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Operação Dínamo
Batalha de Dunquerque - Frente Ocidental
Segunda Guerra Mundial
DunkerqueRetirada2war.jpg
Ondas de evacuação das tropas aliadas
Data 26 de Maio a 4 de Junho de 1940.
Local Dunquerque, França e Canal da Mancha
Desfecho Evacuação das tropas aliadas bem sucedida
  • 338 226 soldados evacuados
  • 68 000 soldados mortos, feridos ou capturados
Beligerantes
 Reino Unido
Canadian Red Ensign (1921–1957).svg Canadá
França França
 Bélgica
 Países Baixos
 Polónia
Eixo:
Flag of Germany (1935–1945).svg Alemanha
Comandantes
Reino Unido Lord Gort
França Maxime Weygand
Flag of Germany (1935–1945).svg Gerd von Rundstedt
Flag of Germany (1935–1945).svg Ewald von Kleist
   
Retirada das tropas britânicas. Dunquerque, 1940.

Operação Dínamo refere-se à evacuação de Dunquerque ou retirada de Dunquerque, também conhecida como milagre de Dunquerque, uma notável operação militar realizada durante a Segunda Guerra Mundial e considerada uma das maiores retiradas estratégicas da história militar.[1] Quase trezentos e quarenta mil soldados aliados foram evacuados sob intenso bombardeio, entre 26 de maio e 4 de junho, da cidade francesa de Dunquerque até a cidade inglesa de Dover. A operação Dinamo se deu no contexto da invasão da França pela forças alemãs, em 10 de Maio de 1940, sem uma efetiva resistência aliada.[2][3]

Comandada pelo vice-almirante Bertram Ramsay, a intenção inicial era evacuar cerca de 45 mil homens da Força Expedicionária Britânica em dois dias, mas, em breve, o objetivo foi alterado para resgatar 120 mil homens em cinco dias.

Os exércitos britânico, francês e belga, distribuídos ao longo de uma frente de 250 Km, curvados para dentro do Canal da Mancha, estavam cercados pelos alemães. As tropas exaustas, empurradas constantemente para trás pelo Panzers alemães, apertavam nervosamente os fuzis e esperavam em silencioso terror. A retirada era inevitável. De fato, na manhã de 26 de Maio de 1940, Anthony Eden, Ministro da Guerra, havia autorizado um recuo geral para a costa, mas o General John Vereker, 6º Visconde de Gort, o franco e vigoroso Comandante-chefe da Força Expedicionária Britânica, na França, tinha suas dúvidas.

A perspectiva da derrota viera com surpreendente e terrível rapidez. Durante oito meses, muitos dos 390.000 homens do exército de Lord Gort tinham desfrutado de uma boa vida. Iludidos de que a Linha Maginot, com seus 400 Km para o sul, era inexpugnável, haviam construído 400 casamatas de concreto armado, cavado trincheiras e fossos antitanques nos moldes semelhantes àqueles da Primeira Guerra Mundial, à espera dos alemães. Subitamente, em 10 de Maio, dez divisões blindadas alemãs e 117 divisões de infantaria irromperam pela neutra Holanda, esmagando suas defesas, sucedendo-se o mesmo com a Bélgica e com o Luxemburgo, também neutros. Pouco depois sete divisões rompiam as linhas do exército francês em Sedan, atravessando facilmente as florestas e as colinas das Ardenas.

Tropas britânicas foram em socorro, atravessando a Bélgica, na expectativa de realização de grandes feitos, porém a campanha se revelou um pesadelo e a posição aliada se tornou insustentável.

A partir da ordem de Sir Eden, originou-se um deslocamento de tropas sem precedentes até então. Milhares de soldados, sob fogo cerrado das divisões alemães, deslocaram-se ao longo dessa linha em direção ao mar. A retirada de um número tão grande de soldados e equipamentos era, por si só, uma tarefa monumental; sob ataque pesado do inimigo, então, era algo que se mostrava surreal. Acompanhando a esta movimentação estava a temível Luftwaffe em todo seu esplendor, que praticamente sem resistência no ar, bombardeava sem pudor nenhum as tropas em retirada.

Índice

O erroEditar

 Ver artigo principal: Pequenos navios de Dunquerque
 
Cenas do resgate

A retirada só foi efetivada devido a um erro estratégico, cuja motivação é desconhecida, sendo até hoje um mistério para os historiadores da Segunda Guerra Mundial. Uma das teses que pairam sobre isso é que Hermann Göring havia garantido a Hitler que a Luftwaffe sozinha faria os britânicos se renderem, o que não aconteceu. Outra tese seria de que Adolf Hitler queria mais uma vez tentar um acordo de paz com os ingleses, e por isso ordenou o cessar fogo.

A evacuação, mesmo de uma pequena parte da Força Expedicionária Britânica, constituiria um acontecimento surpreendente, pois Dunquerque só se manteve graças a uma inexplicável reviravolta na estratégia alemã. Em 23 de maio, quando os tanques alemães já se encontravam a 20 Km de Dunquerque, o então General Gerd von Rundstedt, baixou uma ordem: "Deter-se na linha do Canal A e instalar-se".

Ao contrário dos audazes comandantes das divisões Panzers, como Rommel, o prudente Rundstedt, de 65 anos, não aceitava o novo uso tático de tanques. Mais uma vez durante a Campanha das Ardenas, ele havia ordenado várias paradas, com receio de que as divisões blindadas se distanciassem muito das tropas de infantaria, que viriam logo atrás, para apoio e consolidação do terreno. Somado a isto, seu entendimento era de que a planície pantanosa do Flandres não era propícia ao emprego de blindados, os Panzers poderiam atolar e prejudicar o plano original, que era agir no coração da França.

Em 28 de maio, além das embarcações privadas requisitadas para ajudar na operação, foram chamados mais dez contratorpedeiros que tentaram naquela manhã uma nova operação de resgate. Vários milhares acabaram por ser resgatados, embora os contratorpedeiros não tenham podido se aproximar o necessário da praia. Outras operações de resgate, no resto do dia 28, tiveram mais sucesso, tendo resgatado mais 16 mil homens, mas as operações aéreas alemãs aumentaram, e várias embarcações foram afundadas ou bastante danificadas, incluindo nove contratorpedeiros. Durante a Operação Dínamo, a RAF perdeu 177 aviões e a Luftwaffe 132, sobre Dunquerque.

Em 29 de maio, a Divisão Panzer alemã, que se aproximava, parou em Dunquerque, deixando assim o resto da batalha para a infantaria e força aérea. Na tarde do dia 30, um outro grande grupo de embarcações menores conseguiu resgatar 30 mil homens. No dia 31 de maio, as forças aliadas estavam comprimidas num espaço de 5 km desde De Panne, Bray-Dunes até Dunquerque; nesse dia mais de 68 mil soldados foram evacuados, e, durante a noite, outros 10 mil. Em 1 de junho, mais 65 mil foram resgatados. As operações continuaram até 4 de junho.

Um total de cinco nações fizeram parte da retirada de Dunquerque: Reino Unido, França, Bélgica, Países Baixos e Polónia.

Data Tropas evacuadas das praias Tropas evacuadas do Porto de Dunquerque Total
27 de maio - 7.669 7.669
28 de maio 5.930 11.874 17.804
29 de maio 13.752 33.558 47.310
30 de maio 29.512 24.311 53.823
31 de maio 22.942 45.072 68.014
1º de junho 17.348 47.081 64.429
2 de junho 6.695 19.561 26.256
3 de junho 1.870 24.876 26.746
4 de junho 622 25.553 26.175
Totais 98.780 239.446 338.226

PerdasEditar

 
Soldado francês ferido é levado para terra, em Dover, após a evacuação de Dunquerque.

A Força Expedicionária Britânica (BEF) perdeu 68 000 soldados (mortos, feridos, desaparecidos ou capturados), entre 10 de maio e o Armistício de Compiègne (estabelecido entre a Alemanha e a França, em 22 de junho de 1940). [4] 3.500 britânicos morreram [5] e 13.053 foram feridos. [6] Todo o equipamento pesado teve que ser abandonado. Na França, ficaram para trás 2 472 canhões, 20 mil motocicletas e quase 65 mil outros veículos; também foram abandonadas 377 000 toneladas de suprimentos, mais de 68.000 t de munição e 147 000 t de combustível. [7] Quase todos os 445 tanques britânicos enviados para a França com a BEF foram abandonados. [8]

As perdas materiais mais importantes da Royal Navy, durante a operação, foram seis navios de guerra:

A Marinha Francesa perdeu três navios de guerra:

Referências

  1. TOMANIK, Geny Brillas. Memórias, deslocamentos, lutas e experiências de um exilado espanhol: Pedro Brillas (1919-2006). São Paulo: PUC-SP, 2017, p. 249
  2. 1940: Dunkirk rescue is over – Churchill defiant. BBC, 2008. Página acessada em 25 de julho de 2010.
  3. Longden 2009, p. 1.
  4. Lemay 2010, p. 151.
  5. French 2002, p. 156.
  6. Blaxland 1973, p. 346.
  7. Longden 2009, p. 11.
  8. Thompson 2011, p. 300.

BibliografiaEditar

  • Blaxland, Gregory (1973). Destination Dunkirk: The story of Gort's Army. London: William Kimber. ISBN 978-0-7183-0203-0
  • French, David (2002) [2000]. Raising Churchill's Army: The British Army and the War against Germany 1919–1945. New York: Oxford University Press. ISBN 978-0-19-154253-4 
  • Lemay, Benoît (2010). Erich von Manstein: Hitler's Master Strategist. Havertown, PA; Newbury, Berkshire: Casemate. ISBN 978-1-935149-26-2 
  • Longden, Sean (2009). Dunkirk: The Men They Left Behind. London: Constable and Robinson. ISBN 978-1-84529-977-4 
  • Thompson, Julian (2011). Dunkirk: Retreat to Victory. New York: Arcade. ISBN 978-1-61145-314-0 

Ver tambémEditar