Alzira Soriano

política brasileira
Alzira Soriano
Posse de Alzira Soriano em 1929
6ª Prefeita de Lajes
Período 1 de janeiro de 1929
a 25 de dezembro de 1930
Antecessor Ulisses Vale
Sucessor Adauto de Sá Leitão
Vereadora de Jardim de Angicos
Período 1947
a 1959
Dados pessoais
Nome completo Luzia Alzira Teixeira Soriano[1]
Nascimento 29 de abril de 1897
Jardim de Angicos, Rio Grande do Norte
Morte 28 de maio de 1963 (66 anos)
Jardim de Angicos, Rio Grande do Norte
Progenitores Mãe: Margarida de Vasconcelos
Pai: Miguel Teixeira de Vasconcelos
Cônjuge Thomaz Soriano de Souza Filho
Filhos Sônia Soriano, Ismênia Soriano e Ivonilde Soriano
Partido Partido Republicano
União Democrática Nacional

Luzia Alzira Teixeira Soriano (Jardim de Angicos, 29 de abril de 1897 — Jardim de Angicos, 28 de maio de 1963) foi uma política brasileira.[2]

Alzira disputou em 1928, aos 32 anos, as eleições para prefeitura de Lajes, cidade do interior do Rio Grande do Norte, pelo Partido Republicano, vencendo o referido pleito com 60% dos votos. Foi a primeira mulher da América Latina a assumir o governo de uma cidade, segundo notícia publicada na época pelo jornal norte-americano The New York Times.[3]

Alzira exerceu o cargo por apenas um ano, pelo então Partido Republicano. Em 1930, descontente com a eleição de Getúlio Vargas, ela deixou a função. Apenas dois anos depois disso, em 1932, mulheres conquistariam o direito de votar. Em 1947, voltou a exercer um mandato de vereadora do município de Jardim de Angicos, cargo para o qual foi eleita três vezes. [5]

Primeiros anos e formaçãoEditar

Nascida Luzia Alzira Teixeira de Vasconcelos, em Jardim de Angicos, no Rio Grande do Norte, em 1897. Cresceu na mesma cidade.[2]

Casou-se aos 17 anos, em 29 de abril de 1914, com Thomaz Soriano de Souza Filho e herdeiro da Fazenda Primavera. Na época, seu marido era promotor em Pernambuco.[4]

Aos 22 anos de idade já era viúva do herdeiro da Fazenda Primavera, na qual residia com suas três filhas. Com pouca idade e com direitos reduzidos por ser uma mulher, Alzira ficou reconhecida por comandar com pulso firme a casa e as atividades da propriedade.[5]

Bertha Lutz, líder feminista brasileira, viu em Alzira o potencial necessário para o movimento e a recrutou.[5] Alzira não voltou a se casar e em 1928 foi a primeira mulher a ocupar um cargo de prefeitura no Brasil, assumindo o cargo antes mesmo das mulheres terem o direito de votar no país.[6]

Acontecimentos marcantes e sufrágio feminino no BrasilEditar

Em 1928, Alzira Soriano foi eleita primeira prefeita do Brasil na cidade de Lajes, no Rio Grande do Norte.Ela tinha então 32 anos e disputou a prefeitura com Sérvulo Pires Neto Galvão.[2] O feito é relevante não só pela prefeitura em si, mas também por ser o primeiro cargo do Poder Executivo ser ocupado por uma mulher na América Latina.[7] Alzira conquistou 60% dos votos em uma época em que mulheres ainda não eram autorizadas a votar.[3]

Como prefeita, foi responsável pela construção de estradas, mercados públicos municipais e melhorias na iluminação pública da cidade de Lages.[8]

O Rio Grande do Norte, no entanto, foi pioneiro no país em relação a compatibilidade do direito das mulheres com relação ao voto. Mesmo que de maneira restrita, a partir de 1927, o estado permitiu que a primeira mulher brasileira votasse: Celina Guimarães Viana, que fez uma petição pelo direito após tomar conhecimento do artigo 17 da Lei Eleitoral do Rio Grande do Norte, de 1926, no qual se dizia: “No Rio Grande do Norte, poderão votar e ser votados, sem distinção de sexos, todos os cidadãos que reunirem as condições exigidas por lei”.[9]. Além disso, foi no Rio Grande do Norte eleita a primeira deputada estadual do país: Maria do Céu Fernandes de Araújo, em 1935.[10]

O voto de Celina Guimarães Viana inspirou outras mulheres a buscarem o direito ao voto e a conquistá-lo no Rio Grande do Norte, mediante requerimento legal. Em 1932, o direito ao voto feminino foi dado a todos os estados da Federação. No dia 24 de fevereiro deste ano, durante o governo Vargas, foi concedido o direito a votar e a ser votada a todas as mulheres casadas do país, mediante autorização do marido. Mulheres viúvas e solteiras só poderiam votar caso tivessem renda própria.[11]

Somente em 1934 foram retiradas as limitações sobre o voto feminino e a partir de 1946 passou a ser obrigatório também às mulheres.[12]

Alzira Soriano permaneceu apenas um ano em sua tão significativa prefeitura. Assumiu em 1929 a posse pelo Partido Republicano e, em 1930, por discordar do governo vigente do então presidente Getúlio Vargas, afastou-se da vida política.[5] Sua curta duração, porém, foi uma conquista para o empoderamento feminino. Em seu discurso de posse, em 1929, Alzira afirma que tornara-se realidade “o sonho da igualdade política”. O discurso foi publicado no Jornal A República no ano da posse.[13]

A participação de Alzira na política tornou-se de conhecimento internacional e foi noticiado no jornal norte-americano The New York Times. Seu pioneirismo foi inspiração para outras mulheres que, depois dela, ocuparam cargos políticos no Brasil. Alguns exemplos disso: Maria Luiza Fontelene, tomou a primeira posse de uma prefeitura por uma mulher, em Fortaleza, em 1986; primeira governadora mulher, Iolanda Fleming, no Acre, também em 1986; e Luiza Erundina, em 1989, prefeita de São Paulo.[3]

No mesmo período histórico em que Alzira Soriano conquistou a prefeitura de Lages (RN), outras mulheres ganhavam destaque no cenário nacional a respeito do aumento dos direitos das mulheres na política. Entre elas, Berta Lutz, Leolinda de Figueiredo Daltro e Carlota Pereira de Queiroz.[14] Todas as três se candidataram a Constituinte de 1934, mas somente a última conseguiu se eleger por São Paulo e em seu discurso de posse como deputada, Carlota ressaltou a importância da participação da mulher no processo de reconstitucionalização do Brasil.[15]

Alzira Soriano permaneceu afastada da vida política até 1947, ano em que tornou-se vereadora de Jardim de Angicos, no Rio Grande do Norte, mesma cidade onde nasceu e cresceu. Para cargo de vereadora, exerceu três mandatos consecutivos pela União Democrática Nacionalista (UDN) e aposentou-se de vez da vida política.[2]

RealizaçõesEditar

Em seu período de prefeitura, Alzira foi responsável pela construção e manutenção de estradas na cidade de Lages, na qual foi eleita, além da construção de mercados municipais para a cidade e melhorias na iluminação pública.[8]

Como mulher, foi um exemplo de independência e de superação dos obstáculos políticos e machistas na participação política no país. Conquistou a prefeitura em 1928, com 60% dos votos, em uma época em que mulheres nem sequer podiam votar legalmente.[3]

HomenagensEditar

Alzira é referenciada como pioneira quando se trata da participação política da mulher no Brasil e como exemplo diante do avanço dos ideais feministas e dos direitos das mulheres na política e sociedade.[5]

Referida como a primeira mulher prefeita no Brasil e na América Latina, Alzira recebeu homenagens em sua memória Câmara dos Deputados em 2018, em um momento de recordação a importância do papel político da mulher em virtude do assassinato da vereadora Marielle Franco, morta em março de 2018.[16]

Esta homenagem trata-se de um evento anual feito pela Câmara dos Deputados intitulado Diploma Mulher-Cidadã Carlota Pereira de Queirós, em memória da primeira deputada federal do Brasil. A homenagem, segundo site da Câmara dos Deputados, “é concedida a mulheres que tenham contribuído para o pleno exercício da cidadania e para a defesa dos direitos da mulher e das questões de gênero no Brasil”[16]

O município de Lages, em que Alzira se elegeu para prefeitura, também dispõe de uma homenagem na Semana Alzira Soriano para mulheres de relevância para a sociedade e para a cultura da cidade. Em 2018, quem recebeu o Título de Mulher Cidadã Alzira Soriano, foi Pollyana de Araújo Ferreira Brandão, diretora-geral do IFRN Campus Avançado Laje, entregue pela Câmara Municipal do Município de Lages.[17]

Ver tambémEditar

Referências