Vedete é a principal artista feminina de um espetáculo derivado do cabaré e suas subcategorias de teatro de revista, vaudeville, music hall ou burlesco. O objetivo da vedete é entreter e cativar o público. A vedete tem que saber cantar, dançar e atuar no palco. Artistas particularmente talentosas são considerados super vedetes ou primeiras vedetes. As vedetes costumam aparecer em trajes chamativos e reveladores ao lado de grupos de dançarinos, mágicos, comediantes, malabaristas ou até mesmo animais performáticos. Vedetes especializadas em burlesco geralmente fazem striptease e também pode se apresentar nua no palco.

No século XX, os espetáculos de vedetes faziam sucesso em cabarés, teatros e boates de países como Espanha, França, Argentina e México. Paris e Las Vegas foram consideradas o principal berço das vedetes.

EtimologiaEditar

Vedette é uma palavra francesa originalmente usada para designar um artista de grande fama e notoriedade. Com o tempo sofreu alterações ao longo dos anos. A partir do início do século XX, passou a ser utilizada para designar as principais artistas femininas dos espetáculos de um cabaré como o burlesco, o vaudeville, o music hall ou a revista. O apogeu da fama e popularidade dessas mulheres coincidiu com vários momentos históricos da liberação sexual do século XX: décadas de 1920, 1940 e 1970.

As vedetes começaram sua popularidade na França no início do século XX. Depois da França, ganharam maior popularidade nos países latinos, tanto na Europa (Espanha) quanto na América do Norte e do Sul, onde causaram furor na vida noturna em momentos diferentes. O termo é pouco usado em países de língua inglesa, embora nos Estados Unidos existam shows de cabaré e burlesco muito populares em Las Vegas, onde é frequentemente confundido com dançarinas. Locais como Le Lido, o Moulin Rouge e o Crazy Horse na França, o Teatro Maipo e o Teatro El Nacional na Argentina e o Teatro de la Ciudad "Esperanza Iris" no México são ou eram famosos por seus shows de vedetes.

AméricaEditar

ArgentinaEditar

Os shows de Revue se popularizaram em Buenos Aires a partir da década de 1920, principalmente no Teatro Maipo.[1] Tita Merello se tornou uma das vedettes mais famosas da época.[2]

BrasilEditar

Notáveis vedetes brasileiras foram Luz del Fuego, Elvira Pagã e Virgínia Lane (que ficou famosa por ter sido supostamente amante do presidente brasileiro Getúlio Vargas). Outras também famosas são Mara Rúbia, Suzy King, Marta Jane,[3] Carmem Verônica, Viola Simpson, Marly Marley, Anilza Leoni, Maria Pompeu, Íris Bruzzi, Rose Rondelli, Renata Fronzi, e Estherzinha (Esther Tarcitano).[4]

Estados UnidosEditar

O termo "vedete" não é comumente usado nos Estados Unidos ou em outros países anglo-saxões (chamadas de "showgirls"). Las Vegas é considerada, depois de Paris, o principal palco de shows de revistas e musicais em todo o mundo.

A britânica Lydia Thompson tornou-se a principal dançarina e atriz em burlescos nos palcos londrinos. Ela apresentou o burlesco vitoriano à América com sua trupe "British Blondes", em 1868, com grande aclamação e notoriedade.[5]

EuropaEditar

FrançaEditar

 
Le Lido de Paris

A França é considerada o berço das vedetas em todo o mundo. Sua capital, Paris, já foi o lar de alguns dos cabarés mais famosos do mundo. Entre eles estão o Moulin Rouge e o Folies Bergère de Paris, pioneiros dos shows noturnos nos quais as vedettes entraram em cena seminuas e fazendo tableau vivant. Outros locais famosos são o Le Lido e o Bataclan, também famosos por seus vaudeville e revistas musicais. Em tempos mais recentes, o Crazy Horse também se tornou um cabaré notável.

As famosas vedetas francesas incluíam as "Três Graças" da Belle Époque: Émilienne d'Alençon, Liane de Pougy e La Bella Otero.[6] A famosa Mistinguett se tornou uma das artistas francesas mais populares de seu tempo[7] enquanto Madame Rasimi é lembrada como a fundadora do Bataclan. Outra figura marcante foi Gina Palerme.

No início do século 20, a romancista Colette também atuou em revista. Outra figura proeminente da época foi a mundialmente famosa espiã holandesa Mata Hari. O lendário Cléo de Mérode do Folies Bergère foi outra das grandes estrelas.[8]

EspanhaEditar

Uma das primeiras vedetes que se destacaram na Espanha são La Bella Otero, célebre cortesã radicada na França, uma das personagens mais destacadas da Belle Époque no meio artístico e na galante vida de Paris;[9] Luisa Esteso, famosa atriz comediante; Encarnación Fernández, que teve grande parte de sua carreira na Argentina.[10] Celia Gámez (de origem argentina), uma das estrelas mais populares da Espanha na primeira metade do século XX, e que deve muito do esplendor das Revues; Paquita Garzón; Rosario Guerrero (denominado "O Belo Guerrero"); Rosita Rodrigo; Tina de Jarque,  Rosario Soler "La Patita", Paquita Escribano, Carmen Tórtola Valencia, especialista em danças orientais e pioneira da libertação feminina,  e as irmãs Laura e Victoria Pinillos.[11][12][13][14]

CinemaEditar

  • A Grande Vedete é um filme de 1958, estrelado por Dercy Gonçalves, onde a atriz representa uma vedete que é rejeitada para grandes papéis, apesar de ainda gozar do apreço do público.

Referências

  1. «La catedral de la revista - LA NACION». Buenos Aires. La Nación (em espanhol). ISSN 0325-0946. Consultado em 19 de julho de 2021 
  2. «Adiós a la inigualable morocha argentina - LA NACION». Buenos Aires. La Nación (em espanhol). ISSN 0325-0946. Consultado em 19 de julho de 2021 
  3. Jornal das Moças (5 de janeiro de 1956). «RadioAtividades». Consultado em 26 de junho de 2013 , arquivado pela Biblioteca Nacional do Brasil
  4. «Folha.com - Livraria da Folha - Livro conta a história das grandes vedetes do Brasil - 21/06/2011». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 19 de julho de 2021 
  5. «Streetswing's Burlesque History Archives: Lydia Thompson». www.streetswing.com. Consultado em 19 de julho de 2021 
  6. «The Courtesan». 14 de novembro de 2011. Consultado em 2 de julho de 2018 
  7. «Biografia de Mistinguett». www.biografiasyvidas.com. Consultado em 2 de julho de 2018 
  8. «Biografía insólita. Cleo de Mérode, la bailarina más deseada». www.portalsolidario.net. Consultado em 2 de julho de 2018 
  9. «La Bella Otero - Álbum de mulleres - culturagalega.org». www.culturagalega.org. Consultado em 2 de julho de 2018 
  10. «Teatro Maipo». 6 de outubro de 2014. Consultado em 2 de julho de 2018. Cópia arquivada em 6 de outubro de 2014 
  11. «The Career of Celia Gámez». Consultado em 2 de julho de 2018. Cópia arquivada em 27 de março de 2008 
  12. «Hemeroteca de ABC - abc.es». hemeroteca.abc.es. Consultado em 2 de julho de 2018 
  13. «Rosario Soler. La Patita. Biografía de la tiple malagueña.». Rosario Soler. La Patita. Biografía de la tiple malagueña. Consultado em 2 de julho de 2018 
  14. «ABC (Madrid) - 04/11/1970, p. 93 - ABC.es Hemeroteca». hemeroteca.abc.es. Consultado em 2 de julho de 2018 
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