Assexualidade

ausência de atração sexual
Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre humanos que não sentem atração sexual. Para outros usos, veja Reprodução assexuada.

Assexualidade é a falta de atração sexual a qualquer pessoa, ou pouco ou inexistente interesse nas atividades sexuais humanas.[1][2][3] Pode ser considerada uma orientação sexual ou a falta de uma.[4][5][6] Pode também ser categorizada mais largamente para incluir um amplo espectro de subidentidades assexuais.[7]

A assexualidade é distinta da abstenção de atividade sexual e do celibato,[8][9] que são comportamentais e geralmente motivados por fatores como crenças pessoais, sociais, ou religiosas de um indivíduo.[10] Acredita-se que a orientação sexual, ao contrário do comportamento sexual, é "duradoura".[11] Algumas pessoas assexuais engajam em atividades sexuais, mesmo não tendo desejo por sexo ou atração sexual, por uma variedade de razões, como a vontade de sentir ou dar prazer a alguém, ou o desejo de ter filhos.[12][8]

A aceitação da assexualidade como orientação sexual e o início das pesquisas científicas em relação ao tema ainda são muito recentes,[2][12][5] conforme um corpo crescente de perspetivas tanto sociológicas começou a desenvolver-se.[12] Enquanto alguns investigadores afirmam que assexualidade é orientação sexual, outros investigadores discordam.[5][6]

Diversas comunidades assexuais começaram a formar-se desde o advento da Internet e das mídias sociais. A mais prolífica e conhecida delas é a Asexual Visibility and Education Network (AVEN), fundada em 2001 por David Jay.[6][13]

InvestigaçãoEditar

PrevalênciaEditar

 
Escala de Kinsey de respostas sexuais, que indicam graus de orientação sexual. A escala original incluía uma designação de "X", que indicava uma carência de comportamento sexual.[14]

Assexualidade não é um novo aspecto da sexualidade humana, mas é relativamente nova ao discurso público.[15] S. E. Smith de The Guardian não tem a certeza de que assexualidade realmente aumentou, mas tende a reditar que está simplesmente mais visível.[15] Alfred Kinsey avaliou indivíduos de 0 a 6 de acordo com sua orientação sexual de heterossexual a homossexual, conhecido como a escala de Kinsey. Ele também incluiu a categoria à qual chamou "X" para indivíduos com "nenhuns contactos ou reações afeto-sexuais."[16][17] Embora, em tempos modernos, isto é categorizado como a representar assexualidade,[18] o estudioso Justin J. Lehmiller declarou, "a classificação X de Kinsey enfatizou uma carência de comportamento sexual, enquanto a definição moderna de assexualidade enfativa uma carência de atração sexual. Assim, a Escala de Kinsey pode não ser suficiente para classificação precisa de assexualidade."[14] Kinsey labeled 1.5% of the adult male population as X.[16][17] Em seu segundo livro, Sexual Behavior in the Human Female, ele reportou sua discriminação de indivíduos que são X: mulheres não-casadas = 14–19%, mulheres casadas = 1–3%, mulheres anteriormente casadas = 5–8%, homens não-casados = 3–4%, homens casados = 0%, e homens anteriormente casados = 1–2%. Vale ressaltar que a escala Kisney atualmente não é amplamente utilizada por estudiosos, sendo abandonadas por conceitos julgados mais modernos e tampouco por populares.[17]

DebateEditar

 
Bandeira assexual

Há um desacordo sobre se a assexualidade é uma orientação sexual legítima. Muitos ainda confundem assexualidade com baixa libido. Alguns argumentam que ela cai sobre o nome de distúrbio de hipoatividade sexual ou distúrbio da aversão sexual. Entre os que não acreditam ser uma orientação, outras causas sugeridas incluem abuso sexual passado, repressão sexual, problemas hormonais, desenvolvimento tardio de atração, ou não ter encontrado a pessoa certa. Muitos assexuais auto-identificados, enquanto isso, negam que tais diagnósticos se apliquem a eles; outros argumentam que, porque a sua assexualidade não lhes causa angústia, não deveria ser vista como um distúrbio emocional ou médico. Outros argumentam que no passado, foram feitas afirmações semelhantes sobre a homossexualidade e bissexualidade, apesar do fato de que muitas pessoas agora as considerem como orientações legítimas.

Entretanto, a maior parte dos argumentos contrários à assexualidade se dão tomando como base as pesquisas relacionadas à falta de atração sexual, que não é sinônimo de assexualidade, já que a falta de atração sexual possui várias causas possíveis. Já as pesquisas voltadas diretamente à área da assexualidade têm concluído que os assexuais não são portadores de patologias e de problemas psicológicos comumente atribuídos a outras pessoas que, por algum problema, não sentem ou deixaram de sentir atração sexual.

PesquisaEditar

Um estudo feito com cordeiros chegou ao resultado de que cerca de 2% a 3% dos indivíduos estudados não tinham interesse aparente em acasalar com sexo algum. Outro estudo, foi feito com ratos e gerbilos, em que até 12% dos machos não mostraram interesse nas fêmeas. Contudo, como suas interações com outros machos não foram medidas, o estudo é de uso limitado no que toca à assexualidade (Westphal, 2004).

Uma pesquisa de opinião no Reino Unido sobre sexualidade incluiu uma pergunta sobre atração sexual, e 1% dos entrevistados responderam que "nunca se sentiram atraídos sexualmente por absolutamente ninguém" (Bogaert, 2004). O Kinsey Institute conduziu uma pequena pesquisa sobre esse assunto, que concluiu que "os assexuais parecem melhor caracterizados por pouco desejo sexual e excitação que por baixos níveis de comportamento sexual ou alta inibição sexual" (Prause e Graham, 2002). Esse estudo também menciona um conflito quanto à definição de "assexual": os pesquisadores descobriram quatro definições diferentes na literatura, e afirmaram que era incerto se aquelas identificando assexual estavam se referindo a uma orientação.

Lori Brotto,[19] pesquisadora britânica sobre o tema, ao iniciar a sua pesquisa de campo em grupos assexuais, acreditava que essas pessoas poderiam estar se considerando assexuais por alienação, pensamento suicida, sintomas psicopáticos, transtornos sexuais, ansiedade, stress pós-traumático, dentre outros problemas. Mas, ao aprofundar os seus estudos, percebeu que, entre os assexuais, não havia evidência dessa orientação sexual ser determinada por qualquer patologia.

SubclassificaçõesEditar

Alguns assexuais usam um sistema de classificação desenvolvido (e então aposentado) pelo fundador da Asexual Visibility and Education Network. Nesse sistema, assexuais são divididos em tipos de A a D:

  1. Assexual tipo A: possui atração romântica por indivíduos do sexo oposto (heterorromântico).
  2. Assexual tipo B: possui atração romântica por indivíduos do mesmo sexo (homorromântico).
  3. Assexual tipo C: possui atração romântica por ambos os tipos de indivíduos (biromântico).
  4. Assexual tipo D: sem atração romântica (arromântico).

Note que a assexualidade não é o mesmo que celibato, que é a abstinência deliberada de atividade sexual; muitos assexuais fazem sexo, e a maioria dos celibatários não são assexuais. A AVEN não utiliza mais esse sistema por se tratar de algo muito exclusivo.

Ver tambémEditar

Referências

  1. Robert L. Crooks; Karla Baur (2016). Our Sexuality. [S.l.]: Cengage Learning. p. 300. ISBN 978-1305887428. Consultado em 4 de janeiro de 2017 
  2. a b Katherine M. Helm (2015). Hooking Up: The Psychology of Sex and Dating. [S.l.]: ABC-CLIO. p. 32. ISBN 978-1610699518. Consultado em 4 de janeiro de 2017 
  3. Kelly, Gary F. (2004). «Chapter 12». Sexuality Today: The Human Perspective 7 ed. [S.l.]: McGraw-Hill. p. 401. ISBN 978-0-07-255835-7Asexuality is a condition characterized by a low interest in sex. 
  4. Bogaert, Anthony F. (2004). «Asexuality: prevalence and associated factors in a national probability sample». Journal of Sex Research. 41 (3): 279–87. PMID 15497056. doi:10.1080/00224490409552235 
  5. a b c Melby, Todd (novembro de 2005). «Asexuality gets more attention, but is it a sexual orientation?». Contemporary Sexuality. 39 (11): 1, 4–5. ISSN 1094-5725. Consultado em 20 de novembro de 2011  The journal currently does not have a website 
  6. a b c Marshall Cavendish, ed. (2010). «Asexuality». Sex and Society. 2. [S.l.]: Marshall Cavendish. pp. 82–83. ISBN 978-0-7614-7906-2. Consultado em 27 de julho de 2013 
  7. Scherrer, Kristin (2008). «Coming to an Asexual Identity: Negotiating Identity, Negotiating Desire». Sexualities. 11 (5): 621–641. PMC 2893352 . PMID 20593009. doi:10.1177/1363460708094269 
  8. a b Margaret Jordan Halter, Elizabeth M. Varcarolis (2013). Varcarolis' Foundations of Psychiatric Mental Health Nursing. [S.l.]: Elsevier Health Sciences. p. 382. ISBN 1-4557-5358-0. Consultado em 7 de maio de 2014 
  9. DePaulo, Bella (26 de setembro de 2011). «ASEXUALS: Who Are They and Why Are They Important?». Psychology Today. Consultado em 13 de dezembro de 2011 
  10. The American Heritage Dictionary of the English Language (3d ed. 1992), registros de celibacy e abstinence
  11. «Sexual orientation, homosexuality and bisexuality». American Psychological Association. Consultado em 30 de março de 2013 
  12. a b c Prause, Nicole; Cynthia A. Graham (agosto de 2004). «Asexuality: Classification and Characterization» (PDF). Archives of Sexual Behavior. 36 (3): 341–356. PMID 17345167. doi:10.1007/s10508-006-9142-3. Consultado em 31 de agosto de 2007. Cópia arquivada (PDF) em 27 de setembro de 2007  Parâmetro desconhecido |url-status= ignorado (ajuda)
  13. Swash, Rosie (25 de fevereiro de 2012). «Among the asexuals». The Guardian. Consultado em 2 de fevereiro de 2013 
  14. a b Justin J. Lehmiller (2017). The Psychology of Human Sexuality. [S.l.]: John Wiley & Sons. p. 250. ISBN 978-1119164708. Consultado em 29 de novembro de 2017 
  15. a b Smith, S. E. (21 de agosto de 2012). «Asexuality always existed, you just didn't notice it». The Guardian. Consultado em 30 de março de 2013 
  16. a b Kinsey, Alfred C. (1948). Sexual Behavior in the Human Male. [S.l.]: W.B. Saunders. ISBN 978-0-253-33412-1 
  17. a b c Kinsey, Alfred C. (1953). Sexual Behavior in the Human Female. [S.l.]: W.B. Saunders. ISBN 978-0-253-33411-4 
  18. Mary Zeiss Stange; Carol K. Oyster; Jane E. Sloan (23 de fevereiro de 2011). Encyclopedia of Women in Today's World. [S.l.]: SAGE Publications. p. 158. ISBN 978-1-4129-7685-5  Parâmetro desconhecido |access= ignorado (ajuda)
  19. Understanding Asexuality - [1]

Ligações externasEditar