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Tutti Frutti (banda)

banda de rock brasileira
Tutti Frutti
Informação geral
Origem São Paulo
País Brasil
Gênero(s)
Período em atividade 1973-1981, 1997-Atualmente
Gravadora(s)
Afiliação(ões)
Integrantes
Ex-integrantes

Tutti Frutti é uma banda brasileira de rock, formada no início dos anos 70 por músicos do bairro da Pompeia, em São Paulo. Entre 1973 e 1978 - liderada pelo guitarrista Luis Sérgio Carlini, a banda foi o grupo de apoio de Rita Lee, após a saída da cantora dos Mutantes. Com ela tornaram-se um dos grandes nomes do rock brasileiro na década de 70 e gravaram 4 álbuns de estúdio - Atrás do Porto Tem uma Cidade, Fruto Proibido, Entradas e Bandeiras e Babilônia, 2 álbuns ao vivo - Hollywood Rock e Refestança, em parceria com Gilberto Gil, e várias músicas de sucesso nacional, como "Mamãe Natureza", "Agora Só Falta Você", "Esse Tal de Roque Enrow", "Luz del Fuego", "Ovelha Negra", "Corista de Rock", "Miss Brasil 2000" e "Jardins da Babilônia". No final de 1978, Carlini levaria consigo o nome da banda, recrutando novos integrantes, como o vocalista Simbas, e lançariam, ainda, mais 1 álbum de estúdio: Você Sabe Qual o Melhor Remédio. Com a fraca recepção do novo disco, o grupo encerraria suas atividades em 1981. Em 1997, volta com nova formação, trazendo Carlini e Franklin Paolillo de sua formação mais conhecida, além da vocalista Helena Theodorellos. Com esta formação apresentariam-se até 2008, quando a vocalista sai do grupo. Então, com a entrada da vocalista Sol Ribeiro, o grupo continua se apresentando até os dias de hoje.

HistóriaEditar

Formação da banda e Rita LeeEditar

Tudo começou em 1971, no bairro da Pompeia, na capital paulista. Três amigos de origem italiana, o guitarrista Luis Sérgio Carlini, o baixista Lee Marcucci e o baterista Emilson Colantonio, formaram uma banda para tocar rock chamada Coqueiro Verde. No ano seguinte, após alguns shows em pequenas casas noturnas e, também, devido a influência das substâncias químicas bastante em voga na época (como o ácido lisérgico), a banda trocaria seu nome para Lisergia. Tocando na noite paulistana, e com Carlini já sendo notado pela sua qualidade como guitarrista, acabaram sendo vistos por Rita Lee, em julho de 1973.[1] Rita havia deixado Os Mutantes em outubro de 1972 e tinha montado uma dupla feminina com Lúcia Turnbull, o Cilibrinas do Éden, e a primeira apresentação da dupla acabou sendo no primeiro dia do festival Phono 73. Por um acaso, sua apresentação acabou ocorrendo logo antes da apresentação dos Mutantes.[2] Com a recepção fria do público ao seu projeto acústico, Rita Lee decidiu que precisava de um grupo de rock para acompanhá-las. A "descoberta" da banda por Rita acabou levando a um convite para que eles passassem a ser a banda de apoio dela. Entretanto, apesar de ter gostado da banda, Rita não gostava do nome. A busca por um novo nome para a banda acabou tendo fim quando Rita e sua empresária Mônica Lisboa montaram um show, que ficaria em cartaz no Teatro Ruth Escobar, em São Paulo, de 15 de agosto até 16 de setembro de 1973, para o lançamento da nova carreira da cantora. O nome do show era Tutti Frutti, porque contava com toda uma parafernália que era usada durante o show: projeção de slides, super-8, luzes coloridas, etc. Assim, a banda foi rebatizada como Tutti Frutti, tendo Carlini registrado o nome da banda como de sua propriedade.[1]

Atrás do portoEditar

A banda começa a fazer shows com um repertório que inclui canções do projeto Cilibrinas repaginadas e canções novas compostas por Rita, Lúcia e Carlini. Como a gravadora vetou a ideia de lançar um disco ao vivo a partir das músicas do espetáculo do Ruth Escobar,[1] a banda grava em diversas datas durante 1973, entretanto, o material é vetado pela gravadora. Com raiva, Rita se juntaria a Tim Maia e, no final de 1973, destruiria o escritório de André Midani, então presidente da gravadora de ambos. Este disco seria lançado remasterizado de forma pirata no início de 2008 com o nome de Cilibrinas do Éden, embora as gravações sejam do Tutti Frutti, e não do projeto acústico de Rita e Lúcia.[3] Com o veto ao álbum gravado, Rita e a banda entram em estúdio no início de 1974 e gravam novas músicas do que seria o primeiro álbum da banda. A gravadora não havia ficado contente com o trabalho do baterista no material vetado e, por isso, foram convocados Paulinho Braga e Mamão para fazer novas bases de bateria. Além disso, sem o conhecimento da banda, a gravadora alteraria completamente uma das canções do disco: "Menino Bonito" havia sido gravada com dois violões e as vozes de Rita e Lúcia; entretanto, a gravadora retirou a voz de Lúcia e acrescentou piano, cordas, baixo e bateria.[1]

Em junho de 1974, é lançado pela gravadora Phonogram, através do selo Philips, o primeiro álbum de estúdio da banda, Atrás do Porto Tem uma Cidade, que traz o seu primeiro sucesso: "Mamãe Natureza". O disco é composto de rock's e hard rock's e não foi bem-recebido pela crítica especializada, apenas o trabalho de guitarra de Carlini sendo muito elogiado. Nos meses seguintes, a banda registra "Gente Fina É Outra Coisa" e "Bandido Corazón". A gravadora cogita o lançamento de um single com "Mamãe Natureza" e "Gente Fina É Outra Coisa", mas a ideia é abortada em agosto. Em janeiro de 1975, a banda se apresenta com sucesso no festival Hollywood Rock.[1] Um falso álbum ao vivo[4] é lançado pela gravadora Phonogram, através do seloPolydor, em março daquele ano. Mais tarde naquele ano, seria lançado também um documentário sobre o show, Ritmo Alucinante, de Marcelo França. No mesmo mês, a gravadora cogita novamente o lançamento de um compacto com "Gente Fina É Outra Coisa" e "Bandido Corazón". Novamente, a ideia é abortada. Esta sucessão de desistências da gravadora, bem como a remixagem de "Garoto Bonito" e o lançamento de material sem a autorização da banda, levaram ao fim do contrato do grupo.[1]

Fruto proibidoEditar

Já em abril daquele ano, a banda conseguia um contrato com a gravadora Som Livre que dava a eles liberdade artística total. Mas, antes da gravação, a banda passa por reformulações: sai o baterista Emilson Colantonio e entra Franklin Paolillo; sai Lúcia Turnbull e entram os além dessa troca, entram os irmãos gêmeos Gilberto e Rubens Nardo (vocais); e entra Guilherme Bueno (teclados) - que só tocaria no disco, não aparecendo nem nas fotos. Com essa formação, a banda faz diversos ensaios na casa de Rita e em estúdios para aprontar os arranjos do disco. Assim, entram em estúdio já naquele mês para registrarem o seu próximo álbum, o primeiro pela nova gravadora. Fruto Proibido é lançado em junho daquele ano e, ajudado pelo lançamento de um compacto duplo que continha "Ovelha Negra", o álbum faz grande sucesso, vendendo mais de 150 mil cópias,[5] puxado por aquela canção. O disco é considerado um clássico do rock nacional - a revista Rolling Stone Brasil elegeu-o o 16º melhor disco brasileiro de todos os tempos - tendo contado com a participação do multi-instrumentista Manito e rendido várias canções de sucesso, como "Agora Só Falta Você", "Esse Tal de Roque Enrow", em parceria com Paulo Coelho, e "Luz del Fuego". Para a turnê, o tecladista Paulo Maurício entraria no lugar de Guilherme Bueno, aparecendo já nas fotos do álbum.[1]

Melhor remédioEditar

Em 1978, já com Roberto de Carvalho integrando a banda como tecladista, Carlini resolve deixar o grupo, insatisfeito com sua posição secundária na banda - ele era o autor de várias músicas com Rita - e leva consigo o nome, registrado por ele desde 1973, formando então um novo grupo com o mesmo nome, com o vocalista Simbas - ex-Casa das Máquinas, o baixista Renato Figueiredo e o baterista Juba Gurgel, enquanto seu parceiro e cofundador do Tutti Frutti, Lee Marcucci, continuou com Rita.

A nova banda continuou com shows e um novo disco próprio da gravadora Capitol, que, demorando a ser lançado, graças a uma música censurada e que a banda queria que constasse dele de qualquer maneira, não fez sucesso. A banda terminou no começo dos anos 80.

Volta no final dos anos 1990Editar

Em 1997, retornaram aos palcos com a cantora Helena Theodorellos - então casada com Carlini, Ronaldo Bebeuz nos teclados, o baixista Mr. Ruffino e Franklin Paolillo na bateria. Esta formação fez muito sucesso na noite paulistana e várias turnês pelo país, terminando em 2007 com a saída de Helena Theodorellos.[6] Nos anos seguintes, a banda continuou na ativa com a cantora Sol Ribeiro, além de Roy Carlini - filho de Carlini - na guitarra e Johnny Boy, nos teclados. Em 2013, a banda sofreria nova mudança de formação com a morte de Mr. Ruffino.[7] Assim, a banda continua com Marinho Testoni, nos teclados, e Geraldo Vieira, no baixo.[8]

FormaçãoEditar

Atualmente

DiscografiaEditar

Álbuns de estúdioEditar

Ano Título Gravadora Observações
1974 Atrás do Porto Tem uma Cidade Phonogram, através do selo Philips como Rita Lee & Tutti Frutti
1975 Fruto Proibido Som Livre como Rita Lee & Tutti Frutti
1976 Entradas e Bandeiras Som Livre como Rita Lee & Tutti Frutti
1978 Babilônia Som Livre como Rita Lee & Tutti Frutti
1980 Você Sabe Qual o Melhor Remédio RCA -

Álbuns ao vivoEditar

Ano Título Gravadora Observações
1975 Hollywood Rock Phonogram, através do selo Philips como Rita Lee & Tutti Frutti. Falso álbum ao vivo, lançado somente em LP, e dividido com Erasmo Carlos, O Peso e Raul Seixas
1977 Refestança Som Livre como Rita Lee & Tutti Frutti. Álbum dividido com Gilberto Gil

Compactos simplesEditar

Ano Título Gravadora Observações
1977 Arrombou a Festa / Corista de Rock Som Livre como Rita Lee & Tutti Frutti
1979 Você / Oh! Suzete Odeon, através do selo Capitol -

Compactos duplosEditar

Ano Título Gravadora Observações
1975 Lá Vou Eu / Caçador de Aventuras / Status / Ovelha Negra Som Livre como Rita Lee & Tutti Frutti

ParticipaçõesEditar

Ano Título Gravadora Observações
1980 Tibet RCA álbum da cantora de mesmo nome

VídeografiaEditar

Ano Título Gravadora Observações
2007 Biograffiti Biscoito Fino Box com 3 DVD's de Rita Lee, sendo que a banda participa no primeiro disco, "Ovelha Negra"

Referências

  1. a b c d e f g Ricardo Pugialli (n.d.). «Tutti Frutti, do bairro Pompeia à lenda do rock nacional, nos anos setenta». Revista Senhor F. Consultado em 16 de fevereiro de 2018 
  2. Rubens Leme da Costa (n.d.). «Os Mutantes - Mutantes e Seus Cometas no País do Baurets e O A e o Z». Mofo. Consultado em 16 de fevereiro de 2018 
  3. Guilherme Samora (14 de abril de 2008). «Disco raro mostra transição entre carreira solo de Rita Lee e os tempos de Mutantes da roqueira». O Globo. Consultado em 6 de junho de 2019 
  4. «Policial não viu discurso de Raul Seixas pregando a "sociedade alternativa"». Folha de S.Paulo. 2 de junho de 2000. Consultado em 31 de dezembro de 2017 
  5. Chediak, 1990, p.15.
  6. Jaciara de Sá (8 de julho de 1998). «Tutti Frutti relembra década de 70». Folha de S.Paulo. Consultado em 16 de fevereiro de 2018 
  7. «Morre o músico Ruffino Lomba Neto, do Tutti Frutti e do Made in Brazil». G1. 27 de maio de 2013. Consultado em 12 de junho de 2019 
  8. Marcos Anubis (18 de abril de 2017). «Tutti Frutti se apresenta neste sábado no John Bull». CWB Live. Consultado em 12 de junho de 2019 

BibliografiaEditar

  • CHEDIAK, Almir; LEE, Rita. Rita Lee, vol. 1. Rio de Janeiro: Irmãos Vitale, 1990. ISBN 8585426616