Viperinae

Viperinae, ou viperinos, é uma subfamília de víboras venenosas endémicas da Europa, Ásia e África. Distinguem-se por não possuírem as fossetas características do seu grupo-irmão, a subfamília Crotalinae. Actualmente são reconhecidos 12 géneros e 66 espécies.[2] Na sua maioria são animais tropicais e subtropicais, embora uma espécie, Vipera berus, ocorra no interior no Círculo Polar Ártico.[3]

Como ler uma infocaixa de taxonomiaViperinae
Víbora-de-russell, Daboia russelii, um viperino
Víbora-de-russell, Daboia russelii, um viperino
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Squamata
Subordem: Serpentes
Família: Viperidae
Subfamília: Viperinae
Oppel, 1811
Sinónimos

DescriçãoEditar

Os membros desta subfamília variam em tamanho desde Bitis schneideri, que atinge um comprimento total máximo de apenas 71 cm, até Bitis gabonica, que pode atingir os 2 m de comprimento total máximo. A maioria das espécies são terrestres, mas algumas, como as do género Atheris, são totalmente arborícolas.[3]

Embora as fossetas detectoras de calor que caracterizam Crotalinae estejam claramente ausentes nos viperinos, foi descrita uma bolsa supranasal com função sensorial em várias espécies. Esta bolsa é uma invaginação de pele entre as escamas supranasal e nasal e está ligada ao ramo oftálmico do nervo trigémeo. As terminações nervosas assemelham-se às das fossetas labiais das boas. O saco supranasal está presente nos géneros Daboia, Pseudocerastes e Causus, mas é particularmente bem desenvolvido no género Bitis. Experiências demonstraram que as investidas são guiadas não só por pistas visuais e químicas, mas também pelo calor, com alvos mais quentes a serem atacados mais frequentemente que os mais frios.[3]

Distribuição geográficaEditar

Os viperinos podem ser encontrados na Europa, Ásia e África,[1] (excepto em Madagáscar).[4]

ReproduçãoEditar

Geralmente, os membros desta subfamília são ovovivíparos, embora algumas espécies, incluindo os géneros Pseudocerastes, Cerastes, e algumas de Echis sejam ovíparas.[3]

GénerosEditar

Género[2] Autoridade[5] Espécie[2] Subsp.*[2] Nome-comum[3][6] Distribuição geográfica[1]
Atheris Cope, 1862 8 1 Víboras-dos-arbustos África subsariana tropical, excluindo África Austral.
Bitis Gray, 1842 14 2 Víboras-sopradoras África e sul da Península Arábica.
Causus Wagler, 1830 7 África subsariana.
Cerastes Laurenti, 1768 3 0 Víboras-cornudas Norte da África para leste passando pela Península Arábica e Irão.
Daboia Gray, 1842 2 0 Víbora-de-russell Paquistão, Índia, Sri Lanka, Bangladesh, Nepal, Mianmar, Tailândia, Camboja, China (Guangxi e Guangdong), Taiwan e Indonésia (Endeh, Flores, Java oriental, ilhas de Komodo e Lomblen).
Echis Merrem, 1820 8 6 Víboras-escama-de-serra Índia e Sri Lanka, partes do Médio Oriente e África a norte do equador.
Eristicophis Alcock e Finn, 1897 1 0 Víbora-de-McMahon Região desértica do Baluchistão, próximo da fronteira Irão-Afeganistão-Paquistão.
Macrovipera A.F. Reuss, 1927 4 4 Semidesertos e estepes do Norte de África, Próximo e Médio Oriente, e arquipélago de Milos no Mar Egeu.
Montatheris Broadley, 1996 1 0 Víbora-de-montanha-do-quénia Quénia: charnecas dos Montes Aberdare e Monte Quénia acima dos 3000 m.
Montivipera Nilson, Tuniyev, Andrén, Orlov, Joger & Herrmann, 1999 8 0 Médio Oriente, Cáucaso e Grécia
Proatheris Broadley, 1996 1 0 Víbora-dos-pântanos Planícies de inundação desde o sul da Tanzânia (parte norte do lago Malawi) passando pelo Malawi até próximo de Beira, no centro de Moçambique.
Pseudocerastes Boulenger, 1896 1 1 Falsa-víbora-cornuda Desde o Sinai do Egipto para leste até ao Paquistão.
ViperaT Laurenti, 1768 23 12 Víboras-paleárticas Grã-Bretanha e quase toda a Europa Continental atravessando o Círculo Polar Ártico e algumas ilhas do Mediterrâneo (Elba, Montecristo, Sicília) e Mar Egeu para leste através do norte da Ásia até à ilha Sacalina e Coreia do Norte. Também encontradas no Norte de África, em Marrocos, Argélia e Tunísia.

*) Sem incluir a subespécie nominativa.
T) Género-tipo.

TaxonomiaEditar

Até há pouco tempo, incluíam-se nesta subfamília outros dois géneros. Contudo, eventualmente foram considerados tão distintos entre os membros de Viperidae que se criaram subfamílias separadas para eles:[1]

No entanto, estes grupos, juntamente com os géneros actualmente reconhecidos como fazendo parte de Viperinae, ainda são colectivamente referidos como víboras verdadeiras.[3]

Broadley (1996) reconheceu uma nova tribo, Atherini, para os géneros Atheris, Adenorhinos, Montatheris e Proatheris, cujo género-tipo é Atheris.[1]

Ver tambémEditar

ReferênciasEditar

  1. a b c d e McDiarmid RW, Campbell JA, Touré T. 1999. Snake Species of the World: A Taxonomic and Geographic Reference, Volume 1. Washington, District of Columbia: Herpetologists' League. 511 pp. ISBN 1-893777-00-6 (series). ISBN 1-893777-01-4 (volume).
  2. a b c d «Viperinae» (em inglês). ITIS (www.itis.gov). Consultado em 4 August 2006  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  3. a b c d e f Mallow D, Ludwig D, Nilson G. 2003. True Vipers: Natural History and Toxinology of Old World Vipers. Malabar, Florida: Krieger Publishing Company, Malabar. 359 pp. ISBN 0-89464-877-2.
  4. Stidworthy J. 1974. Snakes of the World. New York: Grosset & Dunlap Inc. 160 pp. ISBN 0-448-11856-4.
  5. «The Reptile Database» 
  6. Spawls S, Branch B. 1995. The Dangerous Snakes of Africa. Ralph Curtis Books. Dubai: Oriental Press. 192 pp. ISBN 0-88359-029-8.

Leitura adicionalEditar

O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Viperinae
  • Breidenbach CH. 1990. Thermal Cues Influence Strikes in Pitless Vipers. Journal of Herpetology 4: 448-450.
  • Broadley DG. 1996. A review of the tribe Atherini (Serpentes: Viperidae), with the descriptions of two new genera. African Journal of Herpetology 45 (2): 40-48.
  • Cantor TE. 1847. Catalogue of Reptiles Inhabiting the Malayan Peninsula and Islands. Journal of the Asiatic Society of Bengal, Calcutta 16 (2): 607-656, 897-952, 1026-1078 [1040].
  • Cuvier G. 1817. Le règne animal distribué d'après son organisation, pour servir de base à l'histoire naturelle des animaux det d'introduction à l'anatomie comparée. Tome II, contenant les reptiles, les poissons, les mollusques et les annélidés. Paris: Déterville. xviii + 532 pp. [80].
  • Eichwald, E. 1831. Zoologia specialis, quam expositis animalibus tum vivis, tum fossilibus potissimuni rossiae in universum, et poloniae in specie, in usum lectionum publicarum in Universitate Caesarea Vilnensi. Vilnius: Zawadski. 3: 404 pp. [371].
  • Fitzinger LJFJ. 1826. Neue classification der reptilien nach ihren natürlichen verwandtschaften. Nebst einer verwandtschafts-tafel und einem verzeichnisse der reptilien-sammlung des K. K. zoologischen museum's zu Wien. Vienna: J.G. Hübner. vii + 66 pp. [11].
  • Gray JE. 1825. A Synopsis of the Genera of Reptiles and Amphibia, with a Description of some New Species. Annals of Philosophy, New Series, 10: 193-217 [205].
  • Günther ACLG. 1864. The Reptiles of British India. London: Ray Society. xxvii + 452 pp. [383].
  • Latreille PA. 1825. Familles naturelles du règne animal, exposés succinctement et dans un ordre analytique, avec l'indication de leurs genres. Paris: Baillière. 570 pp. [102].
  • Lynn WG. 1931. The Structure and Function of the Facial Pit of the Pit Vipers. American Journal of Anatomy 49: 97.
  • Oppel M. 1811. Mémoire sur la classification des reptiles. Ordre II. Reptiles à écailles. Section II. Ophidiens. Annales du Musée National d'Histoire Naturelle, Paris 16: 254-295, 376-393. [376, 378, 389].