Enxaimel

O enxaimel, ou Fachwerk (em alemão) é uma técnica de construção na qual as paredes são montadas com vigas de madeira em posições horizontais, verticais ou inclinadas, cujos espaços são preenchidos com material de fácil utilização no local. Os tramos podem ser preenchidos com tijolos, pedras, adobe, taipa, dentre outros materiais, e geralmente não se utiliza reboco. O tramado de madeira confere estilo e beleza às construções do gênero, produzindo um caráter estético privilegiado. Outras características são a robustez, eficiência estrutural e baixo custo de edificação. Esse padrão arquitetônico é historicamente atribuído às regiões germânicas, porém passou por inúmeros processos de adaptação ao longo do tempo derivados da mudança na disponibilidade de recursos naturais. Também houve a inserção de elementos estruturais inexistentes em sua origem, tais como blocos de pedra e alvenaria.[1][2] O quadro de madeira é muitas vezes deixado exposto no exterior do edifício.[3]

Casa Knochenhauer-Amtshaus em Hildesheim, Alemanha (1527).
Construções em Hornburg, Alemanha.

HistóriaEditar

O edifício de enxaimel mais antigo conhecido é chamado de casa opus craticum. Ele foi enterrado pela erupção do Monte Vesúvio em 79 DC em Herculano, Itália. A técnica de construção opus craticum foi mencionado por Vitrúvio em seu livro Tratado de arquitetura como uma estrutura de madeira com enchimento de taipa. [4] No entanto, o mesmo termo é usado para descrever estruturas de madeira com preenchimento de entulho de pedra colocado em argamassa, que os romanos chamavam de opus incertum.[5]

Ainda que normalmente se faça uma ligação natural entre o Enxaimel e a Alemanha, a verdade é que essa técnica construtiva não possui uma origem determinada. Embora seu desenvolvimento maior tenha ocorrido naquele país e regiões vizinhas, especialmente no período renascentista, sabe-se que o povo etrusco, habitante da Península Itálica, já praticava a técnica no século VI AEC.

Materiais de preenchimentoEditar

O tipo mais antigo de preenchimento conhecido, chamado opus craticum pelos romanos, era uma construção do tipo de taipa.[6] Outros preenchimentos incluem bousillage , tijolo queimado, tijolo cru, como adobe ou barro, pedras às vezes chamadas de pierrotage, pranchas como no ständerbohlenbau alemão, madeiras como ständerblockbau . Raramente utiliza-se cob sem qualquer suporte de madeira.[7] O preenchimento de tijolos tornou-se o padrão depois que a fabricação em massa de tijolos os tornou mais disponíveis e menos caros.[8]

Paredes de enxaimel podem ser cobertas por revestimentos, incluindo gesso, tábuas, ladrilho ou ardósia.[8]

No BrasilEditar

 
Casa enxaimel em São Bonifácio, Santa Catarina.

Por influência de José Bonifácio, Dom Pedro I decidiu inaugurar com os alemães um programa de imigração para o sul no início do século XIX movido não apenas por questões de segurança nacional, diante das sucessivas disputas territoriais naquela então erma região fronteiriça, como também por um casamento de interesses políticos, literalmente – filha de Francisco I, da Áustria, a imperatriz Leopoldina tinha sangue germânico (vale ressaltar que a colonização alemã em Nova Friburgo foi anterior à de São Leopoldo). O êxodo foi impulsionado, também, pela escassez de terras que apenas garantia sua posse ao primogênito de cada família.[carece de fontes?]

As casas no chamado "estilo" (técnica construtiva) enxaimel são uma das principais atrações turísticas em qualquer região de colonização alemã. Quando os primeiros alemães chegaram ao Brasil, a arquitetura enxaimel já não era utilizada havia muito tempo, mas foi considerada a mais adequada para as condições encontradas em São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Minas Gerais.[carece de fontes?]

Além de fortes, as casas eram baratas e de construção simples. Enxaimel quer dizer enchimento. Primeiro, era construído o esqueleto da casa, todo de toras grossas de madeira. Entre as vigas verticais eram colocadas as horizontais e, nas extremidades das paredes, algumas em ângulo, para evitar inclinação. Pronta a "caixa", os espaços eram completados com materiais disponíveis de acordo com a região: no Rio Grande do Sul, há fechamentos com taipa, barro socado, tijolos maciços rebocados e até mesmo pedras grês cortadas. Em Santa Catarina, há maior ocorrência de tijolos maciços sem uso de reboco.[carece de fontes?]

 
A fachada do Deutscher Klub Pernambuco (Clube Alemão de Pernambuco), no Recife, único exemplar da arquitetura enxaimel no Nordeste do Brasil.

O Vale do Itajaí e o Norte do estado de Santa Catarina têm uma das maiores concentrações deste modo construtivo na América. Os municípios de Indaial, Blumenau, Joinville, São Bento do Sul, Timbó, Taió e Pomerode têm número significativo de enxaiméis.[carece de fontes?]

No Paraná essa técnica é encontrada na localidade de Marechal Cândido Rondon, a cidade mais alemã do Paraná e em áreas preservadas na região de Curitiba além de pequenas casas rurais em localidades isoladas no norte do Paraná,como em Rolândia, Cambé e Warta (distrito de Londrina).[carece de fontes?]

Em São Paulo encontra-se em algumas casas de bairros tipicamente alemães, como Santo Amaro e Bresser. Já em cidades turísticas como Campos do Jordão e Holambra é muito frequente o falso enxaimel, estrutura em concreto que busca lembrar a arquitetura enxaimel.[carece de fontes?]

No Rio Grande do Sul, se destacam os municípios emancipados da antiga colônia alemã de São Leopoldo (Ivoti, Dois Irmãos, Picada Café, Santa Maria do Herval, Morro Reuter, Linha Nova e Presidente Lucena), a região do alto Taquari (Estrela, Teutônia, Westfália, Imigrante, Colinas), e ainda algumas localidades rurais de Nova Petrópolis e Gramado (embora na zona urbana desta última predomine o falso enxaimel).[carece de fontes?]

GaleriaEditar

Ver tambémEditar

Referências

  1. Franzen, Douglas Orestes; Eidt, Simone; Tessing, Daniele (11 de outubro de 2018). «A arquitetura enxaimel: identidade, memória e dimensão patrimonial em Itapiranga/SC». Revista de Arquitetura IMED (1). 5 páginas. ISSN 2318-1109. doi:10.18256/2318-1109.2018.v7i1.2558. Consultado em 6 de maio de 2021 
  2. Oliveira, Daniel Schommer de (2011). Resgate de técnicas construtivas mais sustentáveis: análise e descrição do sistema enxaimel. Porto Alegre: Departamento de Engenharia Civil da Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul 
  3. Nikolas Davies, Erkki Jokiniemi: 2008. Dictionary of architecture and building construction. Architectural Press. ISBN 978-0-7506-8502-3. 726 pages: pp 181
  4. «LacusCurtius • Vitruvius de Architectura – Liber Secundus». penelope.uchicago.edu. Consultado em 1 May 2018  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  5. Wilson, Nigel Guy. Encyclopedia of ancient Greece. London: Routledge, 2006. 82. Print. ISBN 0415973341
  6. Vitruvious, De Architectura, Book II, Chapter 8, paragraph 20
  7. Glick, Thomas F., Steven John Livesey, and Faith Wallis. Medieval science, technology, and medicine: an encyclopedia. New York: Routledge, 2005. 229. Print. ISBN 0415969301
  8. a b Pollard, Richard; Nikolaus Pevsner (2006). The Buildings of England: Lancashire: Liverpool and the South-West. New Haven and London: Yale University Press. pp. 710–711. ISBN 0-300-10910-5 

Ligações externasEditar

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