Pedrinho Matador

assassino em série brasileiro

Pedro Rodrigues Filho, mais conhecido como Pedrinho Matador (Santa Rita do Sapucaí, 29 de outubro de 1954), é um assassino em série brasileiro.

Pedro Rodrigues Filho
Nome Pedro Rodrigues Filho
Data de nascimento 29 de outubro de 1954 (67 anos)
Local de nascimento Santa Rita do Sapucaí, Minas Gerais, Brasil
Nacionalidade(s) Brasileiro
Apelido(s) Pedrinho Matador
Pedrinho Ex Matador
Crime(s) homicídios, motim, cárcere privado.
Pena 128 anos
Situação Libertado em 2007, retornou a prisão em 2011. Cumpriu pena até 2018. Atualmente está em liberdade morando com parentes.
Assassinatos
Vítimas +100
Feridos +16

É considerado o maior assassino em série do Brasil, tendo oficialmente sido condenado a mais de 400 anos de prisão por matar 71[1] pessoas. No entanto, ele alega ter matado mais de 100. "Ele gosta de reforçar sua fama contando outras histórias, muitas das quais não se sabe ao certo se aconteceram ou não", escreveu a Época.[2]

Pedrinho está em liberdade desde 2018, após ficar preso por 42 anos.

“O crime não é brincadeira. Muitos estão entrando por verem os galhos, fama e dinheiro, não a raiz, prisão e morte. É como o diabo: dá com uma mão e tira com a outra. Tem muitos jovens que entram e, quando querem sair, já é tarde demais”, disse à Folha de S.Paulo em 2018.[3]

BiografiaEditar

Pedro nasceu numa fazenda em Santa Rita do Sapucaí, no sul de Minas Gerais, com o crânio ferido, resultado de chutes que o pai, Pedro Rodrigues, desferiu na barriga da mãe durante uma briga.[2][4]

Tem treze irmãos: dez mulheres e três homens.

Os crimesEditar

Rodrigues Filho cresceu em Mogi das Cruzes. Aos nove anos fugiu de casa e chegou a viver por um tempo com seus padrinhos em Santa Rita do Sapucaí, quando fugiu outra vez para São Paulo. Na capital paulista passou a cometer roubos no Centro e na Zona Leste da cidade. Quando completou onze anos, assassinou o traficante de Itaquera Jorge Galvão, o irmão e o cunhado deste.[5]

Antes mesmo de completar 18 anos, Pedrinho matou diversas pessoas. Segundo a revista época, ele

"conta que teve vontade de matar pela primeira vez aos 13 anos. Numa briga com um primo mais velho, empurrou o rapaz para uma prensa de moer cana. Ele não morreu por pouco".[2]

Com 14 anos de idade, matou o vice-prefeito de Alfenas, Minas Gerais, com uma espingarda que pertencia ao seu avô, em frente à prefeitura da cidade, por ter demitido seu pai, um guarda escolar, na época acusado de roubar merenda. Depois matou um vigia, que supunha ser o verdadeiro ladrão.

Após os crimes em Alfenas, Pedrinho fugiu para Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, onde começou a roubar bocas-de-fumo e matar traficantes. Conheceu a viúva de um líder do tráfico, apelidada de Botinha, e foram viver juntos. Assumiu as tarefas do falecido e logo foi "obrigado" a eliminar alguns rivais, matando três deles. Morou em Mogi até Botinha ser executada pela polícia. Pedrinho escapou dos policiais, mas não deixou a venda de drogas e acabou montando o próprio negócio.[4]

Envolveu-se depois com Maria Aparecida Olímpia, que chegou a engravidar, mas perdeu o bebê, por quem se dizia apaixonado. Ele a encontrou morta a tiros, tendo depois torturado e matado várias pessoas para saber quem havia cometido o crime. Quando soube de quem se tratava, um traficante rival, invadiu uma festa de casamento com quatro amigos e matou, além do assassino de Maria, outras seis pessoas, além de deixar 16 feridas. Na época, ele ainda não havia chegado à maioridade.[2]

Pedrinho foi preso em 1973, com apenas 18 anos, após ser condenado a 128 anos de prisão. Acredita-se que ele tenha assassinado 48 pessoas na prisão, incluindo o pai. "Já matou na rua, no refeitório, na cela, no pátio e até no 'bonde' - o camburão, na linguagem dos bandidos", escreveu a revista Época.[2]

Eram "pessoas que não prestavam”, disse referindo-se a estupradores e traidores. Numa prisão de Araraquara degolou com uma faca sem fio o homem acusado do assassinato de sua irmã. “Era meu amigo, mas eu tive de matar”, disse.[4]Em seu braço esquerdo, traz tatuada a frase "mato por prazer".[2]

Homicídio do paiEditar

Pedrinho executou o próprio pai na cadeia onde ambos cumpriam pena depois de ficar sabendo que este havia matado sua mãe com 21 golpes de facão. Tinha 20 anos na época. "Ele deu 21 facadas na minha mãe, então dei 22", disse numa entrevista para o jornalista Marcelo Rezende para um programa da Record. "O povo diz que comi o coração dele. Não, eu simplesmente cortei, porque era uma vingança, não é? Cortei e joguei fora. Tirei um pedaço, mastiguei e joguei fora", explicou ainda. (nota: ver o vídeo em Ligações Externas no final do artigo)

Ele também explicou durante a entrevista que tinha um revólver preso à cintura, mas que usou a peixeira. Perguntado por Marcelo como havia conseguido o revólver, disse que havia prendido um policial numa cela e lhe tirado a arma.

Modus operandiEditar

Costumava usar uma faca, mas à revista Época disse que matou cerca de 10 pessoas quebrando-lhes o pescoço.[2][4]

Motivação e perfil psicológicoEditar

A especialista brasileira em criminologia Ilana Casoy afirmou, segundo a Folha de S.Paulo, que Pedrinho não é um justiceiro, mas um vingador, por matar aqueles que ele considera como o que há de pior na sociedade. Ela também disse que ele “acaba exercendo fascínio nas pessoas. É reflexo de uma sociedade que a gente tem, de um país onde só 10% dos homicídios são resolvidos. Traz essa visão distorcida. O problema é que as vítimas de Pedrinho não tiveram direito a um advogado, como ele teve”.[3]

Os psiquiatras Antonio José Elias Andraus e Norberto Zoner Jr., que o avaliaram em 1982 para um laudo pericial, escreveram que a maior motivação de sua vida era "a afirmação violenta do próprio eu" e o diagnosticaram com "caráter paranóide e anti-socialidade".[2]

PrisãoEditar

 
Pedrinho Matador na prisão, em 1991

Primeira prisãoEditar

Pedrinho foi preso definitivamente em 24 de maio de 1973 e viveu na prisão por boa parte de sua vida adulta. Enquanto estava sendo transferido para o presídio, assassinou seu companheiro de viagem. Ambos estavam algemados, mas isso não o impediu de matá-lo a sangue frio, alegando que o outro detento seria estuprador.[carece de fontes?]

Durante sua passagem pela Penitenciária de Araraquara foi acusado pelo juiz corregedor de ser um dos fundadores da suposta organização criminosa "Serpentes Negras".[6] Após uma rebelião realizada em 1985, quando Rodrigues Filho participou da morte de quatro detentos[7], Rodrigues Filho foi transferido para a Casa de Custódia de Taubaté, considerado o mais seguro do estado. Em 1986, uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo o apresentou como autor de quarenta homicídios até aquele momento.[5] No ano seguinte, durante uma briga na Casa de Custódia, Rodrigues Filho quase assassinou Hosmany Ramos.[8]

Em 2003, apesar de já estar condenado a 126 anos de prisão, esteve para ser solto, porque a lei brasileira proíbe que alguém passe mais de 30 anos preso, disposto no artigo 75 do Código Penal de 1940 (em 2019, o artigo passou por mudanças com o pacote anticrime, sendo elevado até 40 anos).[9] No entanto, por causa dos crimes cometidos dentro dos presídios, que aumentaram sua pena para quase 400 anos, sua permanência na prisão foi prorrogada pela Justiça até 2007.

Segunda prisãoEditar

Depois de ser solto em 2007, Pedrinho voltou a ser preso em 2011 pelos crimes de motim e cárcere privado, cometidos quando ainda estava detido em São Paulo.

LiberdadeEditar

Primeira liberdadeEditar

Após permanecer 34 anos na prisão, foi solto no dia 24 de abril de 2007. Informações da inteligência da Força Nacional de Segurança indicavam que ele havia se mudado para o Nordeste, mais precisamente para Fortaleza no Ceará.

No dia 15 de setembro de 2011, a imprensa de Santa Catarina publicou que Pedrinho Matador havia sido preso numa casa na zona rural de Camboriú, onde trabalhava como caseiro. Segundo o telejornal RBS Notícias, ele teria que cumprir pena de 8 anos pelos crimes de motim e cárcere privado, cometidos quando estava detido em São Paulo.[4]

Segunda liberdadeEditar

Pedrinho voltou a ser solto em 2018, tendo se convertido ao cristianismo e se dizendo "arrependido". Tinha então 64 anos de idade e havia ficado 42 anos preso. Na época também, ele criou um canal no YouTube e acompanha a gravação de um documentário sobre sua vida. Andréia dos Santos, atriz e assistente de produção, chegou a descrevê-lo como "uma criança querendo voltar a viver”.[3] Depois da sua soltura em 2018 e conseguir ser ressocializado, passou a ser chamado de Pedrinho Ex-Matador.

Referências

  1. «Maníaco do Parque, Pedrinho, Luz Vermelha: relembre assassinos cruéis». noticias.uol.com.br. 22 de junho de 2021. Consultado em 2 de fevereiro de 2022 
  2. a b c d e f g h «Época - EDG ARTIGO IMPRIMIR - O monstro do sistema». revistaepoca.globo.com. 2003. Consultado em 24 de maio de 2020 
  3. a b c «Maior serial killer do Brasil vira comentarista de crimes e faz sucesso no YouTube». Folha de S.Paulo. 10 de dezembro de 2018. Consultado em 24 de maio de 2020 
  4. a b c d e «Polícia de Santa Catarina prende "Pedrinho Matador", ele confessa ter matado mais de 100 pessoas». ND+. 15 de setembro de 2011 
  5. a b O Estado de S. Paulo (3 de setembro de 1986). «Pedro, 26 anos de crime, 40 mortes». Diário de Natal, ano XLVII, edição 165B, página 12/republicado pela Biblioteca Nacional-Hemeroteca Digital Brasileira. Consultado em 21 de agosto de 2022 
  6. «Governo ainda ignora "Serpentes Negras"». O Estado de S. Paulo, ano 105, edição 33529, página 14. 23 de junho de 1984 
  7. «Em Araraquara, 4 presos mortos». O Estado de S. Paulo, ano 106, edição 33767, página 14. 2 de abril de 1985. Consultado em 21 de agosto de 2022 
  8. Julio Saraiva (3 de outubro de 1987). «Hosmany Ramos: memórias do cárcere». Manchete, ano 35, edição 1850, página 83/republicado pela Biblioteca Nacional-Hemeroteca Digital Brasileira. Consultado em 21 de agosto de 2022 
  9. Barbosa, Adriano (28 de Fevereiro de 2020). «Modificações no Código Penal pelo "Pacote Anticrime" através da Lei 13.964/2019». Consultado em 29 de junho de 2021 

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar