Primeira Guerra Púnica

A Primeira Guerra Púnica foi a primeira de três guerras travadas entre Roma e Cartago, as duas principais potências do Mediterrâneo Ocidental no início do século III a.C.. As duas lutaram por supremacia por 23 anos, o mais longo conflito contínuo e a maior guerra naval da Antiguidade. A guerra foi travada principalmente na Sicília e nas águas em torno, mas também no Norte da África. Os cartagineses foram derrotados depois de perdas imensas em ambos os lados.

Primeira Guerra Púnica
Parte das Guerras Púnicas
First Punic War 264 BC v3.png
O Mediterrâneo Ocidental pouco antes do início da guerra em 264 a.C.. Roma está em vermelho, Cartago em cinza e Siracusa em verde
Data 264 a.C. até 241 a.C.
Local Mar Mediterrâneo, Sicília, Norte da África, Itália, Córsega e Sardenha
Desfecho Vitória romana
Mudanças territoriais Roma anexa a Sicília, exceto Siracusa
Beligerantes
Roma Cartago

A guerra começou em 264 a.C. com os romanos conquistando uma posição segura na Sicília em Messana. Eles então pressionaram Siracusa, a única potência independente significativa na ilha, a entrarem em aliança com o objetivo de cercar a principal base cartaginesa em Acragas. Um grande exército cartaginês tentou quebrar o cerco em 262 a.C., porém foi completamente derrotado na resultante Batalha de Acragas. Os romanos em seguida construíram uma marinha a fim de desafiar os cartagineses, empregando táticas inovadoras que infligiram várias derrotas. Uma base cartaginese na Córsega foi tomada, mas um ataque contra a Sardenha foi rechaçado. Os romanos aproveitaram-se de suas vitórias navais e lançaram uma invasão do Norte da África, mas foram interceptados. Os cartagineses acabaram derrotados novamente na Batalha do Cabo Ecnomo. A invasão inicialmente seguiu bem para os romanos e os cartagineses pediram por paz em 255 a.C., porém os termos propostos eram muito severos e consequentemente a luta continuou, com os invasores sendo derrotados. A tentativa cartaginesa de impedir a evacuação romana terminou em uma grande derrota, porém a frota romana acabou devastada em uma tempestade durante a viagem de volta para casa.

A guerra continuou, mas nenhum lado conseguiu conquistar uma vantagem decisiva. Os cartagineses atacaram e recapturaram Acragas em 255 a.C., porém a abandonaram por acharem que não seriam capazes de mantê-la. Os romanos rapidamente reconstruíram sua marinha e capturaram Panormo em 254 a.C.. No ano seguinte perderam mais de cem navios em uma tempestade. Os cartagineses tentaram recapturar Panormo em 251 a.C., porém foram derrotados no ataque. Os romanos lentamente capturaram a maior parte da Sicília e em 249 a.C. cercaram as duas últimas bases cartaginesas no oeste. Também lançaram um ataque contra a marinha cartaginês, mas foram derrotados na Batalha de Drépano. Os cartagineses continuaram na ofensiva e afundaram a maioria dos navios romanos na Batalha de Fíntia. Seguiram-se vários anos de impasse, com os romanos reconstruindo sua frota em 243 a.C. e bloqueando guarnições romanas. Cartago reuniu uma frota e tentou quebrar o bloqueio, mas foram derrotados na Batalha das Ilhas Égadas em 241 a.C., forçando-os a pedir por paz.

Os dois lados assinaram um tratado, pelos termos do qual Cartago pagou grandes reparações de guerra e a Sicília foi anexada como uma província romana. Roma depois disso tornou-se a principal potência militar no Mediterrâneo Ocidental e cada vez mais do Mediterrâneo como um todo. O enorme esforço para construir mais de mil navios durante a guerra criou as fundações para o domínio marítimo romano pelos seiscentos anos seguintes. O fim da guerra fez estourar uma revolta fracassada dentro da própria Cartago. A competição estratégica entre as duas potências permaneceu sem resolução, o que levou ao início da Segunda Guerra Púnica em 218 a.C..

Fontes primáriasEditar

 
Estela de Políbio, historiador grego

O termo púnico vem da palavra em latim punicus (também grafada como poenicus), que significa "cartaginês" e é uma referência à ancestralidade fenícia dos cartagineses.[1] A principal fonte para quase todos os aspectos da Primeira Guerra Púnica é o historiador Políbio, um grego enviado a Roma em 167 a.C. como refém.[2][3] Seus trabalhos incluem um agora quase perdido manual sobre táticas militares,[4] mas é mais conhecido por Histórias, escrito em algum momento após 146 a.C. ou aproximadamente um século depois do fim da guerra.[2][5] O trabalho de Políbio é considerado pelos historiadores modernos como sendo amplamente objetivo e em sua maior parte neutro entre os pontos de vista romano e cartaginês.[6][7]

Registros escritos cartagineses foram destruídos junto com sua capital em 146 a.C., assim o relato de Políbio é baseado em várias fontes gregas e latinas agora perdidas.[8] Políbio era um historiador analítico e sempre que possível entrevistou participantes dos eventos que escreveu a respeito.[9][10] Apenas o primeiro livro dos quarenta que compõem Histórias lida com a Primeira Guerra Púnica.[11] A precisão do relato de Políbio já foi muito debatida nos últimos 150 anos, mas o consenso moderno é aceitá-lo como está escrito na maior parte das vezes, com os detalhes da guerra em fontes modernas sendo quase que completamente baseados em interpretações do relato de Políbio.[11][12][13] O historiador moderno Andrew Curry considera que "Políbio acaba sendo bem confiável",[14] enquanto Dexter Hoyos o descreve como "um historiador notavelmente bem informado, trabalhador e perspicaz".[15] Existem outras histórias posteriores sobre a guerra, porém são fragmentárias ou resumidas.[3][16] Historiadores modernos geralmente levam em conta escritos fragmentários de vários analistas romanos, especialmente Lívio (que se baseou em Políbio), o greco-siciliano Diodoro Sículo e os escritores gregos posteriores Apiano e Cássio Dio.[17] O classicista Adrian Goldsworthy afirmou que o "relato de Políbio deve ser geralmente preferido quando difere de qualquer outro de nossos relatos".[10] Outras fontes incluem inscritos, evidências arqueológicas e evidências empíricas de reconstruções.[18]

Dezenove rostros de bronze já foram encontrados por arqueólogos no mar próximos do litoral da Sicília desde 2010, uma mistura de romanos e cartagineses. Dez capacetes de bronze e centenas de ânforas também foram encontradas.[19][20][21][22] Já foram recuperados os rostros, sete dos capacetes e seis ânforas intactas, mais um grande número de fragmentos.[23] Acredita-se que os rostros estavam ligados a navios de guerra afundados quando foram depositados no fundo do mar.[24] Os arqueólogos afirmaram que a localização dos artefatos apoia o relato de Políbio sobre onde ocorreu a Batalha das Ilhas Égadas.[25] Os arqueólogos que encontraram os rostros, baseados em suas dimensões, acreditam que todos vieram de trirremes, contrariando o relato de Políbio de que todos os navios envolvidos eram quinquerremes.[22][26] Entretanto, eles acreditam que muitas das ânforas identificadas confirmam a precisão de outros aspectos dos relatos de Políbio: "É a procurada convergência dos registros arqueológicos e históricos".[27]

AntecedentesEditar

 
Vista aérea dos restos da base naval da cidade de Cartago. Os restos do porto mercante estão no centro e o da base militar no canto inferior direito.

A República Romana estava expandindo-se agressivamente no sul da península Itálica no século que precedeu à Primeira Guerra Púnica.[28] Ela já tinha conquistado toda a península ao sul do rio Arno até 272 a.C. quando cidades gregas na Magna Grécia se renderam ao final da Guerra Pírrica.[29] Durante esse período, Cartago tinha dominado o sul da península Ibérica, boa parte das regiões litorâneas no Norte da África, Ilhas Baleares, Córsega, Sardenha e a metade ocidental da Sicília, sendo um império militar e comercial.[30] Cartago lutou a partir de 240 a.C. uma série de guerras inconclusivas contra as cidades-Estado gregas da Sicília, estas lideradas por Siracusa.[31] Cartago e Roma eram por volta de 264 a.C. as maiores potências do Mediterrâneo Ocidental.[32] Os dois já tinham confirmado sua amizade mútua várias vezes: em 509, 348 e por volta de 279 a.C.. As relações eram boas e tinham uma forte ligação comercial. Cartago, durante a Guerra Pírrica, contra Epiro que já tinha lutado contra os dois estados, proporcionou materiais militares aos romanos e em pelo menos uma ocasião usou sua marinha para transportar uma força romana.[33][34]

Um grupo de mercenários itálicos conhecidos como mamertinos, anteriormente contratados por Siracusa, ocupou a cidade de Messana, no nordeste da Sicilia, em 289 a.C..[35] Eles foram pressionados por Siracusa e recorreram em 265 a.C. a Roma e Cartago por ajuda. Os cartagineses agiram primeiro, pressionando o tirano Hierão II de Siracusa para não tomar mais ações e convencendo os mamertinos a aceitarem uma guarnição cartaginesa.[36] Segundo Políbio, um considerável debate ocorreu então em Roma sobre se deveriam aceitar o pedido de ajuda. Como os cartagineses já tinham colocado uma guarnição em Messana, o envio de forças romanas poderia facilmente levar a uma guerra. Roma até então não tinha demonstrado interesse na Sicília e não queria prestar auxílio a um grupo de soldados que tinham tomado injustamente uma cidade de seus donos. Entretanto, muitos enxergaram as vantagens estratégicas e financeiras de conquistar uma base na Sicília. O Senado Romano, possivelmente pela instigação de Ápio Cláudio Cáudice, colocou a questão diante de uma assembleia popular em 264 a.C.. Cáudice encorajou uma votação e divulgou que havia perspectiva de pilhagem; a assembleia decidiu aceitar o pedido dos mamertinos.[37][38][39] Cáudice foi nomeado comandante de uma expedição militar com ordens de ir para a Sicília e colocar uma guarnição romana em Messana.[40][41]

ForçasEditar

ExércitosEditar

 
Detalhe do Altar de Domício Enobarbo mostrando dois soldados romanos do século II a.C.

Cidadãos romanos homens adultos eram elegíveis para o serviço militar; a maioria servia na infantaria e uma minoria mais rica como a cavalaria. Os romanos tradicionalmente levantavam duas legiões, cada uma com uma cavalaria de trezentos e uma infantaria de 4,2 mil.[nota 1] Um pequeno número da infantaria serviam como escaramuçadores armados com lanças de arremesso. A infantaria pesada era equipada com armadura, escudo grande e espada curta. Eles eram divididos em três classes, com a primeira também carregando duas lanças de arremesso e as outras duas levando uma lança comum. Duas subunidades de legionários e legionários individuais lutavam em ordem relativamente aberta. Um exército era geralmente formado pela junção de uma legião romana com uma legião de tamanho e equipamentos similares enviada por um de seus aliados latinos.[43]

Cidadãos cartagineses serviam no exército apenas se houvesse uma ameaça direta à própria cidade de Cartago. Os cartagineses na maioria das vezes recrutavam estrangeiros para formar seu exército. Muitos vinham de diferentes regiões do Norte da África, que proporcionava vários tipos de lutadores, incluindo: infantaria de ordem cerrada equipadas com escudos grandes, capacetes, espadas curtas e lanças longas; escaramuçadores de infantaria leve armados com lanças de arremesso; cavalaria de choque de ordem cerrada carregando lanças (também chamada de "cavalaria pesada");[nota 2] e uma cavalaria leve de escaramuçadores que usavam lanças de arremesso à distância e evitavam combate próximo.[45][46] Tanto a Ibéria quanto a Gália proporcionavam uma infantaria experiente, com tropas desprotegidas que atacavam ferozmente, mas que tinham a reputação de fugirem caso o combate se estendesse muito.[45][47][nota 3] A maior parte da infantaria cartaginesa lutava em uma formação cerrada conhecida como falange, geralmente formando duas ou três linhas.[46] Fundibulários especialistas eram recrutados das Ilhas Baleares.[45][48] Os cartagineses também empregavam elefantes de guerra; o Norte da África na época tinha elefantes-da-floresta nativos.[47][49][nota 4] As fontes não são claras se esses elefantes carregavam torres com lutadores.[51]

MarinhasEditar

Quinquerremes, que significava "cinco remos",[52] era o principal componente tanto das frotas romanas quanto das cartaginesas no decorrer das Guerras Púnicas.[53] Esse tipo de embarcação era tão onipresente que Políbio o usa como abreviação para "navio de guerra" de forma geral.[54] Um quinquerreme transportava uma tripulação de trezentos homens: 280 remadores e vinte tripulantes de convés e oficiais.[55] Ele também transportava um complemento de quarenta membros de infantaria de marinha, que geralmente eram soldados normais designados para os navios.[56] Este número poderia subir para 120 se uma batalha fosse considerada iminente.[57][58]

 
O corvo, o dispositivo de desembarque romano

Fazer os remadores remarem como unidade, ainda mais executarem manobras de batalha complexas, necessitava de treinamentos longos e árduos.[59] Pelo menos metade dos remadores precisariam ter algum tipo de experiência para o navio ser manobrado corretamente.[60] Consequentemente, os romanos inicialmente estavam em desvantagem contra os mais experientes cartagineses. Os romanos, para fazer frente, desenvolveram o corvo, uma ponte de 1,2 metro de largura e onze metros de comprimento com um espigão pesado na extremidade, que foi projetado para perfurar e se prender ao convés de um navio inimigo.[57] Isto permitia que os legionários romanos atuassem como infantaria de marinha para abordarem embarcações inimigas e capturá-las, em vez de simplesmente usarem a tática tradicional de abalroamento.[61]

Todos os navios de guerra eram equipados com rostros, um conjunto triplo de lâminas de bronze com sessenta centímetros de largura que pesavam até 270 quilogramas e ficavam posicionadas na linha d'água. Abordagens ficaram cada vez mais comuns no século anterior à Primeira Guerra Púnica e o uso de abalroamento caiu, pois as embarcações maiores e mais pesadas adotadas nesse período careciam da velocidade e manobrabilidade necessárias para abalroamentos, enquanto sua construção mais robusta reduziu o efeito do rostro mesmo em casos de ataques bem-sucedidos. A adoção do corvo por parte dos romanos era uma continuação dessa tendência e compensava por sua desvantagem inicial nas habilidades de manobra. O peso a mais na proa comprometia tanto a manobrabilidade quanto a navegabilidade, com o corvo tornando-se inútil em mares bravios.[61][62][63]

GuerraEditar

Sicília 264–256 a.C.Editar

 Ver artigos principais: Batalha de Messana e Batalha de Agrigento

A guerra começou em 264 a.C. quando os romanos desembarcaram na Sicília. A travessia ocorreu sem oposição apesar da vantagem naval cartaginesa.[64] Duas legiões comandadas por Cáudice marcharam para Messana, onde os mamertinos tinham expulsado a guarnição cartaginesa e foram cercados tanto pelos cartagineses quanto pelos siracusanos.[65] Os siracusanos se retiraram primeiro do cerco seguidos depois pelos cartagineses, mas as fontes não são claras sobre os motivos. Os romanos então marcharam para o sul e cercaram Siracusa, porém não tinham uma força forte o suficiente para garantir linhas de suprimentos e prosseguir com um cerco bem-sucedido, logo recuando.[66] A experiência cartaginesa nos dois séculos anteriores em guerras na Sicília dizia que ações decisivas eram impossíveis, com esforços militares esgotando-se depois de enormes perdas e grandes gastos. Os líderes cartagineses esperavam que esta guerra seguisse um rumo similar. Enquanto isso, sua enorme superioridade marítima permitiria que o conflito fosse mantido longe da capital e que até mesmo continuassem a prosperar.[67] Isto permitiria que eles recrutassem e pagassem um exército que operaria em aberto contra os romanos, enquanto suas cidades bem fortificadas poderiam ser abastecidas por mar e proporcionariam bases defensivas de onde poderiam operar.[68]

 
Mapa da Sicília, o principal teatro da guerra, mostrando as datas e locais das grandes batalhas

Boa parte da guerra seria lutada na Sicília ou nas águas ao seu redor. O terreno montanhoso e acidentado longe do litoral dificultava a movimentação de grandes forças militares e favorecia as estratégias de defesa sobre o ataque. Operações terrestres resumiram-se principalmente a incursões, cercos e interdições, tanto que no decorrer dos 23 anos da Primeira Guerra Púnica na Sicília houve apenas duas batalhas campais em grande escala: Acragas em 262 a.C. e Panormo em 250 a.C.. Deveres em guarnição e bloqueios terrestres eram as operações militares mais comuns para ambos os exércitos.[69]

Já era um antigo procedimento romano nomear dois homens todo ano, conhecidos como cônsules, para liderarem um exército. Os dois cônsules foram enviados para a Sicília em 263 a.C. com uma força de quarenta mil homens.[70] Siracusa foi cercada e, como nenhuma ajuda cartaginesa era antecipada, logo fez paz com os romanos. Ela se tornou uma aliada de Roma, pagou uma indenização de cem talentos de prata[nota 5] e concordou em abastecer o exército romano na Sicília.[72] Várias pequenas dependências cartagineses trocaram de lado para Roma depois da deserção de Siracusa.[68][73] Acragas, uma cidade portuária no meio do litoral sul, foi escolhida pelos cartagineses como seu centro estratégico. Os romanos marcharam para o local em 262 a.C. e o cercaram.[67] Os romanos tinham um sistema de abastecimento inadequado, parcialmente porque a supremacia naval cartaginesa impedia que eles reabastecessem pelo mar, e de qualquer forma eles não estavam acostumados a alimentar um exército de quarenta mil soldados. A maior parte do exército era dispersado por uma grande área na época das colheitas com o objetivo de colher as colheitas e forragear. Os cartagineses fizeram uma incursão sob o comando de Aníbal Giscão, surpreendendo os romanos e penetrando seu acampamento; os romanos conseguiram se organizar e afastar os cartagineses, mas depois disso os dois lados ficaram mais resguardados.[74]

 
O avanço romano entre 260–256 a.C.

Cartago enquanto isso recrutou um exército que foi reunido na África e então enviado para a Sicília. Era composto por cinquenta mil soldados de infantaria, seis mil de cavalaria e sessenta elefantes, sendo comandado por Hanão, filho de Aníbal Giscão. A força era parcialmente composta por lígures, celtas e iberos.[67][75] Hanão marchou para libertar Acragas cinco meses depois do início do cerco.[67] Ao chegar, ele simplesmente acampou em terreno elevado, realizou algumas escaramuças inconstantes e treinou. Finalmente atacou dois meses depois, na primavera de 261 a.C.. Os cartagineses foram derrotados com enormes perdas na Batalha de Acragas. Os romanos, sob seus dois cônsules, Lúcio Postúmio Megelo e Quinto Mamílio Vítulo, continuaram em perseguição, capturando os elefantes cartagineses e comboio de suprimentos. Naquela mesma noite a guarnição cartaginesa escapou enquanto os romanos estavam distraídos. A cidade foi tomada no dia seguinte, com 25 mil de seus habitantes sendo vendidos como escravos.[76]

A guerra ficou fragmentada por vários anos, com pequenas vitórias para ambos os lados, mas sem um foco claro. Isto ocorreu em parte porque os romanos desviaram muitos de seus recursos para uma campanha fracassada na Córsega e Sardenha, em seguida para uma expedição igualmente fracassada na África.[77] Os romanos avançaram para o oeste depois de tomarem Acragas e cercaram Mitistratão por sete meses, porém sem sucesso.[69] Em 259 a.C. avançaram em direção de Termas no litoral norte. As tropas romanas e seus aliados estabeleceram acampamentos separados depois de uma briga. O comandante cartaginês Amílcar aproveitou e lançou um contra-ataque, pegando um dos contingentes de surpresa e matando entre quatro e seis mil homens. Amílcar então tomou Ena, no centro,[78] e Camarina, no sudeste, perigosamente perto de Siracusa. Parecia que Amílcar estava perto de tomar toda a Sicília.[79] Os romanos retomaram Ena no ano seguinte e finalmente conquistaram Mitistratão. Seguiram então para Panormo, mas precisaram recuar, porém conseguiram capturar Ipana. Em 258 a.C. recapturaram Camarina depois de um longo cerco.[80][81] Pelos anos seguintes houve pequenas incursões, escaramuças e ocasional deserção de uma cidade pequena de um lado para o outro.[82]

Roma constrói sua frotaEditar

 Ver artigos principais: Batalha de Milas e Batalha de Sulci
 
Representação das posições dos remadores e remos em um trirreme

A guerra na Sicília chegou a um impasse, pois os cartagineses se focaram em defender suas cidades e vilarejos; estes ficavam em sua maioria no litoral e poderiam ser reabastecidos e reforçados sem que os romanos pudessem usar seu exército superior para interferir.[83][84] O foco da guerra passou a ser o mar, onde os romanos tinham pouca experiência; anteriormente, nas poucas ocasiões em que acharam que havia necessidade para uma presença naval, tinham dependido de pequenas esquadras de seus aliados gregos ou latinos.[67][85][86] Os romanos começaram a construir uma frota em 260 a.C. e usaram os destroços de um quinquerreme cartaginês como ponto de partida para seu próprio.[87] Os romanos ainda assim eram construtores navais inexperientes e acabaram construindo cópias que eram mais pesadas que as embarcações cartaginesas, consequentemente mais lentas e menos manobráveis.[88]

Os romanos construíram 120 navios e os enviaram para a Sicília em 260 a.C. para que suas tripulações realizassem treinamentos básicos. Cneu Cornélio Cipião, um dos cônsules eleito para aquele ano, viajou com as primeiras dezessete embarcações para as Ilhas Líparas, ao nordeste do litoral da Sicília, em uma tentativa de tomar o principal porto das ilhas, a cidade de Lípara. A frota cartaginesa era comandada por Aníbal Giscão e estava baseada em Panormo, aproximadamente cem quilômetros de Lípara. Aníbal enviou vinte navios sob o comando de Bodão ao saber sobre a chegada dos romanos. Os cartagineses chegaram de noite e prenderam os romanos no porto. As embarcações de Bodão atacaram e os inexperientes marinheiros de Cipião ofereceram pouca resistência. Alguns romanos entraram em pânico e fugiram para terra, com o próprio cônsul sendo feito prisioneiro. Todos os navios romanos foram capturados, a maioria sem danos.[89][90] Pouco tempo depois, Aníbal estava realizando reconhecimento com cinquenta embarcações quando encontrou toda o resto da frota romana. Ele conseguiu escapar, mas perdeu a maioria de seus navios.[91] Foi depois dessa escaramuça que os romanos instalaram o corvo em suas embarcações.[92][93]

Caio Duílio, o colega cônsul de Cipião, colocou as unidades do exército sob o comando de subordinados e assumiu ele próprio o comando da frota, partindo pouco depois à procura de batalha. As duas frotas encontraram-se no litoral de Milas na resultante Batalha de Milas. Aníbal tinha 130 navios e o historiador John Lazenby estima que Duílio tinha aproximadamente o mesmo número.[94] Os cartagineses anteciparam uma vitória devido à suas tripulações mais experientes e seus navios mais rápidos e manobráveis, quebrando sua formação e aproximando-se rapidamente dos romanos.[95] As primeiras trinta embarcações cartaginesas foram pegas pelos corvos e abordadas com sucesso pelos romanos, incluindo o próprio navio de Aníbal, que conseguiu escapar em um esquife. As embarcações cartaginesas restantes, ao verem isso, foram para as laterais em uma tentativa de pegar os romanos pelos flancos ou retaguarda. Estes conseguiram segurar o ataque e capturar mais vinte navios.[nota 6] Os cartagineses sobreviventes recuaram, conseguindo escapar por serem mais rápidos que os romanos. Duílio então seguiu para libertar a cidade romana de Segesta, que estava sob cerco.[95]

Os navios cartagineses passaram a realizar incursões no litoral itálico a partir de bases na Sardenha e Córsega do início de 262 a.C. em diante.[97] Em 259 a.C., o cônsul Lúcio Cornélio Cipião liderou parte da frota contra Aléria, na Córsega, capturando-a. Ele então atacou Ólbia, na Sardenha, mas foi rechaçado,[77] também perdendo Aléria.[98] Uma frota romana enfrentou uma frota cartaginesa menor em 258 a.C. na Batalha de Sulci, próximo da cidade de Sulci no oeste da Sardenha, conseguindo uma grande vitória. Aníbal, que tinha abandonado seus homens e fugido para Sulci, foi depois capturado pelos seus próprios soldados e crucificado. Os romanos estavam tentando apoiar ofensivas simultâneas contra a Sardenha e a Sicília, assim não conseguiram explorar sua vitória e o ataque contra as áreas controladas pelos cartagineses perdeu ímpeto.[77]

A frota romana estava ancorada próxima da pequena cidade de Tíndaris, no nordeste da Sicília, em 257 a.C. quando uma frota cartaginesa, sem saber de sua presença, passou próxima fora de formação. Caio Atílio Régulo, o comandante romano, ordenou um ataque imediato, iniciando a Batalha de Tíndaris. Entretanto, a ordem de Régulo fez com que a frota romana fosse para o mar de maneira desordeira. Os cartagineses responderam rapidamente, abalroando e afundando nove dos dez navios romanos da vanguarda. A principal força romana então entrou na ação e afundou oito embarcações cartagineses e capturou outras dez com o uso do corvo. Os cartagineses em seguida recuaram, novamente conseguindo escapar sem mais perdas por serem mais rápidos.[99] Os romanos depois realizaram incursões tanto em Lípara quanto em Malta.[100]

Invasão da ÁfricaEditar

 
A invasão romana do Norte da África: 1. Romanos desembarcam em Áspis
2. Vitória romana em Ádis
3. Romanos capturam Túnis
4. Xantipo parte com um exército
5. Vitória cartaginesa em Túnis
6. Recuo e evacuação romana

As vitórias navais romanas em Milas e Sulci, mais sua frustração pelo impasse na guerra terrestre na Sicília, os levou a adotarem uma estratégia marítima e desenvolver um plano para invadir o coração do principal território cartaginês no Norte da África e ameaçar a própria cidade de Cartago.[101] Ambos os lados estavam determinados em estabelecer uma supremacia naval e investiram enormes quantias e homens a fim de manter e aumentar o tamanho de suas marinhas.[102][103] A frota romana de 330 navios e um número desconhecido de transportes partiram no início de 256 a.C. para Óstia, o porto da cidade de Roma, sob o comando dos cônsules daquele ano, Marco Atílio Régulo e Lúcio Mânlio Vulsão.[104] Os romanos embarcaram aproximadamente 26 mil legionários das forças romanas na Sicília pouco antes de seguirem para batalha. Eles planejavam cruzar o Mediterrâneo e invadir a África.[56][105][106]

Os cartagineses sabiam das intenções romanas e reuniram todos os seus 350 navios à disposição sob o comando de Hanão e Amílcar, colocando-os próximos do sul do litoral da Sicília com o objetivo de interceptar os romanos. A resultante Batalha do Cabo Ecnomo, com um total combinado de 680 navios transportando 290 mil tripulantes e soldados, foi possivelmente a maior batalha naval na história pelo número de combatentes envolvidos.[107][108][109] Os cartagineses tomaram a iniciativa no início da batalha, esperando que suas habilidades de manobra superiores lhe dessem vantagem.[110][111] Entretanto, os cartagineses foram derrotados depois de um longo e confuso dia de batalha, tendo trinta navios afundados e 64 capturados contra 24 navios romanos afundados.[112]

O exército romano, comandado por Régulo, desembarcou na África perto de Áspis e logo começou a devastar o interior cartaginês. Áspis foi capturada depois de um breve cerco.[113][114] A maioria das embarcações romanas retornaram para a Sicília, deixando Régulo com uma infantaria de quinze mil e uma cavalaria de quinhentos para continuar a guerra na África. Régulo então cercou a cidade de Ádis.[114] Os cartaginenses chamaram Amílcar de volta da Sicília com cinco mil soldados de infantaria e quinhentos de cavalaria. Amílcar, Asdrúbal e um terceiro general chamado Bostar foram colocados em comando conjunto de um exército que era forte na cavalaria e elefantes e aproximadamente do mesmo tamanho que a força romana. Os cartagineses estabeleceram um acampamento em um morro próximo de Ádis.[115] Os romanos realizaram uma marcha noturna e lançaram um ataque de surpresa ao amanhecer vindo de duas direções. Os cartagineses fugiram depois de uma luta confusa. Suas perdas são desconhecidas, mas sabemos que sua cavalaria e elefantes escaparam com poucas baixas.[116]

Os romanos prosseguiram e capturaram Túnis, apenas dezesseis quilômetros de distância de Cartago. De Túnis os romanos fizeram incursões e devastaram a área imediatamente ao redor de Cartago. Os cartagineses estavam desesperados e pediram por paz, porém Régulo ofereceu termos severos e os cartagineses decidiram continuar a luta.[117] A responsabilidade pelo treinamento de seu exército foi dada ao comandante mercenário espartano Xantipo.[118] Ele liderou em 255 a.C. um exército de doze mil soldados de infantaria, quatro mil de cavalaria e cem elefantes contra os romanos, derrotando-os na Batalha do Rio Bragadas. Aproximadamente dois mil romanos recuaram para Áspis, enquanto quinhentos, incluindo Régulo, foram capturados, com os restantes sendo mortos. Xantipo ficou com medo da inveja dos generais cartagineses que tinha superado, aceitando seu pagamento e retornando para Esparta.[118] Os romanos enviaram uma frota para evacuar seus sobreviventes. Esta foi interceptada pelos cartagineses na Batalha do Cabo Hermeu, com os cartagineses sendo amplamente derrotados e tendo 114 navios capturados.[119] A frota romana acabou devastada por uma tempestade enquanto retornava para a Itália, com 384 embarcações afundadas de um total de 464 e cem mil homens mortos, a maioria de seus aliados latinos.[119][120][121] É possível que a presença do corvo tenha deixado os navios romanos extraordinariamente impróprios para navegação; não há registros do dispositivo sendo usado depois desse desastre.[122]

Sicília 255–248 a.C.Editar

 
Ataques romanos de 253 a 251 a.C.

Os romanos rapidamente reconstruíram sua frota, adicionando 220 navios novos.[123][124] Os cartagineses atacaram e recapturaram Acragas em 254 a.C., porém a queimaram, derrubaram suas muralhas e partiram por acharem que não seriam capazes de mantê-la.[125][126] Enquanto isso, os romanos lançaram uma outra ofensiva mais incisiva na Sicília. Toda sua frota, sob o comando de seus dois cônsules, atacou Panormo no início do mesmo ano. A cidade foi cercada e bloqueada, com máquinas de cerco sendo montadas. Estas fizeram um buraco em suas muralhas, pelo qual os romanos invadiram, capturando a cidade externa. Esta se rendeu prontamente. Os catorze mil habitantes que poderiam pagar seu próprio resgate o fizeram, com os treze mil restantes sendo vendidos como escravos. Boa parte do interior ocidental da Sicília ficou sob o controle romano: Ietas, Solunto, Petra e Tíndaris fizeram acordos.[127]

Os romanos mudaram seu foco para a África mais uma vez em 253 a.C. e realizaram várias incursões. Entretanto, perderam mais 150 embarcações de uma frota de 220 novamente para uma tempestade enquanto retornavam de uma incursão no litoral Norte da África ao leste da Cartago. A frota foi reconstruída novamente.[123] Os romanos mudaram sua atenção mais uma vez no ano seguinte, agora para o noroeste da Sicília. Eles enviaram uma expedição naval para Lilibeu. No caminho tomaram e queimaram as cidades cartaginesas de Selinunte e Heraclea Minoa, porém não conseguiram tomar Lilibeu. Os romanos capturaram Termas e Lípara em 252 a.C., esta última tendo ficado isolada depois da queda de Panormo. Os romanos tirando isso evitaram batalhas tanto em 252 quanto em 251 a.C., segundo Políbio porque temiam os elefantes de guerra que os cartagineses tinham enviado para a Sicília.[128][129]

 
Denário de Caio Cecílio Metelo Caprário de 125 a.C.. O reverso da moeda mostra o triunfo de seu ancestral Lúcio Cecílio Metelo, com os elefantes que tinha capturado na Batalha de Panormo[130]

No final do verão de 251 a.C.,[131] o comandante cartaginês Asdrúbal soube que um dos cônsules tinha deixado a Sicília pelo inverno junto com metade do exército romano, assim seguiu para Panormo devastando o interior.[129][132][133] O exército romano, que tinha se dispersado para reunir a colheita, recuou para Panormo. Asdrúbal ousadamente avançou a maior parte de seu exército, incluindo os elefantes, em direção das muralhas da cidade. Lúcio Cecílio Metelo, o comandante romano, enviou escaramuças para incomodar os cartagineses, mantendo seus escaramuçadores constantemente abastecidos com lanças de arremesso dos depósitos da cidade. O terreno estava coberto de escavações da época do cerco romano, dificultando o avanço dos elefantes. Os elefantes, salpicados de projéteis e incapazes de retaliar, fugiram através da infantaria atrás deles. Metelo tinha movida uma força oportunisticamente para o flanco esquerdo cartaginês, atacando seu inimigo em desordem. Os cartaginenses fugiram e Metelo capturou dez elefantes, porém não continuou em perseguição.[134] Relatos contemporâneos não informam as perdas de ambos os lados, mas historiadores modernos consideram como improváveis números posteriores de entre vinte e trinta mil baixas cartaginesas.[135]

 
Ataques romanos de 250 a 249 a.C.

Os romanos ficaram encorajados por sua vitória em Panormo e seguiram em 249 a.C. contra Lilibeu, a principal base cartaginesa na Sicília. Um grande exército sob o comando dos cônsules Públio Cláudio Pulcro e Lúcio Júnio Pulo cercou a cidade. Os romanos tinham reconstruído sua frota e duzentos navios bloquearam o porto.[136] Cinquenta quinquerremes cartagineses se reuniram nas Ilhas Égadas, que ficam entre quinze e quarenta quilômetros ao oeste da Sicília. Eles navegaram para Lilibeu assim que um forte vento oeste soprou, desembarcando reforços e uma grande quantidade de suprimentos antes que os romanos reagissem. A frota cartaginesa escapou durante a noite, evacuando sua cavalaria.[137][138] Os romanos selaram a aproximação terrestre da cidade com terra e acampamentos e muralhas de madeira. Eles fizeram sucessivas tentativas de bloquear a entrada do porto com uma enorme corrente de madeira, mas fracassaram devido às condições do mar.[139] A guarnição cartaginesa foi mantida abastecida por quinquerremes leves e manobráveis com tripulações altamente treinadas e práticos experientes.[140]

Pulcro decidiu atacar a frota cartaginesa, que estava ancorada no porto na cidade vizinha de Drépano. A frota romana partiu durante a noite a fim de realizar um ataque surpresa, porém os navios acabaram se espalhando na escuridão. Aderbal, o comandante cartaginês, conseguiu liderar sua frota para o mar antes de serem presos, contra-atacando na resultante Batalha de Drépano. Os romanos ficaram pressionados contra o litoral e acabaram amplamente derrotados após um árduo dia de combate, sucumbindo para os navios mais manobráveis dos cartagineses com suas tripulações mais bem treinadas. Foi a maior vitória naval cartaginesa na guerra.[141] Cartago partiu para a ofensiva marítima, infligindo outra grande derrota naval aos romanos na Batalha de Fíntias.[142] Demorou sete anos para que Roma tentasse novamente colocar no mar uma frota significativa, enquanto Cartago colocou a maioria de seus navios na reserva para economizar dinheiro e liberar homens.[143][144]

ConclusãoEditar

 
Um fragmento da Fasti Triumphales, listando todos os triunfadores romanos da guerra

Os cartagineses controlavam apenas duas cidades na Sicília em 248 a.C.: Lilibeu e Drépano. Estas eram bem fortificadas e situadas no litoral oeste, onde podiam ser reabastecidas e reforçadas sem que os romanos pudessem usar seu exército superior para interferir.[83][145] Amílcar Barca[nota 7] assumiu o comando das forças cartaginesas na Sicília em 247 a.C., mas tinha a sua disposição apenas um pequeno exército, enquanto a frota foi recuada. As hostilidades entre as duas forças reduziu-se para pequenas operações terrestres, o que adequava-se à estratégia cartaginesa. Amílcar usou táticas de armas combinadas em uma estratégia fabiana a partir de sua base em Érix, ao norte de Drépano. A guerrilha manteve as legiões romanas pressionadas e preservaram as áreas cartaginesas na Sicília.[147][148][149]

Ambos os lados estavam extremamente desgastados financeira e demograficamente após mais de vinte anos de guerra.[150] Evidências da situação financeira cartaginesa inclui um pedido de empréstimo de dois mil talentos[nota 8] para o Reino Ptolemaico, que foi recusado.[151] Roma também estava próxima da falência e o número de cidadãos homens adultos, o recurso humano para o exército e marinha, tinha caído dezessete por cento desde o início da guerra.[152] Goldsworthy descreveu as perdas humanas romanas como "terríveis".[153]

O Senado Romano percebeu no final de 243 a.C. que não conseguiriam capturar Drépano e Lilibeu a menos que ampliassem o bloqueio também para o mar, assim foi decidido construir uma nova frota.[154] Os cofres do estado estavam vazios, assim o Senado abordou cidadãos ricos por empréstimos para financiar a construção de um navio cada, valores que seriam pagos de volta com reparações que seriam impostas sobre Cartago quando a guerra fosse vencida.[155] Os romanos modelaram seus novos navios em um quinquerreme cartaginês recém-capturado que tinha qualidades especialmente boas.[154] Os romanos nessa altura tinham se tornado construtores navais experientes e conseguiram produzir quinquerremes de qualidade.[156] Mais importante do que isso, o corvo foi abandonado,[154] o que melhorou a velocidade e manobrabilidade das embarcações, mas forçou uma mudança de tática; os romanos precisariam ser marinheiros superiores, em vez de soldados superiores, para derrotarem os cartagineses.[157][158][159]

Os cartagineses organizaram uma frota maior com a qual tinham a intenção de transportar suprimentos para a Sicília, em seguida embarcariam a maior parte do exército cartaginês. A frota foi interceptada pelos romanos sob o comando de Caio Lutácio Cátulo e Quinto Valério Falto, com os mais bem treinados romanos derrotando os inferiores cartagineses na Batalha das Ilhas Égadas.[160][161] Os romanos continuaram suas operações terrestres contra Lilibeu e Drépano depois dessa vitória.[162] O Senado Cartaginês estava relutante em alocar os recursos necessários para construir e tripular uma nova frota.[163] Em vez disso, ordenaram que Amílcar negociasse um tratado de paz com os romanos, mas ele se recusou a levar adiante essa ordem e relegou a tarefa para seu subordinado Giscão.[163][164] O Tratado de Lutácio foi assinado, encerrando a Primeira Guerra Púnica. Cartago evacuou a Sicília, entregou todos os prisioneiros feitos durante a guerra e pagou uma indenização de 3,2 mil talentos[nota 9] no decorrer de dez anos.[160]

ConsequênciasEditar

 
O Mediterrâneo Ocidental após 237 a.C., com o território cedido à Roma por Cartago em rosa

A guerra durou 23 anos, o conflito mais longo da história greco-romana e a maior guerra naval da história da Antiguidade.[165] Após seu fim, Cartago tentou evitar pagar totalmente as tropas estrangeiras que tinham lutado na guerra. Elas acabaram se revoltando e receberam o apoio de muitos grupos locais insatisfeitos.[166][167][168] A revolta foi subjugada com grande dificuldade e com selvageria considerável. Cartago preparou em 237 a.C. uma expedição para recuperar a Sardenha, que tinha sido perdida para os rebeldes.[169][170] Os romanos, cinicamente, afirmaram que considerariam isso um ato de guerra. Seus termos de paz eram a entrega de Sardenha e Córsega e o pagamento de mais 1,2 mil talentos de indenização.[nota 10] Cartago, enfraquecida por trinta anos de guerra, concordou com os termos em vez de entrar em mais um conflito contra Roma; o pagamento adicional e a renúncia das duas ilhas foram adicionadas ao Tratado de Lutácio como uma cláusula adicional.[1][171] Estas ações romanas aumentaram o ressentimento cartaginês, que não se conformava com a percepção de Roma sobre sua situação, sendo considerados fatores contribuintes para o início da Segunda Guerra Púnica em 218 a.C..[171]

O papel proeminente desempenhado por Amílcar Barca na derrota das tropas estrangeiras amotinadas e também dos rebeldes africanos muito aumentou tanto o prestígio quanto o poder da família Barca. Amílcar liderou muitos de seus veteranos em 237 a.C. para uma expedição com o objetivo de expandir os domínios cartagineses no sul da Ibéria. Consequentemente, pelos vinte anos seguintes a região praticamente se tornou um feudo semiautônomo dos Barca e a fonte de boa parte da prata que Cartago usou para pagar sua enorme indenização devida à Roma.[172][173]

Para Roma, o final da Primeira Guerra Púnica marcou o início de sua expansão para além da península Itálica. A Sicília se tornou sua primeira província, sendo governada por um ex-pretor. A Sicília se tornaria importante para Roma como uma fonte de grãos.[1] Córsega e Sardenha, combinadas, também se tornaram uma província e uma fonte de grãos sob um pretor, porém uma forte presença militar foi necessária pelos sete anos seguintes, pois os romanos tiveram dificuldades para subjugar os habitantes locais.[174][175] À Siracusa foi concedida independência nominal e a situação de aliado de Roma durante a vida de Hierão II.[176] Roma passou a ser a principal potência militar no Mediterrâneo Ocidental e cada vez mais da região do Mediterrâneo como um todo.[177] Os romanos tinham construído mais de mil navios durante a guerra e esta experiência de construir, manter, treinar e abastecer tais números criou as fundações para a dominância marítima romana pelos seiscentos anos seguintes.[178] A questão de qual estado controlaria o Mediterrâneo Ocidental permaneceu aberta, com a Segunda Guerra Púnica começando em 218 a.C. quando os cartagineses cercaram a cidade de Sagunto, protegida dos romanos.[172]

Notas

  1. Este número poderia aumentar para cinco mil em alguns casos.[42]
  2. Tropas de "choque" eram aquelas treinadas e usadas para aproximaram-se rapidamente de um oponente com a intenção de quebrá-lo antes ou imediatamente ao contato.[44]
  3. Os iberos usavam uma lança de arremesso pesada que os romanos depois adotaram como o pilo.[45]
  4. Estes elefantes geralmente tinham 2,5 metros de altura e não devem ser confundidos com o maior elefante-da-savana.[50]
  5. Cem talentos eram aproximadamente 2,6 toneladas de prata.[71]
  6. Os números das perdas cartaginesas vem de Políbio. Outras fontes falam em 30 ou 31 navios capturados e 13 ou 14 afundados.[96]
  7. Amílcar Barca era o pai de Aníbal.[146]
  8. Dois mil talentos eram aproximadamente 52 toneladas de prata.[71]
  9. 3,2 mil talentos eram aproximadamente 82 toneladas de prata.[71]
  10. 1,2 mil talentos eram aproximadamente trinta toneladas de prata.[71]

ReferênciasEditar

  1. a b c Sidwell & Jones 1997, p. 16
  2. a b Goldsworthy 2006, p. 20
  3. a b Tipps 1985, p. 432
  4. Shutt 1938, p. 53
  5. Walbank 1990, pp. 11–12
  6. Lazenby 1996, pp. x–xi
  7. Hau 2016, pp. 23–24
  8. Goldsworthy 2006, p. 23
  9. Shutt 1938, p. 55
  10. a b Goldsworthy 2006, p. 21
  11. a b Goldsworthy 2006, pp. 20–21
  12. Lazenby 1996, pp. x–xi, 82–84
  13. Tipps 1985, pp. 432–433
  14. Curry 2012, p. 34
  15. Hoyos 2015, p. 102
  16. Goldsworthy 2006, p. 22
  17. Mineo 2015, pp. 111–127
  18. Goldsworthy 2006, pp. 23, 98
  19. «Battle of the Egadi Islands Project». RPM Nautical Foundation. 2020. Consultado em 26 de novembro de 2022 
  20. Tusa & Royal 2012, p. 12
  21. Prag, Jonathan (5 de abril de 2013). «Rare bronze rams excavated from site of the final battle of the First Punic War». Universidade de Oxford. Consultado em 26 de novembro de 2022. Arquivado do original em 24 de setembro de 2013 
  22. a b Murray, William (2019). «The Ship Classes of the Egadi Rams and Polybius' Account of the First Punic War». Society for Classical Studies. Consultado em 26 de novembro de 2022 
  23. Tusa & Royal 2012, pp. 12, 26, 31–32
  24. Tusa & Royal 2012, p. 39
  25. Tusa & Royal 2012, pp. 35–36
  26. Tusa & Royal 2012, pp. 39–42
  27. Tusa & Royal 2012, pp. 45–46
  28. Miles 2011, pp. 157–158
  29. Bagnall 1999, pp. 21–22
  30. Goldsworthy 2006, pp. 29–30
  31. Miles 2011, pp. 115, 132
  32. Goldsworthy 2006, pp. 25–26
  33. Miles 2011, pp. 94, 160, 163, 164–165
  34. Goldsworthy 2006, pp. 69–70
  35. Warmington 1993, p. 165
  36. Bagnall 1999, p. 44
  37. Bagnall 1999, pp. 42–45
  38. Rankov 2015, p. 150
  39. Scullard 2006, p. 544
  40. Starr 1991, p. 479
  41. Warmington 1993, pp. 168–169
  42. Bagnall 1999, p. 23
  43. Bagnall 1999, pp. 22–25
  44. Jones 1987, p. 1
  45. a b c d Goldsworthy 2006, p. 32
  46. a b Koon 2015, p. 80
  47. a b Bagnall 1999, p. 9
  48. Bagnall 1999, p. 8
  49. Lazenby 1996, p. 27
  50. Miles 2011, p. 240
  51. Sabin 1996, p. 70
  52. Goldsworthy 2006, p. 98
  53. Lazenby 1996, pp. 27–28
  54. Goldsworthy 2006, p. 104
  55. Goldsworthy 2006, p. 100
  56. a b Tipps 1985, p. 435
  57. a b Casson 1995, p. 121
  58. Goldsworthy 2006, pp. 102–103
  59. Casson 1995, pp. 278–280
  60. Souza 2008, p. 358
  61. a b Miles 2011, p. 178
  62. Wallinga 1956, pp. 77–90
  63. Goldsworthy 2006, pp. 100–101, 103
  64. Lazenby 1996, pp. 48–49
  65. Bagnall 1999, p. 52
  66. Bagnall 1999, pp. 52–53
  67. a b c d e Miles 2011, p. 179
  68. a b Warmington 1993, p. 171
  69. a b Goldsworthy 2006, p. 82
  70. Goldsworthy 2006, p. 74
  71. a b c d Lazenby 1996, p. 158
  72. Erdkamp 2015, p. 71
  73. Goldsworthy 2006, pp. 72–73
  74. Goldsworthy 2006, p. 77
  75. Warmington 1993, pp. 171–172
  76. Miles 2011, pp. 179–180
  77. a b c Bagnall 1999, p. 65
  78. Bagnall 1999, pp. 65–66
  79. Lazenby 1996, pp. 75, 79
  80. Goldsworthy 2006, pp. 82–83
  81. Lazenby 1996, p. 75
  82. Lazenby 1996, pp. 77–78
  83. a b Bagnall 1999, pp. 64–66
  84. Goldsworthy 2006, p. 97
  85. Bagnall 1999, p. 66
  86. Goldsworthy 2006, pp. 91–92, 97
  87. Goldsworthy 2006, pp. 97, 99–100
  88. Murray 2011, p. 69
  89. Harris 1979, pp. 184–185
  90. Miles 2011, p. 181
  91. Lazenby 1996, p. 67
  92. Lazenby 1996, p. 68
  93. Miles 2011, p. 182
  94. Lazenby 1996, pp. 70–71
  95. a b Bagnall 1999, p. 63
  96. Lazenby 1996, pp. 73–74
  97. Bagnall 1999, p. 58
  98. Rankov 2015, p. 154
  99. Goldsworthy 2006, pp. 109–110
  100. Lazenby 1996, p. 78
  101. Rankov 2015, p. 155
  102. Goldsworthy 2006, p. 110
  103. Lazenby 1996, p. 83
  104. Tipps 1985, p. 434
  105. Walbank 1959, p. 10
  106. Lazenby 1996, pp. 84–85
  107. Goldsworthy 2006, pp. 110–111
  108. Lazenby 1996, p. 87
  109. Tipps 1985, p. 436
  110. Goldsworthy 2006, pp. 112–113
  111. Tipps 1985, p. 459
  112. Bagnall 1999, p. 69
  113. Warmington 1993, p. 176
  114. a b Miles 2011, p. 186
  115. Goldsworthy 2006, p. 85
  116. Goldsworthy 2006, p. 86
  117. Goldsworthy 2006, p. 87
  118. a b Miles 2011, p. 188
  119. a b Tipps 1985, p. 438
  120. Miles 2011, p. 189
  121. Erdkamp 2015, p. 66
  122. Lazenby 1996, pp. 112, 117
  123. a b Miles 2011, pp. 189–190
  124. Lazenby 1996, p. 114
  125. Lazenby 1996, pp. 114–116, 169
  126. Rankov 2015, p. 158
  127. Bagnall 1999, p. 80
  128. Lazenby 1996, p. 118
  129. a b Rankov 2015, p. 159
  130. Crawford 1974, p. 292, 293
  131. Goldsworthy 2006, p. 93
  132. Lazenby 1996, p. 169
  133. Bagnall 1999, p. 82
  134. Bagnall 1999, pp. 82–83
  135. Goldsworthy 2006, pp. 93–94
  136. Miles 2011, p. 190
  137. Goldsworthy 2006, p. 117
  138. Bagnall 1999, p. 85
  139. Bagnall 1999, pp. 84–86
  140. Goldsworthy 2006, pp. 117–118
  141. Goldsworthy 2006, pp. 117–121
  142. Bagnall 1999, pp. 88–91
  143. Goldsworthy 2006, pp. 121–122
  144. Rankov 2015, p. 163
  145. Goldsworthy 2006, pp. 94–95
  146. Lazenby 1996, p. 165
  147. Lazenby 1996, p. 144
  148. Bagnall 1999, pp. 92–94
  149. Goldsworthy 2006, p. 95
  150. Bringmann 2007, p. 127
  151. Bagnall 1999, p. 92
  152. Bagnall 1999, p. 91
  153. Goldsworthy 2006, p. 131
  154. a b c Miles 2011, p. 195
  155. Lazenby 1996, p. 49
  156. Goldsworthy 2006, p. 124
  157. Lazenby 1996, p. 150
  158. Casson 1991, p. 150
  159. Bagnall 1999, p. 95
  160. a b Miles 2011, p. 196
  161. Bagnall 1999, p. 96
  162. Goldsworthy 2006, pp. 125–126
  163. a b Bagnall 1999, p. 97
  164. Lazenby 1996, p. 157
  165. Lazenby 1996, p. x
  166. Bagnall 1999, pp. 112–114
  167. Goldsworthy 2006, pp. 133–134
  168. Hoyos 2000, p. 371
  169. Goldsworthy 2006, p. 135
  170. Miles 2011, pp. 209, 212–213
  171. a b Lazenby 1996, p. 175
  172. a b Collins 1998, p. 13
  173. Goldsworthy 2006, pp. 152–155
  174. Hoyos 2015, p. 211
  175. Goldsworthy 2006, p. 136
  176. Allen & Myers 1890, p. 111
  177. Miles 2011, p. 213
  178. Goldsworthy 2006, pp. 128–129, 357, 359–360

BibliografiaEditar

  • Allen, William; Myers, Philip van Ness (1890). Ancient History for Colleges and High Schools: Part II – A Short History of the Roman People. Boston: Ginn & Company. OCLC 702198714 
  • Bagnall, Nigel (1999). The Punic Wars: Rome, Carthage and the Struggle for the Mediterranean. Londres: Pimlico. ISBN 978-0-7126-6608-4 
  • Bringmann, Klaus (2007). A History of the Roman Republic. Cambridge: Polity Press. ISBN 978-0-7456-3370-1 
  • Casson, Lionel (1991). The Ancient Mariners 2ª ed. Princeton: Princeton University Press. ISBN 978-0-691-06836-7 
  • Casson, Lionel (1995). Ships and Seamanship in the Ancient World. Baltimore: Johns Hopkins University Press. ISBN 978-0-8018-5130-8 
  • Collins, Roger (1998). Spain: An Oxford Archaeological Guide. Oxford: Oxford University Press. ISBN 978-0-19-285300-4 
  • Crawford, Michael (1974). Roman Republican Coinage. Cambridge: Cambridge University Press. OCLC 859598398 
  • Curry, Andrew (2012). «The Weapon That Changed History». Archaeology. 65 (1). JSTOR 41780760 
  • Erdkamp, Paul (2015) [2011]. «Manpower and Food Supply in the First and Second Punic Wars». In: Hoyos, Dexter. A Companion to the Punic Wars. Chichester: John Wiley. ISBN 978-1-119-02550-4 
  • Goldsworthy, Adrian (2006). The Fall of Carthage: The Punic Wars 265–146 BC. Londres: Phoenix. ISBN 978-0-304-36642-2 
  • Harris, William (1979). War and Imperialism in Republican Rome, 327–70 BC. Oxford: Clarendon Press. ISBN 978-0-19-814866-1 
  • Hau, Lisa (2016). Moral History from Herodotus to Diodorus Siculus. Edimburgo: Edinburgh University Press. ISBN 978-1-4744-1107-3 
  • Hoyos, Dexter (2000). «Towards a Chronology of the 'Truceless War', 241–237 B.C.». Rheinisches Museum für Philologie. 143 (3/4). JSTOR 41234468 
  • Hoyos, Dexter (2015) [2011]. A Companion to the Punic Wars. Chichester: John Wiley. ISBN 978-1-119-02550-4 
  • Jones, Archer (1987). The Art of War in the Western World. Urbana: University of Illinois Press. ISBN 978-0-252-01380-5 
  • Koon, Sam (2015) [2011]. «Phalanx and Legion: the "Face" of Punic War Battle». In: Hoyos, Dexter. A Companion to the Punic Wars. Chichester: John Wiley. ISBN 978-1-119-02550-4 
  • Lazenby, John (1996). The First Punic War: A Military History. Stanford: Stanford University Press. ISBN 978-0-8047-2673-3 
  • Miles, Richard (2011). Carthage Must be Destroyed. Londres: Penguin. ISBN 978-0-14-101809-6 
  • Mineo, Bernard (2015) [2011]. «Principal Literary Sources for the Punic Wars (apart from Polybius)». In: Hoyos, Dexter. A Companion to the Punic Wars. Chichester: John Wiley. ISBN 978-1-119-02550-4 
  • Murray, William (2011). The Age of Titans: The Rise and Fall of the Great Hellenistic Navies. Oxford: Oxford University Press. ISBN 978-0-19-993240-5 
  • Rankov, Boris (2015) [2011]. «A War of Phases: Strategies and Stalemates». In: Hoyos, Dexter. A Companion to the Punic Wars. Chichester: John Wiley. ISBN 978-1-119-02550-4 
  • Sabin, Philip (1996). «The Mechanics of Battle in the Second Punic War». Bulletin of the Institute of Classical Studies. Supplement. 67 (67). JSTOR 43767903 
  • Scullard, H. H. (2006) [1989]. «Carthage and Rome». In: Walbank, F. W.; Astin, A. E.; Frederiksen, M. W.; Ogilvie, R. M. Cambridge Ancient History. 7, Parte 2 2ª ed. Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 978-0-521-23446-7 
  • Shutt, Rowland (1938). «Polybius: A Sketch». Greece & Rome. 8 (22). JSTOR 642112. doi:10.1017/S001738350000588X 
  • Sidwell, Keith C.; Jones, Peter V. (1997). The World of Rome: An Introduction to Roman Culture. Cambridge. Nova Iorque: Cambridge University Press. ISBN 978-0-521-38600-5 
  • Souza, Philip de (2008). «Naval Forces». In: Sabin, Philip; van Wees, Hans; Whitby, Michael. The Cambridge History of Greek and Roman Warfare, Volume 1: Greece, the Hellenistic World and the Rise of Rome. Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 978-0-521-85779-6 
  • Starr, Chester (1991) [1965]. A History of the Ancient World. Nova Iorque: Oxford University Press. ISBN 978-0-19-506628-9 
  • Tipps, G. K. (1985). «The Battle of Ecnomus». Historia: Zeitschrift für Alte Geschichte. 34 (4). JSTOR 4435938 
  • Tusa, Sebastiano; Royal, Jeffrey (2012). «The Landscape of the Naval Battle at the Egadi Islands (241 B.C.)». Cambridge University Press. Journal of Roman Archaeology. 25. ISSN 1047-7594. doi:10.1017/S1047759400001124 
  • Walbank, F. W. (1959). «Naval Triaii». The Classical Review. 64 (1). JSTOR 702509. doi:10.1017/S0009840X00092258 
  • Walbank, F. W. (1990). Polybius. 1. Berkeley: University of California Press. ISBN 978-0-520-06981-7 
  • Wallinga, Herman (1956). The Boarding-bridge of the Romans: Its Construction and its Function in the Naval Tactics of the First Punic War. Groningen: J. B. Wolters. OCLC 458845955 
  • Warmington, Brian (1993) [1960]. Carthage. Nova Iorque: Barnes & Noble. ISBN 978-1566192101 

Ligações externasEditar