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Estação Ferroviária de Portalegre

estação ferroviária em Portugal
(Redirecionado de Estação de Portalegre)
Portalegre IPcomboio2.jpg
Estação de Portalegre, em 2002.
Linha(s) Linha do Leste (PK 216,559)
Coordenadas 39° 11′ 56,07″ N, 7° 27′ 39,91″ O
Concelho Portalegre
Serviços Ferroviários Logo CP 2.svgBSicon LSTR orange.svgR
Horários em tempo real
Serviços Serviço de táxis
Sala de espera
Bar ou cafetaria Lavabos


Logos IP.png
BSicon CONTfa grey.svg
BSicon BHF grey.svgCrato (Sentido Abrantes)
BSicon BHF grey.svgPortalegre
BSicon HST grey.svgAssumar (Sentido Badajoz)
BSicon CONTf grey.svg

A Estação Ferroviária de Portalegre é uma interface da Linha do Leste, que serve o Concelho de Portalegre, em Portugal, e que funcionou como entroncamento com o encerrado Ramal de Portalegre, que terminava em Estremoz.

Vista geral da estação, em 2008.

CaracterizaçãoEditar

LocalizaçãoEditar

Esta interface situa-se junto à localidade de Portalegre Gare, na Freguesia de Urra.[1] Situa-se a cerca de 11 quilómetros da cidade de Portalegre.[2]

Vias de circulação e plataformasEditar

Em Janeiro de 2011, possuía três vias de circulação, duas com 430 m de comprimento, e uma com 398 m; as plataformas tinham todas 112 m de comprimento e 35 cm de altura.[3]

AzulejosEditar

A estação está decorada com dois padrões de azulejos diferentes, sendo o primeiro de flores-de-lis com decoração nos cantos, tendo sido produzido pelas fábricas Devezas, Desterro e Sacavém, entre outras.[4] O segundo padrão é formado por conjunto de 2x2 azulejos com barras a rematar, fabricado provavelmente pela fábrica Lusitânia.[4]

HistóriaEditar

 
Antiga estação de Portalegre, na segunda metade do Século XIX.

InauguraçãoEditar

 Ver artigo principal: Linha do Leste#História

Insere-se no troço entre as estações de Crato e Elvas da Linha do Leste, que entrou ao serviço no dia 4 de Julho de 1863, pela Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses.[5]

 
Estação de Portalegre, em 1993.

Século XXEditar

Em 26 de Março de 1907, o rei D. Carlos utilizou esta estação numa visita à cidade de Portalegre.[6]

Em 1913, existia um serviço de diligências ligando a estação à cidade de Portalegre, e a Monforte e Veiros.[7]

Em 1914, esta estação era uma das principais exportadoras de cortiça na rede da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, tendo sido, por isso, abrangida por uma tarifa especial daquela empresa.[8]

Em 8 de Junho de 1936, o Ministério das Obras Públicas e Comunicações ordenou a expropriação de parte dos terrenos desta estação, para a construção de três celeiros para a Federação Nacional de Produtores de Trigo.[9]

 
Mapa de 1939, mostrando o futuro troço de Cabeço de Vide a Portalegre, e o projecto cancelado até Fratel, passando por Castelo de Vide e pela cidade de Portalegre.

Ligação ao Ramal de PortalegreEditar

PlaneamentoEditar

 Ver artigo principal: Ramal de Portalegre#História

Em 1898, Quando se realizaram os estudos para a elaboração do Plano da Rede ao Sul do Tejo, um documento oficial para organizar os futuros projectos ferroviários na região Sul de Portugal, foi proposta uma linha ligando a Estremoz, então término da Linha de Évora, à cidade de Portalegre, cruzando a Linha do Leste no Crato.[10][11][12]

Desta forma, também se resolvia o problema da estação ficar demasiado longe da cidade de Portalegre, o que criou problemas de acesso.[13] Com efeito, foram feitas várias reivindicações para prolongar o caminho de ferro até à cidade, que nunca chegaram a ser cumpridas.[2] A ligação entre a estação e a cidade era feita por via rodoviária; chegaram a existir carreiras de diligência[2], e também se verificava o transporte de mercadorias por tracção animal, especialmente durante as feiras.[14]

No entanto, o projecto a partir de Estremoz não foi inserido no Plano da Rede, quando este foi publicado em 1902,[15] tendo sido adicionado no ano seguinte, mas com o traçado modificado, sendo o ponto de cruzamento com a Linha do Leste alterado para a Estação de Portalegre.[11][16] Considerava-se que esta linha seria de elevada importância, uma vez que permitiria ligar directamente a cidade de Portalegre à rede ferroviária, e uniria a rede ferroviária no Sul à Linha do Leste.[16][17]

A linha foi adjudicada em 1903,[18] mas vários problemas de ordem política e financeira impediram o concessionário de completar o projecto, pelo que a construção passou directamente para a responsabilidade do Estado; foi desta forma que o primeiro troço, entre Estremoz e Sousel, entrou ao serviço em 23 de Agosto de 1925.[11][19] Nesta altura, o projecto para a Linha de Portalegre estava a ser alterado, tendo-se planeado grandes modificações na Estação de Portalegre, de forma a melhor servir de cruzamento com a nova linha.[11]

Em 1932, já tinha sido esboçado o projecto para o 4.º lanço da linha, entre Cabeço de Vide e o entroncamento com a Linha do Leste.[20]

 
Feixe de vias na estação de Portalegre. O Ramal de Portalegre iniciava-se ao fundo à direita, passando por baixo do viaduto.

Construção e inauguraçãoEditar

Em Fevereiro de 1937, já estava em construção o troço até à estação de Portalegre, estando ainda cerca de 4 km em estudo, incluindo a nova estação de Portalegre.[11] As principais modificações na estação consistiram na instalação de uma nova plataforma de passageiros, na ampliação da antiga gare e numa profunda alteração do layout das vias, tendo sido necessário construir uma variante na Linha do Leste.[21] Por um diploma publicado no Diário do Governo n.º 176, II Série, de 1 de Agosto de 1938, o Ministério das Obras Públicas e Comunicações aprovou o projectou para a variante, entre os quilómetros 215,086.82 e 217,450.57, e para a primeira fase das obras de ampliação e adaptação da estação de Portalegre, para servir de entroncamento com a Linha de Portalegre; o orçamento correspondente era de 3:474.30$00 escudos.[22] Por um outro diploma publicado no Diário do Governo n.º 185, II Série, de 11 de Agosto do mesmo ano, o Ministério das Obras Públicas adjudicou à firma alemã Joseph Vögele A. G. o fornecimento de quatro placas para inversão de locomotivas, estando uma destinada à estação de Portalegre.[22] A variante entrou ao serviço em 22 de Dezembro de 1948.[21]

O troço entre Cabeço de Vide e Portalegre foi aberto à exploração em 21 de Janeiro de 1949, tendo a cerimónia de inauguração sido realizada na estação de Portalegre; nesta altura, as obras de modificação ainda não tinham sido concluídas, e a Junta Autónoma das Estradas ainda estava a construir os dois viadutos sobre a estação e a Linha de Portalegre.[21]

 
Antigo complexo da EPAC junto à estação de Portalegre, em 2008.

Século XXIEditar

Os serviços ferroviários de passageiros foram terminados em Janeiro de 2012[23], tendo sido reatados, de forma provisória, em 25 de Setembro de 2015.[24]

Em Setembro de 2017, os serviços regionais até Badajoz foram repostos de forma definitiva.[25]

Ver tambémEditar

Referências

  1. «Portalegre - Linha do Leste». Infraestruturas de Portugal. Consultado em 28 de Julho de 2016 
  2. a b c VENTURA, 2010:13
  3. «Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Directório da Rede 2012. Rede Ferroviária Nacional. 6 de Janeiro de 2011. p. 71-85 
  4. a b SAPORITI, 2006:288
  5. TORRES, Carlos Manitto (1 de Janeiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 70 (1681). p. 9-12. Consultado em 28 de Julho de 2016 
  6. VENTURA, 2010:28
  7. «Serviço de Diligencias». Guia official dos caminhos de ferro de Portugal. 39 (168). Outubro de 1913. p. 152-155. Consultado em 9 de Abril de 2018 
  8. «Viagens e Transportes» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 27 (647). 1 de Dezembro de 1914. p. 359. Consultado em 16 de Setembro de 2013 
  9. «Parte Oficial» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 48 (1167). 1 de Agosto de 1936. p. 418-420. Consultado em 16 de Setembro de 2013 
  10. «Aviz a Coruche» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 16 (369). 1 de Maio de 1903. p. 144-145. Consultado em 21 de Junho de 2013 
  11. a b c d e SOUSA, José Fernando de (1 de Fevereiro de 1937). «Abertura do novo troço da Linha de Portalegre» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 49 (1179). p. 75-77. Consultado em 21 de Junho de 2013 
  12. SOUSA, José Fernando de (1 de Dezembro de 1902). «A rêde ferro-viaria ao Sul do Tejo» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 15 (356). p. 354-356. Consultado em 7 de Junho de 2010 
  13. VENTURA, 2010:7
  14. VENTURA, 2010:14
  15. «Parte Official» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 16 (371). 1 de Junho de 1903. p. 178-190. Consultado em 21 de Junho de 2013 
  16. a b «Linhas do Valle do Sorraia» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 16 (370). 16 de Maio de 1903. p. 164. Consultado em 21 de Junho de 2013 
  17. «Parte Official» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 16 (375). 1 de Agosto de 1903. p. 263-274. Consultado em 21 de Junho de 2013 
  18. «Parte Official» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 16 (382). 16 de Novembro de 1903. p. 377-378. Consultado em 21 de Junho de 2013 
  19. TORRES, Carlos Manitto (16 de Fevereiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 70 (1684). p. 91-95. Consultado em 28 de Julho de 2016 
  20. SOUSA, José Fernando de (1 de Março de 1934). «Direcção Geral de Caminhos de Ferro: Relatório de 1931-1932» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1109). p. 127-130. Consultado em 21 de Junho de 2013 
  21. a b c «Novos melhoramentos ferroviários» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 61 (1467). 1 de Fevereiro de 1949. p. 123-129. Consultado em 21 de Junho de 2013 
  22. a b «Parte Oficial» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 50 (1216). 16 de Agosto de 1938. p. 391-393. Consultado em 12 de Dezembro de 2013 
  23. «Comboios deixam de passar na Linha do Leste a partir de 1 de Janeiro». Jornal de Notícias. 17 de Dezembro de 2011. Consultado em 25 de Setembro de 2015 
  24. CIPRIANO, Carlos (17 de Setembro de 2015). «Comboios de passageiros regressam à linha do Leste mas só ao fim-de-semana». Público. Consultado em 25 de Setembro de 2015 
  25. «ENTRONCAMENTO – Já há comboio directo até Badajoz. CP promove duas viagens diárias (ida e volta)». Rádio Hertz. 30 de Agosto de 2017. Consultado em 12 de Outubro de 2018 

BibliografiaEditar

  • SAPORITI, Teresa (2006). Azulejaria no Distrito de Portalegre. Lisboa: Dinalivro, Distribuidora Nacional de Livros, Lda. 381 páginas. ISBN 972-97653-3-2 
  • VENTURA, António (2010). Portalegre: Roteiros Republicanos. Matosinhos: Quidnovi, Edição e Conteúdos, S. A. 127 páginas. ISBN 978-989-554-732-6 
 
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Ligações externasEditar