Carlos Lopes (economista)

economista de Guiné-Bissau

Carlos Lopes (Canchungo, 1960) é um economista e docente de Guiné-Bissau especialista em desenvolvimento econômico. Desde 2018 é Alto Representante da União Africana para as negociações com Europa.[1] Foi secretário -geral adjunto das Nações Unidas e tem ocupando vários outros postos neste organismo internacional, entre os quais, o de secretário executivo da Comissão Económica das Nações Unidas para África desde setembro de 2012 até outubro de 2016.[2]

Carlos Lopes
Nascimento 1960
Canchungo
Cidadania Guiné-Bissau
Alma mater
Ocupação economista
Prêmios
  • Honorary Fellow of the African Academy of Sciences (2018)
Empregador Organização das Nações Unidas, União Africana

BiografiaEditar

Nasceu em Canchungo, um povo ao noroeste de Guiné-Bissau. Seu pai foi encarcerado quando Carlos era ainda criança por participação na luta pela independência, que Guiné-Bissau conseguiu em 1973.

Estudou o ensino secundário no Liceu Nacional Kwame Nkrumah em Bissau e conseguiu uma bolsa para estudar em Genebra, na Suíça, onde obteve o mestrado no Instituto Universitário de Altos Estudos Internacionais. Posteriormente realizou o doutorado na Universidade Panthéon-Sorbonne em Paris, na França, focando sua investigação em África e seu desenvolvimento. Ademais recebeu o título como doutor honoris causa em ciências sociais da Universidade Cândido Mendes do Rio de Janeiro, no Brasil, e da Universidade Hawassa em Awasa, na Etiópia.[3][4][2]

Carreira profissionalEditar

Começou trabalhar no sector público de seu país em áreas de investigação, diplomacia e planejamento.

A partir de 1988, Lopes incorporou-se como economista ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) ocupando vários postos, entre eles, o de Director Anexo do Escritório de Avaliação e Planejamento Estratégico, o de Representante Residente em Zimbábue e, em 2003, de representante do PNUD no Brasil, onde se desenvolvia o maior programa do PNUD no mundo nessa época.[4] Depois foi Director Anexo e mais tarde Director do Escritório de Políticas de Desenvolvimento com sede em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Foi Director de Assuntos Políticos no Escritório do Secretário Geral de 2005 a 2007, foi Director de Política de Desenvolvimento no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. De 2007 a 2012, foi Director Executivo do Instituto das Nações Unidas para a Formação e a Investigação em Genebra e Director do Colégio de Pessoal do Sistema das Nações Unidas em Turim, na Itália.[3] De 2012 a 2016, foi Secretário Executivo da Comissão Económica das Nações Unidas para a África nomeado pelo Secretário Geral Ban Ki-moon..[5]

É membro convidado na Escola Oxford Martin da Universidade de Oxford, no Reino Unido,[3] e professor convidado na Escola Nelson Mandela de Governança Pública da Universidade de Cidade do Cabo, na África do Sul.

Escreveu mais de 20 livros sobre planejamento estratégico e desenvolvimento.

PensamentoEditar

Lopes defende a pluralidade e a diversidade de África e reivindica a transformação estrutural em frente ao ajuste estrutural que autor recusa e questiona. Considera que a agricultura pode ser o princípio da transformação industrial em África. Também os serviços têm um importante crescimento, mas é necessário fazer uma transformação para que seja uma economia mais formal. O desafio é uma mudança estrutural da economia e da sociedade africana. Também assinala a preocupação com o interesse da China tenha em recursos naturais, algo que é finito.[6][7] Defende o fortalecimento de unidade africana.

Sobre a situação actual de África, recorda que em Europa se olha o continente desde os estereotipos: Etiópia está a crescer ao 10% desde faz mais de uma década e os indicadores sociais progridem de uma maneira bastante rápida. Ruanda tem uma grande capacidade de absorver as novas tecnologias. E Quénia também. Senegal, Costa do Marfim e Gana estão a introduzir políticas industriais muito activas. Maurícia ou Namibia estão a fazer coisas bem, e há muito pequenos, como Cabo Verde ou as Seicheles, que também funcionam. E temos países que é verdade que têm os mesmos líderes desde faz muitos anos, mas que estão a fazer reformas incríveis, como Jibuti e Togo, que têm conseguido ser os maiores portos da África Ocidental e do África Oriental.[8]

PublicaçõesEditar

  • África en transformación. Desarrollo económico en la edad de la duda. (2019) Editado por Catarata e Casa África[9]

Referências

  1. [s.n.] (16 July 2018). Professor Carlos Lopes appointed as AU High Representative. University of Cape Town. Accessed October 2018.
  2. a b Executive Secretary: Dr. Carlos Lopes. United Nations Economic Commission for Africa. Archived 27 September 2013.
  3. a b c Dr Carlos Lopes: Visiting Fellow, Oxford Martin School Arquivado em 12 de junho de 2018, no Wayback Machine.. Oxford Martin School, University of Oxford. Accessed October 2018.
  4. a b «Carlos Lopes | Casa África». www.casafrica.es. Consultado em 27 de dezembro de 2020 
  5. «Executive Secretary | United Nations Economic Commission for Africa». web.archive.org. 27 de setembro de 2013. Consultado em 27 de dezembro de 2020 
  6. «Entrevista a Carlos Lopes. Casa África» 
  7. «Portal Web AECID África en transformación: desarrollo económico en la edad de la duda». www.aecid.es. Consultado em 27 de dezembro de 2020 
  8. Bonilla, Lara (5 de outubro de 2019). «Carlos Lopes: "Els nois africans del 'top manta' o de la ferralla es quedaran"». Ara.cat (em catalão). Consultado em 27 de dezembro de 2020 
  9. «África en transformación | Casa África». www.casafrica.es. Consultado em 27 de dezembro de 2020 

Ligações externasEditar