Arcy da Rocha Nóbrega

Arcy da Rocha Nóbrega
Retrato do General Nóbrega na década de 1930
Nome completo Arcy da Rocha Nóbrega
Dados pessoais
Nascimento 21 de maio de 1899 Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Morte 8 de janeiro de 1968 (68 anos) Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Nacionalidade Brasileiro
Cônjuge Francisca Arêa Leão Nóbrega
Alma mater Escola Militar do Realengo
Vida militar
Força Exército Brasileiro
Anos de serviço 19181959
Hierarquia General de Divisão.gif General de Divisão

Arcy da Rocha Nóbrega (Rio de Janeiro, 21 de maio de 1899Rio de Janeiro, 8 de janeiro de 1968) foi um general do Exército Brasileiro.

BiografiaEditar

Arcy da Rocha Nóbrega nasceu no dia 21 de maio de 1899, no Rio de Janeiro. Iniciou seus estudos no Colégio Militar do Rio de Janeiro. Em 1918, sentou praça voluntária no Forte Tamandaré da Laje e em 1921 foi declarado Aspirante-a-Oficial. Ao longo dos anos adquiriu significativa especialidade na artilharia no Exército Brasileiro.[1][2]

Em julho de 1932, já como capitão de companhia de artilharia, Arcy da Rocha Nóbrega aderiu ao levante contra ao regime ditatorial então presidido por Getúlio Vargas, revolta que ficou conhecida nos livros de história como Revolução Constitucionalista, que tinha como objetivos a deposição do governo vigente e convocação de uma Assembléia Constituinte, bem como a restauração do Estado de Direito no Brasil. Na ocasião, ele assumia posto na 2ª Região Militar, na guarnição de artilharia em Quitaúna-SP, comandando a 2ª Grupo Independente de Artilharia Pesada (GIAP), e foi designado para angariar apoio de outros oficiais alguns dias antes do levante.[1][3]

Naquele conflito, o capitão e a sua companhia foram designados para o denominado “Setor Norte” que compreendia todo o Vale do Paraíba do estado de São Paulo, assumindo inicialmente uma bateria de artilharia na posição no subsetor do Túnel da Mantiqueira, localizado na divisa entre as cidades de Cruzeiro-SP e Passa Quatro-MG junto das tropas comandadas pelo então Cel. Herculano de Carvalho e Silva. Ainda na primeira semana do conflito, no local conhecido como Garganta do Embaú, localizado logo acima do túnel, comandou um grupo de artilharia pesada que manejavam peças de 75mm e de 105mm modelos Krupp e Schneider, para responder ao fogo da artilharia de tropas federais que já recrudesciam fogo naquela posição.[1]

Na Revolução de 1932, o então capitão de artilharia era conhecido entre os mais próximos pelo seu zelo e capricho no manejo das peças, além de meticuloso nos cálculos de tiro. Segundo o escritor Guilherme Figueiredo, filho do então Cel. Euclides Figueiredo (o comandante daquele setor), que testemunhou as qualidades daquele oficial:[4]

Consta nos boletins de campanha do comando do “Setor Norte” que em 17 de julho de 1932 a bateria do capitão Arcy foi responsável pelo primeiro tiro de artilharia contra as tropas federais, tendo obtido a destruição de uma bateria adversária que estava posicionada nos arredores da estação ferroviária Manacá, em Passa Quatro-MG, e que hostilizava as trincheiras paulistas localizadas na Serra da Mantiqueira. É registrado também que naquela ocasião ele e sua unidade, reposicionavam as suas peças sob intenso fogo inimigo e num terreno acidentado. O feito teve grande impacto moral para as tropas paulistas, e impacto moral adverso para as tropas federais, dado que ocorreu nos primeiros dias do conflito, num momento em que as tropas paulistas careciam em número de soldados e recursos bélicos, principalmente os de artilharia, além do fato de que as tropas federais também subestimavam as tropas paulistas, considerando-os uma força diminuta rebelde composta em maioria por civis sem instrução militar, motivo pelo qual recrudesciam fogo sob as posições paulistas supondo uma incapacidade de reação. Como conseqüência disso, as tropas federais de artilharia tiveram que reposicionar as suas peças fora do alcance da artilharia paulista, além de chamar por reforços.[1][5][6]

Um dos que testemunharam o feito do Cap. Arcy em julho de 1932 foi Aureliano Leite, advogado, político e primeiro presidente do MMDC, que relatou o episódio em seu livro “Martírio e Glória de São Paulo” (1934).[6] Outra testemunha ocular do feito foi o então sargento do Exército Constitucionalista (e cabo no Exército Brasileiro) Antenor Coradi, que na ocasião assumia posto avançado de observação em um ponto elevado, local em que também comandava uma seção de metralhadora. Em seu livro, "Epopéia: Revolução Constitucionalista" (1986), Coradi descreveu a façanha da artilharia paulista na Garganta do Embaú bem como a reação de suas tropas:[5]

No dia 3 de agosto de 1932, foi transferido para o subsetor de Queluz-SP, na divisa com o Rio de Janeiro, seguindo a também transferência de José Teófilo Ramos para o subsetor de Queluz e mais 100 homens da Força Pública de São Paulo. Naquela campanha militar, realizou outros feitos similares aos realizados na Serra da Mantiqueira nas frentes de combate de Queluz-SP, Lavrinhas-SP e Guaratinguetá-SP. Segundo Paulo Duarte, combatente paulista daquele conflito e comandante do Trem Blindado nº 6, o capitão Arcy também participou de algumas missões noturnas com o trem blindado para além das linhas inimigas, ocasião em que operou uma metralhadora pesada. O TB nº 6, apelidado de "Fantasma da Morte, era notório naquele conflito pelo arrojo e eficiência nas suas missões, e também pelo grande número de baixa infligido nas tropas inimigas.[7]

Pelo seu desempenho ao longo daquele conflito obteve muito prestígio junto ao alto comando e tornou-se popular com as demais tropas. Entre os paulistas recebeu o cognome de “Paladino da Revolução”, mais tarde adquirindo também o prestigioso título de “Cidadão Paulista”. Perguntado se poderia assumir qualquer comando, respondeu: “assumo o comando de uma bateria, de um grupo, de um regimento ou do Ministério da Guerra, se para isto for designado”.[1][7]

Com o fim do conflito, foi preso, mas solto em 1933. Fora do Exército, abriu junto com Reinaldo Saldanha da Gama um escritório de engenharia na capital paulista, cujo nome era "Saldanha e Arcy", situado no endereço da Praça do Patriarca, nº 6.[8] Porém, em maio de 1934 foi anistiado pelo Governo Federal com o Decreto nº 24.297 e retornou ao seu posto no Exército Brasileiro. Ainda naquele ano foi promovido a major.[9]Muito prestigiado em São Paulo, recebeu várias homenagens naquele estado nos anos subsequentes a Revolução de 1932. Em uma dessas homenagens, um banquete organizado pela sociedade paulista, o anúncio do evento no jornal assim descrevia as qualidades do estimado oficial de artilharia:[10]

Em 1937, foi designado pelo Exército como instrutor da Força Pública de São Paulo.[11]

Em 1949, já Tenente-Coronel, assume comando no 1º grupo do 4º Regimento de Artilharia Antiaérea, regimento recém criado na cidade de Caxias do Sul-RS. Naquele posto, encontrou uma unidade em estado precário. Assim, coube a ele reestruturar as instalações apesar das limitações orçamentárias. Posteriormente foi transformado no 3º Grupo de Canhões Automáticos Antiaéreos (GCAAA) de 40mm. Dentre outras experiências no Exército, inclui-se também o período em que assumiu como Diretor do Arquivo Histórico do Exército Brasileiro.[1]

Em 13 de julho de 1959, na ocasião com 41 anos de serviço ativo, Arcy da Rocha Nóbrega é transferido para a reserva com a patente de General de Divisão, contando com referências elogiosas do Presidente da República. Ao longo de sua carreira acumulou cerca de trinta condecorações, diplomas e títulos recebidos.[1][12]

Foi casado com Francisca de Arêa Leão Nóbrega, com quem teve três filhos: Marília da Rocha Nóbrega, Marilda da Rocha Nóbrega Adams, Mareio da Rocha Nóbrega.[13]

Faleceu em 8 de janeiro de 1968. Foi sepultado no Cemitério de São João Batista, em 9 de janeiro. Considerado um dos heróis da Revolução Constitucionalista, em abril de 1980 os seus restos mortais foram transladados para Mausoléu do Soldado Constitucionalista, no Parque do Ibirapuera, na capital paulista em uma cerimônia fúnebre que contou com honras militares.[13][14]

É Patrono da Academia de História Militar Terrestre Brasileira (AHIMTB), na cadeira de nº 17, lembrando por ter sido o 1º Comandante da GAAA e cidadão honorário de Caxias do Sul-RS. Muito prestigiado nesta cidade, teve também em sua homenagem a inauguração da Rua General Arcy da Rocha Nóbrega, no bairro Jardim América. Na Vila Mariana, em São Paulo-SP, há a Escola Estadual "Major Arcy" denominada em sua memória, por meio do decreto estadual nº 49.588 de 8 de maio de 1968.[1][15]

Ver tambémEditar

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Referências

  1. a b c d e f g h «Divulgação das Atividades - Exaltação ao Patrono da Cadeira nº 17, Coronel Arcy da Rocha Nóbrega» (PDF). Caxias do Sul: ahimtb.org. 11 de dezembro de 2010 
  2. Ventura, Mario. Histórico da sociedade veteranos de 32. São Paulo: [s.n.] 
  3. De Abreu, Alzira Alves (2015). Dicionário histórico-biográfico da Primeira República (1889-1930). Rio de Janeiro: CPDOC 
  4. Figueiredo, Guilherme (1977). «Depoimento» (PDF). Rio de Janeiro: FGV/CPDOC. Consultado em 4 de janeiro de 2018 
  5. a b Coradi, Antenor (1986). Epopéia: Revolução Constitucionalista de 1932. Itanhaém: Do autor. p. 44-45 
  6. a b Leite, Aureliano. Martírio e Glória de São Paulo. São Paulo: Revista dos tribunais. p. 372 
  7. a b Duarte, Paulo J. Palmares pelo Avesso. São Paulo: Ipe. p. 424 
  8. A Gazeta (SP) (25 de outubro de 1933). «Saldanha e Arcy». São Paulo: memoria.bn.br. p. 2. Consultado em 17 de março de 2018 
  9. «Decreto nº 24.297, de 28 de Maio de 1934 - Publicação Original - Portal Câmara dos Deputados». www2.camara.leg.br. Consultado em 17 de março de 2018 
  10. Correio de S. Paulo (19 de janeiro de 1934). «Homenagens - Homenagem ao major Arcy da Rocha Nobrega» 00498 ed. memoria.bn.br. p. 2. Consultado em 17 de março de 2018 
  11. A Batalha (RJ) (23 de janeiro de 1937). «Oficiais em serviço nos Estados» 02209 ed. memoria.bn.br. p. 3. Consultado em 18 de março de 2018 
  12. «Correio da Manhã - 1º caderno. Rio de Janeiro, 19 de janeiro de 1967» (PDF). memoria.bn.br. Consultado em 19 de janeiro de 2018 
  13. a b «Jornal do Brasil - cad.1º p.18 - Rio de Janeiro, 9 de janeiro de 1968» (PDF). memoria.bn.br. Consultado em 19 de janeiro de 2018 
  14. Simões, Ricardo Torre. Paula Ferreira: memórias de uma família. São Paulo: [s.n.] p. 173 
  15. «Decreto estadual nº 49.588 de 8 de maio de 1968». ALESP. Consultado em 27 de fevereiro de 2020 

Ligações externasEditar