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Um treinamento com pesos pode ser realizado com um par de halteres.

O treinamento de força, conhecido popularmente como musculação é uma forma de exercício contra resistência, praticado normalmente em ginásios, para o treinamento e desenvolvimento dos músculos esqueléticos. Utiliza a força da gravidade (com barras, halteres, pilhas de peso ou o peso do próprio corpo) e a resistência gerada por equipamentos, elásticos e molas para opôr forças aos músculos que, por sua vez, devem gerar força oposta através de contrações musculares que podem ser concêntricas, excêntricas e isométricas.

Esta forma de treinamento físico é utilizada para fins atléticos (por meio da melhora no desempenho de atletas), estéticos (no desenvolvimento do volume muscular) e de saúde (auxiliando no tratamento de doenças musculares, ósseas, metabólicas, melhora na mobilidade, postura etc).

Esportes em que musculação é um componente vital incluem: fisiculturismo, halterofilismo, levantamento de peso básico, atletismo de força, highland games, lançamento de martelo, arremesso de peso, lançamento de disco e lançamento de dardo. Muitos outros esportes se valem de musculação como parte da sua rotina de treinamento, notávelmente: futebol americano, basebol, basquetebol, futebol, hockey, lacrosse, artes marciais mistas, remo, rugby, atletismo de pista e campo, boxe e luta.

HistóriaEditar

A história da musculação remonta ao começo da história escrita, quando a fascinação do homem com proezas físicas foi registrada em inúmeros textos antigos. Um texto chinês de 5.000 anos discorre sobre soldados em potencial submetidos a testes de levantamento de peso.[1] Competições de força já eram conduzidas na China durante o Período dos Estados Combatentes em 770 AEC.[2] Em muitas tribos pré-históricas havia uma tradição de teste de masculinidade que consistia em erguer uma pedra. O primeiro a erguer a pedra tinha seu nome inscrito na mesma. Essas pedras foram encontradas na Grécia e na Escócia e a competição de levantamento de pedras ainda existe em partes da Alemanha, Suíça, as montanhas de Montenegro e a região basca da Espanha. Em muitos destes eventos, o levantamento consecutivo dessas pedras é o que determina o vencedor. [3]

Existe evidência de levantamento de peso na Grécia antiga, onde Milon de Crotona é provavelmente o atleta mais antigo a ser reconhecido pelas suas proezas. Ele supostamente desenvolveu sua força através de uma rotina em que erguia um bezerro e o carregava nos ombros todos os dias desde o seu nascimento. Conforme o animal crescia, a sua força também crescia. O princípio usado por Milon de aumentar a carga progressivamente para desenvolver força e massa muscular foi verificado em tempos modernos como um meio efetivo de desenvolver força em pessoas de todas as idades. [4]

Após sucessivas derrotas do exército romano que seguiram às guerras púnicas e com o objetivo de treinar um exército para enfrentar Jugurta, Caio Mário passou a introduzir diversas reformas para transformar as legiões em uma força profissional. Como parte das reformas, Caio desenvolveu uma rigorosa rotina de exercícios para pôr os legionários em forma para as batalhas. Segundo o livro De Re Militari, novos legionários eram submetidos a extensas marchas com 25 quilos de equipamento e comida, ao fim das quais eles deviam erguer um campo fortificado com uma fossa.[5] Para treinamento com armas, os legionários usavam gládios e escudos falsos, feitos de madeira que pesava o dobro das suas contrapartes, para que os soldados se habituassem à fatiga e cansaço do campo de batalha.[6]

No século 2 EC, o médico e filósofo romano (de origem grega) Galeno compilou uma lista de exercícios com halteres gregos para o corpo inteiro. Este ensaio, De Sanitate Tuenda ("Da preservação da saúde") e outras obras por Galeno foram usados como guias de musculação até meados do século 19, quando as barras gradualmente passaram a ser mais populares que halteres e novos exercícios foram desenvolvidos.[7][8]

Os gregos deixaram um vasto legado de obras de arte que demostram o que era considerado um corpo ideal. As esculturas gregas arcaicas conhecidas como kouroi, por exemplo, evoluíram aos poucos conforme os artistas da época se tornavam mais focados na anatomia humana.[9] O corpo muscular das estátuas representava um "ideal" do ponto de vista grego e por isso os modelos mais populares da época eram atletas, muitos dos quais campeões dos jogos olímpicos.[10][11]

Essa cultura de esculturas anatomicamente ideais foi importada e preservada pelos romanos, porém, durante a idade média, a Europa entrou em um período caótico, ee os ensinamentos do cristianismo propagaram a crença de que a maior preocupação da vida de uma pessoa era preparar-se para o pós-vida. O corpo era visto como algo pecaminoso e pouco importante. Como a educação da época era amplamente responsabilidade da igreja, houve um declínio no cultivo da forma física.[12] Nesta época, apenas nobres e mercenários possuíam uma rotina de exercícios físicos para fins militares. Em meados de 1409, foi publicada a biografia do cavaleiro e marechal da França Jean le Maingre, também conhecido como Boucicaut; neste livro há uma descrição do treinamento que Boucicaut seguia para poder lutar na terceira cruzada. A rotina de Boucicaut incluía exercícios corriqueiros, tais como correr e pular, mas também incluía exercícios atípicos, executados com uma armadura completa, tais como escalar duas paredes próximas, agarrar um cavalo e manter-se em cima do animal, arremessar grandes pedras, socar o chão, fazer saltos mortais, entre outros. Desta forma, acreditava Boucicaut, o cavaleiro conseguia manter a força e vigor necessários para sobreviver a longos períodos de combate.[13][14][15]

Apenas durante a renascença italiana que o interesse no desenvolvimento estético foi revivido na Europa. A noção que o "homem é a medida de todas as coisas" é evidente no acervo artístico dos séculos 15 e 16, como por exemplo os trabalhos de Leonardo da Vinci sobre o corpo humano e a muscularidade das obras de Michelangelo. A mesma época viu um interesse renovado na ciência do corpo humano, e cientistas como Andreas Vesalius e William Harvey re-interpretaram as observações de Galeno. Mas a externalização deste renovado interesse na forma corporal em termos de exercício físico e musculação teve que esperar até o século 18 para continuar a se desenvolver.[16]

Em 1774, Johann Bernhard Basedow fundou a escola Philanthropinum em Dessau, na Alemanha. A instituição teve vida curta, mas uma influência forte na cultura do filantropismo. Como parte do currículo da escola, pela primeira vez foi incluída a disciplina de educação física, com ênfase em tais atividades como luta, corrida, hipismo, esgrima, saltos e dança. Esse currículo foi imitado em outras partes da Alemanha e do resto da Europa. Em meados de 1811, o pedagogo húgaro Friedrich Ludwig Jahn sistematizou a prática da ginástica e criou associações conhecidas como Burschenschaft, com o objetivo de promover suas idéias de educação física.[12][16] Os festivais de educação física atraíam até 30.000 entusiastas; a essência e os objetivos da ginástica e calistenia eram práticos e funcionais, não artísticos. Jahn defendia a prática de movimentos naturais como corrida, equilíbrio,pulos, escalads, e assim por diante.

Ciente do modelo alemão e das antigas tradições do atletismo, o sueco Pehr Henrik Ling desenvolveu princípios de desenvolvimento físico, enfatizando o desenvolvimento corporal com beleza muscular. Em contraste ao sistema alemão, esse sistema sueco focava em calistenia, respiração, alongamentos e massagens. Na mesma época, o espanhol Francisco Amoros fundou colégios militares com foco em ginástica em Madri e em Paris e se transformou no inaugurador da eeducação física na França e na Espanha. Em 1847, o pioneiro francês de fisiculturismo e strongman Hippolyte Triat fundou um enorme ginásio em Paris, orientado à alta sociedade da época e muitos jovens entusiásticos freqüentaram o local com o objetivo de melhorar suas condições físicas.[12]

Na Escócia, os Highland Games começaram na década de 1830, e incluíam desafios físicos tradicionais distintos da cultura escocesa tais como lançamento de tronco, lançamento de martelo, arremesso de peso com predras, além dos tradicionais eventos de corrida, luta e salto.[12]

Mas a musculação moderna tem suas origens na figura do strongman, que é um termo usado ao fim do século XIX para referir-se a homens que faziam exibição de força. Muitos strongmen demonstravam sua força em circos e teatros através de exercícios como o "bent press" (não confundir com "bench press", inglês para "supino"), que consistia em inclinar o tronco para um lado e erguer um peso acima da cabeça.[17]

Os strongmen, ao fim do século XIX, freqüentemente trabalhavam juntos em turnê e faziam "desafios" entre si para verificar quem conseguia erguer mais peso. Entre práticas de treinamento era comum puxar carros, erguer animais e erguer pedras. Eventos de demonstração de força eram normalmente exagerados e os desafios não seguiam padrões ou regras rígidas. Cada artista desejava o título de "homem mais forte do mundo", e como ninguém queria ser o "segundo homem mais forte do mundo", compromissos eram acordados entre os participantes para impressionar a audiência.[18]

Esse tipo de evento de força inspirou a criação de competições autênticas, com o propósito de padronizar os métodos usados para medir a força dos participantes de maneira justa. O primeiro campeoanto de força ocorreu no teatro Royal Albert Hall, em Londres, com a ajuda do strongman Charles Sampson, conhecido por seu trabalho com outros strongmen como Frank ("Cyclops") Bienkowski e Henry ("Hercules") McCann.[19][16]

Levantamento de peso foi introduzido nas olimpíadas modernas de 1896 em Atenas na modalidade de atletismo de pista e campo, e foi oficialmente reconhecido como modalidade própria em 1914.[1]

Ver tambémEditar

ReferênciasEditar

  1. a b «History of Weightlifting». web.archive.org. 7 de dezembro de 2014. Consultado em 10 de junho de 2019 
  2. «Weightlifting». web.archive.org. 1 de dezembro de 2008. Consultado em 10 de junho de 2019 
  3. «Weightlifting | sport». Encyclopedia Britannica (em inglês). Consultado em 10 de junho de 2019 
  4. «Weight training». Encyclopedia Britannica (em inglês). Consultado em 10 de junho de 2019 
  5. Senex, Perseus Americanus (1 de setembro de 2017). «Old School Strength (I) – The Roman Origins». The Older Avocado (em inglês). Consultado em 11 de junho de 2019 
  6. Cowan, Ross. (2003). Roman legionary : 58 BC - AD 69. Oxford: Osprey. ISBN 1841766003. OCLC 52661320 
  7. Todd, Jan (1995). «From Milo to Milo: A History of Barbells, Dumbells, and Indian Clubs». Iron Game History: The Journal of Physical Culture. 3 (6). Consultado em 10 de junho de 2019 
  8. Hatfield, Fred C. (2014). Complete Guide to Dumbbell Training : a Scientific Approach. Cork: BookBaby. ISBN 9781483539614. OCLC 896794640 
  9. «Greek Sculpture: History, Timeline, Characteristics». www.visual-arts-cork.com. Consultado em 11 de junho de 2019 
  10. Kunitz, Daniel,. Lift : fitness culture, from naked Greeks and acrobats to Jazzercise and ninja warriors First Harper Wave paperback edition ed. New York: [s.n.] ISBN 0062336193. OCLC 972436791 
  11. «The Greek Hero at the Gym | Aspen CrossFit» (em inglês). Consultado em 11 de junho de 2019 
  12. a b c d Le Corre, Erwan (24 de setembro de 2014). «Physical Fitness: Its History, Evolution, and Future». The Art of Manliness (em inglês). Consultado em 11 de junho de 2019 
  13. «10 Workout Tips From a 14th Century Knight». mentalfloss.com (em inglês). 24 de fevereiro de 2017. Consultado em 11 de junho de 2019 
  14. «Our Training». Medieval Armoured Combat Ireland (em inglês). 2 de setembro de 2016. Consultado em 11 de junho de 2019 
  15. Froissart, Jean, 1338?-1410? (1837). [Les chroniques de sire J.F. ... nouvellement revues ... avec notes ... et glossaire par J.A.C. Buchon.]. [S.l.: s.n.] OCLC 560884477 
  16. a b c «Physical culture». Encyclopedia Britannica (em inglês). Consultado em 13 de junho de 2019 
  17. «A History Lesson In Bodybuilding». Bodybuilding.com (em inglês). 21 de março de 2005. Consultado em 17 de junho de 2019 
  18. «The History of Weight Sports: How They Evolved Since 1900». Breaking Muscle (em inglês). Consultado em 17 de junho de 2019 
  19. «Eugen Sandow | German athlete». Encyclopedia Britannica (em inglês). Consultado em 17 de junho de 2019