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Estação Ferroviária de Castelo de Vide

estação ferroviária em Portugal
(Redirecionado de Estação de Castelo de Vide)
Castelo de Vide
Estação de Castelo de Vide, em 2007.
Encerramento 1 de Fevereiro de 2011
Linha(s) R. de Cáceres (PK 223,421)
Coordenadas 39° 25′ 22,07″ N, 7° 29′ 22,43″ O
Concelho Castelo de Vide
Serviços Ferroviários
Horários em tempo real

A Estação Ferroviária de Castelo de Vide é uma gare encerrada do Ramal de Cáceres, que servia o Concelho de Castelo de Vide, no Distrito de Portalegre, em Portugal.

Índice

DescriçãoEditar

LocalizaçãoEditar

Esta interface encontra-se junto à localidade de Castelo de Vide.[1]

Vias de circulação e plataformasEditar

Em Janeiro de 2011, apresentava 2 vias de circulação, ambas com 215 m de comprimento, e uma plataforma, com 95 m de extensão, e 40 cm de altura.[2]

Painéis de azulejoEditar

A estação está decorada com vários painéis de azulejo com pintura hiper-realista, retratando vários aspectos da vivência tradicional, e alguns monumentos da vila, como o quadro "Fonte da Vila", contrastando com molduras rectilíneas de carácter modernista, policromadas e com desenhos de elementos vegetalistas.[3] Os azulejos são da autoria de Jorge Colaço, e foram produzidos pela Fábrica Lusitânia.[4][5]

HistóriaEditar

 
Projecto para o caminho de ferro entre as Estações de Portalegre e Fratel, passando pela cidade de Portalegre e por Castelo de Vide.

InauguraçãoEditar

A construção do Ramal de Cáceres iniciou-se em 15 de Julho de 1878, pela Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses, tendo o ramal entrado ao serviço em 15 de Outubro do ano seguinte, e inaugurado oficialmente em 6 de Junho de 1880.[6][7] A abertura desta estação possibilitou um aumento nas relações comerciais, melhorando consideravelmente a situação económica da localidade de Castelo de Vide.[7]

Século XXEditar

Em 1913, existia uma carreira de diligências entre a estação e a vila de Castelo de Vide.[8]

Nos princípios da Década de 1930, foi renovado o macadame da estrada de Póvoa e Meadas até Castelo de Vide e a estação ferroviária, um melhoramento que foi muito importante devido ao mau estado em que a estrada se encontrava.[9]

Ligação planeada a a Fratel e EstremozEditar

Em 1892, foi classificada uma linha de Estremoz, na Linha de Évora, a Vila Velha de Ródão, na Linha da Beira Baixa, por Portalegre e Castelo de Vide.[10] Embora fosse considerada um elemento valioso na rede ferroviária portuguesa por ligar a Linha da Beira Baixa às linhas do Sul e Sueste, enfrentou a oposição das autoridades militares, motivo pelo qual foi planeada de via estreita.[10] Este projecto foi reavivado nos finais da década, quando se iniciou o planeamento da rede ferroviária complementar ao Sul do Tejo, embora apenas de Estremoz a Castelo de Vide por Portalegre.[11] Igualmente por exigência dos militares, continuou a ser de via estreita.[11] No entanto, este projecto não foi escolhido para fazer parte do Plano da Rede Complementar ao Sul do Tejo, decretado em 27 de Novembro de 1902, tendo sido inserido depois por um decreto de 7 de Maio de 1903, mas apenas até Portalegre.[11] O contrato foi assinado em 9 de Dezembro de 1903 com o empresário José Pedro de Matos, que cerca de um ano depois apresentou um projecto para a linha, de Estremoz a Castelo de Vide, com um comprimento de 101,7 Km.[11] Um decreto de 27 de Junho de 1907 mudou a concessão para via larga e autorizou o futuro prolongamento até à Linha da Beira Alta[11], com um prazo de construção de três anos.[7]

As obras iniciaram-se a partir de Estremoz, tendo sido construídos alguns quilómetros de infraestrutura até Sousel, mas o concessionário não conseguiu reunir os fundos suficientes para continuar, pelo que pediu uma garantia de juro.[11] Este processo arrastou-se, especialmente devido à queda da monarquia em 1910, e em Dezembro de 1911 faleceu José Pedro de Matos, paralisando temporariamente o projecto.[11] Nessa altura, o engenheiro Andigier fez um reconhecimento da zona por ordem de Francisco Mercier, construtor da Linha do Vouga, tendo proposto que a linha seguisse o vale de Escusa entre a cidade de Portalegre e a estação de Castelo de Vide, e que o ponto de bifurcação na Linha da Beira Baixa deveria em Fratel, uma vez que a gare de Ródão não apresentava as condições necessárias para esta função.[10]

O concurso foi aberto em 15 de Janeiro de 1914, mas não surgiram concorrentes, uma vez que existia algum receio em fazer investimentos, devido aos sinais da futura guerra mundial.[11] Desta forma, uma lei de 2 de Junho de 1914 autorizou o governo a lançar títulos de dívida para financiar a construção da linha, cujas obras foram reiniciadas.[11] O primeiro lanço da linha, até Sousel, entrou ao serviço em 34 de Agosto de 1925.[11] Em 1927, foi iniciado o processo para a revisão do plano da rede ferroviária[11], tendo para isso sido formada em 1929 uma comissão técnica, que propôs a continuação da linha já iniciada, fixando o ponto de bifurcação na Linha da Beira Baixa em Fratel.[12] No entanto, os militares voltaram a opôr-se ao projecto, pelo que o Plano Geral da Rede Ferroviária, decretado em 28 de Março de 1930, apenas classificou a linha até à cidade de Portalegre, eliminando do projecto a passagem por Castelo de Vide e a bifurcação em Fratel.[11] O lanço entre Sousel e Cabeço de Vide abriu em 1937[13], tendo a linha sido concluída até Portalegre em 1949.[14]

Em 1 de Setembro de 1939, a Gazeta dos Caminhos de Ferro reportou que a cidade de Portalegre tinha enviado uma comissão ao governo para pedir vários melhoramentos para a região, incluindo a continuação da linha de Cabeço de Vide até Fratel por Castelo de Vide, mas o Ministro das Obras Públicas, Duarte Pacheco exprimiu algumas reservas em relação a este pedido, devido à crise que os caminhos de ferro estavam a atravessar na altura.[10]

Século XXIEditar

No dia 1 de Fevereiro de 2011, a empresa Comboios de Portugal terminou todos os comboios Regionais no Ramal de Cáceres, ficando esta estação sem quaisquer serviços.[15][16]

Ver tambémEditar

Referências

  1. «Castelo de Vide - Ramal de Cáceres». Infraestruturas de Portugal. Consultado em 31 de Maio de 2017 
  2. «Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Directório da Rede 2012. Rede Ferroviária Nacional. 6 de Janeiro de 2011. p. 71-85 
  3. SAPORITI, 2006:286
  4. SAPORITI, 2006:304
  5. PEREIRA, 1995:417-418
  6. TORRES, Carlos Manitto (1 de Janeiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 70 (1681). p. 9-12. Consultado em 31 de Maio de 2017 
  7. a b c VIDEIRA, 2008:202-203
  8. «Serviço de Diligencias». Guia official dos caminhos de ferro de Portugal. 39 (168). Outubro de 1913. p. 152-155. Consultado em 3 de Março de 2018 
  9. RALO, 1995:79
  10. a b c d SOUSA, José Fernando de (1 de Setembro de 1939). «O Caminho de Ferro de Portalegre: Passado e Presente» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 51 (1241). p. 412-414. Consultado em 2 de Novembro de 2017 
  11. a b c d e f g h i j k l SOUSA, José Fernando de (1 de Fevereiro de 1937). «Abertura do novo troço da Linha de Portalegre» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 49 (1179). p. 75-77. Consultado em 2 de Novembro de 2017 
  12. SOUSA, José Fernando de (1 de Março de 1935). «O Problema da Defesa Nacional pelo coronel Raul Esteves» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1133). p. 101-103. Consultado em 25 de Janeiro de 2013 
  13. MARTINS et al, 1996:259
  14. REIS et al, 2006:98
  15. «Serviços regionais no ramal de Cáceres suprimidos em Fevereiro». Sol. 17 de Janeiro de 2011. Consultado em 28 de Outubro de 2011 
  16. BENTO, José Amaro (2 de Fevereiro de 2011). «Medida com custos sociais, económicos e ambientais». Público. Consultado em 28 de Outubro de 2011 

BibliografiaEditar

  • MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel; et al. (1996). O Caminho de Ferro Revisitado: O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas 
  • PEREIRA, Paulo (1995). História da Arte Portuguesa. III. Barcelona: Círculo de Leitores. 695 páginas. ISBN 972-42-1225-4 
  • RALO, José António Carrilho (1995). Recordações da Aldeia. Lisboa: Câmara Municipal de Castelo de Vide e Colibri - Artes Gráficas. 144 páginas 
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 
  • SAPORITI, Teresa (2006). Azulejaria no Distrito de Portalegre. Lisboa: Dinalivro, Distribuidora Nacional de Livros, Lda. 381 páginas. ISBN 972-97653-3-2 
  • VIDEIRA, César (2008) [1908]. Memória Histórica da Muito Notável vila de Castelo de Vide 3.ª ed. Lisboa: Edições colibri e Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades da Universidade de Évora. 294 páginas. ISBN 978-972-772-802-2 
 
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Ligações externasEditar