Beatriz de Portugal, Duquesa de Viseu

duquesa de Viseu, foi a única mulher a governar a Ordem de Cristo
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Beatriz de Portugal (14291506), infanta de Portugal e Duquesa de Viseu e de Beja, participou activamente na política dos reinados de Dom Afonso V, Dom João II e Dom Manuel I. Desempenhou um papel crucial nas negociações de paz entre Portugal e Castela e foi a primeira mulher a governar a Ordem de Cristo.[1][2]

Beatriz de Portugal
Duquesa de Viseu
Infanta D. Beatriz
Consorte Fernando de Portugal, Duque de Viseu
Dinastia Avis
Nascimento 13 de junho de 1430
Morte 1506 (76 anos)
Filho(s) Manuel I de Portugal
Pai João, Condestável de Portugal
Mãe Isabel de Barcelos
Assinatura Assinatura de Beatriz de Portugal

BiografiaEditar

Beatriz de Portugal, nasceu no dia 13 de Junho de 1429. Era filha do infante João, Condestável de Portugal (filho de João I e de Filipa de Lencastre) e de Isabel de Barcelos (filha do Duque de Bragança dom Afonso I e de Beatriz de Alvim). Era bisneta de dom Pedro I e neta de Nuno Álvares Pereira.[2]

Casou em 1447 com o seu primo direito, o Infante Fernando, Duque de Beja e de Viseu, irmão do rei Afonso V, de quem teve vários filhos, nomeadamente o rei Manuel I e a rainha Leonor. Para além disto, era tia de Isabel, a Católica uma vez que a sua irmã Isabel havia casado com João II de Castela, de quem também era prima, uma vez que todos eles eram netos de João de Gante. Era também prima do imperador Maximiliano I, Carlos da Borgonha, uma vez que descendiam do rei Dom João I que era seu avô.[2]

Teve um papel activo na política dos reinados de Dom Afonso V, Dom João II e Dom Manuel I. Ajudou a concretizar as pazes com Castela encontrando-se pessoalmente com Isabel, a Católica, na vila de Alcântara em 1479. Este acontecimento conduziu à assinatura do Tratado de Alcáçovas e Terçarias de Moura, em Setembro desse ano.[3] Com a paz entre Portugal e Castela, ficou a duquesa responsável por cuidar do neto Afonso e da sobrinha-neta Isabel de Aragão, ficando a viver em Moura.[3][4]

Os primos estavam destinados a casar. Por outro lado, o seu filho Manuel foi para a corte de Castela.

Foi também preponderante na gestão da Ordem de Santiago actuando como tutora do seu filho D. Diogo. Nesta qualidade, também foi nomeada pelo Papa como governadora da Ordem de Cristo, tendo sido a única mulher a desempenhar este cargo.

Após a morte do filho D. Diogo às mãos do rei D. João II de Portugal que escreveu à sogra a explicar o sucedido. Beatriz aceitou o acontecimento, escrevendo aos alcaides dos seus castelos que os entregassem ao rei, seu genro.[3]

Por sua conta e risco, enviou caravelas em direção a Ocidente, contrariando a política expansionista de Afonso V de Portugal (interessado em conquistar o reino de Fez, no norte de África), caravelas essas que descobriram, vinte anos antes de Cristovão Colombo, as Antilhas e parte do Continente americano, nomeadamente a Terra Nova.

Fundou em Beja o convento de Nossa Senhora da Conceição, actual Museu Rainha Dona Leonor, também conhecido como Museu Regional de Beja e onde viveu Mariana Alcoforado que escreveu As Cartas Portuguesas. É lá que se encontra sepultada junto do marido.[5][1][6]

Beatriz morreu aos 76 anos, no dia 30 de Setembro de 1506.[7]

AscendênciaEditar

Realeza Portuguesa
Casa de Avis
Descendência

DescendênciaEditar

Do seu casamento com o Infante D. Fernando nasceram nove filhos, dos quais apenas cinco chegaram à idade adulta; contudo, todos eles desempenharam um papel capital na história portuguesa:


BibliografiaEditar

  • Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, A Terra será redonda? (2.ª edição), Editorial Caminho, Lisboa, 1988 ISBN 972-21-0054-8
  • Verbo Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, 3.º Volume, Editorial Verbo, Lisboa
  • Maria Barreto Dávila, A mulher dos descobrimentos: Dona Beatriz, infanta de Portugal, Esfera dos Livros, Lisboa, 2019, ISBN: 9789896268695 [8]

Referências

  1. a b «PressReader.com - Réplicas de Jornais de Todo o Mundo». www.pressreader.com. Consultado em 20 de dezembro de 2020 
  2. a b c Oliveira e Costa, João Paulo (2005). D. Manuel I. Rio de Mouro: Círculo de Leitores. ISBN 972-42-3440-1 
  3. a b c Verbo Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, 3.º Volume
  4. Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, A Terra será redonda?
  5. Canelas, Lucinda. «Aqui viveram "dois "gangs"" de freiras e uma mulher apaixonada». PÚBLICO. Consultado em 20 de dezembro de 2020 
  6. «Convento da Conceição | Museu Regional de Beja». www.museuregionaldebeja.pt. Consultado em 20 de dezembro de 2020 
  7. Almeida, A. Duarte de (1938). Enciclopédia histórica de Portugal. [S.l.]: J. Romano Torres & c.a 
  8. Dávila, Maria Barreto (2019). A mulher dos descobrimentos: D. Beatriz, infanta de Portugal (em Portuguese). [S.l.: s.n.] OCLC 1118531341 

Ligações externasEditar

 
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