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Carlos de Ornellas
Nome completo Carlos de Ornellas Lopes Banhos
Outros nomes Carlos d'Ornellas
Nascimento 1897
Angra do Heroísmo
Morte 15 de Agosto de 1963 (66 anos)
Nacionalidade Portugal portuguesa
Cônjuge Fernanda d'Ornellas
Filho(s) Maria Carlos d'Ornellas
Ocupação Jornalista, empresário, escritor e militar
Prémios Medalha da Campanha do Exército 1914-1917
Medalha das Nações Aliadas
Medalha de Bons Serviços
Medalha da Cruz Vermelha
Cargo Director-gerente da Gazeta dos Caminhos de Ferro
Serviço militar
Patente Sargento

Carlos de Ornellas Lopes Banhos, também conhecido como Carlos d'Ornellas, foi um jornalista, escritor, empresário e militar português.

BiografiaEditar

Nascimento e formaçãoEditar

Nasceu na cidade de Angra do Heroísmo Ilha Terceira, no Arquipélago dos Açores.[1] Estudou no Liceu de Ponta Delgada.[1]

Carreira militarEditar

Frequentou a Escola Central de Sargentos como parte do Regimento de Infantaria N.º 1.[1] Foi depois integrado no Corpo Expedicionário Português,[1] como sargento do Regimento de Infantaria 7, durante a Primeira Guerra Mundial[2] Distinguiu-se pela sua conduta durante os combates em França[1] e na Flandres.[3]

Aderente do movimento integralista monárquico, participou na tentativa de golpe de Janeiro de 1919, e na Revolução de 28 de Maio de 1926.[1]

Carreia profissionalEditar

Exerceu funções como jornalista, tendo passado por vários jornais diários de Lisboa, e fundado a revista Viagem.[4] Fez parte da equipa dos jornais A Capital, O Século, A Noite, A Monarquia, Correio da Manhã, A Vanguarda]], Diário dos Açores, Correio dos Açores, A Época, A Voz, Diário da Manhã, Acção Nacional, Reacção e A Monarquia Nova.[1] Em 4 de Novembro de 1920, empregou-se como funcionário na editora da Gazeta dos Caminhos de Ferro, da qual se tornou proprietário e director cerca de três anos depois.[5] Foi o enviado da Gazeta dos Caminhos de Ferro ao V Congresso Internacional da Imprensa Técnica, na cidade de Barcelona em 1929, no Congresso Internacional dos Caminhos de Ferro de 1930, em Madrid, e no Congresso Internacional dos Caminhos de Ferro de Paris, em 1937.[5]

Colaborou igualmente na organização de várias instituições, como a Casa da Imprensa, onde foi tesoureiro na Caixa de Previdência dos Profissionais da Imprensa de Lisboa e desempenhou outras funções directivas,[1] e o agrupamento dos Combatentes da Grande Guerra.[6] Também foi fundador e colaborador na associação onomástica Os Carlos, no Grémio dos Açores,[6] e na Associação da Imprensa Técnica e Profissional.[1] Trabalhou igualmente como secretário na Sociedade de Geografia de Lisboa.[1]

Defensor da tauromaquia[4], criou o Grupo Tauromáquico Sector I [7], e a tertúlia Festa Brava, à qual presidiu por 17 anos.[7][8]

Participou em diversos congressos sobre a temática dos caminhos de ferro, na Bélgica, Espanha, França e Suíça.[1] Esteve no congresso ferroviário de Madrid em Setembro de 1958.[6] Conseguiu que a Câmara Municipal de Lisboa colocasse o nome do jornalista Leonildo de Mendonça e Costa num largo daquela cidade, cuja cerimónia teve lugar no dia 1 de Março de 1933.[5] Em 1952, participou, junto com outros antigos combatentes portugueses da Primeira Guerra Mundial, numa romagem aos antigos campos de batalha em França, Bélgica e Alemanha, com especial destaque para a Flandres.[9] No ano seguinte, organizou, junto com Agostinho Sá Vieira e o general Ferreira Martins, a III Romagem dos Antigos Combatentes Portugueses, na qual participou, para visitar as sepulturas dos soldados portugueses da Primeira Grande Guerra, em França e na Bélgica; aproveitou para assistir, em representação da revista Viagem e da Gazeta dos Caminhos de Ferro, ao XI Congresso da Imprensa Periódica, que, naquele ano, se realizou em Bruxelas.[10]

Em 1955, publicou o livro Espanha, sendo o segundo volume da série Viajando pela Europa.[11] Também publicou as obras Madeira e Açores, O Último Dia do Condenado, Contos Amargos da Guerra, Manual do Viajante em Portugal, O Açoriano na Grande Guerra, e Petit Guide de Conversation Français-Portugais

Falecimento e famíliaEditar

Adoeceu logo após o seu regresso de Madrid, em Setembro de 1958, tendo conseguido resistir com cuidados médicos durante cerca de cinco anos.[6] No entanto, acabou por falecer na madrugada do dia 15 de Agosto de 1963, na sua residência da Rua da Horta Seca, em Lisboa.[1] O funeral teve lugar no dia seguinte, na Igreja da Encarnação, tendo o corpo sido enterrado no talhão dos combatentes da Primeira Guerra Mundial, no Cemitério do Alto de São João.[1]

Estava casado com Fernanda Pereira da Silva de Ornellas, com quem teve uma filha, Maria Carlos da Silva Pereira de Ornellas.[1]

Condecorações e homenagensEditar

Um ano após a sua morte, os membros da direcção das organizações Os Carlos e Festa Brava lideraram uma procissão, em que participou um grande número de pessoas, para depositar ramos de flores na sua campa.[6] Também foi homenageado pelo General Afonso Botelho, no âmbito das comemorações do aniversário do armistício da Primeira Guerra Mundial.[2]

Foi condecorado com as medalhas militares da Campanha do Exército 1914-1917, das nações aliadas, de de Bons Serviços, e da Cruz Vermelha de dedicação e agradecimento.[1]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n o «Necrologia». Diário de Lisboa. Ano 43 (14608). 15 de Agosto de 1963. p. 2. Consultado em 31 de Dezembro de 2018 
  2. a b «Carlos D'Ornellas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 76 (1822). 16 de Novembro de 1963. p. 323. Consultado em 4 de Abril de 2014 
  3. «In Memoriam: Carlos D'Ornellas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 76 (1816). 16 de Agosto de 1963. p. 215-216. Consultado em 31 de Dezembro de 2018 
  4. a b «Relembrando Carlos d'Ornellas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 77 (1847). 1 de Dezembro de 1964. p. 343. Consultado em 4 de Abril de 2014 
  5. a b c AGUILAR, Busquets de (1 de Março de 1953). «História da "Gazeta dos Caminhos de Ferro"» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 66 (1566). p. 12-14. Consultado em 4 de Abril de 2014 
  6. a b c d e «In Memoriam: Carlos d'Ornellas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 77 (1840). 16 de Agosto de 1964. p. 219-220. Consultado em 4 de Abril de 2014 
  7. a b «Carlos de Ornellas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 80 (1913). 1 de Setembro de 1967. p. 193. Consultado em 31 de Dezembro de 2018 
  8. «Na Tertúlia "Festa Brava"» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 80 (1914). 16 de Setembro de 1967. p. 216. Consultado em 4 de Abril de 2014 
  9. «Carlos D'Ornellas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 65 (1545). 1 de Maio de 1952. p. 84. Consultado em 4 de Abril de 2014 
  10. «Carlos D'Ornellas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 66 (1570). 16 de Maio de 1953. p. 101. Consultado em 4 de Abril de 2014 
  11. «O Livro «Espanha»» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 68 (1618). 16 de Maio de 1955. p. 168. Consultado em 31 de Dezembro de 2018 


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