Josefina Plá

Maria Josefina Teodora Plá Guerra Galvany, mais conhecida como Josefina Plá, (Isla de Lobos, 9 de novembro de 1903 - Assunção, 11 de janeiro de 1999) foi uma poetisa, dramaturga, jornalista, crítica de arte, escultora, ceramista e historiadora espanhola-paraguaia, natural das ilhas canárias.[1][2][3] Naturalizada no Paraguai, ela é reconhecida por elencar as mulheres como protagonistas da História do Paraguai.[4] Ela é considerada a mais fundamental artista e intelectual da cultura paraguaia no século XX.[2] Sua maestria artística e literária abarcou a criação, pesquisa e docência.[4]

Josefina Plá
Nascimento María Josefina Teodora Plá Guerra Galvany
9 de novembro de 1903
Ilha de Lobos
Morte 11 de janeiro de 1999
Ciudad del Este
Cidadania Paraguai, Espanha
Cônjuge Julián de la Herrería
Ocupação poetisa, escultora, escritora, jornalista, ceramista, historiadora
Prêmios
  • Prix Mottart (1987)

Recebeu inúmeros prêmios e distinções pelo seu trabalho artístico e literário, pela defesa dos direitos humanos e da igualdade de gênero.

Vida pessoalEditar

Maria Josefina Teodora Plá Guerra Galvany nasceu no dia 9 de novembro de 1903, na Isla Lobos, em Fuerteaventura,Ilhas Canárias, Espanha, onde seu pai, Leopoldo Plá, mantinha um farol. Plá foi a primogênita de uma família de sete filhos. Sua mãe se chamava Rafaela Guerra Galvany.[5]

Em 1924, durante as férias com sua família em Villajoyosa, Alicante, Plá conheceu o escultor paraguaio Andrés Campos Cervera, conhecido pelo nome artístico Julián de la Herrería. Ele estava na Espanha para estudar cerâmica. Plá e Cervera se conheceram poucos dias antes dele concluir seus estudos e retornar ao Paraguai. Apesar dessa separação, vinte meses depois, ele pediu permissão ao pai de Plá para se casar com ela. A cerimônia foi realizada em 17 de dezembro de 1926. Em 1927, Plá se instalou no Paraguai com o marido e se estabeleceu na Villa Aurélia, em Assunção.[6]

Plá e seu marido retornaram duas vezes à Espanha.[7] Na primeira vez, no ano de 1931, para a exposição das obras de cerâmica de Cervera em Madri.[6] A segunda visita foi em 17 de outubro de 1934. Julián de la Herrería morreu em Valência, Espanha, em 1937.[7][2] Plá voltou ao Paraguai um ano depois.

Plá faleceu em 11 de janeiro de 1999 em Assunção.[6]

Carreira artísticaEditar

 
Diretoria do Ateneo paraguaio em meados da década de 1930. Josefina Plá está sentada no meio, ao seu lado, Juan Francisco Recalde. O terceiro a esquerda é Hérib Campos Cervera.

Apesar de iniciar-se na poesia e ser escritora por toda sua vida, Plá expandiu seu trabalho artístico também para as artes visuais. O trabalho de escultura e cerâmica dela foi descrito como “um arquivo da história cultural do Paraguai”.[8] Seu trabalho foi amplamente exibido por toda a América do Sul. Alguns dos murais e mosaicos que ela criou ainda podem ser vistos nos prédios da cidade de Assunção. Algumas de suas cerâmicas estão expostas no Centro Cultural de España Juan de Salazar na capital paraguaia.

Na década de 1950, ela cofundou o Grupo Arte Nuevo (Grupo de Arte Nova, em português) junto com outros artistas, incluindo Olga Blinder, Lilí del Mónico e José Laterza Parodi. Em 1952 ela escreveu um artigo para um catálogo da exposição de Olga Blinder que foi considerado, posteriormente, um manifesto da arte moderna no Paraguai. Na época, foi um passo pioneiro para a criação do grupo. Em 1959, em resposta à Exposición de Obras del Museo de Arte Moderno de San Pablo, Plá discutiu a modernização artística em dois longos artigos de jornal, contextualizando a exposição dentro da cena artística local e avaliando criticamente a seleção de obras de arte.[9][10]

Carreira literáriaEditar

Plá foi considerada uma poetisa da escola vanguardista,[2] ao lado de Hérib Campos Cervera, sobrinho de seu marido.

A criação literária de Josefina Plá abrange vários campos da escrita e apresenta temas ligados a temas típicos da história cultural e sobre dimensões da experiência humana. A representação de figuras femininas é uma característica marcante em suas narrativas.[11] Sua poesia dá voz a esfera feminina historicamente silenciada e denuncia as prisões sociais imposta às mulheres.[12] Também explora experiências individuais contraditórias como o amor e o ódio.[13] é constante o conceito de deslocamento cultural, por meio de personagens com identidades diaspóricas, fronteiriças e híbridas e narrativas multi idiomáticas, que misturam tradições e imaginários culturais.[14]

Sua produção agrega literária mais de quarenta títulos, entre poesia, narrativa e teatro; também história social e cultural do Paraguai; sobre cerâmica, pintura e crítica. Ela colaborou frequentemente com Roque Centurión Miranda em muitas de suas peças, particularmente a partir de 1942.[15]

Produção ficcionalEditar

A seguir, um resumo dos trabalho de poesia e peças de teatro de Josefina Plá.

Ano Poesia
1934 El precio de los sueños
1950 Una Novia para Josevai
1960 La raíz y la aurora
1965 Rostros en el agua
Invención de la muerte
1966 Satélites oscuros
1968 El polvo enamorado
Desnudo día
1975 Luz negra
1982 Follaje del tiempo
Tiempo y tiniebla
1984 Cambiar sueños por sombras
1985 La nave del olvido
La llama y la arena
Los treinta mil ausentes
1996 De la imposible ausente
Teatro (1927-1974) Observação
Víctima propiciatoria
Episodios chaqueños com Roque Centurión Miranda
Porasy roteiro de ópera com música de Otakar Platal
Desheredado com Roque Centurión Miranda
La hora de Caín com Roque Centurión Miranda
Aqui no ha pasado nada com Roque Centurión Miranda
Un sobre en blanco com Roque Centurión Miranda
María inmaculada com Roque Centurión Miranda
Pater familias com Roque Centurión Miranda
La humana impaciente
Fiesta en el río
El edificio
De mí que no del tiempo
El finginte inesperado
Historia de un número
Teatro (1927-1974) Observação
Esta é a casa que Juana construiu
La cocina de las sombras
El professor
El pan del avaro peça infantil
El rey que rabió peça infantil
El hombre de oro peça infantil
La tercera huella dactilar
Media docena de grotescos brevísimos
Las ocho sobre el mar
Hermano Francisco
Momentos estelares de la mujer
Don Quijote y los Galeotes
El hombre en la cruz
El empleo
Alcestes

Carreira historiográficaEditar

 
Placa memorial à Josefina Plá na Ilha de Lobos, local de seu nascimento. Sua figura aparece ao lado dos dizeres em espanhol: "Neste canto do Atlântico, iluminada pela luz fraca do farol de Martino, nasceu a poetisa Josefina Plá / 1930 Ilha dos Lobos / 1999 Paraguai / Conselho da Ilha de Fuerteventura"

Plá elencou as mulheres como grandes protagonistas da História em suas reflexões históricas sobre a nação paraguaia.[4]

Produção historiográficaEditar

Sua obra sobre a história cultural e social do Paraguai inclui os seguintes títulos:

História cultural e social do Paraguai
La cultura paraguaya y el libro
Literatura paraguaya del siglo XX
Apuntes para una historia de la cultura paraguaya
Arte actual en el Paraguay
Quatro selos de teatro no Paraguai
Impacto de la cultura de las reduciones en lo nacional
Apuntes para una aproximación a la imaginería paraguaya
El Templo de Yaguarón
El barroco hispano-guaraní
Las artesanías en el Paraguai
Ñandutí. Encrucijada de dos mundos
El espíritu del fuego
El libro en la época colonial
Bilingüismo y tercera lengua en el Paraguay
Españoles en la cultura del Paraguay
La mujer en la plástica paraguaya
Os britânicos no Paraguai, 1850 - 1870 (traduzido por BC McDermot)
Hermano Negro. La Esclavitud en el Paraguai
 
Placa de metal com a forma abstrata de uma gaivota em memória a Josefina Plá na Ilha de Lobos, que leva os dizeres "Para Josefina Plá, que nunca esqueceu que era canariana, e ainda assim uma majojora. Através dela, aprendemos que as sombras podem ser trocadas por sonhos. Isla de Lobos, 1903 / Paraguai, 1999. Conselho da Ilha de Fuerteventura"

Prêmios e participaçõesEditar

Ao longo de sua vida, ela recebeu vários prêmios, condecorações e indicações a prêmios.

PremiaçõesEditar

  • Dama de Honra da Ordem de Isabel la Católica (1977);
  • Prêmio de "mulher do ano" em (1977);
  • Troféu "Ollantay" à investigação teatral da Venezuela (1984);
  • Postulação para o "prêmio Cervantes", reconhecimento máximo para as letras hispânicas (1989 e 1994);
  • Ordem Nacional do Mérito do Paraguai, no grau de comendatária do Governo paraguaio (1994);
  • Medalha de Ouro de Belas Artes da Espanha (1995);
  • "Ciudadanía Honoraria", concedida pelo Parlamento paraguaio em 1998.
  • Reconhecimento de defesa dos Direitos Humanos concedido pela Sociedade Internacional de Juristas;
  • Medalha Johann Gottfried von Herder.

ParticipaçõesEditar

Referências

  1. Minardi, Giovanna (1998). «JOSEFINA PLA: UNA VOZ A RECUPERAR». Letras Femeninas (1/2): 157–172. ISSN 0277-4356. Consultado em 26 de abril de 2022 
  2. a b c d Whigham, Marta Fernández. «Encyclopedias almanacs transcripts and maps». Encyclopedia.com. Encyclopedia of Latin American History and Culture. Consultado em 10 de fevereiro de 2021 
  3. Forjadores del Paraguay: Diccionario biográfico. Buenos Aires, Argentina: Primera Edición Enero de 2000. Distribuidora Quevedo de Ediciones. 1 de janeiro de 2000 
  4. a b c Mateo del Pino, Ángeles. 2001. "Sellando itinerarios: género y nación en Josefina66 Isis Internacional. Ediciones de las Mujeres. nº 31, p. 65-74.
  5. «Josefina Plá: The culture lady Monday». BlogFuerteCharter. 20 de janeiro de 2014. Consultado em 11 de fevereiro de 2021 
  6. a b c Tompkins, Cynthia; Foster, David William (2001). Notable Twentieth-century Latin American Women: A Biographical Dictionary. [S.l.]: Greenwood Publishing Group. ISBN 9780313311123. Consultado em 11 de fevereiro de 2021 
  7. a b Bruccoli, Matthew J.; Layman, Richard (2003). Modern Spanish American Poets: Second series. [S.l.]: Gale Group 
  8. Cota, Débora (2018). «Josefina Plá and the clay as a place of archive». Travessias. 12 (1): 21–36. Consultado em 11 de fevereiro de 2021 
  9. GARCÍA, MARÍA AMALIA (2014). «Hegemonies and models of cultural modernization in South America. The Paraguay-Brazil case». MIT Press. Art Marg. 3 (1): 28–54. Consultado em 10 de fevereiro de 2021 
  10. Quevedo, Charles (7 de abril de 2020). «The Brazilian Cultural Mission and the Arte Nuevo Group: A Regional Dispute for Cultural Hegemony and Paraguayan Modern Art». Artelogie (15). doi:10.4000/artelogie.4582 . Consultado em 10 de fevereiro de 2021 
  11. Cota, Débora; Pereira Rodrigues, Daiane, eds. (2021). Josefina Plá: uma produção múltipla e moderna desde a cultura paraguaia (PDF). Foz do Iguaçu: EdUNILA. ISBN 978-65-86342-13-0 
  12. Valente, Cynthia (2021). «Josefina Plá y la Creación de la Muerte». In: Cota, Débora; Rodrigues, Daiane Pereira. Josefina Plá: Uma Produção Múltipla e Moderna desde a Cultura Paraguaia (PDF). Foz do Iguaçu: EdUNILA. p. 52; 64. ISBN 978-65-86342-13-0
  13. Navarro, José Antonio Alonso. 2021. Sobre la Concepción del Amor en la Poesía de Josefina Plá.
  14. Rodrigues, Daiane Pereira (2021). «A Mão e a Perna: Mobilidades Culturais em Dois Contos de Josefina Plá». In: Cota, Débora; Rodrigues, Daiane Pereira. Josefina Plá: Uma Produção Múltipla e Moderna desde a Cultura Paraguaia (PDF). Foz do Iguaçu: EdUNILA. p. 35. ISBN 978-65-86342-13-0 
  15. Farnsworth, May (2003). «Tempering Machismo: The Performance of Masculinity, Femininity, and Honor in Aquí no ha pasado nada by Josefina Plá and Roque Centurión Miranda» (PDF). MIFLC Review. 11: 135–47. Consultado em 11 de fevereiro de 2021 
  16. «Tribute». Académie internationale de la céramique. Consultado em 11 de fevereiro de 2021 

links externosEditar

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