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Cerco de Humaitá
Guerra do Paraguai
Guerra do Paraguai-Operações Passagem Humaita 1866-1868.png
Esquema gráfico da Passagem de Humaitá, uma operação militar organizada para passar pela Fortaleza Humaitá, no rio Paraguai, com uma pequena força de seis monitores da Armada Imperial, em 19 de fevereiro de 1868.
Data 2 de novembro de 1867 a 25 de julho de 1868 (8 meses e 24 dias)
Local Rio Paraguai, Fortaleza de Humaitá
Desfecho Vitória dos aliados
Beligerantes
 Paraguai Império do Brasil
 Argentina
Comandantes
Paraguai Solano López
Paraguai Francisco Martinez
Paraguai Colonel Pedro Hermosa
Argentina Bartolomé Mitre
Marquês de Caxias
General Osorio
Forças
2 500 soldados 8 000 soldados aliados
Baixas
250 mortos
100 feridos
400 mortos
1 200 feridos

O Cerco de Humaitá foi uma operação de cerco prolongado organizada pelos aliados da tríplice aliança que ocorreu na Fortaleza de Humaitá, no Rio Paraguai. Humaitá foi cercada por terra em 2 de novembro de 1867, por água no dia 19 de fevereiro de 1868 se rendendo em 25 de julho.

Índice

DefesasEditar

A Fortaleza de Humaitá foi construída sobre uma curva estratégica do rio Paraguai, que forçaria os navios a se dirigirem primeiro para o fogo de artilharia. O Comando Aliado reconheceu que devido a disso e as correntes instaladas, a conquista da fortaleza era quase impossível.[1]

O cercoEditar

 
Plano da fortaleza de Humaitá, detalhe. A seta vermelha indica a posição das correntes; a seta azul indica a igreja (visto na imagem ao lado).

Em 1º de agosto de 1867, o general argentino Bartolomé Mitre ordenou à frota imperial brasileira que assegurasse uma passagem por Curupaiti e Humaitá. Em 15 de agosto, duas divisões de cinco couraçados passaram por Curupaiti sem incidentes, mas o fogo de artilharia os forçou a parar em Humaitá.[2] Esta notícia causou conflito no alto comando aliado. Os comandantes brasileiros estavam convencidos de que atacar a fortaleza pelo rio seria fútil e retiraram sua frota, na iminência de um ataque terrestre que começou em 18 de agosto.

De Tuyucuê, os Aliados se dirigiram para o norte e tomaram as aldeias de São Solano, Tayi e finalmente cercaram o próprio Humaitá, isolando-o de Assunção em novembro de 1867.[3] Em 19 de fevereiro de 1868, o marechal Caxias e o vice-almirante Barão de Inhauma ordenaram que a frota subisse o rio Paraguai, passando por Humaitá. Houve poucas baixas e danos mínimos causados ​​a qualquer um dos navios.[4] Em 24 de fevereiro, o Bahia, Barroso e o Rio Grande do Sul bombardearam Assunção, que havia sido evacuado mais cedo.[5]

O presidente paraguaio Francisco Solano López decidiu evacuar Curupaiti e Humaita. Ele cruzou o rio Paraguai até o lado do Chaco em 3 de março de 1868. Solano López deixou o coronel Francisco Martinez encarregado de uma força de 3.000 homens e 200 canhões. O general Argolo atacou o Sauce em 21 de março, resultando na retirada dos paraguaios para Paso Pacu. Curupaiti foi abandonado no dia seguinte. O Bahia, Rio Grande e o Pará bombardearam Humaitá em 23 e 24 de março de 1868. No final de abril, as forças aliadas tinham tropas nas margens ao lado do Chaco do Rio Paraguai.[6]

Batalha de AcayuazáEditar

 Ver artigo principal: Batalha de Acayuazá
 
Reconhecimento de Humaitá pelo General Osório, em 16 de julho de 1868.

O exército aliado avançou em 16 de julho de 1868, quando parecia que Curupaiti e Humaitá estavam abandonados. O General Osório e 6.000 soldados lideraram um ataque no lado nordeste de Humaitá, sem saber das 46 armas paraguaias escondidas e mais de 2.000 homens sob o comando do coronel Pedro Hermosa.

Sob o comando de "Muerte a los cambas", os brasileiros recuaram. As baixas brasileiras consistiram de 279 mortos, 754 feridos e 100 capturados, enquanto as baixas paraguaias foram 89 mortos e 104 feridos.[7]

O general Rivas ordenou um ataque ao reduto paraguaio de Cora em 18 de julho. Uma força aliada de homens de infantaria argentinos e brasileiros foi emboscada por uma força liderada pelo coronel Caballero. As perdas argentinas somavam 90 mortos, 87 feridos e 35 capturados, enquanto os brasileiros tinham 67 mortos, 221 feridos e 2 capturados. Os paraguaios sofreram 120 baixas.[7]

Evacuação de HumaitáEditar

 
O Padre Esmerata do exército brasileiro, exortando os paraguaios a se renderem.

O coronel Martinez pediu permissão a Solano López para começar a evacuar Humaitá em 19 de julho. Solano López ordenou que Martinez aguentasse mais cinco dias, mas a primeira onda de retirada paraguaia começou no dia 24 com 1.200 homens. O restante partiu no dia 25 depois de cravar seus canhões. A força aliada entrou em Humaitá dez horas depois.[carece de fontes?]

ConsequênciasEditar

O coronel Martinez, junto com 1.228 homens, 96 oficiais, mulheres e crianças, foram pegos tentando cruzar a Laguna Vera. Ele finalmente se rendeu em 5 de agosto de 1868. Lopez classificou Martinez como um traidor e buscou vingança ao assassinar sua esposa.[8] Os aliados capturaram centenas de peças de artilharia, mas a maioria era inutilizável. Alguns homens, o coronel Alen entre eles, conseguiram escapar do cerco e voltar para as linhas paraguaias pela selva. No entanto, o Coronel Alen não foi recebido com muito festejo e foi preso por deserção.[9]

Referências

  1. Burton 1997, p. 296.
  2. Hooker 2008, p. 73.
  3. Hooker 2008, pp. 73-75.
  4. Hooker 2008, p. 80.
  5. Hooker 2008, p. 82.
  6. Hooker 2008, pp. 83-84.
  7. a b Hooker 2008, p. 86.
  8. Hooker 2008, pp. 86-87.
  9. Kohn 2008, p. 239.

BibliografiaEditar

  • Hooker, Terry D. (2008). Armies of the nineteenth century. The Americas. Nottingham, United Kingdom: Foundry Books. ISBN 1901543153. OCLC 429032555 
  • Donato, Hernâni (1996). Dicionário das batalhas brasileiras 2a. ed. rev., ampliada e atualizada ed. São Paulo: Instituição Brasileira de Difusão Cultural. ISBN 8534800340. OCLC 36768251 
  • Kohn, Roger (2008). Weep, grey bird, weep : the Paraguayan War 1864-1870. Milton Keynes: Authorhouse. ISBN 9781434319807. OCLC 228193676 
  • Burton, Rchard Francis (1997). Cartas dos campos de batalha do Paraguai. Rio de Janeiro: Biblex. ISBN 857011222X