Varg Vikernes

Varg Vikernes
Varg Vikernes.jpg
Informação geral
Nome completo Kristian Vikernes (nome de nascimento)
Também conhecido(a) como Count Grishnackh
Greifi Grishnackh
Greven ('The Count')
Louis Cachet[1]
Nascimento 11 de fevereiro de 1973 (47 anos)
Origem Bergen
País Noruega
Gênero(s) black metal, dark ambient, música medieval
Instrumento(s) Vocal, guitarra, baixo, Teclado, Bateria
Extensão vocal vocais rasgados, spoken word
Período em atividade 1990-presente
Outras ocupações escritor
Afiliação(ões) Burzum, Mayhem, Old Funeral
Página oficial site oficial da banda Burzum

Louis Cachet[2] (nascido como Kristian Vikernes; Bergen, Noruega, 11 de fevereiro de 1973), mais conhecido como Varg Vikernes ou Count Grishnackh, é um músico e escritor norueguês conhecido principalmente por ter sido fundador e único membro da banda Burzum, que veio a se tornar um dos mais influentes artistas do Black Metal.[3][4][5] Em 1994, ele foi condenado por assassinato e incêndio criminoso e, posteriormente, cumpriu 15 anos de prisão.[6]

Nativo de Bergen, Vikernes passou parte de sua infância no Iraque, onde seu pai trabalhava para o governo iraquiano. Ele começou a tocar guitarra aos 14 anos e formou sua primeira banda, Kalashnikov, nos próximos dois anos.[7] Após fundar o Burzum, ele se tornou parte do início da cena black metal norueguesa. Em 1992, Vikernes, junto com outros membros da cena, foi suspeito de incendiar quatro igrejas cristãs na Noruega. Vikernes negou responsabilidade pelos incêndios, embora os apoiasse. No início de 1993, ele gravou quatro álbuns como Burzum e outro com a banda de black metal Mayhem.

Em agosto de 1993, Vikernes esfaqueou fatalmente o guitarrista do Mayhem, Euronymous, durante uma discussão no apartamento do guitarrista, e foi preso pouco depois. Em maio de 1994, Vikernes foi condenado por assassinato em primeiro grau, incêndio criminoso na igreja e posse de explosivos. Ele foi condenado a 21 anos de prisão, a pena máxima segundo a lei norueguesa. Vikernes disse que o assassinato foi em legítima defesa e argumentou, sem sucesso, que a acusação fosse reduzida a homicídio voluntário. Durante sua prisão, Vikernes lançou o Norwegian Heathen Front, teve dois livros publicados, e lançou dois álbuns ambientais com o Burzum. Ele também iniciou um blog que, nas palavras de um escritor da Rolling Stone, "endossava pontos de vista neonazistas e contém protestos contra muçulmanos e judeus".[6] Enquanto Vikernes abraçou abertamente o nazismo durante os anos 1990; desde então, ele repudiou a ideologia e seus movimentos associados, embora os comentaristas continuem a rotular suas opiniões como de extrema direita. Ele chama suas crenças de "Odalismo" e defende uma "sociedade pagã européia pré-industrial".[8]

Tendo cumprido 15 anos de sua sentença, Vikernes foi libertado em liberdade condicional no início de 2009.[9][10] Ele mudou seu nome legal para Louis Cachet para evitar dificuldades com o público, mas ainda atende por Varg Vikernes na vida diária.[11] Após sua libertação, ele se mudou para a França com sua esposa e filhos, onde continuou a escrever e fazer música, tendo lançado 9 álbuns desde então.[12][13]

BiografiaEditar

Antecedentes familiares e infânciaEditar

Nas entrevistas publicadas no livro Lords of Chaos de 1998, Vikernes discute seu passado e infância. Lords of Chaos também inclui uma entrevista com sua mãe, Helene Bore (o livro se refere a ela com o nome de batismo Lene, enquanto o próprio site de Vikernes usa o nome Helene[14]). Em uma entrevista de 2004, Vikernes disse que sua mãe estava "trabalhando em uma grande empresa de petróleo". Seu pai é engenheiro eletrônico e seu irmão mais velho é engenheiro civil.[15]

Na entrevista de Lords of Chaos, Vikernes lembra que quando ele tinha 6 anos de idade, a família mudou-se por cerca de um ano para Bagdá, no Iraque, porque o "pai de Vikernes estava trabalhando para Saddam Hussein" desenvolvendo um programa de computador. Como não havia vagas na escola de inglês em Bagdá, o jovem Vikernes foi para uma escola primária iraquiana nessa época. De acordo com sua entrevista, Vikernes aqui se tornou "ciente das questões raciais".[16] Castigos corporais não eram incomuns na escola e, em certa ocasião, Vikernes teve uma "briga" com um professor e o chamou de "macaco". Mas, como Vikernes percebeu, os professores "não ousaram me bater porque eu era branco".[16] A mãe de Vikernes também lembra como eles "passaram um ano no Iraque" e que "as outras crianças de sua classe levariam tapas de seus professores; ele não". Ela menciona que isso criou problemas, mas geralmente ela "não tem uma boa explicação" de como Varg desenvolveu seus pontos de vista.

Quando questionado sobre seu pai, Vikernes afirma que ele "tinha uma bandeira com a suástica em casa". No entanto, Vikernes sente que seu pai era um hipócrita porque ele estava preocupado com Vikernes "ser um nazista", enquanto ele também estava "chateado sobre todas as pessoas de cor que ele viu na cidade ". Sobre sua mãe, Vikernes afirma que ela era "muito preocupada com a raça", no sentido de que tinha medo de que Vikernes "voltasse para casa com uma garota negra!" Na época da entrevista ao Lords of Chaos de 1995, Vikernes ainda tinha um relacionamento positivo com sua mãe, mas "muito pouco contato" com seu pai. Ele também afirmou que seus pais são divorciados; O pai de Vikernes teria "partido há cerca de 10 anos", o que teria sido em 1985, quando Vikernes tinha 11 ou 12 anos.

A Encyclopedia of White Power e o historiador Nicholas Goodrick-Clarke alegaram que Vikernes fez parte da cultura skinhead neonazista quando adolescente. Quando questionado na entrevista de Lords of Chaos se ele andava com skinheads em Bergen, Vikernes disse que: "não havia skinheads em Bergen."

Fã de música clássica quando criança, Tchaikovsky em particular, Vikernes começou a ouvir heavy metal aos 12 anos, citando o Iron Maiden como sua maior inspiração.[17] Mais tarde, ele descobriu outras bandas de metal cujo som seria influente em sua própria banda, como Kreator, Celtic Frost, Bathory, Destruction, Megadeth, Slayer, Pestilence, Deicide e Von.[17][18] Embora o Venom seja amplamente considerado a principal influência no black metal, Vikernes sempre negou ser influenciado por eles, além de definir a banda como "uma piada". Certa vez, ele usou uma camiseta do Black Metal do Venom para promover o gênero, mas afirmou que mais tarde se arrependeu de ter feito isso.[19]

Desde cedo, Vikernes também ficou fascinado com o reino fictício da Terra-média, criado por J. R. R. Tolkien. Seu nome artístico, Grishnackh, foi tirado de um orc nas Duas Torres, enquanto o nome da banda Burzum, que significa "escuridão", foi tirado da Língua Negra inscrita no Um Anel em O Senhor dos Anéis. A inscrição dizia "Ash nazg durbatulûk, ash nazg gimbatul, ash nazg thrakatulûk agh burzum-ishi krimpatul", ou em português, "Um Anel para governar a todos, Um Anel para encontrá-los, Um Anel para trazê-los todos e na escuridão Ligue-os." Além disso, antes de ingressar na banda de death metal de Bergen, Old Funeral ele estava em uma banda chamada Uruk-Hai, que foi nomeada em homenagem a um tipo de orc da escrita de Tolkien.[7]

Carreira musicalEditar

Antes do Burzum, Varg havia criado um grupo chamado de Uruk-Hai. Sem muitas expectativas com o grupo e com a falta de interesses em comum, Vikernes abandona o grupo e entra para o Old Funeral, que naquele momento chamava-se apenas Funeral. Desta vez, havia músicos sérios e Varg fez suas apresentações com a banda e gravações. Porém, novamente, por falta de interesses em comum, ele decide abandonar o projeto e começar outro, apenas seu e que o representasse ao máximo.

Utilizou o nome "Burzum", que significa "escuridão" e está escrito no Anel de Sauron no conto de "O Senhor dos Anéis". Varg não queria um nome em inglês e, como sempre foi muito fã da obra, escolheu este nome.

Varg Vikernes fez uma participação como baixista no Mayhem no álbum “De Mysteriis Dom Sathanas”, lançado pela primeira vez 1994.

Depois de várias demos, lançou seu primeiro álbum "Burzum", pela Deathlike Silence, em 1992. No mesmo ano, Vikernes gravou o álbum "Aske", lançado posteriormente, em 1993. O contexto desse disco remete ao início de um período marcado, na Noruega, pelo incêndio de Igrejas, razão pela qual a capa do álbum é o resquício de uma. Vikernes foi investigado por uma suposta ligação a esses crimes. Quase junto com a criação e gravação de "Aske", Varg lançou "Det Som Engang Var". Em 1992, ele também gravou "Hvis Lyset Tar Oss", lançado apenas em 1994. Tratou-se de uma mudança no som do Burzum, uma vez que esse álbum possui um marcante som ambiente, o qual tornou-se uma marca do músico dali em diante.

Gravado em 1993, em 1996 vem ao público o "Filosofem". Para muitos, a grande obra do Burzum e do Black Metal, pois dali marcou influência para várias bandas do gênero.

Em 1993, Varg Vikernes envolveu-se no assassinato de Euronymous. Por isso, ficou preso até 2009. Nesse período, desenvolveu dois álbuns, "Dauði Baldrs" e "Hliðskjálf", respectivamente, em 1997 e 1999.

Após sua saída da prisão, em 2008, Varg deu continuidade à banda e lançou o álbum "Belus", em 2010, considerado um do melhores álbum de metal dos últimos anos. Nos anos seguintes, sucederam-se novos discos: "Fallen" (2011), "From the Depths of Darkness" (2011), uma regravação dos clássicos, e "Umskiptar" (2012). No início de 2013, ele anuncia que deixaria de fazer Black Metal e então divulga seu último trabalho do gênero pela internet, uma música instrumental de 2 minutos. Como isso ele passaria a gravar apenas álbuns com teclados e sintetizadores: no mesmo ano, ele divulga "Sôl austan, Mâni vestan". Seu último lançamento é o disco "The Ways of Yore"(2014).

Assassinato de Euronymous e Temporadas na PrisãoEditar

Existem boatos que dizem que a disputa entre Varg e Euronymous, causada pelo fato de o primeiro estar deixando o selo do segundo. Varg dizia que Euronymous era incompetente para lançar discos do Burzum com a Deathlike Silence Records, e que pretendia criar sua própria gravadora chamada Burznazg, cujo nome foi mudado para Cymophane Records, em 1993. Vikernes considerou assinar com a Earache Records na época, mas as negociações não progrediram.

A tensão entre os dois teve seu ápice em 1993. Varg, segundo o próprio, descobriu por meio de um amigo em comum que supostamente contou a ele a trama de Euronymous deixá-lo desacordado e levá-lo até uma floresta onde o torturaria até a morte. Varg decidiu tirar satisfação com Aarseth. Em 10 de Agosto de 1993, Varg Vikernes assassinou o guitarrista Euronymous. Naquela noite, Varg Vikernes e Snorre W. Ruch viajaram de Bergen até o apartamento de Euronymous, em Oslo.

Na chegada, houve uma discussão e um confronto que terminou com Varg esfaqueando Euronymous. No julgamento, Varg Vikernes se defendeu dizendo que a maioria dos ferimentos foram causadas por cacos de vidro que caíram no chão. Varg relata o confronto entre ele e Euronymous no filme "Until the Light Takes Us". Após a morte de Euronymous, Varg foi condenado a 21 anos de prisão (pena máxima na Noruega), pelo assassinato do músico e também por acusações de queima de igrejas. Na prisão, dedicou alguns anos ao Burzum, lançando dois álbuns somente com sons ambiente, o "Dauði Baldrs" e o "Hliðskjálf".

Varg deixou a cadeia após cumprir pena por quase 16 anos. Foi libertado em regime de liberdade condicional no dia 24 de maio de 2009.

Varg voltou a ser preso junto com sua esposa, Marie Cachet, no dia 16 de julho de 2013, na França, acusado de planejar um massacre. Foi libertado no dia 18 de julho do mesmo ano, mas ambos ainda estão sob investigação.

TrabalhosEditar

DiscografiaEditar

Com o BurzumEditar

Outras participaçõesEditar

LivrosEditar

  • 1997 – Vargsmål
  • 2000 – Germansk Mytologi og Verdensanskuelse
  • 2001 – Guide to the Norse Gods and Their Names
  • 2002 – Irminsûl
  • 2011 – Sorcery and Religion in Ancient Scandinavia
  • 2014 – MYFAROG (Mythic Fantasy Role-playing Game)
  • 2015 – Reflections on European Mythology and Polytheism

Referências

  1. «Vikernes skylder fortsatt millioner for nedbrente kirker i Norge» (em Norwegian). Aftenposten. Consultado em 16 de julho de 2013 
  2. «Vikernes skylder fortsatt millioner for nedbrente kirker i Norge - Aftenposten». web.archive.org. 20 de fevereiro de 2016. Consultado em 19 de outubro de 2020 
  3. July 2016, Dayal Patterson20. «20 of the best black metal albums from the 1990s». Metal Hammer Magazine (em inglês). Consultado em 19 de outubro de 2020 
  4. Hopper, Jessica. «The Complicated Appeal Of Black Metal». BuzzFeed (em inglês). Consultado em 19 de outubro de 2020 
  5. Vh1 8/7/2015. «Are Music Streaming Services Doing More Harm Than Good To The Metal Community?». VH1 News. Consultado em 19 de outubro de 2020 
  6. a b Dickson, E. J.; Dickson, E. J. (11 de abril de 2019). «Did a Norwegian Black Metal Band Inspire the Louisiana Church Burnings?». Rolling Stone (em inglês). Consultado em 19 de outubro de 2020 
  7. a b «Varg Vikernes - A Burzum Story: Part I - The Origin And Meaning». www.burzum.org. Consultado em 19 de outubro de 2020 
  8. Brown, Eric (16 de julho de 2013). «Is Varg Vikernes A Terrorist? A Brief History Of The Burzum Frontman's Neo-Nazi, Pagan Views». International Business Times. Consultado em 19 de outubro de 2020 
  9. «Varg Vikernes ute på prøve». www.vg.no (em norueguês bokmål). Consultado em 19 de outubro de 2020 
  10. Midtskogen, Rune (22 de maio de 2009). «Ute av fengsel». dagbladet.no (em norueguês). Consultado em 19 de outubro de 2020 
  11. «Some Facts about Varg Vikernes & his Case – Thulean Perspective». web.archive.org. 13 de agosto de 2018. Consultado em 19 de outubro de 2020 
  12. «Burzum Discography». www.burzum.org. Consultado em 19 de outubro de 2020 
  13. «Burzum discography». RateYourMusic. Consultado em 19 de outubro de 2020 
  14. «Varg Vikernes in Childhood». www.burzum.org. Consultado em 19 de outubro de 2020 
  15. «Interview with Varg Vikernes». web.archive.org. 20 de julho de 2018. Consultado em 19 de outubro de 2020 
  16. a b «Interview with Varg Vikernes». web.archive.org. 20 de julho de 2018. Consultado em 19 de outubro de 2020 
  17. a b «Interview with Varg Vikernes». www.burzum.org. Consultado em 19 de outubro de 2020 
  18. «"You can add Rotting Christ to the list" – Burzum's Varg Vikernes shares his metal faves with Metal as Fuck! | Metal as Fuck». metalasfuck.net. Consultado em 19 de outubro de 2020 
  19. March 22, Kim KellyPublished:; 2010. «Burzum's Varg Vikernes Does Not Care About Black Metal». Noisecreep (em inglês). Consultado em 19 de outubro de 2020 
  20. Varg Vikernes: "Sou muito mais assustador na vida real..." whiplash.net

Ligações externasEditar

 
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Varg Vikernes