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Como ler uma infocaixa de taxonomiaDatiscaceae
Datiscaceae
Folhas pinadas de Datisca cannabina.
Folhas pinadas de Datisca cannabina.
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
(sem classif.) rosídeas
(sem classif.) fabídeas
Ordem: Cucurbitales
Família: Datiscaceae
Dumort.[1]
Género: Datisca
L.[2]
Distribuição geográfica
Distribuição natural da família Datiscaeae.
Distribuição natural da família Datiscaeae.
Espécies
Inflorescência masculinas de Datisca cannabina.

Datiscaceae é uma família monotípica de plantas com flor, pertencente à ordem Cucurbitales, cujo único género é Datisca. O género tem distribuição disjunta, com apenas duas espécies, uma nas regiões áridas da América do Norte e outras nas regiões secas do Mediterrâneo Oriental e da Ásia central.

DescriçãoEditar

Na sua presente circunscrição taxonómica a família Datiscaceae é um táxon monotípico tendo Datisca como único género. Dois outros géneros, Octomeles e Tetrameles, estão agora integrados na família Tetramelaceae.[3]

MorfologiaEditar

Os membros do género Datisca, o único da família, com 2-3 espécies, grandes ervas perenes dioicas, crescendo até aos 2 metros de altura, glabras, com folhas imparipinadas de filotaxia alternada. São plantas formadoras de nódulos radiculares, capazes de formar simbiose com bactérias diazotróficas do género Frankia. São as únicas espécies actinorrízicas não lenhosas não pertencentes às leguminosas que hospedam bactérias fixadoras de azoto atmosférico nas suas raízes.

São morfologicamente parecidas com as plantas de canábis, especialmente Datisca cannabina, daí o epíteto específico. As partes verdes do caule da planta são maioritariamente ocas. As folhas tem lâmina foliar imparipinada, com as margens das folhas e dos folíolos serrilhadas. Os estômatos são anomocíticos. Estas espécies não têm estípulas foliares.

Flores em rácemos terminais ou axilares, inseridas em ramos longos e frondosos, que incluem estruturas racemosas misturadas com flores simples.[4][5][6][7] Datisca cannabina é uma espécie dióica, coma as flores de cada sexo em plantas separadas. Por seu lado, Datisca glomerata é uma espécie androdióica. As flores de ambas as espécies são apétalas (as pétalas estão substituídas por tépalas))

As flores masculinas com cálice dividido em 3-4 (-5) lóbulos desiguais, pétalas ausentes. Os estames são 8-12 (-25), com filamentos curtos, todos férteis, com anteras de duas tecas, membranosas, de deiscência longitudinal. As flores hermafroditas têm três a oito sépalas e três a cinco estames curtos, livres e férteis, com o ovário similar ao das flores femininas.

As flores femininas com cálice 3-8 sépalas, lobulado; pétalas ausentes; gineceu é ínfero, 3-4 (-5)-sincárpico (carpelos fundidos), com 3-4 (-5) lóculos com múltiplos (30-100) óvulos anátropos, bitégmicos, tenuinucelados, de placentação parietal.

A polinização é feita pelo vento (são plantas anemófilas). O número cromossómico básico é x = 11

Estas plantas são ricas em flavonoides, nomeadamente kaempferol e quercetina.

O fruto é uma cápsula coreácea pedicelada, longa, estreitamente oblonga, colgante, com 3-4 nervuras (-5), com abertura na parte superior entre os estiletes. Sementes numerosas (de 30 a mais de 100), diminutas, quase sempre sem endosperma ou com endosperma escasso (exalbuminosas). O embrião é recto e bem desenvolvido, porém pequeno, e apresenta dois cotilédones oleosos.

UsosEditar

A espécie Datisca cannabina foi utilizada em tempos históricos como fonte de um corante usado em tingimento de sedas, produzindo uma cor amarela brilhante. Esta mesma espécie produz fibras vegetais semelhantes ao cânhamo, podendo ser usada na indústria têxtil.

Ambas as espécies de Datisca, mas especialmente as plantas femininas de Datisca cannabina, são por vezes utilizadas como ornamentais em jardins das regiões subtropicais, especialmente quando se pretende composições pouco exigentes em rega.

Filogenia e sistemáticaEditar

A família Datiscaceae foi descrita por Barthélemy Charles Joseph Dumortier e publicado na sua obra Analyse des Familles de Plantes 13, 14. 1829.[8]

FilogeniaEditar

Aceitando o posicionamento da família estabelecido no sistema APG IV (2016), a aplicação das técnicas da filogenética molecular sugere as seguintes relações entre as Datiscaceae e as restantes famílias que integram a ordem Cucurbitales:[9][10][11][12][13][14][15][16][17]



Fagales (grupo externo)


Cucurbitales 

Apodanthaceae




Anisophylleaceae





Corynocarpaceae



Coriariaceae





Cucurbitaceae




Tetramelaceae




Datiscaceae



Begoniaceae









Como é patente no cladograma acima, a família Datiscaceae é o grupo irmão da família Begoniaceae no contexto das Cucurbitales.

SistemáticaEditar

O género Datisca contém 2-3 espécies,[18] 1-2 da Ásia e uma da América do Norte.[19]

A espécie Datisca cannabina (conhecida por cânhamo-bastardo) ocorre em Creta e na Turquia, estando estreitamente relacionada com Datisca nepalensis encontrada nos Himalaias, razão pela qual é frequentemente incluída em D. cannabina. Cresce até aos 2,0 m de altura, e de maio a agosto produz pequenas flores verde-amareladas. Esta espécie é estritamente dioica, com flores masculinas e femininas em plantas diferentes. É cultivada como planta ornamental, usada para produzir um laxante e para extrair um corante amarelo usado para tingimento.[20][21][22]

A espécie norte-americana Datisca glomerata é nativa da Califórnia, Nevada e México.[19][23] A espécie é dioica, embora algumas plantas femininas possam produzir também por vezes flores masculinas.[19]

O grupo compreende duas espécies, classificadas no género Datisca:

A mais recente classificação da família considera assim que género Datisca e, portanto, também na família das Datiscaceae, existem apenas duas espécies:

Ver tambémEditar

ReferênciasEditar

  1. Angiosperm Phylogeny Group (2009). «An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of flowering plants: APG III». Botanical Journal of the Linnean Society. 161 (2): 105–121. doi:10.1111/j.1095-8339.2009.00996.x 
  2. International Plant Names Index. 2. [S.l.: s.n.] Consultado em 7 de setembro de 2013 
  3. Schaefer y Renner. 2011. Phylogenetic relationships in the order Cucurbitales and a new classification of the gourd family (Cucurbitaceae). Taxon 60
  4. Kubitzki, K. (ed.),The families and genera of vascular plants, vol. 10, Sapindales, Cucurbitales, Myrtaceae. Berlin: Springer.
  5. Matthews, M.L. y Endress, P.K. 2004. Comparative floral structure and systematics in Cucurbitales (Corynocarpaceae, Coriariaceae, Datiscaceae, Tetramelaceae, Begoniaceae, Cucurbitaceae, Anisophylleaceae). Bot. J. Linn. Soc. 145: 129–185.
  6. Zhang, L.-B., Simmons, M.P., Kocyan, A. y Renner, S.S. 2006. Phylogeny of the Cucurbitales based on DNA sequences of nine loci from three genomes: Implications for morphological and sexual system evolution. Molec. Phylog. Evol. 39: 305–322
  7. Zhang, L.-B., Simmons, M.P. y Renner, S.S. 2007. A phylogeny of Anisophylleaceae based on six nuclear and plastid loci: Ancient disjunctions and recent dispersal between South America, Africa, and Asia. Molec. Phylog. Evol. 44: 1057–1067
  8. «Datiscaceae». Tropicos.org. Missouri Botanical Garden. Consultado em 24 de fevereiro de 2014 
  9. Matthews ML, Endress PK (2004). «Comparative floral structure and systematics in Cucurbitales (Corynocarpaceae, Coriariaceae, Tetramelaceae, Datiscaceae, Begoniaceae, Cucurbitaceae, Anisophylleaceae)». Botanical Journal of the Linnean Society. 145 (2): 129–185. doi:10.1111/j.1095-8339.2003.00281.x 
  10. Schaefer H, Renner SS (2011). «Phylogenetic relationships in the order Cucurbitales and a new classification of the gourd family (Cucurbitaceae)». Taxon. 60 (1): 122–138. JSTOR 41059827. doi:10.1002/tax.601011. Consultado em 20 de março de 2017. Arquivado do original em 31 de janeiro de 2018 
  11. Zhang L-B, Simmons MP, Kocyan A, Renner SS (2006). «Phylogeny of the Cucurbitales based on DNA sequences of nine loci from three genomes: Implications for morphological and sexual system evolution». Molecular Phylogenetics and Evolution. 39 (2): 305–322. PMID 16293423. doi:10.1016/j.ympev.2005.10.002 
  12. Zhang L-B, Simmons MP, Kocyan A, Renner SS (2006). «Phylogeny of the Cucurbitales based on DNA sequences of nine loci from three genomes: Implications for morphological and sexual system evolution». Molecular Phylogenetics and Evolution. 39 (2): 305–322. PMID 16293423. doi:10.1016/j.ympev.2005.10.002 
  13. Soltis DE, Gitzendanner MA, Soltis PS (2007). «A 567-taxon data set for angiosperms: The challenges posed by Bayesian analyses of large data sets». International Journal of Plant Sciences. 168 (2): 137–157. JSTOR 509788. doi:10.1086/509788 
  14. Schaefer H, Heibl C, Renner SS (2009). «Gourds afloat: A dated phylogeny reveals an Asian origin of the gourd family (Cucurbitaceae) and numerous oversea dispersal events». Proc Royal Soc B. 276 (1658): 843–851. PMC 2664369 . PMID 19033142. doi:10.1098/rspb.2008.1447 
  15. Filipowicz N, Renner SS (2010). «The worldwide holoparasitic Apodanthaceae confidently placed in the Cucurbitales by nuclear and mitochondrial gene trees». BMC Evolutionary Biology. 10. 219 páginas. PMC 3055242 . PMID 20663122. doi:10.1186/1471-2148-10-219 
  16. Bell CD, Soltis DE, Soltis PS (2010). «The age and diversification of the angiosperms re-revisited». Am J Bot. 97 (8): 1296–1303. PMID 21616882. doi:10.3732/ajb.0900346 
  17. Renner SS, Schaefer H (2016). «Phylogeny and evolution of the Cucurbitaceae». In: Grumet R, Katzir N, Garcia-Mas J. Genetics and Genomics of Cucurbitaceae. Col: Plant Genetics and Genomics: Crops and Models. 20. New York, NY: Springer International Publishing. pp. 1–11. ISBN 978-3-319-49330-5. doi:10.1007/7397_2016_14 
  18. Christenhusz, M. J. M. & Byng, J. W. (2016). «The number of known plants species in the world and its annual increase». Phytotaxa. 261 (3): 201–217. doi:10.11646/phytotaxa.261.3.1 
  19. a b c Willis Linn Jepson (1936). A Flora of California: Volume II Capparidaceae to Cornaceae. [S.l.: s.n.] 537 páginas 
  20. «Datisca cannabina L.». Nepal Checklist. Consultado em 16 de dezembro de 2007 
  21. «Datisca cannabina». Flora of Pakistan. Consultado em 16 de dezembro de 2007 
  22. «Datisca cannabina (plant)». Encyclopædia Britannica online. Consultado em 16 de dezembro de 2007 
  23. «Datisca glomerata (K. Presl) Baill. (Durango root)». PLANTS. Consultado em 16 de dezembro de 2007 

BibliografiaEditar

GaleriaEditar

Classificação do lineano do géneroEditar

Sistema Classificação Referência
Linné Classe Dioecia, ordem Decandria Species plantarum (1753)

Ligações externasEditar

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