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Gabinete presidencial de Donald Trump

Como Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump possui autoridade para nomear membros de seu gabinete presidencial para confirmação pelo Senado dos Estados Unidos sob a "Cláusula de Nomeações" da Constituição do país. Antes da confirmação, outro funcionário costuma assumir as funções de determinado departamento a partir da posse presidencial. A criação de um gabinete foi uma das etapas fundamentais da transição presidencial em 2016.

Membros do GabineteEditar

 Ver artigo principal: Gabinete dos Estados Unidos

Todos os membros do Gabinete necessitam de "conselho e consentimento" do Senado dos Estados Unidos após nomeação pelo Presidente antes de assumirem seus respectivos cargos. O Vice-presidente é uma exceção à lei, sendo eleito juntamente com o Presidente e já estabelecido pela Constituição do país. Alguns outros cargos possuem somente o nível de gabinete (como o Chefe de Gabinete da Casa Branca, o Conselheiro de Segurança Nacional e o Porta-voz da Casa Branca) e, portanto, não precisam de confirmação do Senado após sua nomeação.

  Nomeado confirmado oficialmente por voto integral do Senado.
  Nomeado confirmado oficialmente por comitê do Senado.
  Nomeado rejeitado por comitê ou voto integral do Senado.
  Confirmação pendente pelo Senado.
Cargo Secretário(a) Partido Base eleitoral Início do mandato Fim do mandato
Presidente: Donald John Trump
Vice-presidente: Michael Richard Pence
  Secretário de Estado   Mike Pompeo Republicano   Kansas 26 de abril de 2018[1]
  Secretário do Tesouro   Steven Mnuchin Republicano   Califórnia 13 de fevereiro de 2017
  Secretário de Defesa   James Mattis Republicano   Washington 20 de janeiro de 2017[2]
  Procurador-Geral   Jeff Sessions[3] Republicano   Alabama 9 de fevereiro de 2017
  Secretário do Interior   Ryan Zinke Republicano   Montana 1 de março de 2017
  Secretário de Agricultura   Sonny Perdue Republicano   Geórgia 25 de abril de 2017
  Secretário de Comércio   Wilbur Ross Republicano   Flórida 28 de fevereiro de 2017[4]
  Secretário do Trabalho   Alex Acosta Republicano   Flórida 28 de abril de 2017
  Secretário de Saúde   Alex Azar Republicano   Indiana 29 de janeiro de 2018
  Secretário de Habitação   Ben Carson[5] Republicano   Flórida 2 de março de 2017
  Secretário de Transportes   Elaine Chao Republicano   Kentucky 31 de janeiro de 2017[6]
  Secretário de Energia   Rick Perry Republicano   Texas 2 de março de 2017
  Secretário de Educação   Betsy DeVos[7] Republicano   Michigan 23 de novembro de 2016
  Secretário de Assuntos dos Veteranos   Robert Wilkie Republicano   Carolina do Norte 30 de julho de 2018
  Secretário de Segurança Interna   Kirstjen Nielsen Independente   Flórida 6 de dezembro de 2017
Secretarias Executivas
  Chefe de Gabinete da Casa Branca   John F. Kelly Republicano   Massachusetts 31 de julho de 2017
  Representante às Nações Unidas   Nikki Haley Republicano   Carolina do Sul 27 de janeiro de 2017
  Administrador da Agência de Proteção Ambiental   Andrew R. Wheeler Republicano   Ohio 9 de julho de 2018
  Representante de Comércio   Robert Lighthizer Republicano   Maryland 15 de maio de 2017
  Diretor de Inteligência Nacional   Dan Coats Republicano   Iowa 16 de março de 2017
  Diretor da Agência Central de Inteligência   Gina Haspel Republicano   Kentucky 26 de abril de 2018

AnáliseEditar

Alegando falta de experiência política e militar de Donald Trump e suas posições políticas,[8] a impressa especulou intensamente sobre a escolha dos membros de seu gabinete durante a fase de transição presidencial.

O gabinete intencionado por Trump foi caracterizado pela imprensa como "muito conservador". O jornal Politico descreveu a equipe como "um dream team do conservadorismo",[9] enquanto o Newsweek considerou-o "o mais conservador gabinete da história americana"[10] e o Los Angeles Times descreveu como "um dos mais conservadores gabinetes internos da história moderna".[11] The Hill descreveu o gabinete de Trump como "uma equipe nada ortodoxa" popular entre os conservadores e que selecionou mais republicanos do que John McCain ou Mitt Romney fariam se eleitos presidentes.[12] A CNN concordou com tais visões, chamando o gabinete proposto de "uma equipe conservadora".[13] Por outro lado, o The Wall Street Journal afirmou ser "praticamente impossível identificar uma ideologia clara entre os indicados ao gabinete".[14]

O gabinete de Trump é composto principalmente por empresários experientes com pouca atuação política quando comparado aos gabinetes de Ronald Reagan, George H. W. Bush, Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama.[15] Ainda segundo o Pew Research Center, o gabinete Trump é um dos mais executivos dos últimos tempos na política estadunidense. O think tank afirmou que "1/3 do departamento será composto por pessoas que tiveram experiência anterior no setor público. Somente outros três presidentes possuem a mesma marca: William McKinley, Ronald Reagan e Dwight Eisenhower".

Confirmação lentaEditar

Apesar de ser nomeado principalmente durante o período de transição presidencial, a maioria dos membros do gabinete não puderam assumir o cargo no Dia da Posse Presidencial por conta da lentidão no processo de confirmação. Em 8 de fevereiro de 2017, Trump havia conseguido a confirmação de menos membros de seu gabinete em comparação a qualquer outro presidente, com exceção de George Washington.[16] A lentidão neste processo foi atribuída ao obstrucionismo dos senadores democratas.[17][18] O último membro do gabinete, Robert Lighthizer, assumiu o cargo de Representante de Comércio em 11 de maio de 2017 - mais de quatro meses após sua nomeação.[19]

HistóricoEditar

A seleção dos membros de um gabinete presidencial estadunidense é um processo complexo cujo início se dá antes do resultado das eleições presidenciais. No caso da campanha presidencial de Trump, seu antigo rival nas primárias do partido Chris Christie foi indicado para liderar a equipe de transição em maio de 2016, logo após a desistência de Ted Cruz e John Kasich (o que tornou Trump o candidato presuntivo do partido). Além de diversas outras responsabilidades, a equipe de transição é responsável por listar os potenciais membros do gabinete; além de contratar especialistas em política (uma centena na transição Obama-Trump em outubro de 2016), utilizando fundos e infraestrutura federais.

Após a eleição presidencial, quando a chapa Trump/Pence derrotou a chapa Clinton/Kaine, a equipe de transição foi imediatamente remodelada e expandida; Mike Pence assumiu a liderança (acima de Chris Christie) e diversos outros cargos foram acrescidos à equipe, a maioria dos quais vieram da equipe de campanha. No final de 2016, a equipe intensificou a seleção de possíveis membros do futuro gabinete presidencial, já que o processo do Colégio Eleitoral ainda encontrava-se em andamento (incluindo a recontagem de votos em alguns estados onde a margem de vitória foi relativamente estreita) e antes da posse presidencial em janeiro do ano seguinte.

Em 18 de novembro de 2016, o então presidente-eleito Trump anunciou Jeff Sessions como Procurador-geral dos Estados Unidos, sendo a sua primeira nomeação de gabinete. Em julho do mesmo ano, Trump já havia anunciado Mike Pence como vice-presidente, o que foi confirmado pelos delegados da Convenção Nacional Republicana. Apesar de grande parte dos cargos estarem sob consideração pela equipe de transição simultaneamente, os nomeados e suas respectivas aceitações foram divulgados gradualmente até o dia da posse.

Presidente Semana Nota(s)
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Richard Nixon 12
Jimmy Carter 1 2 7 2
Ronald Reagan 8 4 1
George H.W. Bush 2 2 1 3 5 1
Bill Clinton 4 6 4
George W. Bush 1 5 8
Barack Obama 1 4 2 4 4
Donald Trump 1 3 4 3 2 2

Processo de formaçãoEditar

 
Trump e Pence em evento de campanha, em Phoenix, julho de 2016.

Após o Dia da Eleição, a imprensa passou a focar em indivíduos consideráveis para o gabinete de Trump. O número de indivíduos que receberam atenção dos veículos de mídia como potenciais membros do gabinete foi maior do que qualquer outro período transicional na história estadunidense, até mesmo porque os comitês e as equipes de campanha de Trump foram muito menores. Em particular, "Trump teve um grupo político muito menor do que um presidente normalmente possui", pois como um candidato antissistema que traçou seu próprio caminho rumo à nomeação do partido" e ao contrário da maioria dos eleitos para o cargo, "Trump não possui o perfil tradicional dos presidentes".

Vice-presidenteEditar

Antes da confirmação de Trump, inúmeros potenciais nomes para a chapa eleitoral foram apontados pela imprensa (especialmente do estado de Nova Iorque, base eleitoral de Trump).[20] A escolha do Governador de Indiana Mike Pence foi anunciada oficialmente em 16 de julho e confirmada por aclamação entre os delegados da Convenção Nacional do Partido Republicano em 19 de julho de 2016.[21]

GabineteEditar

Secretário de EstadoEditar

 
Rex Tillerson durante audiência de confirmação do Senado.

A nomeação do Secretário de Estado é supervisionada durante audiências dos membros do Comitê de Relações Estrangeiras do Senado, em seguida apresentada ao Senado para o voto integral.

Rex Tillerson

Em 12 de dezembro de 2016, Rex Tillerson, presidente da ExxonMobil, foi oficialmente selecionado como Secretário de Estado. Tillerson foi primeiramente recomendado a Trump para a pasta por Condoleezza Rice, durante encontro em novembro de 2016. Três dias mais tarde, Robert Gates endossou a recomendação de Rice.

A audiência de confirmação de Tillerson no Comitê de Relações Estrangeiras ocorreu em 11 de janeiro de 2017. Durante a reunião, Tillerson reafirmou seu apoio à Parceria Transpacífico e sua oposição ao proposto banimento de imigrantes islâmicos. Em 23 de janeiro de 2017, Tillerson foi aprovado pelo comitê por 11 votos contra 10. Em 1 de fevereiro, Tillerson foi confirmado pelo Senado por 56 votos. Antes de sua confirmação, a pasta foi liderada por Tom Shannon.

Mike Pompeo

Em 13 de março de 2018, Trump afastou Rex Tillerson do cargo de Secretário de Estado e anunciou Mike Pompeo, então Diretor da CIA, como seu sucessor. Pompeo foi confirmado pelo Senado em 26 de abril por 57 votos e assimiu a pasta no dia seguinte.

Secretário de DefesaEditar

 
Donald Trump deixa o Pentágono acompanhado de James Mattis , em janeiro de 2017.

A nomeação do Secretário de Defesa é revisada durante as audiências do Comitê de Serviços Armados do Senado e, em seguida, apresentado ao Senado para votação integral.

James Mattis

Em 1 de dezembro de 2016, Trump anunciou informalmente a nomeação do General James Mattis como Secretário de Defesa. Normalmente, o indicado a pasta passa pelas audiências com o comitê apropriado e posteriormente segue para a confirmação do Senado. Mattis havia deixado as forças armadas apenas três anos antes de sua indicação enquanto o estatuto determina que o militar deve ser civil há sete anos para nomeação ao Pentágono. Portanto, Mattis necessitou de uma liminar para assumir o Departamento.

Durante sua audiência, Mattis concordou com o levantamento de que a dívida pública era a maior ameaça à segurança nacional. Mattis colocou a Rússia entre "as principais ameaças" aos Estados Unidos e classificou o Irã como "causa primária de turbulência" no Oriente Médio. Em contraste com as promessas de campanha de Trump, Mattis defendeu a permanência da OTAN e a continuidade do acordo nuclear iraniano.

Referências

  1. «US Senate confirms CIA Chief Mike Pompeo as Secretary of State». The New York Times. 26 de abril de 2018 
  2. «General 'Mad Dog' Mattis sworn in as Donald Trump's Defence Secretary». The Telegraph. 28 de janeiro e 2017  Verifique data em: |data= (ajuda)
  3. Ortiz, Erik (31 de janeiro de 2017). «Attorney General Nominee Jeff Sessions Faces Senate Committee Vote Amid DOJ Turmoil». NBC News 
  4. «US Senate panels approve Carson, Ross, Chao, Haley». CNBC. 24 de janeiro de 2017 
  5. «Ben Carson passes Senate panels». The Washington Times. 24 de janeiro de 2017 
  6. «Roll Call Vote PN 35». Senado dos Estados Unidos 
  7. LoBianco, Tom; Scott, Eugene; Merica, Dan (31 de janeiro de 2017). «Senate Democrats vow to review Betsy DeVos plagiarism allegations before full vote». CNN 
  8. «141 stances on 23 issues Donald Trump took during his White House bid». NBC News. 28 de novembro de 2016 
  9. Restuccia, Andrew; Cook, Nancy; Woellert, Lorraine (30 de novembro de 2016). «Trump's Conservative Dream Team». Politico. Consultado em 17 de janeiro de 2018 
  10. Cooper, Matthew (9 de dezembro de 2016). «Trump Is Building the Most Conservative Cabinet in US History». Newsweek 
  11. Bierman, Noah; Halper, Evan (15 de dezembro de 2016). «Trump's Cabinet Picks are Among the Most Conservative in History. What that Means for His Campaign Promises». Los Angeles Times 
  12. Stanage, Niall (15 de dezembro de 2016). «Trump's Unorthodox cabinet». The Hill 
  13. «Donald Trump's Cabinet a Boon for Conservatives». CNN. 20 de dezembro de 2016 
  14. «Donald Trump Shuffles the Ideological Deck». The Wall Street Journal. 5 de dezembro de 2016 
  15. «How the Donald Trump Cabinet stacks up in 3 charts». National Public Radio. 28 de dezembro de 2016 
  16. «Trump Facing Historic Delays In Confirmation Process». Fox News. 8 de fevereiro de 2017. Consultado em 17 de janeiro de 2018 
  17. Zurcher, Anthony (9 de fevereiro de 2017). «Is Donald Trump's cabinet facing obstruction?». BBC News. Consultado em 17 de janeiro de 2018 
  18. Schoen, John W. (24 de fevereiro de 2017). «Trump's Cabinet Waiting for Confirmation». CNBC. Consultado em 17 de janeiro de 2018 
  19. Needham, Vicki (11 de maio de 2017). «Senate confirms Trump's chief negotiator». The Hill. Consultado em 17 de janeiro de 2018 
  20. «Gingrich, Christie are the leading candidates to be Trump's running mate». The Washington Post. 30 de junho de 2016 
  21. «How Trump Picked His Running Mate». The New York Times. 20 de julho de 2017