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IgrejaCatólicaEmblem of the Papacy SE.svg
Flag of Algeria.svg
Argélia
Basílica de Nossa Senhora da África, em Argel, capital da Argélia
Ano 2016[1]
Santo padroeiro São Cipriano de Cartago
Nossa Senhora da África[2]
Cristãos 33.000 (<1%)[3]
Católicos <1%
População 40.969.443
Presbíteros 98
Religiosos 78
Religiosas 168
Núncio apostólico Luciano Russo
Códice DZ

A Igreja Católica na Argélia é parte da Igreja Católica universal, em comunhão com a liderança espiritual do Papa, em Roma, e da Santa Sé. O catolicismo é a maior denominação cristã do país, ainda que os cristãos representem menos de 1% da população, e mais de 99% são muçulmanos. O islã é a religião oficial do Estado.[4]

Índice

HistóriaEditar

Cristianismo florescente e islamizaçãoEditar

Santo Agostinho foi um dos maiores teólogos da história da Igreja, e declarado santo, nasceu em Tagaste, na Argélia, no ano 354, quando o norte da África via um cristianismo vivo e florescente. Sua esposa, Santa Mônica também nasceu na mesma cidade.[5] No século V, a Igreja Católica tinha ao norte da África mais de 700 bispos. A conquista árabe provocou um declínio gradual, ainda que até os séculos X e XI, há registros de cartas enviadas a Roma, ao Papa, ou seja, havia comunidades cristãs até essa época. Isso significa que, durante três séculos após a Conquista muçulmana do Magrebe, a vida cristã se manteve, mas declinou de forma gradual devido à heresia donatista. Por vola dos séculos XI e do XII, a dinastia Aglábida, começou a impulsionar a conversão ao islã depois da conquista normanda da Sicília, ou seja, a recristianização de toda a região sul da Itália. Como vingança, impuseram que todos os cristãos da região aderissem à fé islâmica. Nesse período se extinguiu toda presença cristã de todo o norte da África, não somente na Argélia, mas também na Tunísia e em Marrocos.[3]

ColonizaçãoEditar

A nova chegada do catolicismo ao território argelino se deu durante o período da colonização do país. Quando os franceses chegaram ao norte da África, passaram a estimular seus cidadãos a assentar-se, a investir em granjas, e assim levando ao aumento da presença cristã para cerca de 900 mil pessoas.[3]

Um novo descenso se inicia, já que a presença cristã estava sob a influência da França, que, por influência de católicos maçons, havia a proibição da população local muçulmana de entrar na Igreja, imprimir as escrituras e a literatura cristã em árabe, admitir muçulmanos nas igrejas, aceitar sacerdotes procedentes da Síria ou do Líbano que falassem árabe. Em suma, a mentalidade era do islã para os argelinos e o cristianismo para os franceses. Assim, não houve uma presença ativa da atividade missionária da Igreja durante tal período.[3]

IndependênciaEditar

Depois de 1962, todos os franceses (chamados Pieds-noirspés negros) retornaram à França restando poucos trabalhadores estrangeiros trabalhando nos campos de petróleo e gás. A guerra contra a França perdurou entre 1954 e 1962, quando a Argélia obteve sua independência. Em um ou dois anos, todos os cristãos haviam voltado à França e isso reduziu a presença cristã a menos de 1% da população total. Durante o boom do petróleo, nas décadas de 50 e 60, a Arábia Saudita passou a requisitar mão-de-obra especializada do Egito e da Argélia. Quando esses profissionais voltaram, trouxeram ideias islâmicas fundamentalistas, como o wahhabismo e o salafismo a seus países, as quais ganharam força.[3]

AtualmenteEditar

Ainda que os muçulmanos argelinos tendam a ser moderados, a atuação da Igreja tem grandes restrições. Uma lei promulgada em 2006, por exemplo, tornou muito restritiva a ação católica, proibindo qualquer atividade religiosa fora das instalações das igrejas. Por exemplo, se um sacerdote vai ao campo onde não existe uma igreja, mas há uma comunidade de 20 a 50 pessoas, não pode celebrar, porque não está oficialmente indicado como lugar de culto. Além do mais, qualquer tentativa de converter um muçulmano é castigada com uma multa ou prisão. O governo restringe os vistos de entrada a sacerdotes católicos, e geralmente confisca toda a literatura católica que vem da França no aeroporto. Por isso, as pessoas que possuem tais obras têm de dizer aos funcionários que são para uso pessoal.[3]

Atualmente a Igreja divulga que há uma média de seis conversões ao dia, e há aproximadamente treze mil convertidos argelinos de origem berber. Os berberes foram convertidos compulsoriamente ao Islã. A reconversão ao cristianismo pode ser vista como uma forma de oposição. Também há registros de que a Igreja Católica argelina vivencia um período único em sua história: com a pequena permanência de estrangeiros, a atividade missionária católica está sendo feita pelos próprios argelinos já convertidos ao catolicismo sem influência estrangeira. Em 2008, na cidade de Oran, seis argelinos foram presos por distribuir o evangelho publicamente. Há relatos de aldeias inteiras na região berber estão se convertendo em um nível tal, que o governo se tornou incapaz de opor-se. Isso é considerado um renascimento que não ocorria desde o século VII ou X[3]

Organização territorialEditar

 
Mapa da divisão territorial das dioceses argelinas

A Igreja Católica tem no território argelino uma sé metropolitana, com duas dioceses sufragâneas, e uma diocese imediatamente sujeita à Santa Sé:

Conferência EpiscopalEditar

Os bispos do país são membros da Conferência Episcopal Regional do Norte da África, que agrupa os bispos católicos das igrejas de Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia e Saara Ocidental.

Nunciatura ApostólicaEditar

 Ver artigo principal: Nunciatura Apostólica na Argélia

A Nunciatura Apostólica da Argélia foi estabelecida em 13 de abril de 1972 com o breve Cum sit, do Papa Paulo VI. É baseado na cidade de Argel. Até 1995, o núncio também era o delegado apostólico da Líbia.

Referências

  1. «Catholic Church in Republic of Algeria». GCatholic. Consultado em 11 de novembro de 2018 
  2. «Patrons of Algeria». Catholic Saints.Info. Consultado em 11 de novembro de 2018 
  3. a b c d e f g «Argélia: a Igreja renasce». Zenit. 10 de outubro de 2010. Consultado em 13 de novembro de 2018 
  4. «Gain Insight into Algeria's Religions». Algeria.com. Consultado em 11 de novembro de 2018 
  5. «Vida e Obra». Agostinianos. Consultado em 14 de novembro de 2018 

Ver tambémEditar