Ricardo Noblat

Jornalista brasileiro

Ricardo José Delgado Noblat (Recife, 7 de agosto de 1949) é um jornalista brasileiro. Formado pela Universidade Católica de Pernambuco, Noblat foi editor-chefe do Correio Braziliense e da sucursal do Jornal do Brasil em Brasília. Atualmente, Noblat mantém um blog,[1] o Blog do Noblat, no portal da revista Veja.

Ricardo Noblat
Ricardo Noblat, em entrevista à TV Cultura
Nome completo Ricardo José Delgado Noblat
Nascimento 7 de agosto de 1949 (71 anos)
Recife, Pernambuco
Nacionalidade brasileiro
Ocupação jornalista

CarreiraEditar

Trabalhou como repórter do jornais Diário de Pernambuco, Jornal do Commercio e das sucursais do Jornal do Brasil e da revista Veja em Recife. Noblat também foi chefe de redação da sucursal da revista Manchete.

Chefiou a sucursal da revista Veja durante dois anos, em Salvador. Depois foi editor-assistente da mesma revista em São Paulo.

Em Brasília desde 1982, foi editor regional da sucursal do Jornal do Brasil. Trabalhou novamente como repórter da sucursal de O Globo, em 1989, de onde foi chefiar a sucursal da revista IstoÉ. Entre 1991 e 1992 trabalhou em Angola na campanha de José Eduardo dos Santos, que já governava aquele país desde 1979 sem nunca ter sido eleito. Assumiu em 1994 a direção de redação do jornal Correio Braziliense, permanecendo no cargo até novembro de 2002. Em 2008, comandou a reforma editorial do jornal baiano A Tarde.

Em março de 2004 criou o Blog do Noblat, hoje hospedado no portal da revista Veja.[2]

Ricardo Noblat também é autor dos livros A Arte de Fazer um Jornal Diário,[3] O Que É Ser Jornalista[4] e Céu dos Favoritos.[5]

Entre os meses de setembro de 2008 e setembro de 2009, o jornalista manteve um contrato para pesquisa, produção e apresentação de um programa semanal para a Rádio Senado.[6]

Ameaça de censuraEditar

Em 15 de junho de 2020, André Mendonça, ministro da Justiça e Segurança Pública, disse que pediu à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República para investigar Ricardo Noblat, após o jornalista ter publicado no Twitter uma charge com uma crítica ao presidente Jair Bolsonaro. Na charge, de autoria de Renato Aroeira, é mostrada uma suástica, símbolo nazista, criada a partir de uma cruz vermelha, que é presente e hospitais e ambulâncias, e Bolsonaro com um pincel na mão com tinta preta dizendo "bora invadir outro", uma alusão à fala do presidente que pediu para invadir hospitais na Pandemia de Covid-19.[7]

Ao Congresso em Foco, Ricardo Noblat disse: "acho que a Justiça saberá examinar e distinguir o que é o direito à expressão de pensamento e o que é o cometimento de um crime em nome da liberdade de expressão (...) Não é de se estranhar que o governo reaja assim a tudo que o incomoda porque é claramente um governo autoritário e que aposta o tempo todo na ruptura democrática". Em nota, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) disse que isso é uma tentativa de calar quem defende a liberdade de imprensa e democracia. "A aversão à crítica é própria das ditaduras e dos candidatos a ditador. No entanto, as ameaças não calarão os defensores da liberdade de imprensa e da democracia". Ainda na nota, mencionou alguns dos discursos de Bolsonaro, um deles , em defesa da tortura e guerra civil.[8]

Ao portal JOTA, juristas disseram que charges que relacionam Bolsonaro ao nazismo se enquadram na lei de liberdade de expressão.[9] Criticando a tentativa de censura, em nota, a Fenaj reproduziu um trecho do discurso de ministro Celso de Mello, lembrando a atitude autoritária do governo Bolsonaro :

É preciso resistir à destruição da ordem democrática, para evitar o que ocorreu na República de Weimar, quando Hitler, após eleito por voto popular (…) não hesitou em romper e em nulificar a progressista , democrática e inovadora Constituição de Weimar (…) Intervenção Militar, como pretendida por bolsonaristas e outras lideranças autocráticas que desprezam a liberdade e odeiam a democracia, nada mais significa, na novilíngua bolsonaristas, senão a instauração, no Brasil, de uma desprezível e abjeta ditadura militar!!!.[10]

A lei que o governo usou para investigar o jornalista, é a Lei de Segurança Nacional, criada na ditadura militar brasileira.[11]

Ver tambémEditar

 
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Ricardo Noblat

Referências

  1. ESCOBAR, Juliana. “Blog do Noblat e escândalo midiático: jornalismo sob novas bases”. In: UNIrevista – vol. 1, no. 3, São Leopoldo: 2006.
  2. «Blog do Noblat». VEJA 
  3. Lewinsohn, Thomas (29 de março de 2020). «Biodiversidade brasileira: síntese do estado atual do conhecimento». Editora Contexto – via Google Books 
  4. «Google Livros: "O que é ser jornalista: memórias profissionais de Ricardo Noblat"» 
  5. Noblat, Ricardo (29 de março de 1990). «Céu dos favoritos: o Brasil de Sarney a Collor». Rio Fundo Editora – via Google Books 
  6. Contratos da empresa RICARDO JOSÉ DELGADO com o Senado Federal[ligação inativa]
  7. Pedro Ezequiel (15 de junho de 2020). «Secom ameaça processar jornalista Ricardo Noblat por compartilhar charge». Notícias. UOL. Consultado em 16 de junho de 2020. Cópia arquivada em 16 de junho de 2020 
  8. Redação (15 de junho de 2020). «Governo quer punição criminal de jornalistas que publicaram charge de Bolsonaro». Congresso em Foco. Uol. Consultado em 16 de junho de 2020. Cópia arquivada em 16 de junho de 2020 
  9. Ana Ponpeu (15 de junho de 2020). «Charge que relaciona Bolsonaro a nazismo é liberdade de expressão, dizem juristas». Jota. Consultado em 17 de junho de 2020. Cópia arquivada em 17 de junho de 2020 
  10. «NÃO À CENSURA». Fenaj. 18 de junho de 2020. Consultado em 21 de junho de 2020. Cópia arquivada em 22 de junho de 2020 
  11. «Governo usa Lei de Segurança Nacional para investigar jornalista por charge». O Tempo. Folhapress. 15 de junho de 2020. Consultado em 21 de junho de 2020. Cópia arquivada em 21 de junho de 2020 

Ligações externasEditar

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