Estação Ferroviária de Porto-Boavista

estação ferroviária em Portugal
Porto-Boavista
Antiga gare de passageiros da estação.
Inauguração 1 de Outubro de 1875
Linha(s) L.ª Guimarães (PK 0,000)
L.ª Póvoa (PK 0,000)
Coordenadas 41° 09′ 32,6″ N, 8° 37′ 45,78″ O
Concelho Porto
Serviços Ferroviários Abatida ao serviço
Horários em tempo real

A Estação Ferroviária de Porto-Boavista, mais conhecida por Boavista, e originalmente denominada de Porto, foi uma interface ferroviária das Linhas de Guimarães e do Porto à Póvoa e Famalicão, que servia a cidade do Porto, em Portugal. Entrou ao serviço em 1 de Outubro de 1875[1], tendo sido a primeira estação ferroviária no Porto.[2]

Horário de 1876, onde esta gare aparece referida apenas como Porto.
Estação da Boavista, em 1875.

HistóriaEditar

Planeamento, construção e inauguraçãoEditar

Em 1873, foi autorizada a construção de uma linha férrea de 0,90 cm entre o Porto e a Póvoa de Varzim, devendo a estação do Porto ser situado na Boa Vista, uma zona que nessa altura era considerada fora da cidade do Porto, e portanto pouco adequada para o terminal de uma linha de carácter suburbano.[3]

O primeiro troço da Linha da Póvoa, desde a Boavista até à Póvoa de Varzim, entrou ao serviço em 1 de Outubro de 1875, pela Companhia do Caminho de Ferro do Porto à Póvoa e Famalicão.[4] Esta foi a primeira linha de via estreita no país, tendo a estação da Boavista sido a primeira gare ferroviária na cidade do Porto.[2]

Em 1909, a Companhia foi autorizada a duplicar a via entre a Boavista e a Senhora da Hora.[5]

Em 14 de Janeiro de 1927, foi formada a Companhia dos Caminhos de Ferro do Norte de Portugal, a partir da fusão da Companhia da Póvoa com a Companhia do Caminho de Ferro de Guimarães.[6]

Em 1930, a via férrea foi adaptada para bitola métrica pela Companhia dos Caminhos de Ferro do Norte de Portugal.[2]

 
Locomotiva da Série 9000 nas oficinas da Boavista, em 1993.

DeclínioEditar

Apesar de ser uma das principais estações no Porto, a Boavista encontrava-se demasiado longe do centro da cidade em si; para resolver este problema, planeou-se a construção de uma nova interface na zona da Trindade, no coração da cidade.[7]

Assim, em Janeiro de 1933, já se encontrava em construção o ramal de acesso à futura estação da Trindade, que se iniciava na bifurcação da Boavista, e a via entre a Boavista e a Senhora da Hora já tinha sido duplicada, de forma a conter o tráfego neste troço.[8] Em 30 de Outubro de 1938, foi inaugurada a Estação Ferroviária de Porto-Trindade, substituindo a Boavista.[4]

Mesmo após a abertura até à Trindade, a estação da Boavista continuou a ter serviços; com efeito, nos primeiros meses de serviço da nova estação, a grande maioria dos passageiros continuou a utilizar a Boavista, em protesto contra as novas tarifas introduzidas pela Companhia dos Caminhos de Ferro do Norte de Portugal.[9] Em 1939, a estação da Boavista era usada praticamente apenas por comboios de mercadorias, tendo os serviços de passageiros sido passados para o Apeadeiro de Avenida de França, a curta distância.[10]

Em 1947, a locomotiva experimental Lydya, a primeira locomotiva a gasóleo em Portugal, foi transportada da Linha do Tua até à estação da Boavista, onde foi depois abatida.[11]

Em 28 de Abril de 2001, foi encerrado o lanço da Linha da Póvoa entre a Trindade e a Senhora da Hora, para se iniciarem as obras de instalação do Metro do Porto no antigo canal da linha.[12]

Ver tambémEditar

Referências

  1. MARTINS et al, 1996:247
  2. a b c REIS et al, 2006:28
  3. SOUSA, José Fernando de (1 de Julho de 1940). «As estações de Caminho de Ferro no Porto» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 52 (1261). p. 425-427. Consultado em 4 de Agosto de 2017 
  4. a b «Troços de linhas férreas portuguesas abertas à exploração desde 1856, e a sua extensão» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 69 (1652). 16 de Outubro de 1956. p. 528-530. Consultado em 23 de Julho de 2013 
  5. «Efemérides» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 51 (1229). 1 de Março de 1939. p. 158-159. Consultado em 2 de Julho de 2014 
  6. TORRES, Carlos Manitto (16 de Março de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 71 (1686). p. 133-140. Consultado em 4 de Agosto de 2017 
  7. «Na construção da nova estação da Companhia dos Caminhos de Ferro do Norte de Portugal vão ser empregados materiaes e mão de obra portugueses» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 46 (1083). 1 de Fevereiro de 1933. p. 81-84. Consultado em 12 de Outubro de 2010 
  8. «Linhas Portuguêsas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 46 (1082). 16 de Janeiro de 1933. p. 22. Consultado em 12 de Outubro de 2010 
  9. «Transportes Colectivos no Porto» (PDF). 51 (1226). 16 de Janeiro de 1939. p. 69-71. Consultado em 2 de Julho de 2014 
  10. «O que se fez em caminhos de ferro no ano de 1939» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 52 (1249). 1 de Janeiro de 1940. p. 35-40. Consultado em 26 de Março de 2014 
  11. MARTINS et al, 1996:98
  12. SIZA, Rita (29 de Abril de 2001). «Fim de semana complicado na Estação de Senhora da Hora». Público. 12 (4058). Lisboa: Público - Comunicação Social, S. A. p. 54 

BibliografiaEditar

  • MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel; et al. (1996). O Caminho de Ferro Revisitado: O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas 
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 
 
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Ligações externasEditar



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