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Lista de monarcas de Portugal

artigo de lista da Wikimedia
(Redirecionado de Lista de reis de Portugal)
Bandeira dos Reis de Portugal (séculos XVIII–XX)

Esta é uma lista de monarcas de Portugal desde 1139, sob a chefia de Dom Afonso Henriques, então conde de Portucale, e primeiro rei de Portugal como Dom Afonso I, até à Implantação da República Portuguesa, em 5 de outubro de 1910, que depôs o último rei português, Dom Manuel II.

Índice

MonarcasEditar

Dinastia de BorgonhaEditar

 Ver artigo principal: Dinastia de Borgonha
1139-1247 1247-1383
   
Nome Retrato Nascimento Início Reinado Fim Reinado Casamento (s) Morte Notas
Afonso I
O Conquistador
[1]
O Fundador
O Grande
  25 de julho de 1109
Guimarães, Coimbra ou Viseu[2]
Filho de Henrique de Borgonha, conde de Portucale e Teresa de Leão
26 de julho de 1139 maio de 1169
(de facto)

6 de dezembro de 1185
(de jure)
Mafalda de Saboia
março ou abril de 1146[3]
sete filhos
6 de dezembro de 1185
Coimbra
76 anos
Sepultado no Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra
Após a morte de seu pai em 1112, Afonso seguiu uma política oposta à mãe, aliada do nobre galego Fernão Peres de Trava. Armou-se cavaleiro, venceu Teresa na Batalha de São Mamede (1128) e assumiu o governo do condado.[4], que reconheceu como reino após se fazer proclamar rei pelo exército, após a vitoriosa Batalha de Ourique (1139). A independência portuguesa foi reconhecida pelo papa Alexandre III com a bula Manifestis Probatum (1179). Desde o Cerco de Badajoz (1169), de onde saiu gravemente ferido[5], Afonso encarregou os seus dois filhos sobreviventes do governo do Reino.
Regente
Teresa de Portugal
  1151
Coimbra
Filha de Afonso I e Mafalda de Saboia
maio de 1169 agosto de 1183 Filipe I, Conde da Flandres
agosto de 1183
Bruges
sem filhos

Odo III, Duque de Borgonha
julho de 1193
sem filhos
6 de maio de 1218
Veurne
66/67 anos
Regente, em conjunto com o seu irmão Sancho I, desde o Cerco de Badajoz, até ao seu casamento com o conde da Flandres. Afonso I legou em Teresa as funções administrativas, e em Sancho as militares[6]
Sancho I
O Povoador
  11 de novembro de 1154
Coimbra
Filho de Afonso I e Mafalda de Saboia
6 de dezembro de 1185 Dulce de Aragão-Barcelona
1174
onze filhos
26 de março de 1211
56 anos
Sepultado no Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra
Manteve Coimbra como o centro do reino. Terminou com as investidas na Galiza e dedicou-se a guerrear os mouros a Sul. Aproveitou a passagem pelo porto de Lisboa dos cruzados da terceira cruzada, na primavera de 1189, para conquistar Silves,[7], sucedida, mas que durou pouco mais de um ano. Concedeu várias cartas de foral principalmente na Beira e em Trás-os-Montes.
6 de dezembro de 1185 26 de março de 1211
Afonso II
O Gordo

O Crasso
O Gafo
O Legislador
  23 de abril de 1185
Coimbra
Filho de Sancho I e Dulce de Aragão-Barcelona
26 de março de 1211 25 de abril de 1223 Urraca de Castela
1206
cinco filhos
25 de abril de 1223
Coimbra
38 anos
Sepultado no Mosteiro de Alcobaça
Foram criadas as primeiras leis escritas (relacionadas com propriedade privada, direito civil e cunhagem de moeda), e pela primeira vez reunidas cortes com representantes do clero e nobreza, em 1211 em Coimbra. Visando reforçar e centralizar o poder régio, foram realizadas inquirições em 1220, para determinar a situação jurídica das propriedades e em que se baseavam os privilégios e imunidades dos proprietários. Não contestou fronteiras, nem se dedicou a atividade externa de relevo, já que se viu envolvido, desde o início do reinado, numa guerra com suas irmãs pelo testamento paterno.
Sancho II
O Capelo

O Piedoso
O Pio
O Rei Capelo
  8 de setembro de 1209
Coimbra
Filho de Afonso II e Urraca de Castela
25 de abril de 1223 4 de dezembro de 1247 Mécia Lopes de Haro
1246
sem filhos
4 de janeiro de 1248
Coimbra
38 anos
Sepultado, provavelmente, na catedral de Toledo
Um reinado caracterizado por uma incapacidade administrativa, que levou o reino a um novo conflito interno, e que causou por sua vez a deposição pelo Papa Inocêncio IV no I Concílio de Lyon, em julho de 1245, sob a acusação de «rex inutilis», viria a abdicar em 1247, exilando-se em Toledo, e vindo a falecer pouco tempo depois, em inícios de 1248. O seu reinado foi no entanto frutífero a nível militar: foram conquistadas várias praças alentejanas.
Afonso III
O Bolonhês
  5 de maio de 1210[8]
Coimbra
Filho de Afonso II e Urraca de Castela
4 de dezembro de 1247 4 de janeiro de 1248 Matilde II, Condessa de Bolonha
1239
sem filhos

Beatriz de Castela I
1253
sete filhos
16 de fevereiro de 1279
Alcobaça
68 anos
Sepultado no Mosteiro de Alcobaça
Conde de Bolonha até 1253. Não assumiu oficialmente o trono até à morte do irmão em 1248. Terminou a reconquista cristã em Portugal com a célebre Conquista do Algarve (1249), e dedicou-se ao governo do reino: Realizaram-se novas Inquirições Gerais em 1258, como forma de controlo do crescente poderio da Nobreza. Limitou os abusos desta e concedeu inúmeros privilégios à Igreja. Recordado como excelente administrador, Afonso III organizou a administração pública, fundou várias vilas e concedeu o privilégio de cidade através do édito de várias cartas de foral.
4 de janeiro de 1248 16 de fevereiro de 1279
Dinis I
O Lavrador

O Rei-Trovador
O Rei-Poeta
O Rei-Agricultor
  9 de outubro de 1261
Lisboa
Filho de Afonso III e Beatriz de Castela I
16 de fevereiro de 1279 7 de janeiro de 1325 Isabel de Aragão A Rainha Santa
11 de fevereiro de 1282
Barcelona
(por procuração)
26 de junho de 1282
Trancoso
(em pessoa)
dois filhos
7 de janeiro de 1325
Santarém
63 anos
Sepultado no Mosteiro de São Dinis em Odivelas
Em 1297, após a conclusão da Reconquista pelo seu pai, definiu as fronteiras de Portugal no Tratado de Alcanizes, prosseguiu relevantes reformas judiciais, instituiu a língua portuguesa como língua oficial da corte, criou a primeira Universidade portuguesa, libertou as Ordens Militares no território nacional de influências estrangeiras e prosseguiu um sistemático acréscimo do centralismo régio. Ordenou a exploração de minas de cobre, prata, estanho e ferro e organizou a exportação da produção excedente para outros países europeus. Foi ainda grande amante das artes e letras.
Afonso IV
O Bravo
  8 de fevereiro de 1291
Lisboa
Filho de Dinis I e Isabel de Aragão
7 de janeiro de 1325 28 de maio de 1357 Beatriz de Castela II
12 de setembro de 1309
sete filhos
28 de maio de 1357
Lisboa
66 anos
Sepultado na Sé de Lisboa
Em 1347 ocorreu um sismo em Coimbra, e no ano seguinte a peste negra assola o país, vitimando grande parte da população e causando grande desordem. O rei reagiu, promulgando legislação a reprimir a mendicidade e a ociosidade. Foi ainda lembrado como um comandante militar corajoso. Desenvolveu a marinha portuguesa, subsidiando a construção de uma marinha mercante e financiando as primeiras viagens de exploração Atlântica. As Ilhas Canárias foram descobertas no seu reinado. A última parte do reinado foi marcada por intrigas e conflitos políticos devidos à presença de refugiados da guerra civil entre Pedro I de Castela e o seu meio-irmão Henrique da Trastâmara.
Pedro I
O Justiceiro

O Cruel
O Cru
O Vingativo
O Tartamudo
O Até-ao-Fim-do-Mundo-Apaixonado
  8 de abril de 1320
Coimbra
Filho de Afonso IV e Beatriz de Castela
28 de maio de 1357 18 de janeiro de 1367 Constança Manuel de Castela
24 de agosto de 1339
Lisboa
três filhos

Inês de Castro
1346
(secreto)
1354
(oficial)
quatro filhos
18 de janeiro de 1367
Estremoz
46 anos
Sepultado no Mosteiro de Alcobaça
Revelou-se bom administrador, corajoso na defesa do país contra a influência papal (foi ele que promulgou o famoso Beneplácito Régio, que impedia a livre circulação de documentos eclesiásticos no país sem a sua autorização expressa), e foi justo na defesa das camadas menos favorecidas da população.
Fernando I
O Formoso

O Belo
O Inconstante
O Inconsciente
  31 de outubro de 1345
Coimbra
Filho de Pedro I e Constança Manuel de Castela
18 de janeiro de 1367 22 de outubro de 1383 Leonor Teles de Meneses A Aleivosa
15 de maio de 1372
Porto
três filhos
22 de outubro de 1383
Lisboa
37 anos
Sepultado no Convento de São Francisco em Santarém
(restos mortais profanados e perdidos. Túmulo transportado para o Convento do Carmo em Lisboa)
Entrou em conflito com Castela na guerra de sucessão castelhana na sequência da morte de Pedro I de Castela (1369). Sem grandes resultados, e após fazer a paz, dedicou-se à administração do reino, mandou reparar e construir vários castelos e muralhas. Com vista ao desenvolvimento da agricultura promulgou a Lei das Sesmarias, que impedia o pousio nas terras susceptíveis de aproveitamento e procurava-se aumentar o número de braços dedicados à agricultura. Alargaram-se, também, as relações mercantis com o estrangeiro, e apoiou o desenvolvimento da marinha. Sem descendentes masculinos, o reino entrou numa nova fase de conflito político.
Interregno (1383 – 1385)

Interregno (1383–1385)Editar

 Ver artigo principal: Crise de 1383–1385 em Portugal

Designação dada por toda a historiografia ao período que medeia a morte de D. Fernando e a ascensão ao trono do seu meio-irmão bastardo, o mestre de Avis D. João, e que compreende as regências de D. Leonor Teles e do próprio mestre de Avis.

# Nome Início da regência Fim da regência Notas
D. Leonor Teles 22 de outubro de 1383 16 de dezembro de 1383 Exerce a regência nos termos do tratado de Salvaterra de Magos
D. João, mestre de Avis 16 de dezembro de 1383 6 de abril de 1385

Dinastia de AvisEditar

 Ver artigo principal: Dinastia de Avis
Nome Retrato Nascimento Início Reinado Fim Reinado Casamento (s) Morte Notas
João I
O de Boa Memória
  11 de abril de 1357
Lisboa
Filho (bastardo) de Pedro I e Teresa Lourenço
6 de abril de 1385 14 de agosto de 1433 Filipa de Lencastre
14 de fevereiro de 1387
Porto
nove filhos
14 de agosto de 1433
Lisboa
76 anos
Sepultado no Mosteiro da Batalha
Venceu a Batalha de Aljubarrota (1385) e aliou-se à Inglaterra no Tratado de Windsor (1386). Iniciou a construção do Mosteiro da Batalha, comandou uma expedição a Ceuta e escreveu o Livro da Montaria.
Duarte I
O Eloquente

O Rei-Filósofo
  31 de outubro de 1391
Viseu
Filho de João I e Filipa de Lencastre
14 de agosto de 1433 9 de setembro de 1438 22 de setembro de 1428
Coimbra
nove filhos
9 de setembro de 1438
Tomar
46 anos
Sepultado no Mosteiro da Batalha
Participou na conquista de Ceuta (1415). Foi administrador meticuloso e governante de gabinete. O reinado breve foi ensombrado pelo desastre de Tânger, em 1437. Apesar disso, foi um rei culto e filósofo, escrevendo obras como Leal Conselheiro ou Arte de Bem Cavalgar toda a Sela.
Regente
Leonor de Aragão
  2 de maio de 1402
Medina del Campo
Filha de Fernando I de Aragão e Leonor Urraca de Castela
9 de setembro de 1438 dezembro de 1439 19 de fevereiro de 1445
Toledo
42 anos
Regentes em nome de Afonso V. Exerceram esta função em conjunto, até 1439, quando uma reunião de Cortes, em Lisboa, depôs Leonor, e manteve Pedro, tio do monarca, na regência. Afonso revoltar-se-ia contra o tio na célebre Batalha de Alfarrobeira, em 1449, onde o derrotou e se proclamou oficialmente maior de idade.
Regente
Pedro de Portugal, Duque de Coimbra
  9 de dezembro de 1392
Lisboa
Filho de João I e Filipa de Lencastre
20 de maio de 1449 Isabel de Urgel
12 de setembro de 1428
Alcolea de Cinca
seis filhos
20 de maio de 1449
Vialonga
71 anos
Afonso V
O Africano
  15 de janeiro de 1432
Sintra
Filho de Duarte I e Leonor de Aragão
9 de setembro de 1438

15 de novembro de 1477
11 de novembro de 1477

28 de agosto de 1481
Isabel de Coimbra
6 de maio de 1447
Óbidos[9]
três filhos

Joana de Castela A Excelente Senhora
25 de maio de 1475
Plasencia
sem filhos
28 de agosto de 1481
Lisboa
49 anos
Sepultado no Mosteiro da Batalha
Vítima de uma conspiração cortesã, enfrenta o próprio regente na Batalha de Alfarrobeira (1449), onde o regente acaba por morrer. O seu cognome advém do interesse que sempre dedicou à exploração da costa africana. Conquista as praças de Alcácer Ceguer (1458), Arzila e Tânger (1471). Interveio na sucessão de Castela, para tentar uni-la, mas não logrou consegui-lo. Resignou da coroa para pedir ajuda a França, mas quando regressa, o filho, a quem entregara o poder real, devolve-lho (1477).
João II
O Príncipe Perfeito

O Perfeito
  3 de março de 1455
Lisboa
Filho de Afonso V e Isabel de Coimbra
11 de novembro de 1477

28 de agosto de 1481
15 de novembro de 1477

25 de outubro de 1495
Leonor de Viseu
22 de janeiro de 1470
Setúbal
dois filhos
25 de outubro de 1495
Alvor
40 anos
Sepultado no Mosteiro da Batalha
Aclamado rei nas Cortes de Santarém de 1477; abdica ao regressar ao Reino o seu pai, quatro dias mais tarde. Reassume o poder após a morte deste em 1481. Reformou a centralização do poder régio e assinou o Tratado de Tordesilhas com Espanha (1494). Incentivou as letras, as artes e os estudos náuticos e reorganizou a assistência hospitalar. Não deixou descendência.
Manuel I
O Venturoso

O Bem-Aventurado
O Pomposo
  31 de maio de 1469
Alcochete
Filho de Fernando de Portugal, Duque de Viseu e Beatriz de Portugal
25 de outubro de 1495[10] 13 de dezembro de 1521 Isabel de Aragão e Castela
30 de setembro de 1497
Valência de Alcântara
um filho

Maria de Aragão e Castela
30 de outubro de 1500
Alcácer do Sal
dez filhos

Leonor de Áustria
16 de julho de 1518
Saragoça
dois filhos
13 de dezembro de 1521
Lisboa
52 anos
Sepultado no Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa
Neto de Duarte I e cunhado de João II. Dá-se o apogeu do Império Português com a descoberta do caminho marítimo para a Índia (1498),e do Brasil (1500), a conquista de Goa e Malaca (1510 e 1511), a tomada de Azamor (1513) e a embaixada ao Papa Leão X (1514). Publicou as Ordenações Manuelinas, e reformou os forais.
João III
O Piedoso

O Pio
O Colonizador
  7 de junho de 1502
Lisboa
Filho de Manuel I e Maria de Aragão e Castela
13 de dezembro de 1521 11 de junho de 1557 10 de fevereiro de 1525
Tordesilhas
nove filhos
11 de junho de 1557
Lisboa
55 anos
Sepultado no Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa
Presidiu ao apogeu da expansão marítima e ao declínio do Império. Estabeleceu contactos com a China e o Japão, intensificando ao mesmo tempo o comércio com a Índia e o Brasil. Introduziu a Companhia de Jesus, que evangelizou as colónias, e instituiu a Inquisição, assegurando a unidade da fé católica.
Regente
Catarina de Áustria
  14 de janeiro de 1507
Torquemada
Filha de Filipe de Áustria e Joana I de Castela
11 de junho de 1557 23 de dezembro de 1562 12 de fevereiro de 1578
Lisboa
71 anos
Regente em nome do neto menor, Sebastião. As suas desavenças com o jovem rei fizeram-na abdicar da regência em 1562.
Sebastião I
O Desejado

O Encoberto
O Adormecido
  20 de janeiro de 1554
Lisboa
Filho de João Manuel, Príncipe de Portugal e Joana de Áustria
11 de junho de 1557 4 de agosto de 1578 Não casou 4 de agosto de 1578
Alcácer-Quibir
24 anos
Neto de João III. Sem sucessão assegurada, empreendeu uma expedição ao Norte de África, que culminou na Batalha de Alcácer-Quibir (1578).
Henrique I
O Casto

O Cardeal-Rei
O de Évora
  31 de janeiro de 1512
Lisboa
Filho de Manuel I e Maria de Aragão e Castela
23 de dezembro de 1562 (Regente) 20 de janeiro de 1568 Não casou 31 de janeiro de 1580
Almeirim
68 anos
Sepultado no Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa
Irmão de João III. Começa por exercer a função de regente de Sebastião, mas face à morte inesperada do sobrinho-neto, ocupou o trono. Tentou preparar a sucessão, mas a sua avançada idade não lhe concedeu tempo suficiente para refrear as aspirações de Filipe II de Espanha ao trono português.
4 de agosto de 1578 31 de janeiro de 1580
Conselho de Governadores do Reino de Portugal
31 de janeiro — 17 de julho de 1580[11]
D. António, Prior do Crato foi aclamado rei de Portugal a 9 de Junho de 1580, em Santarém, pelos seus partidários, opondo-se durante todo o resto da sua vida ao domínio filipino, todavia sem êxito.[12]

Casa de Habsburgo (ou Dinastia Filipina)Editar

 Ver artigo principal: Dinastia filipina
 Ver artigo principal: Casa de Habsburgo

Os soberanos desta dinastia foram também reis de Castela, Países Baixos, Nápoles, Sicília, Leão, Aragão, Valência, Galiza, Navarra, Granada, duques da Borgonha, etc., títulos genericamente reunidos sob a designação de Reis de Espanha.

Nome Retrato Nascimento Casamento Morte Ref
D. Filipe I

16 de abril de 1581-

13 de setembro de 1598

21 de maio de 1527

filho de Carlos I de Espanha

e Isabel de Portugal

Maria Manuela de Portugal

15 de novembro de 1543

1 filho

13 de setembro de 1598

71 anos
Sepultado no Mosteiro do Escorial

Maria I da Inglaterra

25 de julho de 1554

sem filhos

Isabel da França

22 de junho de 1559
(por procuração)

2 filhas

Ana de Áustria

14 de novembro de 1570

6 filhos

D. Filipe II

13 de setembro de 1598-

31 de março de 1621

14 de abril de 1578

filho de Filipe I e Ana de Áustria

Margarida da Áustria

18 de abril de 1599

8 filhos

31 de março de 1621

42 anos
Sepultado no Mosteiro do Escorial ||

D. Filipe III

31 de março de 1621-

1 de dezembro de 1640

(deposto)

8 de abril de 1605

filho de D. Filipe II e Margarida da Áustria

Isabel da França

25 de novembro de 1615

8 filhos

17 de setembro de 1665

60 anos
Sepultado no Mosteiro do Escorial

Maria Ana de Áustria

7 de outubro de 1649

5 filhos

Durante este período de sessenta anos, os reis fizeram-se representar em Portugal por um vice-rei ou um corpo de governadores — veja a lista de vice-reis de Portugal.

À revolta de 1 de Dezembro de 1640 seguiu-se a Guerra da Aclamação, depois chamada, pela historiografia romântica do século XIX, como Guerra da Restauração.

Dinastia de BragançaEditar

Nome Retrato Nascimento Início Reinado Fim Reinado Casamento (s) Morte Notas
João IV
O Restaurador

O Afortunado
  19 de março de 1604
Paço Ducal de Vila Viçosa, Vila Viçosa
Filho de Teodósio II, Duque de Bragança e Ana de Velasco e Girón
15 de dezembro de 1640 6 de novembro de 1656 12 de dezembro de 1633
Elvas
sete filhos
6 de novembro de 1656
Palácio da Ribeira, Lisboa
52 anos
Sepultado na Igreja de São Vicente de Fora em Lisboa
Descendente de Manuel I de Portugal, foi proclamado a 1 de dezembro, mas só tomou oficialmente o trono a 15 de dezembro.
Regente
Luísa de Gusmão
  13 de outubro de 1613
Huelva
Filha de João Manuel Peres de Gusmão, 8º Duque de Medina Sidónia e Joana Lourença Gómez de Sandoval y Lacerda
6 de novembro de 1656 26 de junho de 1662 27 de fevereiro de 1666
Lisboa
52 anos
Regente em nome do filho menor, Afonso VI.
Afonso VI
O Vitorioso

O Prisioneiro
O Moreno
O Estudante
  21 de agosto de 1643
Palácio da Ribeira, Lisboa
Filho de João IV e Luísa de Gusmão
6 de novembro de 1656 12 de setembro de 1683 Maria Francisca de Saboia-Nemours
27 de junho de 1666
La Rochelle
(por procuração, anulado a 24 de março de 1668)
sem filhos
12 de setembro de 1683
Palácio Nacional de Sintra, Sintra
40 anos
Sepultado na Igreja de São Vicente de Fora em Lisboa
Revelou-se incapaz de governar, sendo dominado por regentes (Luísa de Gusmão e o Infante D. Pedro). Ironicamente cognominado "Vitorioso", pois foi no seu reinado que Portugal termina com a Guerra da Restauração, com a assinatura do Tratado de Lisboa, a 13 de fevereiro de 1668.
Pedro II
O Pacífico
  26 de abril de 1648
Palácio da Ribeira, Lisboa
Filho de João IV e Luísa de Gusmão
23 de novembro de 1667
(Regente)
12 de setembro de 1683 Maria Francisca de Saboia-Nemours
2 de abril de 1668
Lisboa
um filho

Maria Sofia do Palatinado-Neuburgo
2 de julho de 1687
Heidelberg
(por procuração)
sete filhos
9 de dezembro de 1706
Palácio de Palhavã, Lisboa
58 anos
Sepultado na Igreja de São Vicente de Fora em Lisboa
Envolveu-se na Guerra de Sucessão Espanhola, e promoveu a exploração do Brasil.
12 de setembro de 1683 9 de dezembro de 1706
João V
O Magnânimo

O Magnífico
O Rei-Sol Português
O Freirático
O Fidelíssimo
  22 de outubro de 1689
Palácio da Ribeira, Lisboa
Filho de Pedro II e Maria Sofia do Palatinado-Neuburgo
9 de dezembro de 1706 31 de julho de 1750 Maria Ana de Áustria
9 de julho de 1708
Viena
(por procuração)
seis filhos
31 de julho de 1750
Palácio da Ribeira, Lisboa
63 anos
Sepultado na Igreja de São Vicente de Fora em Lisboa
Acudiu o Papa na guerra contra os Turcos e enriqueceu País com a descoberta de ouro e diamantes no Brasil. Fundou o Convento de Mafra.
José I
O Reformador
  6 de junho de 1714
Palácio da Ribeira, Lisboa
Filho de João V e Maria Ana de Áustria
31 de julho de 1750 24 de fevereiro de 1777 Mariana Vitória de Espanha
19 de janeiro de 1729
Elvas
quatro filhos
24 de fevereiro de 1777
Palácio Nacional de Sintra, Sintra
62 anos
Sepultado na Igreja de São Vicente de Fora em Lisboa
Reforçou o poder estatal. O Terramoto de 1755 fez sobressair Sebastião José de Carvalho e Melo, que concentrou em si todos os poderes do Estado e trouxe para Portugal os ideais iluministas.
Maria I
A Piedosa

A Louca
A Viradeira
A Pia


(Maria Francisca Isabel Josefa Antónia Gertrudes Rita Joana)
  17 de dezembro de 1734
Palácio da Ribeira, Lisboa
Filha de José I e Mariana Vitória de Espanha
24 de fevereiro de 1777 20 de março de 1816 6 de junho de 1760
Lisboa
sete filhos
20 de março de 1816
Rio de Janeiro
81 anos
Sepultada na Basílica da Estrela em Lisboa
Culta e devota, a administração da justiça foi a sua prioridade. Registou-se um bom crescimento económico. A morte do marido e do filho, e a Revolução Francesa abalaram-na muito, apresentando sinais de demência desde 1791.
Pedro III
O Edificador

O Capacidónio
O Sacristão
  5 de julho de 1717
Palácio da Ribeira, Lisboa
Filho de João V e Maria Ana de Áustria
25 de maio de 1786 25 de maio de 1786
Palácio Nacional de Queluz, Queluz
81 anos
Sepultado na Igreja de São Vicente de Fora em Lisboa
Primeiro rei-consorte de Portugal. Apoiou a construção do Palácio de Queluz, onde faleceu.
João VI
O Clemente


(João Maria José Francisco Xavier de Paula Luís António Domingos Rafael)
  13 de maio de 1767
Paço de Madeira ou Real Barraca, Lisboa
Filho de Pedro III e Maria I
15 de julho de 1799 (Regente) 20 de março de 1816 Carlota Joaquina de Espanha
9 de junho de 1785
Vila Viçosa
nove filhos
10 de março de 1826
Palácio da Bemposta, Lisboa
58 anos
Sepultado na Igreja de São Vicente de Fora em Lisboa
Oficialmente regente em nome da mãe, por demência desta, a partir de 1799. Auxiliou Espanha na Campanha do Rossilhão, mas foi-lhe tirada Olivença. Não aderiu ao bloqueio continental napoleónico, na qualidade de aliado do Reino Unido, o que custou a invasão do reino e mudança da corte para o Brasil. Regressou com a Revolução liberal do Porto, onde jurou a constituição.
20 de março de 1816 10 de março de 1826
Pedro IV


O Rei-Soldado


O Rei-Imperador


(Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim)

  12 de outubro de 1798
Palácio Nacional de Queluz, Queluz
Filho de João VI e Carlota Joaquina de Espanha
10 de março de 1826 2 de maio de 1826 Maria Leopoldina de Áustria
13 de maio de 1817
Viena
(por procuração)
sete filhos

Amélia de Leuchtenberg
2 de agosto de 1829
Munique
(por procuração)
um filho
24 de setembro de 1834
Palácio Nacional de Queluz, Queluz
35 anos
Sepultado na cripta do Monumento à Independência do Brasil em São Paulo (sepultado inicialmente na Igreja de São Vicente de Fora). O seu coração encontra-se na Igreja da Lapa (Porto).
Também Imperador do Brasil, como D. Pedro I, herdou Portugal, mas para evitar unir as duas coroas, abdicou na filha, Maria II, que é colocada sob regência da irmã dele, Isabel Maria.
Regente
Isabel Maria de Bragança

(Isabel Maria da Conceição Joana Gualberta Ana Francisca de Assis Xavier de Paula de Alcântara Antónia Rafaela Micaela Gabriela Joaquina Gonzaga)
  4 de julho de 1801
Lisboa
Filha de João VI e Carlota Joaquina de Espanha
2 de maio de 1826 11 de julho de 1828 Não casou 22 de abril de 1876
Lisboa
74 anos
Rege em Portugal em conjunto com o irmão, Miguel, em nome da rainha Maria II. Foi deposta pelo irmão, que assumiu o título de rei de Portugal, usurpando o trono à sobrinha.
Miguel I
O Absolutista

O Rei-Absoluto
O Tradicionalista
O Usurpador
O Absoluto


(Miguel Maria do Patrocínio João Carlos Francisco de Assis Xavier de Paula Pedro de Alcântara António Rafael Gabriel Joaquim José Gonzaga Evaristo)
  26 de outubro de 1802
Palácio Nacional de Queluz, Queluz
Filho de João VI e Carlota Joaquina de Espanha
2 de maio de 1826 (Regente) 11 de julho de 1828 Adelaide de Löwenstein-Wertheim-Rosenberg
24 de setembro de 1851
Kleinheubach
sete filhos
14 de novembro de 1866
Wertheim
64 anos
Sepultado na Igreja de São Vicente de Fora em Lisboa
Ocupa o trono em 1828, o que gerou uma guerra civil contra o irmão (1832-1834), que regressou a Portugal para defender os direitos da filha. Saiu derrotado e os liberais expulsaram-no do trono e de Portugal.
11 de julho de 1828 26 de maio de 1834
Maria II
A Educadora

A Boa Mãe
A Constitucional


(Maria da Glória Joana Carlota Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de Paula Isidora Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga)
  4 de abril de 1819
Paço de São Cristóvão, Rio de Janeiro
Filha de Pedro IV e Maria Leopoldina de Áustria
26 de maio de 1834 15 de novembro de 1853 Augusto de Beauharnais
1 de dezembro de 1834
(por procuração)
26 de janeiro de 1835
Lisboa
sem filhos

Fernando (II) de Saxe-Coburgo-Gotha
1 de janeiro de 1836
(por procuração)
9 de abril de 1836
Lisboa
onze filhos
15 de novembro de 1853
Palácio das Necessidades, Lisboa
34 anos
Sepultada na Igreja de São Vicente de Fora em Lisboa
Exerceu firmemente a chefia do reino. No seu conturbado governo, mostrou coragem e dignidade na defesa da coroa e da legalidade constitucional. Faleceu no seu 11º parto.
Fernando II
O Rei-Artista


(Ferdinand August Franz Anton)
  29 de outubro de 1816
Viena
Filho de Fernando de Saxe-Coburgo-Gota e Maria Antónia de Koháry
16 de setembro de 1837 Maria II
1 de janeiro de 1836
(por procuração)
9 de abril de 1836
Lisboa
onze filhos
15 de dezembro de 1885
Lisboa
69 anos
Sepultado na Igreja de São Vicente de Fora em Lisboa
Oriundo da Casa de Saxe-Coburgo-Gotha.[13] Segundo rei-consorte de Portugal. Dedicou-se às artes. É da sua responsabilidade a construção do Palácio da Pena, em Sintra. A partir de 1853 rege em nome do filho menor.
15 de novembro de 1853
(Regente)
16 de setembro de 1855
Pedro V
O Esperançoso

O Bem-Amado
O Muito Amado


(Pedro de Alcântara Maria Fernando Miguel Rafael Gonzaga Xavier João António Leopoldo Víctor Francisco de Assis Júlio Amélio)
  16 de setembro de 1837
Palácio das Necessidades, Lisboa
Filho de Fernando II e Maria II
15 de novembro de 1853 11 de novembro de 1861 Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen
29 de abril de 1858
Berlim
(por procuração)
18 de maio de 1858
Lisboa
sem filhos
11 de novembro de 1861
Palácio das Necessidades, Lisboa
24 anos
Sepultado na Igreja de São Vicente de Fora em Lisboa
Assistiu as vítimas de cólera, aboliu os castigos corporais e inaugurou notáveis avanços tecnológicos. Não deixou descendência.
Luís I
O Popular

O Bom
O Rei-Marinheiro


(Luís Filipe Maria Fernando Pedro de Alcântara António Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis João Augusto Júlio Valfando)
  31 de outubro de 1838
Palácio das Necessidades, Lisboa
Filho de Fernando II e Maria II
11 de novembro de 1861 19 de outubro de 1889 Maria Pia de Saboia
27 de setembro de 1862
Turim
(por procuração)
6 de outubro de 1862
Lisboa
dois filhos
19 de outubro de 1889
Palácio da Cidadela, Cascais
50 anos
Sepultado na Igreja de São Vicente de Fora em Lisboa
Conciliador, poliglota e ainda com grande sensibilidade artística, foi modelo de monarca constitucional.
Carlos I
O Diplomata

O Martirizado
O Mártir


(Carlos Fernando Luís Maria Victor Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão)
  28 de setembro de 1863
Palácio Nacional da Ajuda, Lisboa
Filho de Luís I e Maria Pia de Saboia
19 de outubro de 1889 1 de fevereiro de 1908 Amélia de Orleães
22 de maio de 1886
Lisboa
três filhos
1 de fevereiro de 1908
Praça do Comércio, Lisboa
44 anos
Sepultado na Igreja de São Vicente de Fora em Lisboa
Portugal obteve novo prestígio na Europa. Carlos favoreceu o governo autoritário de João Franco (1907-1908) para combater a crescente corrente republicana. Foi alvo de um atentado mortal, em 1908.[14]
Manuel II
O Patriota

O Desventurado
O Estudioso
O Bibliófilo
O Rei-Saudade
O Desventuroso


(Manuel Maria Filipe Carlos Amélio Luís Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis Eugénio)
  15 de novembro de 1889
Palácio Nacional de Belém, Lisboa
Filho de Carlos I e Amélia de Orleães
1 de fevereiro de 1908 5 de outubro de 1910 Augusta Vitória de Hohenzollern-Sigmaringen
4 de setembro de 1913
Sigmaringen
sem filhos
2 de julho de 1932
Londres
42 anos
Sepultado na Igreja de São Vicente de Fora em Lisboa
Não conseguiu conter a agitação social, as fações em luta e o descrédito das instituições, que causaram a queda da monarquia e a Implantação da República Portuguesa.
(*) Todos estes reis foram também soberanos do reino do Algarve, a partir de D. Afonso III; antes dele, D. Sancho I usou esse título (ou o alternativo rei de Silves) entre 1189 e 1191.

Reivindicações pós-MonarquiaEditar

 Ver artigo principal: Questão dinástica portuguesa
 
D. Maria Pia de Bragança defendeu ser a última rainha de Portugal «de jure» (pela Lei).
 
Duarte Pio de Bragança é um dos atuais pretendentes ao já extinto trono de Portugal.

Após a morte do último rei de Portugal, uma alegada filha natural do rei D. Carlos I de Portugal[15] e, portanto, meia-irmã de D. Manuel II, conhecida como D. Maria Pia de Saxe-Coburgo Gotha e Bragança,[16] sustentando-se na acta das Cortes de Lamego que definiam «se el Rey falecer sem filhos, em caso que tenha irmão, possuirá o Reyno em sua vida», reclamou a chefia da Casa de Bragança-Saxe-Coburgo-Gota e defendeu ser a legítima Rainha de Portugal «de jure».[17]

Em simultâneo, os pretendentes do ramo Miguelista, banidos da sucessão pela Carta de Lei de 19 de Dezembro de 1834 e pela Constituição Monárquica de 1838, na qual o artigo 98º estipulava que "A linha colateral do ex-infante Dom Miguel e todos os seus descendentes estão perpetuamente excluídos da sucessão", também se relançaram na pretensão de alcançar o trono de Portugal: foram eles Miguel Januário, Duarte Nuno e, na atualidade, Duarte Pio de Bragança. Os seus direitos dinásticos permanecem, contudo, bastante contestados.[carece de fontes?]

Titulatura régiaEditar

Ao longo da história, o título oficial dos Reis de Portugal foi sendo alterado. Os Reis de Portugal tiveram os seguintes títulos:

Período Título Usado por Motivo
1140–1189 Pela Graça de Deus, Rei dos Portugueses
(Dei Gratiae, Rex Portugalensium)
D. Afonso Henriques, D. Sancho I Afonso Henriques proclamado rei.
1189–1191 Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e de Silves
(Dei Gratiae, Rex Portugaliae & Silbis)
Pela Graça de Deus, Rei de Portugal, de Silves e do Algarve
(Dei Gratiae, Rex Portugaliae, Silbis & Algarbii; esta intitulação surge em dois documentos nos quais D. Sancho restaura a diocese de Silves em favor de D. Nicolau)
D. Sancho I Tomada de Silves (1189).
1191–1211 Pela Graça de Deus, Rei dos Portugueses
(Dei Gratiae, Rex Portugalensium)
D. Sancho I Perda de Silves, retomada pelos Almóadas (1191).
1211–1248 Pela Graça de Deus, Rei de Portugal
(Dei Gratiae, Rex Portugaliae)
D. Afonso II, D. Sancho II
1248–1259 Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e Conde de Bolonha
(Dei Gratiae, Rex Portugaliae & Comes Boloniae)
D. Afonso III Afonso, casado com Matilde II, condessa de Bolonha, ascende ao trono por morte do irmão sem herdeiros.
1259–1267 Pela Graça de Deus, Rei de Portugal
(Dei Gratiae, Rex Portugaliae)
D. Afonso III Pela morte de D. Matilde, Afonso III abandona o título de Conde de Bolonha (1259).
1267–1369 Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e do Algarve
(Dei Gratiae, Rex Portugaliae & Algarbii)
D. Afonso III, D. Dinis, D. Afonso IV, D. Pedro I, D. Fernando I D. Afonso III recebe o senhorio do Algarve pelo Tratado de Badajoz (1267).
1369–1371 Pela Graça de Deus, Rei de Castela, de Leão, de Portugal, de Toledo, da Galiza, de Sevilha, de Córdova, de Múrcia, de Jáen, do Algarve, de Algeciras e Senhor de Molina D. Fernando I Pretensão de D. Fernando à Coroa de Castela.
1371–1383 Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e do Algarve D. Fernando I Renúncia aos títulos castelhanos após a Paz de Alcoutim (1371).
1383–1385 Inexistência de título vacatura do trono Guerra civil e contra Castela.
1385–1415 Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e do Algarve D. João I
1415–1458 Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e do Algarve, e Senhor de Ceuta D. João I, D. Duarte, D. Afonso V Conquista de Ceuta (1415).
1458–1471 Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e do Algarve, e Senhor de Ceuta e de Alcácer em África D. Afonso V Conquista de Alcácer Ceguer (1458).
1471–1475 Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África D. Afonso V Conquista de Arzila e Tânger (1471) e elevação do senhorio do Norte de África à condição de Reino d'Além-Mar.
1475–1479 Pela Graça de Deus, Rei de Castela, de Leão, de Portugal, de Toledo, de Galiza, de Sevilha, de Córdova, de Jáen, de Múrcia, dos Algarves d'Aquém e d'Além Mar em África, de Gibraltar, de Algeciras, e Senhor da Biscaia e de Molina D. Afonso V Pretensão de D. Afonso V à Coroa de Castela, pelo seu casamento com Joana, a Beltraneja.
1479–1485 Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África D. Afonso V, D. João II Renúncia aos títulos castelhanos após a Paz das Alcáçovas-Toledo.
1485–1499 Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, e Senhor da Guiné D. João II, D. Manuel I Criação do senhorio da Guiné abrangendo as possessões portuguesas que se estendiam pelo Golfo da Guiné.
1499–1580 Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc. D. Manuel I, D. João III, D. Sebastião, D. Henrique, D. António Após o regresso de Vasco da Gama da Índia, em 1499, o título régio é reformulado e atinge a sua plenitude.
1580–1640 Pela Graça de Deus, Rei de Castela, de Leão, de Aragão, das Duas Sicílias, de Jerusalém, de Portugal, de Navarra, de Granada, de Toledo, de Valência, da Galiza, de Maiorca, de Sevilha, da Sardenha, de Córdova, da Córsega, de Múrcia, de Jáen, dos Algarves, de Algeciras, de Gibraltar, das Ilhas de Canária, das Índias Orientais e Ocidentais, Ilhas e Terra Firme do Mar-Oceano, Conde de Barcelona, Senhor da Biscaia e de Molina, Duque de Atenas e de Neopátria, Conde de Rossilhão e da Cerdanha, Marquês de Oristano e de Gociano, Arquiduque de Áustria, Duque da Borgonha, do Brabante e de Milão, Conde de Habsburgo, da Flandres e do Tirol, etc. D. Filipe I, D. Filipe II, D. Filipe III Com o domínio filipino, juntam-se os demais títulos dos Áustrias à titulatura portuguesa.
1640–1815 Pela Graça de Deus, Rei (ou Rainha) de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor(a) da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc. D. João IV, D. Afonso VI, D. Pedro II, D. João V, D. José I, D. Maria I (com D. Pedro III) Com a Restauração da Independência (1640), regressa-se ao velho estilo adoptado por D. Manuel I.
1815–1825 Pela Graça de Deus, Rei (ou Rainha) do Reino Unido de Portugal, Brasil e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor(a) da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc. D. Maria I, D. João VI O Brasil é elevado a Reino dentro do Império Português (1815).
1825–1826 Pela Graça de Deus, Imperador do Brasil, Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc. D. João VI Ao reconhecer a independência do Império do Brasil pelo Tratado do Rio de Janeiro, D. João VI passa a usar por carta de lei de 15 de novembro de 1825, o título de imperador do Brasil, que lhe fora deferido por seu filho D. Pedro I.
1826 Por Graça de Deus e Unânime Aclamação dos Povos, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil, Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc. D. Pedro IV Durante o seu breve reinado de oito dias, embora mantendo a destrinça entre os dois Estados, o título reflectiu a união das duas coroas sobre a cabeça do mesmo dinasta.
1826–1910 Pela Graça de Deus, Rei (ou Rainha) de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor(a) da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc. D. Maria II, D. Miguel I, D. Maria II (com D. Fernando II), D. Pedro V, D. Luís I, D. Carlos I, D. Manuel II Após a abdicação de D. Pedro em favor da filha, retorna-se definitivamente à fórmula anteem vigor desde 1640, que vigorará agora até ao fim da Monarquia.

Quanto ao estilo usado nas formas de adereçamento ao monarca, também ele evoluiu da seguinte maneira:

Período Estilo Usado por Motivo
1140–1433 Sua Mercê D. Afonso I, D. Sancho I, D. Afonso II, D. Sancho II, D. Afonso III, D. Dinis, D. Afonso IV, D. Pedro I, D. Fernando I, D. João I
1433–1577 Sua Alteza Real (SAR) D. Duarte, D. Afonso V, D. João II, D. Manuel I, D. João III, D. Sebastião Estilo introduzido em Portugal por influência inglesa, através da rainha D. Filipa de Lencastre.
1577–1578 Sua Majestade (SM) D. Sebastião Por ocasião da entrevista de Guadalupe (1577), concedida por Filipe II de Espanha a seu sobrinho D. Sebastião, e do tratamento majestático que lhe foi concedido pelo tio, D. Sebastião passa a usar a fórmula de adereçamento Sua Majestade, prenunciando o seu desejo imperial de conquista de África.
1578–1580 Sua Alteza Real (SAR) D. Henrique, D. António Com a morte de D. Sebastião em Alcácer-Quibir, o Cardeal-Rei regressa à fórmula anterior, por considerar o tratamento majestático apenas adequado para o divino.
1580–1748 Sua Majestade (SM) Filipe I, Filipe II, Filipe III, D. João IV, D. Afonso VI, D. Pedro II, D. João V Com a incorporação de Portugal nos domínios dos Habsburgos da Espanha, onde, devido à influência de Carlos V, rei de Castela e imperador da Alemanha, se havia difundido o tratamento de Majestade, este passa também à órbita portuguesa, mantendo-se mesmo após a Restauração da Independência (1640).
1748–1825 Sua Majestade Fidelíssima (SMF) D. João V, D. José I, D. Maria I (com D. Pedro III), D. João VI D. João V consegue da Santa Sé o reconhecimento do título de Majestade Fidelíssima para a Coroa Portuguesa, por contraponto ao uso de Sua Majestade Católica em Espanha e Sua Majestade Cristianíssima em França.
1825–1826 Sua Majestade Imperial e Fidelíssima (SMI&F) D. João VI, D. Pedro IV Com o reconhecimento da independência do Brasil, em 1825, D. João VI reserva também para si, ao abrigo das disposições do Tratado do Rio de Janeiro, o título de Sua Majestade Imperial; com a sua morte no ano seguinte, e a subida ao trono do filho mais velho, também ele imperador do Brasil (D. Pedro IV), mantém-se o uso da fórmula dúplice, até à sua abdicação em favor da filha D. Maria da Glória.
1826–1910 Sua Majestade Fidelíssima (SMF) D. Maria II, D. Miguel I, D. Maria II (com D. Fernando II), D. Pedro V, D. Luís I, D. Carlos I, D. Manuel II Após a abdicação de D. Pedro IV, retorna-se ao anterior estilo.

Notas e referênciasEditar

  1. Também chamado Afonso Henriques (Afonso, filho de D. Henrique; aqui radica a designação que os muçulmanos lhe atribuíram, Ibn-Arrik — «filho de Henrique»).
  2. Ainda hoje se mantém o debate, pois as três cidades têm argumentos válidos para reivindicarem para si o "berço" do primeiro rei de Portugal
  3. Mattoso 2014, p. 220.
  4. «D. Afonso Henriques». Porto Editora. Infopédia. Consultado em 24 de outubro de 2012. 
  5. «D. Afonso Henriques». Porto Editora. Infopédia. Consultado em 24 de outubro de 2012. 
  6. Sancho e Teresa entre seus irmãos e na política de Afonso Henriques após o Desastre de Badajoz
  7. Álvarez Palenzuela 2013, p. 66.
  8. Caetano de Sousa 1735, p. 159.
  9. D. Isabel de Coimbra, Insigne Rainha
  10. Por morte de D. João II sem filhos legítimos (o príncipe D. Afonso falecera em condições trágicas nunca completamente esclarecidas em 1491), nem irmãos sobrevivos (a infanta Santa Joana, sua irmã, falecera em 1490), não obstante haver tentado legitimar um seu filho natural, o infante D. Jorge de Lancastre, futuro Duque de Coimbra, a Coroa Portuguesa acabou por passar para o seu primo e cunhado D. Manuel, Duque de Beja, o qual era filho de D. Fernando, Duque de Viseu (irmão do rei D. Afonso V), e de D. Beatriz (filha do infante D. João, o penúltimo dos membros da Ínclita Geração). Assim, embora pelo lado do pai fosse neto do rei D. Duarte, e pelo lado da mãe, bisneto de D. João I, o facto de não ser herdeiro directo, mas sim colateral, leva a que surjam, por vezes, referências a uma pretensa quebra na casa reinante da dinastia de Avis, o que não faz qualquer sentido.
  11. Nesse dia 17 de Julho de 1580, em Castro Marim, três dos cinco governadores assinam o reconhecimento de Filipe II como rei de Portugal. Fonte: História de Portugal, sob a direcção de José Mattoso, Editorial Estampa, Terceiro Volume, páginas 561 e 562, ISBN 972-33-1084-8
  12. segundo alguns historiadores portugueses, como Joaquim Veríssimo Serrão, D. António terá sido mesmo rei de Portugal, ao menos desde 19 de junho de 1580, data da sua formal aclamação ao trono pelos seus partidários, em Santarém, até à derrota na batalha de Alcântara, a 25 de agosto seguinte. Quem nunca o deixou de reconhecer como seu rei, até 1583, foram as populações da Terceira e das demais ilhas de Baixo açorianas, que prosseguiram a guerra e resistiram ao invasor. A maioria dos historiadores não o considera, todavia, um rei português, devido à existência na época de três centros de poder: o de D. António, em Lisboa, o de Filipe II, em Badajoz, e o dos governadores, em Setúbal, assim como pelo facto de quase todos os bispos, grandes e senhores se haverem então passado para Filipe II. Diversamente, o povo aclamou-o em não poucas cidades e vilas do reino, no entanto a resistência popular depressa se esvaeceria. Fontes: História de Portugal, sob a direcção de José Mattoso, Editorial Estampa, Terceiro Volume, páginas 561 a 563, ISBN 972-33-1084-8; Dicionário de História de Portugal, coordenado por Joel Serrão, Iniciativas Editoriais, Volume I, páginas 157 a 159.
  13. Esta alegada mudança de nome na Dinastia de Bragança, reinante em Portugal, por morte de D. Maria II, para Bragança-Saxe-Coburgo e Gotha (ou, mais correctamente, Bragança-Wettin), não é de todo reconhecida pela historiografia portuguesa, sendo antes uma criação das historiografias estrangeiras (sobretudo a francesa, que não reconhece a sucessão por via feminina, fazendo assim aplicar à dinastia reinante em Portugal o nome dinástico do rei consorte). Assim, embora a linha de sucessão prossiga em linha recta, pelo casamento da Rainha D. Maria II com um príncipe estrangeiro (D. Fernando II de Saxe-Coburgo-Gotha), teria cessado na Casa Real portuguesa a varonia de D. Afonso Henriques, mantida ao longo de sete séculos (note-se que a outra rainha portuguesa, D. Maria I, casara com o tio D. Pedro III, pelo que se manteve o sangue do primeiro rei de Portugal), tendo então passado a correr o sangue da casa de Wettin nas veias dos Bragança. Contudo, em Portugal sempre as mulheres puderam transmitir o nome, bem como o património, na falta de herdeiro varão na família. Isto leva a encontrar-se por vezes escrito, entre historiadores estrangeiros, a existência de uma quinta dinastia em Portugal — uma divisão aparentemente artificial dentro da última dinastia real portuguesa, governada pela suposta casa de Bragança-Wettin, a qual compreenderia os reis entre D. Pedro V e D. Manuel II. Para todos os efeitos, considera-se mais válida a divisão tradicional em quatro dinastias, face à legalidade da designação de dinastia de Bragança, única utilizada, e determinada pela Casa Real e pela generalidade das pessoas, até 1910 e depois dessa data.
  14. O herdeiro do trono, D. Luís Filipe, Príncipe Real de Portugal, ainda que tenha sobrevivido escassos minutos ao seu pai, não foi nunca considerado como rei de Portugal (embora tenha sido chamado, por alguns estrangeiros, de D. Luís II); nem o poderia ser, pois em Portugal só eram considerados reis "de jure" os príncipes depois de jurarem os foros, liberdades e garantias no acto da sua aclamação ao trono (até 1834), ou de jurarem a Constituição (depois daquela data), em sessão solene e plenária das Cortes. Desta forma, o trono recaiu de imediato no seu irmão mais novo, D. Manuel II, depois de juramentado. O rei D. Carlos I terá ainda reconhecido o estatuto de infanta de Portugal à sua alegada filha natural D. Maria Pia de Saxe-Coburgo e Bragança.
  15. PAILLER, Jean; Maria Pia: A Mulher que Queria Ser Rainha de Portugal. Lisboa: Bertrand, 2006.
  16. "...aquela que se conhecia por S.A.R. Dona Maria Pia de Saxe-Coburgo Gotha e Bragança, Princesa herdeira de Portugal" (Pailler, 2006, p.12).
  17. SOARES, Fernando Luso; Maria Pia, Duquesa de Bragança contra D. Duarte Pio, o senhor de Santar. Lisboa: Minerva, 1983.

BibliografiaEditar

  • FERNANDES, Isabel Alexandra. Reis e Rainhas de Portugal (5a. ed.). Lisboa: Texto Editores, 2006. ISBN 972-47-1792-5

Ver tambémEditar