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Eurico Silva

Dramaturgo português
Disambig grey.svg Nota: Se procura o político português Eurico Silva Teixeira de Melo, veja Eurico de Melo.
Eurico Silva
Nascimento 16 de setembro de 1900
Melgaço
Morte 6 de novembro de 1973 (73 anos)
Rio de Janeiro
Ocupação tradutor, dramaturgo, ator, diretor de cinema

Eurico António Crispim da Silva (Melgaço, Portugal, 16 de Setembro de 1900[1] - Rio de Janeiro, Brasil, 6 de Novembro de 1973) foi um ator, produtor, roteirista ou argumentista de rádio e cinema, autor de peças teatrais e telenovelas, e dramaturgo luso-brasileiro. Foi também um célebre autor de radionovelas, durante os anos 40 e 50 do século XX, na chamada era do rádio.[2]

BiografiaEditar

Nascido na vila minhota de Melgaço, a 16 de Setembro de 1900, Eurico António Crispim da Silva abandonou Portugal com 16 anos para perseguir o sonho de uma vida melhor no Brasil, após receber o convite de um parente que também havia emigrado e era bem sucedido nos negócios, sendo proprietário de três padarias.[3]

Dois anos depois, em 1919, e a viver no Rio de Janeiro com amigos portugueses, iniciou a carreira de ator ao estrear-se na Companhia Eduardo Pereira com a peça "O Mártir do Calvário" de Eduardo Garrido, apresentada no Teatro Carlos Gomes[2]. Nos seguintes anos, percorreu várias cidades brasileiras com diferentes companhias e peças teatrais, enquanto aprendia a arte do seu ofício e ganhava nome no meio artístico. Nos seus tempos livres, escrevia histórias e peças teatrais, sem no entanto as publicar ou encenar.

Anos mais tarde, em 1932, apresentou a primeira das quinze peças que escreveu até então, "Um Caso de Polícia", estreando-se como dramaturgo na companhia de Procópio Ferreira, notório ator e produtor, filho de pais portugueses, ainda hoje considerado um dos grandes nomes do teatro brasileiro. Com a mesma companhia, percorreu as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, apresentou as peças "Delicadeza" (1933), "Pense Alto" (1933), "Divorciados" (1934), "Um Homem" (1936) e "Frederico Segundo" (1936), todas da sua autoria, e traduziu outras nove obras, a pedido do próprio Procópio Ferreira.[3]

No ramo das adaptações, durante a década de 30 e 40, realizou a tradução de várias peças do francês, italiano ou espanhol, muitas vezes em parceria com Djalma Bittencourt, futuro administrador da Revista de Teatro da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais. Os autores que escolhia, geralmente, eram comediógrafos espanhóis ou da América latina, como Enrique Suarez de Deza, Pedro Muñoz Seca, Pérez Fernández, ou ainda ingleses, como Harry Paulton e Oscar Wilde.

Em 1937, Eurico Silva fundou e dirigiu a companhia teatral Cazarré - Elza Delorges, continuando a actuar, escrever e encenar inúmeras peças. Nos seguintes anos, iniciou uma nova fase na sua vida: estreou-se na rádio, atuando no programa "Teatro em Casa" (1939) da Rádio Nacional como ator e produtor, e no cinema, ajudando Luiz de Barros com a adaptação do seu roteiro em "O Samba da Vida" (1937), escrevendo os diálogos dos filmes "Asas do Brasil" (1940), "Céu Azul" (1941), que contava com a participação de Chianca de Garcia, e "Não Adianta Chorar" (1945), com o comediante Oscarito e o compositor de samba português J. Rui, sendo o argumento inteiramente da sua autoria.


Entre 1947 e 1950, foi roteirista do programa "Poemas e Canções", que teve continuação com "Poemas Sonoros", da Rádio Nacional,[2] e desde então, como produtor tornou-se responsável por vários programas famosos à época, como "Versos e Melodias", "Paisagens de Portugal", "Casa da Sogra", "Neguinho e Juraci". Foi ainda autor de radionovelas [2], como "Boa Noite, Saudade" (1962), "A Noite do Meu Destino" (1957), além de ter traduzido outras, como "O Direito de Nascer" (1951) de Félix Caignet,[4] transmitida em 273 capítulos,[5] tornando-se no caso de maior sucesso do género já registado no país.[3]

Durante a década de 50, estreou-se na televisão, adaptando a peça de sua autoria "O Grande Marido" para um episódio da série televisiva Grande Teatro Tupi, sendo novamente adaptado para o cinema como "Um Marido Barra-Limpa" (1957)[3], que marcou a estreia do ator comediante Ronald Golias (embora o seu lançamento tenha ocorrido dez anos depois). Mais tarde, em 1965, escreveu as novelas "Olhos que Amei" para a Rede Tupi, e "E a Primavera Chegou..." para a TV Rio.[6]

No total, escreveu 33 peças de teatro, mais de 40 radionovelas[7], 2 telenovelas, 3 filmes, traduziu 34 peças estrangeiras, actuou e encenou dezenas de peças, produziu inúmeros programas de rádio e ainda dirigiu alguns filmes.

Faleceu em 1973, com 73 anos de idade.

Peças teatraisEditar

No arquivo Miroel Silveira, consta 33 peças escritas por Eurico Silva. As peças escritas por Eurico Silva foram as seguintes, com a respectiva companhia que encenou a primeira vez:[3]


  • Um caso de polícia – 1933 – Companhia Procópio Ferreira;
  • Pense alto (Viva o amor) – 1933 – Companhia Procópio Ferreira;
  • Delicadeza – 1933 – Companhia Procópio Ferreira;
  • Entrou aqui uma mulher (adap.) – 1933 - Companhia Procópio Ferreira;
  • Divorciados – 1934 – José Soares; 1944 – Cia. Procópio Ferreira; 1944 – Teatro Escola de Campinas; 1953 – Escola Técnica de Teatro Tiradentes;
  • A mulher que eu achei - 1935 - Moderna Companhia de Comédia;
  • Frederico Segundo – 1935 – Companhia Procópio Ferreira;
  • Um homem – 1935 – Moderna Companhia de Comédia; 1944 – Circo Teatro Liendo e Simplício; 1946 - Circo Teatro Di Lauro;
  • A mulher que se vendeu - L Navarro e A Torrado - 1937;
  • O pai que eu inventei – 1942 – Cia. Procópio Ferreira, Empresa Pereira da Costa e Gioso Ltda;
  • A felicidade pode esperar – 1944 – Rádio Difusora SP; 1945 - Pavilhão Teatro Mazzaropi;
  • Veneno de cobra – 1945 – Circo Teatro Mazzaropi;
  • Acontece que eu sou baiano – 1947 – Circo Teatro Piolim;
  • A felicidade pode esperar – 1949 – Circo Teatro Piolim;
  • Filhos de ninguém – 1950 – Circo Teatro Piolim; 1962 – Circo Teatro Irmãos Liendo;
  • O grande marido – 1956 - Companhia Jayme Costa;
  • O grande Alexandre – 1964 – Grupo Experimental Flamingo de Artes.

TraduçõesEditar

As peças traduzidas por Silva:[3]

  • A filhinha do papai - Serrano Anguita - 1933 – Companhia Procópio Ferreira;
  • O irmão do felizardo – Oscar Wilde - 1933 - Cia de Comédias Procópio Ferreira;
  • Tudo para você – Pedro Muñoz Seca; 1934 - Cia de Comédias Procópio Ferreira;
  • Rainha de Thebas – Harry Paulton - 1934 – Companhia Procópio Ferreira;
  • O amor envelheceu – S Suarez de Deza - 1934 - Companhia Procópio Ferreira;
  • Precisa-se de um pai - Muñoz Seca e Perez Fernandez - 1934 e 1945 - Cia de Comédias Procópio Ferreira;
  • O dinheiro do leão – Carlos Arniches e Estremera – 1935 - Moderna Companhia de Comédia;
  • Casado sem saber – A Vallescá - 1935 - Moderna Companhia de Comédia;
  • Precisa-se de um filho – Antônio Paso - 1935 - Moderna Companhia de Comédia;
  • Não sejas mentirosa – Frenc Molnár 1935 - Moderna Companhia de Comédia;
  • Não me olhes assim - Muñoz Seca e Perez Fernandez - 1936 - Cia de Comédias Procópio Ferreira;
  • Adeus nobreza – Jacinto Capela e Jos de Lucio - 1936 e 1945 - Cia de Comédias Procópio Ferreira;
  • O automóvel do rei – Natanson e Orbok -1937 -Cia Cazarré Elza Delorges;
  • Uma conquista difícil - Raphael Lopes de Haro– 1943 – Companhia Procópio Ferreira; Cine Teatro Boa Vista;
  • O Direito de Nascer (radionovela cubana de Félix Caignet, 1951).

Notas e referências

  1. Suellen de Sousa Barbosa, op. cit. abaixo, pesquisando Arquivo Miroel Silveira da Biblioteca da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, sobre os processos ali arquivados e oriundos do Serviço de Censura da Divisão de Diversões Públicas do Estado de São Paulo (DDP-SP), descreve a biografia de Eurico Silva, informando o local de seu nascimento e a data aqui consignada, que difere daquela informada por Ronaldo Conde, op. cit. abaixo, que consigna 18 de setembro. Nenhum dos dois informa a data de falecimento.
  2. a b c d Aguiar, Ronaldo Conde. Editora Casa da Palavra, ed. Almanaque da Rádio Nacional. 2007 ilustrada ed. [S.l.: s.n.] p. 148. ISBN 8577340821 
  3. a b c d e f Barbosa, Suellen de Sousa (Março de 2009). «A presença portuguesa no Arquivo Miroel Silveira» (doc.) 
  4. Luiz Artur Ferraretto (2 de dezembro de 2007). «Afinal, existe uma época de ouro do rádio?». Carosouvintes.org. Consultado em 3 de abril de 2010 
  5. Carla Soares Martin (15 de janeiro de 2008). «Seção Entre Aspas». Observatório da Imprensa. Consultado em 3 de abril de 2010 
  6. Memorial da Fama. «Telenovelas da Rede Tupi». Consultado em 3 de abril de 2010 
  7. Salvador,Roberto (6 de maio de 2016). A era do radioteatro: O registro da história de um gênero que emocionou o Brasil. [S.l.]: Gramma. ISBN 9788598555980