de Ester ante Asuero, Desposorios de San Joaquín e Santa Ana.
  • Série «História de José» (paños flamencos, primeira metade do século XVI): José vendido por seus irmãos em figura de Jesucristo vendido por Judas.
  • Série «Guerra de Troya» (paños flamencos, oficinas de Bruxelas, primeira metade do século XVI): Duelo de Paris e Menelao, Julgamento de Paris.
  • Série «História de Troya» (paños flamencos, escola de Vão Roome, primeira metade do século XVI): Casal de Helena com Paris, Sacrifício de Agamenón, Discórdias e fitas-cola.
  • Série «História de David e Betsabé» (paños flamencos, escola de Vão Roome, primeira metade do século XVI): David recebe a Betsabé, Coronación de Betsabé por Salomón.
  • Série «Vícios e Virtudes» (paños flamencos, escola de Vão Roome, primeira metade do século XVI): O pecado original e suas conseqüências na vida do homem, Os pecados capitais, Julgamento FinalEsta série, também chamada A Redenção ou Combate de vícios e virtudes. Um dos tapices é uma réplica exata do tapiz da catedral de Palencia Sice illos a facie mea, com idêntica orla ou bordura, que leva o título de Tapiz do Pecado ou As paixões ou As conseqüências do pecado original no homem.
  • Série «História de Moisés» (paños flamencos, segunda metade do século XVI): Moisés sacado do Nilo, Moisés entregado a sua própria mãe, Moisés devolvido à princesa, Moisés menino tira a coroa ao Faraón, Moisés menino calca a coroa, Moisés defende às filhas de Jethro, Moisés apresentado a Jethro por uma de suas filhas. Casal de Moisés com Sófora, Moisés no Horeb.
  • Série «Zodíaco» (paños flamencos, segunda metade do século XVI): Moisés calca a coroa. Signo Acuario, Pretexto. Signo Piscís, Alejandro e os persas. Signo Aries, O sonho de Alcides. Signo Tauro, Vénus e Adonis. Signo Géminis, Curio Dentato. Signo Câncer, O centauro Quirón. Signo Leio, Governo de José em Egito. Signo Virgo, Hércules dá morte ao dragão. Signo Livra, Ele tesouro de César. Signo Escorpión, Tobías, cego dá conselhos a seu filho. Signo Sagitario, Jacob, moribundo, abençoa aos filhos de José: Efraín e Manasses. Signo Capricornio.
  • Série «História de Débora» (paños flamencos, segunda metade do século XVI): Débora recebe a Barac, Débora armada para o combate.
  • Série «História de Constantino» (século XVII): Pretoriano Romano, Nerón e Popea, Constantino ante Galerio, Batalha da Ponte Milvio, Coronación da esposa de Constantino.
  • Série «Apoteosis de Baco» (século XVII): Apoteosis de Baco.
  • Tapices heráldicos com o escudo do arcebispo dom Hernando de Aragón e o do ramo Fernández de Heredia, Senhores de Fontes.

Também se podem contemplar neste museu objetos e mobiliario artístico —como a arqueta gótica que conserva os restos da infanta María de Aragón, filha do rei Jaime I o Conquistador—,«Brilho para os tapices», 2Ou minutos.é, 25-05-2005. Consulta: 7-7-2008. e pinturas, como uma série de quatro quadros do chamado Maestro da Seo ou uma Visitación atribuída a Jerónimo Cosida.

A músicaEditar

Ao igual que outras grandes catedrais espanholas, a música sempre teve um lugar principal na Seo. Já desde o século VII se tem conhecimento da criação de textos poéticos e melodias para a missa da catedral. Inclusive no ábside románico vê-se a um grupo de músicos tocar o harpa, o salterio, o tintinábulo e as sonajas.

A partir do século XIII existe a figura do magister cantus que se dedicava à monodia do oficio coral, a polifonía da capilla de música e ao ensino dos «meninos de coro». A tradição do ensino público e gratuita se manteria na Seo durante vários séculos, sendo origem de muitos dos maestros da Seo e de outras catedrais e capillas, incluindo a real. Também no retablo de Hans de Suabia aparecem anjos músicos tocando a mandasse, o salterio, o órgão manual e a vihuela.

Do século XV conserva-se um rico facistol gótico-mudéjar para suportar os enormes livros com a música polifónica. Os primeiros magister cantus conhecidos são García Baylo e o Maese Piphan. O Maese Piphan compôs para os festejos de Navidad de 1487 «que fizo notados para cantar á os profetas, à María e Jesús»,Geschichte der dramatischen Literatur und Kunst in Spanien de Adolf Friedrich von Schack, na busca em livros de Google para ser tocados ante os Reis Católicos. O coro da Seo também era contratado para as festas importantes da cidade.

Hernando de Aragón, arcebispo de Zaragoza e virrey de Aragón, deu um impulso especial à capilla de música. A música não só brilhará na Seo, O Pilar e outras igrejas e conventos de Zaragoza também participarão desta abundância. Existe uma multidão de códices polifónicos criados a partir dessa época pelos maestros que passaram pela catedral: Pedro de Apiés, Jaime Talamantes, Melchor Robledo, Jusepe Gay, Cristóbal Téllez, Francisco Silos, Francisco Berge, Francisco de Silos, Gaspar Cueto, Sebastián Romero, Diego Pontac, fray Manuel Correa, Juan de Torres, Bernardo do Rio, Sebastián Alfonso, Andrés de Sozinha, Miguel de Hegües, Tomás Micieces e José de Cáseda. Também há que mencionar aos organistas Sebastián Aguilera de Heredia e Jusepe Ximénez.

Durante o século XVII tocaram na Seo alguns dos melhores intérpretes da época: Juan Sebastián, Jerónimo Zamorano, Melchor Castillo e «os Clamudís» Juan, Pedro e Jerónimo. A lenta ampliação do número de instrumentos e intérpretes embocó na grande orquestra do sinfonismo religioso do século XIX e começos do XX.

Nos séculos XVIII e XIX não são tão conhecidos, mas estudos recentes sacaram da escuridão a autores da talha de Francisco Portería, José Lanuza, Francisco Javier García Fajer «o spagnoletto», Ramón Cuéllar, Domingo Olleta, Miguel Arnaudas e Salvador Azara.

NotasEditar

  1. Foi sempre costume em Aragão e Catalunha chamar seo à catedral


Véase tambiénEditar

BibliografíaEditar

ISSN 1136-5234

Enlaces externosEditar

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las Catedrales de España. Seo de El Salvador - Zaragoza (Aragón)] y [http://campaners.com/php/cat_textos.php?text=1518 Los

toques de las campanas de la Seo: en busca de un instrumento perdido]

sepulcro de D. Hernando de Aragón, Siglo XVI], International Institute for Conservation of Historic and Artistics Works,

Grupo español.

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