Saúde de João Paulo II

O Papa doente no papamóvel em 22 de setembro de 2004

Na década de 40, antes do papado, ele sofreu dois acidentes, fraturou o crânio em um acidente e os ombros enquanto carregava um carrinho carregado de pedra, que o deixou com um ombro mais alto que o outro.[1] Quando ele se tornou Papa em 1978, João Paulo II ainda era um ávido esportista. Aos 58 anos era extremamente saudável e ativo, fazia jogging nos Jardins do Vaticano, exercícios com pesos, natação, e caminhadas nas montanhas. Ele gostava de futebol. A mídia fazia comparações com a figura forte e saudável de João Paulo II com a saúde precária de João Paulo I e Paulo VI, a imponência de João XXIII e as reclamações constantes de Pio XII. O único Papa moderno que tinha uma boa aptidão física tinha sido o Papa Pio XI (1922–1939) que era um ávido alpinista.[2] Em relação a seus hábitos destaca-se a prática que o Papa tinha em relação a mortificação, pois segundo o livro Why a Saint? publicado em Janeiro de 2010 por Slawomir Oder, monsenhor que cuida do processo de beatificação de João Paulo II, que realizava a prática conhecida no cristianismo como mortificação, para atingir um grau mais próximo de Deus. Oder diz que no armário do pontífice existia uma cinta utilizada para executar o ato e que também Karol Wojtyla dormia algumas vezes no chão para praticar ascetismo.[3]

Tentativas de assassinatoEditar

Primeira tentativaEditar

 
O local exato do atentando foi marcado no chão da Praça de São Pedro. Em uma rocha, estão o brasão de armas de João Paulo II e a data do atentado, em numerais romanos.

Quando ele entrou na Praça de São Pedro para discursar para uma audiência em 13 de maio de 1981, João Paulo II foi baleado e gravemente ferido por Mehmet Ali Ağca,[4][5][6] um perito atirador turco que era membro do grupo militante fascista Lobos Cinzentos.[7] O assassino usou uma pistola semi-automática 9 mm Browning, [8] atingindo-o no abdômen e perfurando seu cólon e intestino delgado várias vezes.[9] João Paulo II foi levado às pressas para a Policlínica Gemelli. No caminho para o hospital, ele perdeu a consciência. Ele passou por cinco horas de cirurgia para tratar sua perda maciça de sangue e feridas abdominais.[10] Os cirurgiões realizaram uma colostomia, reencaminhando temporariamente a parte superior do intestino grosso para deixar a parte danificada inferior curar.[10] Quando ele ganhou rapidamente a consciência antes de ser operado, ele instruiu os médicos para não remover o seu Escapulário de Nossa Senhora do Carmo durante a operação.[11][12] O Papa afirmou que Nossa Senhora de Fátima ajudou a mantê-lo vivo durante todo esse período de recuperação.[4][6][13]

Internado de urgência na Policlínica Agostini Gemelli, o papa foi submetido a delicada cirurgia de cinco horas e vinte minutos, com extirpação de 55 centímetros de intestino. A 20 de Junho, 17 dias depois de ter alta, é internado de novo na mesma clínica de Roma para ser tratado de uma infecção de citomegalovírus, resultante da operação anterior.

Coincidentemente, os tiros disparados contra o Papa foram feitos no dia 13 de maio. Nesta data, em 1917, Nossa Senhora de Fátima teria feito a sua primeira aparição aos três pastorinhos. O Pontífice sempre afirmou que a Virgem Maria teria "desviado as balas" e salvo a sua vida nesse dia.[14]

Segunda tentativaEditar

A segunda tentativa de assassinato ocorreu em 12 de maio de 1982, apenas um dia antes do aniversário da primeira tentativa contra sua vida, em Fátima, Portugal quando um homem tentou esfaquear João Paulo II com uma baioneta.[15][16][17] Ele foi parado por guardas de segurança, embora o Cardeal Stanisław Dziwisz mais tarde afirmou que João Paulo II tinha sido ferido durante a tentativa, mas conseguiu esconder uma ferida não-fatal.[15][16][17]

Após as tentativas de assassinatoEditar

João Paulo II recuperou-se totalmente da primeira tentativa de assassinato, e ostentou uma ótima condição física ao longo da década de 1980.[18] Em 15 de julho de 1992, retirou um tumor benigno e 15 centímetros do intestino.[1] Em novembro de 1993, ele escorregou em um pedaço de carpete recém-instalado e caiu vários degraus, quebrando o ombro direito.[18] Quatro meses mais tarde, ele caiu em sua banheira, quebrando seu fêmur, resultando em uma visita a Policlínica Gemelli para uma substituição do quadril.[19] Ele raramente andou em público após isso, e começou a ter a fala arrastada e dificuldade em ouvir. Suspeitava-se que o pontífice estivesse com a doença de Parkinson, embora tenha sido revelado apenas em 2001 pelo cirurgião ortopédico italiano, Dr. Gianfranco Fineschi.[20][21] A administração do Vaticano finalmente confirmou a doença de Parkinson que em 2003, depois de mantê-la em segredo por 12 anos.[22]

O Dr. Gianfranco Fineschi tinha uma clara preocupação com a saúde do papa, ainda mais após o ano de 2000, ano em que a Igreja Católica comemorou o Grande Jubileu de 2000, quando a agenda do papa estava lotada de atividades e Fineschi disse que: "Fico muito preocupado cada vez que o Papa viaja, ou cada vez que se sente cansado durante uma cerimônia oficial. Eu deveria recomendar-lhe descanso, mas seria inútil. As operações às quais foi submetido e o mal de Parkinson têm feito com que ele sofra muito".[23]

Em fevereiro de 2005, o pontífice foi novamente levado para a Policlínica Gemelli com inflamação e espasmos da laringe, resultado da gripe.[24] Ele teve de voltar por causa da dificuldade em respirar. Foi realizada uma traqueostomia, que melhorou a respiração do Papa, mas limitou sua capacidade de falar, para sua frustração. O Vaticano confirmou que ele estava perto da morte em março 2005, poucos dias antes de morrer.[25] Nessa época chegou a correr boatos da renúncia do papa.[1]

Referências

  1. a b c «A fragilidade do papa eos boatos de renúncia». veja.abril.com.br. Consultado em 25 de novembro de 2014. Cópia arquivada em 30 de maio de 2009 
  2. «Cardinal Ratti New Pope as Pius XI, Full Article» (PDF). The New York Times. 7 de fevereiro de 1922. Consultado em 1 de janeiro de 2009. Cópia arquivada em 29 de junho de 2014 
  3. «Papa João Paulo II se flagelava com frequência, diz livro de monsenhor». Consultado em 26 de janeiro de 2010 
  4. a b Maxwell-Stuart, P.G. (2006). Chronicle of the Popes: Trying to Come Full Circle. Londres: Thames & Hudson. p. 234. ISBN 978-0-500-28608-6 Verifique |isbn= (ajuda) 
  5. «John Paul II Biography (1920–2005)». A&E Television Networks. Consultado em 1 de janeiro de 2009. Cópia arquivada em 27de novembro de 2013  Verifique data em: |arquivodata= (ajuda)
  6. a b Dziwisz, Bishop Stanisław: Conference 13 de maio de 2001
  7. Lee, Martin A. (14 de maio de 2001). The 1981 Assassination Attempt of Pope John Paul II, The Grey Wolves, and Turkish & U.S. Government Intelligence Agencies. [S.l.]: San Francisco Bay Guardian. p. 23, 25 
  8. «1981 Year in Review: Pope John Paul II Assassination Attempt». Upi.com. Consultado em 8 de janeiro de 2012. Cópia arquivada em 22 de dezembro de 2009 
  9. Bottum, Joseph (18 de abril de 2005). «John Paul the Great». Weekly Standard. p. 1–2. Consultado em 1 de janeiro de 2009. Cópia arquivada em 9 de abril de 2005 
  10. a b Time Magazine: Pope Half Alive: 1982, p. 1
  11. Lo Scapolare del Carmelo Published by Shalom, 2005 ISBN 88-8404-081-7 p. 6
  12. «HelpFellowship». HelpFellowship. Consultado em 12 de setembro de 2010. Cópia arquivada em 17 de dezembro de 2005 
  13. Bertone, Tarcisio: 2009
  14. «Atentado contra o Papa». terra.com.br. Consultado em 9 de janeiro de 2008. Cópia arquivada em 25 de abril de 2014 
  15. a b «Pope John Paul 'wounded' in 1982». BBC News. 16 de outubro de 2008. Consultado em 1 de janeiro de 2009. Cópia arquivada em 23 de outubro de 2008 
  16. a b «John Paul was wounded in 1982 stabbing, aide reveals». Reuters - News Release. Reuters. 15 de outubro de 2008. Consultado em 1 de janeiro de 2009. Cópia arquivada em 20 de fevereiro de 2014 
  17. a b «Pope John Paul injured in 1982 knife attack, says aide». 1982–2009 CBC News. 16 de outubro de 2008. Consultado em 1 de janeiro de 2009. Cópia arquivada em 16 de janeiro de 2014 
  18. a b Stourton, Edward. John Paul II: Man of History. London 2006 Hodder & Stoughton. p. 250.
  19. Stourton, Edward. John Paul II: Man of History. London Hodder & Stoughton. p. 250.
  20. «Pope has Parkinson's disease – surgeon». BBC News. 3 de janeiro de 2001. Consultado em 1 de janeiro de 2009. Cópia arquivada em 25 de agosto de 2007 
  21. Judd, Terri (4 de janeiro de 2001). «Doctor admits the Pope has Parkinson's disease». The Independent. Londres. Consultado em 1 de janeiro de 2009 
  22. Pisa, Nick (18 de março de 2006). «Vatican hid Pope's Parkinson's disease diagnosis for 12 years». Daily Telegraph. Consultado em 1 de janeiro de 2009. Cópia arquivada em 13 de janeiro de 2012 
  23. «Médico da equipe papal confirma que João Paulo II sofre de mal de Parkinson». terra.com.br. Consultado em 25 de novembro de 2014. Cópia arquivada em 8 de abril de 2005 
  24. BBC World News Channel: 2005, 'Cured' Pope returns to Vatican
  25. «John Paul II near death: Vatican». CBC Radio Canada. 2 de abril de 2005. Consultado em 1 de janeiro de 2009. Cópia arquivada em 2 de novembro de 2006