Conta-me como Foi

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Conta-me como Foi
Informação geral
Formato série
Género Dramédia
Histórico
Duração 60 minutos
Criador(es) Miguel Ángel Bernardeau
País de origem Portugal Portugal
Idioma original português
Produção
Diretor(es) Fernando Ávila
Jorge Queiroga
Sérgio Graciano
Câmara Carlos Duarte
José Melo
Paulo Aleixo
Paulo Alexandre
Guionista(s) Helena Amaral
Isabel Frausto
Fernando Heitor
Narrador(es) Luís Lucas (voz do Carlos em adulto)
Elenco Miguel Guilherme
Rita Blanco
Luis Ganito
Catarina Avelar
Rita Brütt
Fernando Pires
Tema de abertura Vinte Anos (Temporadas 1-5)
Dunas (Temporada 6)
Música José Cid (Temporadas 1-5)
GNR (Temporadas 6)
Empresa(s) produtora(s) SP Televisão
Exibição
Emissora original RTP1
Formato de exibição 4:3 576i (SDTV) (2007-2011)
16:9 1080i (HDTV) (2019-2020)
Transmissão original 22 de abril de 2007 – presente
Temporadas 6
Episódios 156 (lista de episódios)

Conta-me como Foi é uma dramédia histórica produzida pela RTP e SP Televisão. A série estreou a 22 de abril de 2007, na RTP1.[1]

AdaptaçãoEditar

Foi adaptada da série de ficção espanhola Cuéntame cómo pasó, criada a partir da ideia original de Grupo Ganga Producciones. Tal como a primeira, também a versão portuguesa tem como objectivo retratar de forma bem humorada o ambiente socioeconómico desde os finais da década de 1960.[2]

EnredoEditar

A ficção acompanha o quotidiano de uma família de classe média, os Lopes, que habitam um andar de um bairro social na Lisboa do final dos anos 60. António, o pai, Margarida, a mãe, Hermínia, a avó, Toni, Isabel e Carlos, os filhos, vivem com dificuldades financeiras, que ainda assim permitem a aventura de comprar uma televisão. Um "novo elemento da família" que vai ocupar lugar de destaque na casa dos Lopes.

É a voz adulta de Carlos, o filho mais novo, com 8 anos em 1968, que narra "Conta-me como foi". É através do seu olhar de criança, que nos é contada a história da família e também de factos sociais, económicos, políticos, episódios da História do país e do mundo desde o regime do Presidente de Conselho António Oliveira Salazar até ao revolucionário 25 de Abril.

Recorrendo a arquivos e reconstituições de conteúdos da rádio e da televisão, companheiros sempre presentes na sala e na vida dos Lopes, a narrativa de Carlos torna-se mais viva e mais autêntica.

A família[3]Editar

  • A acção inicia-se em Março de 1968 e relata a vida de uma família lisboeta, de apelido Lopes, de classe média baixa, oriunda da província (a "TERRA"), que se debate todos os meses com dificuldades financeiras que, ainda assim, permitem a aventura da compra de uma televisão, mas que não deixam senão sonhar com a compra de um pequeno automóvel.
  • A família Lopes é então composta pelo pai, António (Miguel Guilherme), que trabalha como escriturário no Ministério das Finanças mas, que por este emprego não lhe proporcionar condições económicas para sustentar toda a sua família, tem também uma actividade paralela numa tipografia. A mãe, Margarida (Rita Blanco), uma dona de casa que cose calças para fora, a avó, Hermínia (Catarina Avelar), a filha mais velha, Isabel (Rita Brütt), que trabalha no salão de cabeleireiro, o filho do meio, Toni (Fernando Pires), que estuda para entrar na Universidade e ser advogado, e finalmente, o filho mais novo, o Carlitos (Luis Ganito), que tem uma imaginação muito fértil.


A época[3]Editar

  • Ao ser contada a história da família, acompanha-se também a evolução social, económica e política de Portugal e do mundo, recorrendo a referências no guião, a arquivos e a reconstituições de conteúdos de rádio e televisão.
  • Acontecimentos marcantes na vida política, social e desportiva em Portugal e no mundo podem ser aqui descobertos, enquadrados com a trama de cada de episódio. Curiosidades, publicidades, programas de rádio e televisão, locutores e apresentadores e as imagens de Portugal de 1968 a 1974 marcam também presença para serem conhecidos pelos mais jovens e recordados pelos menos velhos.
  • Problemas como o contraste entre classes sociais, a emancipação feminina, o marialvismo, o racismo, a prostituição, o aborto e, até a homossexualidade, são retratados na série.
  • Apresentam-se na história a evolução da moda, da roupa aos cabelos, as inovações tecnológicas, novos produtos, publicações periódicas, carros e motas… as coisas de um tempo em que telemóveis com máquina fotográfica não seriam mais do que simples alucinação futurista e em que os jovens pensavam no Festival da Canção em vez de em coloridas séries juvenis.
  • Conta-me como foi retrata, acima de tudo, o modo de viver e pensar de uma sociedade ainda fechada sobre si, os papéis e as ambições sociais de homem e mulher, de jovens e idosos, os tabus de uma época e a gradual e desconfiada abertura a novas mentalidades.
  • Assim sendo, Conta-me como foi tem o objectivo de retratar, em forma de ficção, a vida e o país desde 1968, mas sem espírito saudosista, sem abordagens moralistas, sem juízos de valor, sem tomar partido por nenhum lado da história, sem aspirações documentalistas. Possui a intenção de entreter, com a vontade de mostrar e dar a conhecer o passado, com a certeza de ser uma oportunidade descontraída de recordar, rever e reviver um tempo que faz parte da história pessoal de milhões de portugueses, incluindo até, a maioria dos actores que representam a série.

Elenco e personagensEditar

A Família Lopes:[4]

TemporadasEditar

Produção Episódios Temp. Episódios Transmissão Original Dia da semana Audiências
(média dos episódios)
Período histórico Adaptação e argumento
Estreia de temp. Final de temp.
1 26 09 1 09
22 de abril de 2007
22 de junho de 2007
Domingo
614 835
6,4% rating
março
a setembro de 1968
Helena Amaral,
Isabel Frausto
e Fernando Heitor
17 2 31
30 de setembro de 2007
15 de junho de 2008
-
outubro de 1968
a outubro de 1969
2 26 14
12 3 17
4 de janeiro de 2009
26 de abril de 2009
804 583
8,5% rating
novembro de 1969
a maio de 1970
3 52 5
23 4 23
17 de outubro de 2009
16 de maio de 2010
Sábado (até ep.09)
e Domingo (restantes)
589 337
6,1% rating
junho de 1970
a maio de 1972
24 5 24
14 de novembro de 2010
25 de abril de 2011
Domingo (até ep.23)
e Segunda-Feira (ep.24)
674 292
7,0% rating
agosto de 1972
a 25 de abril de 1974
Luís Filipe Borges,
Nuno Duarte
e Tiago R. Santos
4 52 19 6 19
7 de dezembro de 2019
25 de abril de 2020
Sábado
577 964
6,0% rating
31 de dezembro de 1983
a dezembro de 1984
André Tenente,
João Félix,
Miguel Simal
e Pedro Lopes
33 7 11
outubro de 2020[5]
dezembro de 2020
-
janeiro de 1985
a julho de 1987
8 11
2021
2021
-
9 11
2021
2021
-


Gravações e cenáriosEditar

  • As gravações iniciaram-se em Dezembro de 2006 e, terminaram em Julho de 2009. Houve uma pausa nas gravações, em meados de 2008. A série conta com três produções gravadas, divididas em cinco temporadas, na qual a última (a 5.ª) terminou dia 25 de abril de 2011.
  • O bairro da família Lopes, não existe na realidade. Todos os cenários, incluindo as ruas do bairro, foram instalados nos estúdios da Edipim, na Zona Industrial da Abrunheira, a cerca de 18 km de Lisboa, no concelho de Sintra. Os edifícios habitacionais e comerciais do "bairro" são caixas desmontáveis de PVC que foram instaladas num dos estúdios. Os restantes cenários interiores foram instalados em estúdios polivalentes, como acontece com todas as produções televisivas.
  • As cenas do descampado, onde as crianças brincam, foram feitas próximo ao Parque Florestal de Monsanto, em Lisboa.
  • Para a gravação do episódio "Morte Natural", tanto como o final do anterior e, o início do seguinte, na segunda produção, a equipa deslocou-se ao concelho de Melgaço em Castro Laboreiro, onde se reproduziu a aldeia dos Lopes, com nome fictício de "Ermidão". Também o episódio "Tempos Difíceis", da quarta temporada teve algumas cenas gravadas na aldeia, mas desta vez, só por Rita Blanco e Catarina Avelar.
  • Foram usadas imagens do arquivo da RTP, da época retratada, de diversos locais tais como Lisboa, Porto, Coimbra, entre outros em Portugal e, também do estrangeiro, como Paris e Londres.
  • Para retratar o período pós-25 de abril, em vez de se gravar uma nova temporada desta série, gravou-se uma nova, intitulada de Depois do Adeus. O seu enredo gira em torno de uma família portuguesa que vivia desafogadamente em Luanda, Angola e que, de um momento para outro é obrigada a recomeçar tudo do nada em Portugal, devido ao 25 de abril.
  • Foi a primeira série de televisão em Portugal a ter disponível o serviço de audiodescrição nas emissões regulares da RTP1, para pessoas com deficiência visual.

PrémiosEditar

  • 2008 | ATV – Associação de Telespectadores

Prémio de Melhor Programa da Televisão Portuguesa em 2007

  • 2010 | 1º Prémio Autores

Prémio de Melhor Programa de Ficção 2009 / Série

  • 2014 | Prémios Lumen – RTP

Prémio de Melhor da Ficção de sempre da RTP

Ficha técnicaEditar

Cargo 1.ª Produção 2.ª Produção 3.ª Produção 4.ª Produção
Direcção do Projeto Fernando Ávila Jorge Queiroga Patrícia Ferraz de Sequeira
Sérgio Graciano
Hugo Xavier[6]
Realização Fernando Ávila e Pedro Miguel Jorge Queiroga Sérgio Graciano Hugo Xavier e Paulo Brito
Direcção de Produção Cristina Soares Francisco Barbosa
Pesquisa e Consultoria Helena Matos
Adaptação, Guião e Diálogos Fernando Heitor, Helena Amaral e Isabel Fraústo Fernando Heitor, Helena Amaral e Isabel Fraústo
Luís Filipe Borges, Nuno Duarte e Tiago R. Santos
André Tenente, João Félix,
Miguel Simal e Pedro Lopes
Figurinos Rute Correia
Projecto Cenográfico António Casimiro JSCV
Hora do Lobo
Cenografia e Decoração Clara Vinhais Rui Francisco
Som Ricardo Correia Jorge Reis Tomás Chaves
Director de Fotografia Rui Prates Amílcar Carrajola Miguel Trabucho Amílcar Carrajola
Edição Mário Simões e Manuel Matias Tiago Costa

Referências

  1. Hugo Real (12 de abril de 2007). «RTP1 prepara estreia de Conta-me Como Foi». Meios & Publicidade. Consultado em 14 de janeiro de 2019 
  2. Nuno Cardoso (22 de abril de 2007). «"Conta-me Como Foi" faz-nos hoje voltar a 68». Diário de Notícias. Consultado em 14 de janeiro de 2019 
  3. a b «Conta-me como Foi» (PDF). RTP. Consultado em 14 de janeiro de 2019 
  4. «Conta-me Como Foi». SP Televisão. Consultado em 14 de janeiro de 2019 
  5. «Próxima temporada de Conta-me Como Foi já tem data para estrear». 22 de abril de 2020 
  6. Horta, Bruno. «Do guião ao guarda-roupa: como se fez a nova temporada de "Conta-me Como Foi"». Observador. Consultado em 10 de dezembro de 2019