Fórmula 3000 Internacional

A Fórmula 3000 Internacional foi uma categoria de monolugares que existiu de 1985 a 2004[1], substituindo o Campeonato Europeu de Fórmula 2 por esta estar se tornando demasiado custosa. Os carros da categoria utilizavam motores de três litros (3000 cc/ 3.0L). Era utilizada como uma categoria de acesso à Fórmula 1 e foi substituída pela GP2 Series em 2005.

Fórmula 3000 Internacional
Fórmula 3000 Internacional
Informações gerais
Categoria Fórmula
País ou região Nações Unidas Internacional
Temporada inaugural 1985
Temporada final 2004
Construtores Reino Unido Lola
Fornecedor(es) dos motores Reino Unido Judd (nomeado como Zytek)
Fornecedor(es) dos pneus Reino Unido Avon
Último piloto campeão Itália Vitantonio Liuzzi
Última equipe campeã Reino Unido Arden International

História editar

 
Vittorio Zoboli na Fórmula 3000 em 1992

A categoria foi anunciada em 16 de dezembro de 1983 como uma substituta da Fórmula 2 Europeia, que passava por aumentos astronômicos de custos e diminuição de seus grids.[2] A idéia é que a categoria utilizasse os motores Cosworth DFV antigos da Fórmula 1 (que já adentrava na era turbo), diminuindo os custos e nivelando tecnicamente os carros. Já os chassis poderiam ser tanto chassis novos quanto carros antigos da Fórmula 1 e da Fórmula 2 adaptados para a categoria.[2] O anuncio oficial da Fórmula 3000 pela FISA só foi feito em julho de 1984, com a primeira temporada para 1985.

A primeira temporada da categoria teve doze etapas - onze para o campeonato e uma etapa especial em Curaçau - tendo a primeira etapa da categoria acontecido em 24 de março de 1985, em Silverstone. O regulamento técnico da categoria havia sido lançado três meses antes, porém o regulamento esportivo só foi lançado em junho de 1985, enquanto a temporada já estava em sua metade.[2] O primeiro campeão foi o alemão Christian Danner. Em 1987, a capacidade de alguns pilotos da categoria foi posta em dúvida, devido a grande quantidade acidentes.[3] Em 1991, algumas equipes italianas começaram a utilizar um combustível adulterado da Fórmula 1 feito Agip chamado de jungle juice (suco de selva, em inglês), na qual rendia 15 cv a mais.[4] Em 1995, houve a única morte na categoria, do brasileiro Marco Campos, na última etapa da temporada em Magny-Cours.[5]

Em 1996, o regulamento técnico foi modificado, com a adoção de um único carro para todas as equipes do grid. O Lola T96/50 foi utilizado com motores Zytek-Judd. Em 1997, a Fórmula 3000 começou a disputar suas corridas junto das etapas da Fórmula 1, tendo várias equipes da categoria investindo na Fórmula 3000 em equipes "júnior". Nessa época, a categoria chegou a ter 40 carros em seu grid. Em 1999, o carro foi trocado pelo Lola B99/50, utilizando o mesmo conjunto mecânico. Em 2000, a categoria limitou seu grid a 15 equipes, com dois carros cada.

Em 2002, o chassis foi modificado novamente, com o Lola B02/50, ainda utilizando o mesmo conjunto mecânico de 1996. Na época, os custos da categoria haviam subido bastante e a mesma tinha forte concorrência de categorias similares mais baratas, como a Fórmula 3000 Europeia, a World Series by Nissan e a Fórmula Renault V6 Eurocup. Na temporada de 2003, os grids já se tornavam diminutos.

A categoria teve sua última temporada em 2004, sendo substituída pela GP2 Series em 2005.

Formato da Corrida editar

Pontuação editar

Em toda sua história, a Fórmula 3000 Internacional utilizou três sistemas de pontuação, influenciados pela Fórmula 1.

1985-1996
Posição  1º   2º   3º   4º   5º   6º 
Pontos 9 6 4 3 2 1
1997-2002
Posição  1º   2º   3º   4º   5º   6º 
Pontos 10 6 4 3 2 1
2003-2004
Posição  1°  2°  3°  4°  5°  6°  7°  8°
Pontos 10 8 6 5 4 3 2 1

Carros editar

 
Björn Wirdheim e Vitantonio Liuzzi na F3000 em 2003

Chassis editar

Os primeiros chassis da categoria produzidos pela March, AGS e Ralt eram baseados nos carros utilizados na Fórmula 2 em 1984, com a Lola baseando seu chassis no seu modelo para a CART norte-americana. Algumas equipes pequenas utilizaram carros obsoletos da Fórmula 1 (que ainda utilizavam motores Cosworth DFV), como modelos da Tyrrell, Williams, Minardi, Arrows e RAM, com pouco sucesso na categoria. Nas primeiras temporadas, a March dominou a categoria, com o domínio somente sendo quebrado em 1988, com a Reynard, que dominou a categoria até 1995, tendo seu domínio somente parado pela Lola em 1990. Chassis japoneses da Footwork e da Dome apareciam muito raramente na Europa, porém, apareceram. A Dallara fez tentativas na categoria antes de ir para a Fórmula 1 em 1987.

Em 1996, a categoria adotou uma padronização de seus chassis (Lola T96/50) e motores (Zytek-Judd KV). Esses chassis duraram até 1998, quando os mesmos foram substituídos pelo Lola B99/50, que foram substituídos em 2002 pelo Lola B02/50 (este sendo utilizado até o final da categoria em 2004).

Motores editar

O nome da categoria se deu pelo limite de tamanho dos motores (3.000cc / 3.0L). Inicialmente, os Cosworth DFV eram populares. Esses motores haviam sido utilizados pela Fórmula 1 por muitos anos, mas acabaram sendo aposentados com a chegada dos motores 1.500cc (1.5L) turboalimentados. O regulamento técnico autorizava qualquer motor até 3.000cc V8, desde que fosse equipado com um limitador para equalizar a potência. Além dos motores Cosworth (DFV e AC), apareceram motores da Mugen-Honda e Judd. A Lamborghini também propôs um motor para a categoria, mas o mesmo nunca chegou a ser utilizado.

Em 1996, com a padronização, a categoria adotou um motor Zytek-Judd KV 3.0L V8, gerando 456 cv (335 kW) a 527 cv (387 kW), acoplado a uma transmissão de seis velocidades, sequencial. Esse conjunto mecânico foi utilizado até o final da categoria, em 2004.

Circuitos editar

Em suas vinte temporadas de existência, a Fórmula 3000 visitou 32 circuitos em 13 países (12 países europeus e o Brasil). Silverstone somente esteve fora do calendário em 1991, da mesma forma que Spa-Francochamps só esteve ausente em 1988, 1990 e 2003. Pau e Enna-Pergusa estiveram de maneira ininterrupta até 1998. De 1999 até 2003, a categoria esteve composta somente de etapas conjuntas com a Fórmula 1.

Campeões editar

Ano Piloto Equipe Carro Equipe Campeã Carro
1985   Christian Danner   BS Automotive March 85B-Cosworth Não houve campeões
1986   Ivan Capelli   Genoa Racing March 86B-Cosworth
1987   Stefano Modena   Onyx March 87B-Cosworth
1988   Roberto Moreno   Bromley Motorsport Reynard 88D-Cosworth
1989   Jean Alesi   Eddie Jordan Racing Reynard 89D-Mugen
1990   Érik Comas   DAMS Lola T90/50-Mugen
1991   Christian Fittipaldi   Pacific Racing Reynard 91D-Mugen
1992   Luca Badoer   Crypton Engineering Reynard 92D-Cosworth
1993   Olivier Panis   DAMS Reynard 93D-Cosworth
1994   Jean-Christophe Boullion   DAMS Reynard 94D-Cosworth
1995   Vincenzo Sospiri   Super Nova Racing Reynard 95D-Cosworth
1996   Jörg Müller   RSM Marko Lola T96/50-Zytek
1997   Ricardo Zonta   Super Nova Racing Lola T96/50-Zytek
1998   Juan Pablo Montoya   Super Nova Racing Lola T96/50-Zytek
1999   Nick Heidfeld   West Competition Lola B99/50-Zytek
2000   Bruno Junqueira   Petrobras Junior Team Lola B99/50-Zytek   D2 Playlife Super Nova Lola B99/50-Zytek
2001   Justin Wilson   Coca-Cola Nordic Racing Lola B99/50-Zytek   Coca-Cola Nordic Racing Lola B99/50-Zytek
2002   Sébastien Bourdais   Super Nova Racing Lola B02/50-Zytek   Arden International Lola B02/50-Zytek
2003   Björn Wirdheim   Arden International Lola B02/50-Zytek   Arden International Lola B02/50-Zytek
2004   Vitantonio Liuzzi   Arden International Lola B02/50-Zytek   Arden International Lola B02/50-Zytek

Ver Também editar

Referências

  1. 2004 FIA Formula 3000 International Championship Classifications 25 de abril de 2010
  2. a b c Verde, Leandro (10 de dezembro de 2012). «Fórmula 1000». Bandeira Verde. Consultado em 8 de janeiro de 2024. Arquivado do original em 2 de março de 2021 
  3. Collantine, Keith (10 de agosto de 2015). «Formula 3000 memories: 1985-88». RaceFans (em inglês). Consultado em 9 de janeiro de 2024 
  4. «Agip Jungle juice Fuel in 90's - TenTenths Motorsport Forum». tentenths.com. Consultado em 9 de janeiro de 2024 
  5. Verde, Leandro (18 de outubro de 2010). «Marco Campos (1976 – 1995)». Bandeira Verde. Consultado em 8 de janeiro de 2024. Arquivado do original em 27 de janeiro de 2021 

Ligações externas editar

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