Conde Julião

O conde Julião ou Olião foi um conde cristão, governador de Ceuta no século VIII.

Conde Julião
Nascimento século VII
Morte século VIII
Filho(s) Florinda
Ocupação guerreiro
Título conde palatino

Segundo uma lenda, teve uma filha Florinda, cujo desfloramento pelo rei visigodo Rodrigo teria sido a causa da batalha de Guadalete e posterior invasão muçulmana da Península Ibérica.[1] Esta filha teve o epíteto de cava (mulher má, dissoluta, adúltera) pelos motivos que se podem ver em fr. Bernardo de Brito, João de Barros, fr. António Brandão (Monarchia Lusitana) e outros.[2]

Os grandes e publicos peccados, acabaram de encher a medida da sua condemnação, com a força feita á Cava, filha do conde Julião
 
Barros, dec. 1ª, pag. 1.

Lenda do rei Rodrigo e da bela FlorindaEditar

A “Lenda do Rei Rodrigo e da bela Florinda” conta que um conde visigodo, chamado Julião, tornou-se governador da cidade de Ceuta, no Norte de África. Apesar de viver rodeado de mouros, não tinha problemas, pois soubera aceitar as leis da terra e entender-se com o emir. Pagava os seus impostos, respeitava os vizinhos e evitava conflitos.

O conde Julião tinha uma única filha, uma bela rapariga a quem dera o nome de Florinda. Ao chegar à idade de casar, resolveu enviá-la à corte do rei Rodrigo para passar uma temporada na cidade de Toledo, conhecer outras maneiras de viver, fazer amizades com jovens cristãos. O rei esperava arranjar-lhe um noivo conveniente, um rapaz novo, bonito, fidalgo e de preferência rico.

O rei Rodrigo, que subiu ao trono após a morte de Vitiza em 710 ou 711, ficou deslumbrado com a beleza de Florinda e, em vez de lhe procurar noivo, abusou dela. A notícia depressa se espalhou e chegou aos ouvidos do conde Julião, que quase rebentou de fúria. Não podendo acreditar que o rei tivesse faltado ao respeito à filha que ele tanto amava e que enviara para o palácio com toda a confiança, dia após dia remoeu ódios, planeando vinganças. As suas ideias tornavam-se cada vez mais agressivas. Queria estrangular o rei, incendiar-lhe as florestas, destruir-lhe o palácio, mas ainda não era suficiente. A sua filha fora vítima do homem que devia protegê-la, de modo que só mesmo arrasando o reino se sentiria vingado.

Tratou então o conde Julião de convencer os mouros a invadir a Península Ibérica, e ele próprio se armou até aos dentes, fazendo questão de acompanhar o chefe mouro Tárique para o ajudar na luta contra os cristãos. Teria assim participado no desembarque, na invasão e na sangrenta batalha de Guadalete, a 19 de Julho do ano 711, em que se decidiu o destino da Península Ibérica para os séculos seguintes. Os mouros obtiveram uma vitória retumbante e em cinco anos apoderaram-se praticamente de toda a Península. Os cristãos refugiaram-se nas Astúrias, chefiados pelo príncipe Pelágio. Quanto ao conde Julião, nada mais se soube a seu respeito. De Rodrigo, há duas versões: a) Os mouros garantem que morreu na batalha de Guadalete; b) os cristãos afirmam que, embora ferido, Rodrigo se refugiou nas serranias da antiga Lusitânia, na região de Viseu, onde os mouros não conseguiram entrar durante muito tempo.[1]

Referências

  1. a b Portugal, História e Lendas de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada
  2. Leal, Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de Pinho (1874), Portugal antigo e moderno; diccionario ... de todas as cidades, villas e freguezias de Portugal e de grande numero de aldeias, II, Lisboa: Mattos Moreira