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Maninha
Deputada federal pelo Distrito Federal
Período 1º de fevereiro de 2003
até 31 de janeiro de 2007
Deputada distrital pelo Distrito Federal
Período 1º de fevereiro de 1995
até 31 de janeiro de 2003
Dados pessoais
Nascimento 13 de setembro de 1948 (70 anos)
Januária, MG
Alma mater Universidade de Brasília
Cônjuge Antônio Carlos de Andrade
Partido PDT {Antes de 1982)
PT {1982-2005)
PSOL {Desde 2005)
Profissão médica

Maria José Conceição, mais conhecida por Maninha, (Januária, 13 de setembro de 1948) é uma médica e política brasileira com atuação no Distrito Federal.[1][2]

BiografiaEditar

Nasceu em Januária, Minas Gerais, Filha de José Martins Vieira e Edelzuite Araújo Conceição. Ingressou no curso de medicina da Universidade de Brasília (UnB) em 1967. No ano seguinte, entrou para o movimento estudantil que fazia oposição à Ditadura Civil-Militar. Em 1968, Quando ocorreu a morte do estudante Edson Luís no restaurante Calabouço da UFRJ, participou dos protestos e mobilizações estudantis na UnB. Esses protestos foram reprimidos pelos militares que invadiram a universidade e prenderam mais de quinhentos estudantes, além de provocar a morte de um deles. Maninha foi perseguida e se tornou prisioneira política da Ditadura Civil-Militar.

Formada em Medicina na Universidade de Brasília em 1974, ingressou no serviço público como funcionária da Secretaria de Saúde do Distrito Federal em 1977. Foi fundadora e Presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal por 12 anos e entrou para o atual Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em 1979. Após o bipartidarismo esteve no PDT e em 1982 tomou assento no PT, integrando o diretório distrital do partido durante vinte anos. Presente no congresso de fundação da Central Única dos Trabalhadores, participou da Associação Médica de Brasília e foi Secretária Geral da Federação Nacional dos Médicos.[1]

Ligada à esquerda do PT, fez parte da tendência petista Força Socialista. Nas eleições de outubro de 1994 elegeu-se deputada pelo PT. Foi relatora da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou a ocupação irregular de terras públicas no Distrito Federal, denominada CPI da Grilagem e também foi relatora da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Drogas no Distrito Federal. Integrou também como membro titular a Comissão de Constituição e Justiça. Afastou-se do mandato legislativo em 1996 para exercer, a convite do então governador Cristovam Buarque (1995-1998), a função de secretária de Saúde. Em sua gestão, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal criou o programa Saúde da Família, que mais tarde foi adotado por outros governos.[3]

Deixou secretaria em abril de 1998, a fim de atender às regras de desincompatibilização, e no pleito de outubro foi reeleita deputada distrital. Teve a segunda maior votação ente os deputados distritais, obtendo mais de 24 mil votos. Empossada em fevereiro de 1999, foi primeira-secretária da Câmara Distrital e participou como membro titular da Comissão de Economia, Orçamento e Finanças. Ainda em 1999 tornou-se diretora da União Nacional dos Legislativos Estaduais (Unale).

No pleito de outubro de 2002 foi eleita deputada federal pelo Distrito Federal na legenda do PT. Assumindo o mandato em fevereiro de 2003, participou como primeira-vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional. Foi também relatora da Comissão Especial da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e membro titular da comissão especial que analisou a proposta de emenda constitucional da reforma da previdência (PEC n°40).[4] Entre 2000 e 2004, Maninha também presidiu a Confederação Parlamentar das Américas, entidade que congrega parlamentares de todo o continente americano.

Em junho de 2003 manifestou-se contra a reforma da previdência, projeto de interesse do governo Luiz Inácio Lula da Silva[5] (2003-) e que o PT decidira apoiar. Essa oposição levou à sua destituição da comissão especial pelo líder do PT na Câmara dos Deputados, Nelson Pelegrino. Na votação da reforma, em agosto de 2003, absteve-se no primeiro turno e não compareceu à sessão do segundo turno porque se encontrava no Equador. Essa posição resultou em punições, tendo o palácio do Planalto demitido seu marido, Antônio Carlos de Andrade, do cargo de secretário-executivo da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), e a executiva nacional do PT suspendido suas atividades partidárias por 60 dias.

Em 2004 integrou a corrente petista Ação Popular Socialista (APS) com os deputados Ivan Valente e Edmilson Rodrigues, criada a partir da fusão das tendências de esquerda do PT. Em janeiro de 2005, tornou-se vice-líder do PT na Câmara dos Deputados. Em maio desse ano, quando foi divulgada uma fita de vídeo mostrando o ex-funcionário dos Correios Maurício Marinho negociando propina com empresários interessados em participar de uma licitação, manifestou-se a favor da criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar os casos de corrupção nos Correios, pedida pela oposição. Em agosto de 2005, deixou a vice-liderança do PT. Em setembro, devido aos resultados do primeiro turno da disputa pelos cargos da executiva nacional do PT, à derrota de Plínio de Arruda Sampaio, candidato à presidência do partido, e à decisão da APS de deixar o PT, desvinculou-se da agremiação e ingressou no Partido Socialismo e Liberdade PSOL.[2]

De março a junho de 2006 foi vice-líder do PSOL na Câmara dos Deputados, e a partir de agosto assumiu a liderança do partido. Nessa condição, entrou com uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a cassação do registro de candidatura do presidente Lula (PT), que concorria à reeleição, sob a acusação de abuso de poder econômico por usar recursos públicos em sua campanha. O pedido foi indeferido pelo TSE. Exerceu a liderança do partido até outubro, quando disputou a reeleição na legenda do PSOL. Não tendo sido reeleita, deixou a Câmara em janeiro de 2007, ao final da legislatura. Em sua nova legenda foi candidata a reeleição e tentou duas vezes voltar ao mandato de deputada distrital, mas não obteve sucesso em nenhuma das tentativas devido ao fato do PSOL do Distrito Federal não ter alcançado o Quociente Eleitoral em 2010 e em 2014.

Referências

  1. a b «Câmara dos Deputados do Brasil: deputada Maria José Conceição (Maninha)». Consultado em 15 de fevereiro de 2017 
  2. a b «Banco de dados do Tribunal Superior Eleitoral». Consultado em 15 de fevereiro de 2017 
  3. Brasil, CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação História Contemporânea do. «MANINHA | CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil». CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Consultado em 26 de janeiro de 2018 
  4. Brasil, CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação História Contemporânea do. «MANINHA | CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil». CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Consultado em 26 de janeiro de 2018 
  5. PT suspende oito que não votaram reforma (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 02/09/2013. País, p. A-2. Página visitada em 15 de fevereiro de 2017.