Abrir menu principal

Moura

município e cidade de Portugal
Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Moura (desambiguação).

Moura é uma cidade raiana portuguesa pertencente ao Distrito de Beja, região do Alentejo e sub-região do Baixo Alentejo, com cerca de 11.000 habitantes

Moura
Brasão de Moura Bandeira de Moura

Localização de Moura
Gentílico Mourense; Caleiro (popular)
Área 958,46 km²
População 15 167 hab. (2011)
Densidade populacional 15,8  hab./km²
N.º de freguesias 5
Presidente da
câmara municipal
Alvaro Pato Azedo (PS)
Fundação do município
(ou foral)
1295
Região (NUTS II) Alentejo
Sub-região (NUTS III) Baixo Alentejo
Distrito Beja
Província Baixo Alentejo
Orago Nossa Senhora do Carmo
Feriado municipal 24 de Junho
Código postal 7860
Sítio oficial cm-moura.pt

cmmoura@cm-moura.pt

Municípios de Portugal Flag of Portugal.svg

É sede de um município com 958,46 km² de área[1] e 15 167 habitantes (2011),[2][3] subdividido em 5 freguesias.[4] O município é limitado a norte pelo município de Mourão, a leste por Barrancos, a leste e sul pela Espanha, a sudoeste por Serpa e a oeste pela Vidigueira, Portel e Reguengos de Monsaraz.

CaracterizaçãoEditar

 
Coreto, em Moura

GeografiaEditar

A fronteira com Espanha, a oriente, e o rio Guadiana, a ocidente, são as grandes fronteiras do concelho de Moura. A água dos seus rios e ribeiras, a fertilidade das suas terras e a abundância de minério desde cedo atraíram as pessoas para se fixarem neste território.

Longe dos grandes entrepostos comerciais do litoral, foi da terra que a população do concelho sempre viveu. Foi assim que, ao longo dos séculos, se organizaram e expandiram as aldeias e que o concelho de Moura fez a sua história e se afirmou.

Para além de Moura, existem outras 7 localidades - Amareleja, Safara, Sobral da Adiça, Póvoa de São Miguel, Santo Aleixo da Restauração, Santo Amador e Estrela - que dão corpo e alma ao concelho. São sítios bem distintos, de personalidade própria, envolvidos por oliveiras, que são a imagem de marca do concelho. Nas suas imediações, ou cruzando-o, há rios onde se pesca. Os campos são, ainda, terreno de caça ou de passeio.

O ritmo de vida, ainda hoje marcado pelas estações agrícolas, é tão antigo como o próprio concelho. As quatro estações do ano conhecem, ainda, uma sequência com poucas alterações. Não se perdeu, assim, a arte de fazer os excelentes queijos, a doçaria, os enchidos, os vinhos e azeites, que são motivo de orgulho para o concelho.[5]

PopulaçãoEditar

Número de habitantes [6]
1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
13 727 15 241 16 367 17 417 20 528 21 276 23 753 27 582 30 584 29 106 21 342 19 772 17 549 16 590 15 167

(Obs.: Número de habitantes que tinham a residência oficial neste concelho à data em que os censos se realizaram.)

Por decreto de 13/01/1898, deixaram de pertencer a este concelho as freguesias de Pias e Orada e Vale de Vargo, que passaram a fazer parte do concelho de Serpa.

Número de habitantes por Grupo Etário [7]
1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
0-14 Anos 5 780 7 019 7 179 7 333 8 180 8 104 7 397 5 525 4 413 3 309 2 546 2 402
15-24 Anos 3 362 3 535 4 105 4 780 5 012 5 611 4 777 3 115 2 832 2 478 2 206 1 640
25-64 Anos 7 436 8 417 8 874 10 252 12 411 14 478 14 471 10 990 9 190 8 175 8 128 7 549
= ou > 65 Anos 668 890 1 117 1 323 1 686 2 171 2 461 2 585 3 337 3 587 3 710 3 576
> Id. desconh 8 16 128 35 48

(Obs.: De 1900 a 1950 os dados referem-se à população presente no concelho à data em que eles se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente.)

FreguesiasEditar

PolíticaEditar

Eleições autárquicasEditar

Data % V % V % V % V
PS APU/CDU PRD PPD/PSD
1976 46,67 4 42,30 3
1979 33,01 3 52,85 4 AD
1982 31,54 2 53,84 4
1985 34,16 2 46,00 4 15,93 1
1989 57,08 4 38,20 3
1993 44,76 4 38,91 3 9,82 -
1997 32,34 2 46,06 4 17,73 1
2001 41,06 3 41,40 3 10,84 1
2005 39,66 3 46,54 4 8,90 -
2009 37,16 3 49,49 4 7,94 -
2013 42,59 3 42,90 4 PSD-CDS
2017 48,34 4 39,33 3 7,95 -

Eleições legislativasEditar

Data %
PCP PS PSD CDS UDP APU/CDU AD FRS PRD PSN B.E. PAN PàF
1976 44,43 32,03 6,30 5,12 2,40
1979 APU 22,19 AD AD 1,80 51,65 17,38
1980 FRS 1,08 45,42 20,85 23,77
1983 31,44 8,25 4,23 0,78 48,44
1985 19,06 10,20 2,38 1,29 39,84 19,61
1987 CDU 20,65 22,48 2,58 1,17 34,63 9,46
1991 30,02 29,89 2,80 26,07 0,89 1,11
1995 49,02 14,45 3,76 1,37 25,60
1999 53,73 11,87 3,75 24,26 0,30 1,44
2002 49,15 18,79 4,63 20,97 1,36
2005 59,33 10,08 2,87 19,87 3,60
2009 40,08 13,89 6,25 25,75 8,54
2011 35,55 21,14 8,07 23,70 3,37 0,46
2015 38,86 PàF PàF 25,05 6,46 0,39 21,28

ClimaEditar

Moura tem um clima quente e temperado. O clima é classificado como Csa, de acordo com a classificação climática de Köppen-Geiger. A temperatura média anual é de 16.7 °C. O valor da pluviosidade média anual é de 539 mm.

A precipitação no mês de julho, que é o mês mais seco, é de 3 mm. A maioria da precipitação cai em dezembro, com uma média de 75 mm. Agosto é o mês mais quente do ano, com uma temperatura média de 24.7 °C. Janeiro é o mês com a mais baixa temperatura ao longo do ano (9.6 °C).[8]

HistóriaEditar

 
Regimento de cavalaria de Moura, em 1783.

Durante a ocupação romana da Península Ibérica, a cidade de Moura chamar-se-ia Aruci Novum. As invasões muçulmanas alteraram o seu nome para Al-Manijah. A designação atual de Moura surge ligada à Lenda da Moura Salúquia.

O castelo de Moura, classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1944, está implantado no ponto mais elevado da cidade e a sua ocupação remonta, pelo menos, à Idade do Ferro. Existem vestígios da fortificação do período Islâmico e do período Cristão, testemunhos das intensas disputas pelo controlo do território. O domínio cristão efetivou-se em 1232 e, a partir de 1295, Moura é definitivamente conquistada. É com D. Dinis que Moura recebe a sua primeira Carta de Foral (1295) e Carta de Feira (1302) e, posteriormente, D. Manuel concede nova carta de foral, em 1512; nesse mesmo século recebe, por D. João III, o título de Notável Vila de Moura.

A sua importância geoestratégica no período da Reconquista Cristã e em épocas posteriores é inequívoca, tendo em conta o facto de ter sido aqui que se construiu o primeiro convento da Ordem dos Carmelitas em Portugal e em toda a Península Ibérica. O convento do Carmo encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1944, sendo que a Igreja Matriz de São João Batista, construída a mando de D. Manuel no início do século XVI, está classificada como Monumento Nacional desde 1932.

A proximidade com a fronteira espanhola obrigava a um controlo apertado do território em redor do castelo, daí a necessidade de se construírem torres de vigia ou atalaias. Em Moura estão inventariadas seis, sendo que a Atalaia Magra está classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1986.

A existência de duas nascentes de água permanente no interior do castelo, que ainda hoje abastecem duas fontes (Três Bicas e Santa Comba), permitiu que surgissem, na transição do século XIX para o século XX, uma unidade termal e a fábrica da Água Castello, unidade fabril que se manteve no espaço do castelo até ao final da década de 30.

Moura foi elevada a cidade a 1 de fevereiro de 1988. O feriado municipal celebra-se a 24 de Junho.

Foi em Moura que viveu Tiago Moura de Portugal, uma personagem importantíssima na história da cidade, visto que liderou o exército que expulsou definitivamente os espanhóis aquando da sua ocupação.[9]

EconomiaEditar

 
Pelourinho de Moura

Em 1981, o setor primário era a principal fonte de emprego no concelho, atingindo valores na ordem dos 47,2%, correspondente a cerca de metade dos postos de trabalho existentes. Uma década mais tarde, este valor sofreu um decréscimo acentuado, situando-se nos 32,8%. Em 2001, este valor sofreu um decréscimo ainda mais acentuado, situando-se nos 19,8% e, em 2011, voltou a descer, fixando-se nos 17,48%. Trata-se, assim, de um setor em regressão, com perda de mão-de-obra. Esta situação resulta, em larga medida, das fracas potencialidades dos solos e das características da atividade agrícola do concelho de Moura. A principal atividade agrícola no concelho é a olivicultura, sendo o azeite da Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos uma DOP (denominação de origem protegida).[10]

A quebra da importância do setor primário na ocupação da população residente contrasta com o aumento do setor terciário, devido a um crescimento das atividades mais diretamente relacionadas com o consumo, designadamente o comércio, bem como dos serviços de apoio à população (a destacar as áreas da educação, idosos, saúde e administração pública).

O tecido empresarial do concelho de Moura é constituído, segundo o INE, por 1629 empresas distribuídas pelos três setores de atividade. No entanto, o maior número de empresas implantadas pertence ao setor terciário, seguindo-se o setor primário e, por último e quase inexistente, o setor secundário.

O setor terciário reparte-se pelos subsetores de atividade, dos quais os que apresentam maior número de empresas sediadas no concelho são: o comércio por grosso e a retalho, oficinas de reparação de veículos e alojamento e restauração.[11]

Acessibilidade e infraestruturasEditar

Os acessos ao concelho são assegurados pelas seguintes estradas:[12]  

PatrimónioEditar

 
Igreja de Nossa Senhora da Estrela, Póvoa de São Miguel.
 
Igreja Matriz de Amareleja

CulturaEditar

TurismoEditar

Feiras, festas e romariasEditar

  • Mercado Mensal - 1º sábado de cada mês
  • Feira do Livro - Abril
  • Feira de Maio - De 2 em 2 anos, a Olivomoura ou a Feira Empresarial
  • Festas em Honra de Nossa Senhora do Carmo - Julho
  • Feira do Artesanato - Setembro

Figuras ilustresEditar

HeráldicaEditar

Brasão: Escudo de prata, com uma torre torreada a negro, aberta e iluminada de ouro, sobre um terrado a verde. À porta da torre, uma mulher morta, vestida de prata. Coroa mural de cinco torres. Listel branco com legenda a negro: "NOTÁVEL VILA DE MOURA - CIDADE".[13]
Bandeira: Gironada de amarelo e negro. Cordões e borlas de ouro e de negro. Haste e lança de ouro.[13]

Ligações externasEditar

 
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Moura

Referências

  1. Instituto Geográfico Português (2013). «Áreas das freguesias, municípios e distritos/ilhas da CAOP 2013». Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP), versão 2013. Direção-Geral do Território. Consultado em 28 de novembro de 2013. Arquivado do original (XLS-ZIP) em 9 de dezembro de 2013 
  2. INE (2012). Censos 2011 Resultados Definitivos – Região Alentejo (PDF). Lisboa: Instituto Nacional de Estatística. p. 101. ISBN 978-989-25-0182-6. ISSN 0872-6493. Consultado em 27 de julho de 2013 
  3. INE (2012). «Quadros de apuramento por freguesia» (XLSX-ZIP). Censos 2011 (resultados definitivos). Tabelas anexas à publicação oficial; informação no separador "Q101_ALENTEJO". Instituto Nacional de Estatística. Consultado em 27 de julho de 2013 
  4. Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro: Reorganização administrativa do território das freguesias. Anexo I. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Suplemento, de 28/01/2013.
  5. «Conhecer Moura - Câmara Municipal de Moura». www.cm-moura.pt. Consultado em 7 de julho de 2017. Arquivado do original em 28 de junho de 2017 
  6. Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
  7. INE - http://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpid=CENSOS&xpgid=censos_quadros
  8. «Clima: Moura - Gráfico climático, Gráfico de temperatura, Tabela climática - Climate-Data.org». pt.climate-data.org. Consultado em 7 de julho de 2017 
  9. «História de Moura - Câmara Municipal de Moura». www.cm-moura.pt. Consultado em 7 de julho de 2017. Arquivado do original em 28 de junho de 2017 
  10. OLIVEIRA, Ana Maria Cortez Vaz dos Santos - Processos de desterritorialização e filiação ao lugar : o caso da Aldeia da Luz. Coimbra : [s.n.], 2011
  11. «Caracterização Económica - Câmara Municipal de Moura». www.cm-moura.pt. Consultado em 7 de julho de 2017 [ligação inativa]
  12. «Caracterização (acessos rodoviários) - Câmara Municipal de Moura». www.cm-moura.pt. Consultado em 7 de julho de 2017. Arquivado do original em 28 de junho de 2017 
  13. a b «Ordenação heráldica do brasão e bandeira de Moura». www.ngw.nl. Consultado em 7 de julho de 2017 


0

0