Junta militar brasileira

Historicamente, no Brasil, as juntas militares foram grupos de oficiais que assumiram o governo durante o período da República, em períodos de exceção constitucional: em 1930, 1961, 1964 e 1969. A primeira e a última são consideradas oficiais, constando na lista de presidentes da Biblioteca da República, enquanto que as outras duas são consideradas extra-oficiais, pois o governante formal ambas as vezes era Ranieri Mazzilli, presidente interino na qualidade de presidente da Câmara dos Deputados. Apenas a primeira não foi constituída pelos ministros militares (ministros do exército, da marinha e da aeronáutica) e um dos três ramos das Forças Armadas não era representado, no caso, a aeronáutica (possuía dois militares do exército e um da marinha). A soma do períodos das quatro juntas dá noventa e seis dias. Somente o almirante Augusto Rademaker esteve em mais de uma junta (foram duas, as de 1964 e 1969).

Junta Militar de 1930Editar

 
Junta governativa provisória de 1930: Isaías de Noronha, Augusto Tasso Fragoso e João de Deus Mena Barreto

Constituída pelos generais Menna Barreto e Tasso Fragoso e pelo almirante Isaías de Noronha. Como Getúlio Vargas, líder vitorioso da Revolução de 1930, não pôde chegar a tempo no Rio de Janeiro, antigo Distrito Federal, a junta exerceu o poder de 24 de outubro até 3 de novembro de 1930, data em que Vargas assumiu o governo do país.

Junta militar de 1961Editar

Após a renúncia do presidente Jânio Quadros, estando o vice-presidente em visita oficial à China, a Presidência da República foi assumida de direito pelo presidente da Câmara dos Deputados, deputado Ranieri Mazzilli, porém o poder de fato passou a ser exercido pelos ministros militares de Jânio, que constituíram uma junta militar encabeçada pelo marechal Odílio Denys (exército), com o apoio do brigadeiro-do-ar Gabriel Grün Moss (aeronáutica) e do almirante Sílvio de Azevedo Heck (marinha).[carece de fontes?] Esse governo durou de 25 de agosto até 7 de setembro de 1961. Os três tentaram impedir, sem sucesso, a posse de João Goulart, abrindo-se uma grave crise político-militar no país. A solução para o impasse foi a adesão ao parlamentarismo.

Junta Militar de 1964Editar

A segunda vez que o presidente da Câmara dos Deputados Ranieri Mazzilli assumiu a Presidência da República interinamente de forma marcante, foi em 2 de abril de 1964, por ocasião da cassação do mandato de João Goulart pelo congresso. O poder de fato passou a ser exercido por uma junta, autodenominada Comando Supremo da Revolução, composta por três de seus ministros: o general Artur da Costa e Silva (Exército), o vice-almirante Augusto Rademaker Grünewald (Marinha) e o tenente-brigadeiro Francisco de Assis Correia de Melo (aeronáutica). A junta foi responsável pela assinatura do Ato Institucional n.º 1. No dia 11 de abril de 1964 houve uma eleição indireta para presidente e no dia 15 de abril Ranieri Mazzilli entregou o cargo ao marechal Humberto de Alencar Castelo Branco.

Junta Militar de 1969Editar

Preocupada com a preservação do ideário e objetivos do movimento militar de 1964 a "linha-dura" do regime tomou em suas mãos as rédeas do processo político e já em 31 de agosto de 1969 tomou posse uma junta militar composta pelo general Aurélio de Lira Tavares (Ministro do Exército), pelo almirante Augusto Rademaker (Ministro da Marinha) e pelo brigadeiro Márcio de Sousa Melo (Ministro da Aeronáutica), impedindo assim que a sucessão se fizesse em favor do vice-presidente, Pedro Aleixo, como previa a constituição

Durante os trabalhos da constituinte de 1988, Ulysses Guimarães denominou os membros da junta militar de "os três patetas", no que foi respondido por Antônio Carlos Magalhães, para quem o deputado paulista deveria ter dito isso em 1969. Não houve tréplica.[1]

Ver tambémEditar

Referências

BibliografiaEditar

  • ALMANAQUE ABRIL 1986. 12ª edição. São Paulo, Abril, 1986.

Ligações externasEditar

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