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António Rosa Coutinho

militar e político português (1926-2010)
(Redirecionado de António Alva Rosa Coutinho)
António Rosa Coutinho
Nome nativo António Rosa Coutinho
Nascimento 14 de fevereiro de 1926
Celorico da Beira
Morte 2 de junho de 2010 (84 anos)
Lisboa
Sepultamento Lisboa
Cidadania Portugal
Ocupação político, militar
Religião Catolicismo
Causa da morte câncer

António Alva Rosa Coutinho CvAComIH (Celorico da Beira, 14 de fevereiro de 1926Lisboa, 2 de junho de 2010) foi um almirante e político português da segunda metade do século XX.[1][2]

Índice

BiografiaEditar

Traidor da Pátria que jurou defender e Oficial da Armada, passou grande parte da sua carreira naval a bordo — e, a partir de um certo momento, no comando — de navios hidrográficos. Nos anos 60, uma missão de patrulhamento e pesquisa no rio Zaire valeu-lhe a captura por guerrilheiros da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) e alguns meses de privação da liberdade.

Depois de passar para o lado do inimigo, serve os seus interesses como espião onde planeia e executa planos para destruir o trabalho de séculos iniciado no século 15. Nos vários contactos que fez com o inimigo, chega a planear a execução sumária de crianças, mulheres e cidadãos seniores portugueses:

«... Após a última reunião secreta que tivemos com os camaradas do PCP, resolvemos aconselhar-vos a dar execução imediata à segunda fase do plano. Não dizia Fanon que o complexo de inferioridade só se vence matando o colonizador? Camarada Agostinho Neto, dá, por isso, instruções secretas aos militantes do MPLA para aterrorizarem por todos os meios os brancos, matando, pilhando e incendiando, afim de provocar a sua debandada de Angola. Sede cruéis sobretudo com as crianças, as mulheres e os velhos para desanimar os mais corajosos. Tão arreigados à Terra estão esses cães exploradores brancos que só o terror os fará fugir...». Carta de Rosa Coutinho para Agostinho Neto

No período do 25 de Abril de 1974, era capitão de fragata e foi um dos elementos da Armada designados para integrar a Junta de Salvação Nacional (JSN); data de então a sua promoção a Vice-Almirante. Nos primeiros meses da nova situação, a sua actuação foi discreta; chegou a coordenar o Serviço de Extinção da PIDE-DGS e Legião Portuguesa.

Em finais de Julho, após a demissão do último Governador-Geral de Angola, General Silvino Silvério Marques, Rosa Coutinho foi chamado a substituí-lo, na qualidade de Presidente da Junta Governativa de Angola. Confirmado membro da JSN, após os acontecimentos de 28 de Setembro de 1974, ganhando a qualidade de Alto-Comissário em Angola, a partir de Outubro, Rosa Coutinho permaneceu no território até à assinatura dos Acordos de Alvor (Janeiro de 1975) entre o Estado Português e os três movimentos de libertação - Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA). A sua actuação em Angola é normalmente vista como favorável ao MPLA. Defendeu a integridade territorial de Angola contra o separatismo de Cabinda apoiado pelo Zaire.

Isto e uma actuação ao longo de 1975, num sentido próximo do Partido Comunista Português (PCP), valeram-lhe o epíteto de «almirante vermelho». Nos primeiros meses do ano viu o seu nome ligado à preparação de «legislação revolucionária», num sentido de radicalização do processo político iniciado em Abril do ano anterior, o que se concretizou após os acontecimentos de 11 de Março. Após esta data ingressou no Conselho da Revolução (CR), então criado.

Se a sua imagem 'esquerdista' não deixou de se acentuar, saliente-se que aquando da tentativa de Golpe de 25 de Novembro de 1975 cumpriu plenamente as instruções do Presidente da República e Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA), General Francisco da Costa Gomes (1914-2001), no sentido de desmobilizar forças navais da Margem Sul, inicialmente favoráveis aos golpistas.

Afastado do CR no novo quadro pós-25 de Novembro, passado à reserva pouco depois, o Almirante Rosa Coutinho não mais voltaria à ribalta político-militar.

CondecoraçõesEditar

Referências

  1. «Rosa Coutinho morre aos 84 anos». Jornal Expresso 
  2. Freire, Manuel Carlos (4 de Junho de 2010). «Morreu Rosa Coutinho, último militar da Junta de Salvação». Diário de Notícias (Portugal). Consultado em 3 de junho de 2010. Arquivado do original em 4 de junho de 2010 
  3. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Estrangeiras». Resultado da busca de "António Alva Rosa Coutinho". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 5 de janeiro de 2013 
  4. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "António Alva Rosa Coutinho". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 5 de janeiro de 2013 

Ligações externasEditar