Jimmy Carter

político norte-americano, 39° Presidente dos Estados Unidos

James Earl Carter Jr. (Plains, Geórgia, 1 de outubro de 1924) é um político e filantropo norte-americano, que serviu como 39.° presidente dos Estados Unidos de 1977 a 1981.[1] Oriundo de uma tradicional família fazendeira sulista, Carter serviu como oficial da Marinha americana dos Estados Unidos e depois ingressou na política, cumprindo dois mandatos como senador do estado da Geórgia e um como governador (1971-1975) antes de se candidatar a presidência em 1976.[2]

Jimmy Carter
39.º Presidente dos Estados Unidos
Período 20 de janeiro de 1977
até 20 de janeiro de 1981
Vice-presidente Walter Mondale
Antecessor(a) Gerald Ford
Sucessor(a) Ronald Reagan
76.º Governador da Geórgia
Período 12 de janeiro de 1971
até 14 de janeiro de 1975
Vice-governador Lester Maddox
Antecessor(a) Lester Maddox
Sucessor(a) George Busbee
Membro do Senado da Geórgia
pelo 14º distrito
Período 14 de janeiro de 1963
até 10 de janeiro de 1967
Sucessor(a) Hugh Carter
Dados pessoais
Nome completo James Earl Carter, Jr.
Nascimento 1 de outubro de 1924 (96 anos)
Plains, Geórgia, Estados Unidos
Progenitores Mãe: Bessie Lillian Gordy
Pai: James Earl Carter, Sr.
Alma mater Academia Naval dos Estados Unidos
Prêmio(s) Medalha Presidencial da Liberdade (1999)
Nobel da Paz (2002)
Cônjuge Rosalynn Smith (c. 1946)
Filhos John William Carter
James Earl Carter III
Donnel Jeffrey Carter
Amy Lynn Carter
Partido Democrata
Religião Igreja Batista
Assinatura Assinatura de Jimmy Carter
Serviço militar
Serviço/ramo Marinha dos Estados Unidos
Anos de serviço 1943–1961
Graduação Tenente
Condecorações Medalha da Campanha Americana
Medalha de Vitória da Segunda Guerra Mundial
Medalha de Serviço na China
Medalha de Serviço na Defesa Nacional

A presidência de Carter foi marcada por estagnação econômica e inflação. No âmbito interno, ele perdoou todos os desertores da Guerra do Vietnã. Criou ainda dois novos gabinetes no governo, o Departamento de Energia e o Departamento de Educação. Ele estabeleceu uma nova política nacional de energia que incluía conservação, controle de preços e investimento em novas tecnologias. Em questões externas, Carter assinou os Acordos de Camp David, os Tratados Torrijos-Carter, a segunda rodada das Conversações sobre Limites para Armas Estratégicas (SALT II) e o retorno do Zona do Canal do Panamá ao controle das autoridades panamenhas. Ele tentou, sem muito sucesso, combater a "estagflação", o alto desemprego e o crescimento fraco do PIB. Contudo, os dois anos finais do seu governo foram marcados pela Crise dos reféns no Irã, a crise energética de 1979, o acidente de Three Mile Island e o desenrolar dos eventos iniciais da invasão soviética do Afeganistão.

Em resposta a invasão dos soviéticos ao Afeganistão, Carter acabou com a détente, intensificou a Guerra Fria e liderou um boicote aos Jogos Olímpicos de 1980 em Moscou. Em 1980, ele enfrentou um desafio a sua nomeação pelo Partido Democrata por Ted Kennedy, mas se manteve como o candidato da legenda para tentar a reeleição. Carter acabou perdendo a eleição presidencial para o republicano Ronald Reagan. Pesquisas de historiadores e cientistas políticos consideram Carter como um presidente "fraco".

Em 2012, Carter passou Herbert Hoover como o ex-presidente mais velho e chegou a comemorar os 40 anos da sua posse no cargo. Em novembro de 2018, tornou-se o ex-presidente dos Estados Unidos mais longevo, após a morte de George H. W. Bush. Desde que deixou a presidência, trabalhou principalmente em questões de direitos humanos. Ele viajou pelo mundo, advogando acordos de paz, observando eleições e trabalhando para a prevenção e erradicação de doenças em várias nações. Carter também é defensor da reforma política nos Estados Unidos e foi um crítico da política externa agressiva do presidente George W. Bush.[3]

Começo da vidaEditar

 
Jimmy Carter em 1937, quando tinha por volta de 13 anos.

Filho de James Earl Carter Sr e Bessie Lillian (née Gordy), Jimmy Carter nasceu em 1 de outubro de 1924 na cidade de Plains, em uma família batista que vivia no estado da Geórgia por gerações. Seu bisavô, Littleberry Walker Carter (18321873), serviu no Exército dos Estados Confederados, que defendia a causa escravagista durante a Guerra Civil Americana. Foi criado numa família sulista tradicional, com interesses no setor agrícola e plantação de amendoins - negócio no qual ele prosperaria. Seus ancestrais teriam chegado nos Estados Unidos por volta de 1635, oriundos primordialmente da Inglaterra.[4][5][6]

Apesar de sua família se mudar constantemente, Jimmy Carter se formou na Plains High School, em sua cidade natal, em 1941.[7] Ele iniciou sua carreira servindo em vários conselhos locais, que regiam entidades como escolas, hospitais e bibliotecas, entre outros. Após se formar pela Academia Naval de Annapolis em 1946, casou-se com Rosalynn Smith. Deste matrimônio nasceram quatro filhos: John William (Jack), James Earl II (Chip), Donnel Jeffrey (Jeff) e Amy Lynn.

Carter começou a demonstrar interesse pela política em meados da década de 1950, no auge das tensões no sul a respeito do processo de desmantelamento legal da segregação racial nos Estados Unidos, notavelmente após a decisão da Suprema Corte no caso Brown v. Board of Education. Nos anos 60, ele cumpriu dois mandatos no Senado da Geórgia a partir do décimo-quarto distrito. Foi governador do seu estado natal, de 1971 a 1974, onde lutou pela igualdade racial e melhoria das condições de vida da população, em especial a dos mais pobres (com um foco maior nas minorias, especialmente os negros).[2]

Eleição presidencialEditar

 
Panfleto de campanha de Carter, em 1976.

Em dezembro de 1974, Carter anunciou, no National Press Club de Washington D.C., que concorreria a presidência dos Estados Unidos. No seu primeiro discurso, focou em questões domésticas, principalmente na desigualdade. Durante a campanha, manteve um tom otimista e afirmou que traria mudanças.[8][9] Apesar de inicialmente desconhecido do grande público, o fato de não ser tachado como membro do "circulo interno de Washington" acabou sendo um dos seus maiores apelos populares, tendo em vista a insatisfação do povo com a classe política, acentuada pelo Caso Watergate, que ainda estava fresco na mente das pessoas.[10] No final, acabou vencendo a indicação do Partido Democrata à presidência e se lançou na chapa nacional.[11][12] Em julho de 1976, anunciou Walter F. Mondale como seu vice.[13]

Apesar de uma campanha instável, com uma série de polêmicas, acabou por vencer o presidente Gerald Ford na eleição presidencial de 1976, por pequena margem no voto popular e no Colégio Eleitoral.[14] Foi empossado presidente em 20 de janeiro de 1977.

Presidência (1977–81)Editar

 
O retrato de Robert Templeton do Presidente Carter, na Galeria Nacional, em Washington DC.
 Ver artigo principal: Presidência de Jimmy Carter

Jimmy Carter assumiu um país com uma economia ruim e até o fim do seu mandato, os Estados Unidos ainda estava em recessão e sofrendo com inflação, além de uma crise energética. Um dos seus primeiros atos como presidente foi cumprir uma promessa de campanha ao assinar uma ordem executiva firmando uma anistia incondicional para os desertores da Guerra do Vietnã.[15][16] Em 7 de janeiro de 1980, Carter assinou a lei H.R. 5860, conhecido como The Chrysler Corporation Loan Guarantee Act of 1979, um empréstimo para socorrer a Chrysler Corporation. Carter também teve que lidar com crises no exterior, mais notavelmente no Oriente Médio, como a assinatura dos Acordos de Camp David; ele também finalizou o processo de devolução do Canal do Panamá; depois assinou um acordo de redução nuclear conhecido como SALT II com o líder soviético Leonid Brezhnev. No seu último ano como presidente, a crise dos reféns no Irã erodiu sua já baixa popularidade, garantindo sua derrota na eleição de 1980 perante Ronald Reagan.[17]

 
Menachem Begin, Jimmy Carter e Anwar Sadat em Camp David (1978).

EconomiaEditar

A presidência de Carter teve uma história econômica de aproximadamente dois períodos iguais, sendo os dois primeiros anos de recuperação da grande recessão de 1973–75, que tinha reduzido drasticamente os investimentos para o menor nível desde a recessão de 1970 e elevado o desemprego para 9%.[18] Os outros dois anos foram marcados por alta da inflação, juros elevados,[19] falta de petróleo e crescimento econômico lento.[20] Após um crescimento em 1977 e 1978, onde milhões de novos empregos foram criados[21] e a renda da população subiu 5%,[22] houve a crise energética de 1979 que encerrou este período de recuperação, com a inflação e os juros subindo novamente e a economia, geração de empregos e a confiança geral do consumidor declinando acentuadamente.[19] A fraca política monetária adotada pelo presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos, G. William Miller, havia contribuído para a alta inflacionária,[23] que subira de 5,8% em 1976 para 7,7% em 1978. Neste período, a OPEC aumentou o preço do petróleo bruscamente,[24] o que levou a inflação a subir novamente para 11,3% em 1979 e 13,5% em 1980.[18] A súbita falta de gasolina no verão de 1979 exacerbou o problema e simbolizaria a crise para o público geral, puxando para baixo a popularidade do presidente.[19]

Crise energéticaEditar

 
Carter se encontrando com Deng Xiaoping, líder da China.
 
Presidente Jimmy Carter assinando a Lei de Desregulação Aérea.

Ao final dos anos 70, a economia americana estava em recessão, que entre vários fatores estava ligado a crise no setor energético. Em 18 de abril de 1977, Carter deu um discurso na televisão onde ele declarou que tal crise era equivalente a uma "guerra moral". Ele encorajou os americanos a conservarem energia e instalou painéis solares na Casa Branca.[25][26][27]

Saúde públicaEditar

 
Carter com o primeiro-ministro israelense Menachem Begin e Zbigniew Brzezinski, em setembro de 1978.

Durante sua campanha para a presidência, Carter abraçou a ideia de reforma no sistema de saúde de Ted Kennedy - apoiando uma reforma bipartidária do sistema de seguros para um sistema de saúde universal.[28][29][30]

Carter propôs, em abril de 1977, custos obrigatório para mensalidades das empresas de saúde[31] e em junho de 1979, propôs que empresas deveriam obrigatoriamente fornecer seguros de saúde para os seus empregados.[32]

Boa parte das propostas de Carter para a saúde, contudo, não passaram.[33]

Invasão soviética do AfeganistãoEditar

Em 27 de abril de 1978, Nur Muhammad Taraki tomou o poder no Afeganistão em um golpe de Estado.[34] O novo regime — de orientação socialista — assinou um tratado de amizade com a União Soviética em dezembro do mesmo ano.[34][35] As tentativas de Taraki para tornar o sistema de educação mais secular e redistribuir terras (acompanhado por várias execuções sumárias e repressão da oposição política), irritou os conservadores religiosos, instigando os mujahidins a se rebelar.[34] Após um levante geral em 1979, Taraki foi deposto pelo rival Hafizullah Amin em setembro.[34][35] Amin foi considerado um ditador cruel por observadores estrangeiros; até mesmo os soviéticos estavam assustados com a repressão do regime de Amin e suspeitaram que ele estivesse secretamente alinhado a Central Intelligence Agency (CIA).[34][35][36] Em dezembro de 1979, o governo de Amin perdeu controle de boa parte do país, forçando a União Soviética a invadir o Afeganistão. Amin foi executado e Babrak Karmal, um moderado, foi instaurado no poder.[34][35]

 
Carter com o rei Khalid da Arabia Saudita, em outubro de 1978.

Jimmy Carter foi pego de surpreso pela invasão, já que o consenso entre a comunidade de inteligência dos Estados Unidos era que Moscou não iria interferir no Afeganistão, nem mesmo se houvesse risco do governo local cair. De fato, Carter escreveu no seu diário, entre novembro e dezembro de 1979, menos de duas referências ao Afeganistão, atestando o quão pouco preocupado ele estava, preferindo focar sua atenção a crise no Irã.[37] No Ocidente, a invasão soviética foi considerada uma ameaça a segurança global e ao fornecimento de petróleo vindo do Golfo Pérsico.[35] Além disso, o fracasso dos serviços de inteligência em identificar as intenções soviéticas fez com que os políticos americanos reavaliassem a ameaça do Mundo Comunista ao Irã e ao Paquistão, embora estes medos provavelmente fossem exagerados.[36][37] Isso forçou os governos Carter e Reagan a tentar melhorar as relações com os iranianos e também no aumento de ajuda militar ao líder paquistanês Muhammad Zia-ul-Haq.[37] Uma das primeiras atitudes concretas de Carter foi autorizar a colaboração da CIA e do serviço de inteligência paquistanês (o ISI); o governo americano começou fornecendo mais de US$ 500 000 dólares em ajuda não letal para os guerrilheiros mujahidins afegãos a partir de 3 de julho de 1979. O auxílio americano aos afegãos foi pequeno pois os Estados Unidos temiam que maior ajuda poderia forçar a mão da União Soviética a agir de forma mais incisiva.[37][38][39]

Após a invasão soviética, Carter estava determinado a responder de forma rigorosa. Em um discurso na televisão, ele anunciou Sansões contra a União Soviética, aumentou a ajuda militar ao Paquistão, renovou o registro do Sistema Seletivo de Serviço militar e também fortaleceu o comprometimento dos Estados Unidos a melhorar as defesas do Golfo Pérsico.[37][38][40] Carter também convocou um boicote aos Jogos Olímpicos de 1980 em Moscou, o que causou controvérsia na época.[41] A primeira-ministra britânica Margaret Thatcher apoiou incondicionalmente a postura dura de Carter, embora o serviço de inteligência inglês acreditasse que a CIA estava exagerando a ameaça dos soviéticos ao Paquistão.[37] Em 1980, Carter iniciou um programa clandestino para armar os mujahidins através do serviço paquistanês ISI e também garantiu o apoio da Arábia Saudita. A ajuda aos guerrilheiros mujahidins acelerou consideravelmente no governo do sucessor de Carter, Ronald Reagan, ao custo de US$ 3 bilhões de dólares do contribuinte americano. Após quase uma década de guerra, os soviéticos eventualmente se retiraram do Afeganistão, em 1989. Historiadores acreditam que isso ajudou a precipitar a dissolução da União Soviética, devido ao enorme impacto que teve na economia do país.[37] Contudo, a decisão de usar o Paquistão como intermediário para a entrega de armas para os insurgentes afegãos foi duramente criticada, pois vários equipamentos foram desviados e vendidos no mercado negro; a cidade de Karachi, um polo de distribuição de armas americanas para os mujahidins, logo se tornou "uma das cidades mais violentas do mundo" como consequência. O Paquistão também tinha muito poder de decisão sobre quem deveria ter prioridade no recebimento de armas dos Estados Unidos, preferindo grupos islamitas.[35] Apesar disso, Carter não esboçou qualquer arrependimento sobre sua decisão de ajudar o que ele chamava de "guerreiros da liberdade" do Afeganistão.[37]

 
Jimmy Carter no Salão Oval, em 1977.

Crise dos reféns no IrãEditar

 Ver artigo principal: Crise dos reféns americanos no Irã

Em 4 de novembro de 1979, um grupo de estudantes iranianos, pertencentes ao grupo "Estudantes Muçulmanos Seguidores da Linha do Imã" que apoiavam a Revolução Iraniana, tomaram controle da embaixada americana em Teerã.[42] Cinquenta e dois diplomatas e cidadãos americanos foram feitos reféns por 444 dias até 20 de janeiro de 1981. Durante a crise, Carter permaneceu em isolamento na Casa Branca por pelo menos 100 dias. Sua postura foi muito criticada por várias pessoas de ambos os espectros políticos.[43] Em 24 de outubro de 1980, Carter ordenou a Operação Eagle Claw para tentar libertar os reféns. A incursão falhou, terminando com a morte de oito militares americanos e duas aeronaves destruídas.

Viagens internacionaisEditar

 
Países visitados por Carter durante sua presidência.

Carter fez doze viagens internacionais durante sua presidência, visitando vinte e cinco países.[44] Ele foi o primeiro presidente americano a visitar a África subsariana, quando ele foi para a Nigéria em 1978. Carter também viajou para a Europa, Ásia e América Latina. Também fez presença no Oriente Médio, ajudando nas negociações entre Israel e os países árabes. Entre 31 de dezembro de 1977 e 1 de janeiro de 1978, Carter visitou o Irã, um ano antes da deposição do imperador Mohammad Reza Pahlavi.[45]

Eleição presidencial de 1980Editar

 
Carter e Reagan no debate presidencial em outubro de 1980.

Carter disse mais tarde que boa parte das críticas mais assíduas a ele vinham da ala esquerdista do Partido Democrata, que ele atribuiu a ambição de Ted Kennedy de substituí-lo como presidente.[46] Kennedy surpreendeu seus apoiadores ao fazer uma campanha fraca e Carter venceu a maioria das primárias e garantiu sua renomeação para a candidatura do partido. Contudo, Kennedy havia dominado a ala liberal de esquerda dos democratas, o que enfraqueceu a campanha de Carter.[47]

A campanha de Jimmy Carter para as eleições de 1980 foi extremamente difícil e nada efetiva. Ele foi fortemente desafiado pela direita conservadora (como o republicano Ronald Reagan), pelos centristas (como o independente John B. Anderson) e pela esquerda (como o democrata Ted Kennedy). Carter concorreu enquanto seu governo estava marcado pela "estagflação", com uma economia paralisada, enquanto a crise dos reféns no Irã dominava os noticiários em todas as semanas. Ele ainda alienou os estudantes universitários de esquerda, que eram parte da sua base política, quando ele reinstituiu o registro militar obrigatório. Seu gerente de campanha, Timothy Kraft, renunciou a posição cinco semanas antes da eleição após alegações não comprovadas de uso de cocaína.[48] Carter acabou sendo derrotado por uma boa margem pelo candidato Ronald Reagan, enquanto o Senado foi tomado pelos republicanos, pela primeira vez desde 1952.[49]

Pós-presidência (1981–presente)Editar

Carter CenterEditar

Após perder a reeleição, Carter afirmou para jornalistas na Casa Branca que ele tinha a intenção de imular a aposentadoria de Harry S. Truman e não usar sua vida pública subsequente para enriquecer.[50]

Carter discutindo sobre o seu legado e trabalho no Carter Center pouco antes de completar 95 anos.

Em 1982, o ex-presidente fundou o Carter Center,[51] uma organização não governamental e sem fins lucrativos com o objetivo de avançar direitos humanos e aliviar o sofrimento,[52] incluindo ajudar a melhorar a qualidade de vida para pessoas em mais de 80 países.[53]

DiplomaciaEditar

Em 1994, o presidente Bill Clinton procurou a ajuda de Carter para buscar a paz com a Coreia do Norte. Em agosto de 2010, Carter viajou para a Coreia do Norte para garantir a libertação de Aijalon Gomes em agosto de 2010, conseguindo que ele fosse solto. Em 2017, no governo Trump, Carter mais uma vez se ofereceu para conversar com os norte-coreanos para tentar resolver as tensões diplomáticas entre as nações.[54][55][56]

Na década de 1980, Carter realizou trabalhos no Peru e em Nicarágua, buscando, principalmente, promover eleições democráticas.[57][58] Em 2002, ele visitou Cuba e se encontrou com o presidente Fidel Castro. Ele também se encontrou com dissidentes políticos, visitou um sanatório de AIDS, uma escola de medicina, uma instalação de biotecnologia, uma cooperativa de produção agrícola e uma escola para crianças deficientes. Em 2011 ele visitou Cuba novamente.[59]

Logo que saiu da presidência, Jimmy Carter realizou visitas ao Oriente Médio em missões humanitárias e políticas.[60] Em setembro de 1981, visitou Israel e se encontrou com o primeiro-ministro Menachem Begin, e em março de 1983 visitou o Egito, onde se encontrou com membros da Organização para a Libertação da Palestina. Em dezembro de 2008, teve uma reunião com o presidente Sírio Bashar al-Assad.[61] Em 2006, Carter declarou suas discordâncias com as políticas interna e externa de Israel mas afirmou que era a favor do país, enquanto criticava suas políticas com relação a Líbano, Cisjordânia e Gaza.[62]

Em julho de 2007, se encontrou com Nelson Mandela em Johannesburg e discutiu questões de direitos humanos e paz mundial, participando do grupo The Elders.[63][64] Em seguida, ele visitou Darfur, Sudão, Chipre, a Península Coreana e Oriente Médio, entre outros lugares.[65] Carter tentou viajar para o Zimbábue em novembro de 2008, mas foi impedido pelo governo do presidente Robert Mugabe. Durante todos os anos 90 e 2000, visitou várias vezes a África, chegando a negociar o Acordo de Nairóbi, um entendimento entre Uganda e Sudão.[66]

Crítica a política americana e outros presidentesEditar

 
Carter em 1988.

Após deixar o cargo, Carter inicialmente evitou criticar seu sucessor Ronald Reagan,[67] porém logo passou a falar publicamente a respeito do seu desgosto pela política externa do republicano, especialmente para o Oriente Médio.[68] Ele também criticou o presidente Reagan a respeito da sua falta de postura com relação a defesa dos direitos humanos.[69] Duas décadas mais tarde, condenou a invasão do Iraque no governo de George W. Bush. Em 2007, ele afirmou que o governo Bush foi "o pior da história".[70]

No governo do democrata Barack Obama, Carter estava otimista e o elogiou no começo.[71] Contudo, com o passar do tempo, ele foi crítico da postura de Obama com relação ao uso irrestrito de drones para matar acusados de terrorismo pelo mundo, manter a Prisão de Guantánamo aberta e a espionagem do governo para com os próprios cidadãos.[72][73][74] No governo de Donald Trump, ele exortou o presidente a trabalhar com o Congresso para resolver a questão de imigração, mas criticou Trump em questões sociais. Com relação a crise com a China, Carter afirmou que os Estados Unidos eram a nação mais belicosa do mundo, afirmando: "Nós desperdiçamos, acho, US$ 3 trilhões. [...] É mais do que você pode imaginar. A China não desperdiçou um único centavo em guerras e é por isso que estão à nossa frente. Em quase todos os sentidos."[75]

Desde 1992, Carter endossou todos os candidatos democratas em eleições presidenciais. Em 2016, ele apoiou Bernie Sanders mas quando ficou claro que Hillary Clinton seria a candidata democrata, ele a apoiou inteiramente.[76][77] Em outubro de 2017, com Trump na Casa Branca, Carter afirmou que não gostava da cobertura da mídia a respeito dele, chamando-a de injusta. Contudo, ele criticou Trump com relação a imigração e sua inação a respeito do assassinato de Jamal Khashoggi. Carter também afirmou que dificilmente Trump teria sido eleito se não fosse a interferência da inteligência russa nas eleições americanas.[78] Após a invasão do Capitólio dos Estados Unidos em 2021, Carter se juntou aos outros três ex-presidentes vivos, Barack Obama, George W. Bush e Bill Clinton, ao denunciar a invasão e disse que o que ocorreu foi "uma tragédia nacional e não somos quem somos como nação".[79]

Alívio após desastres naturaisEditar

 
Jimmy Carter em 2011, aos 86 anos.

Carter criticou o governo Bush por sua resposta ao Furacão Katrina[80] e ajudou a construir casas para vítimas do Furacão Sandy,[81] se reunindo com outros ex presidentes para angarior fundos para aliviar a situação dos necessitados após os furações Harvey e Irma em comunidades no Costa do Golfo e no Texas.[82][83]

Outras atividadesEditar

Carter participou da dedicação de sua biblioteca presidencial[84] e também a de Ronald Reagan,[85] George H. W. Bush,[86] Bill Clinton[87][88] e George W. Bush.[89] Ele fez dedicatórias nos funerais de Coretta Scott King,[90] Gerald Ford[91][92] e Theodore Hesburgh.[93]

Até 2021, ele serviu no projeto World Justice Project[94] e foi membro por um tempo na organização Continuidade da Comissão de Governo.[95] Carter também ensinou na Universidade Emory, em Atlanta, até junho de 2019 recebeu um prêmio por 37 anos de serviços prestados na faculdade.[96]

Aos 18 anos, ele se tornou diácono na Igreja Batista Maranatha em Plains (Geórgia), onde ele ensina na escola dominical.[97]

Em 2007, com Bill Clinton, ele fundou a organização para justiça social Batista New Baptist Covenant.[98]

Vida pessoalEditar

Em 2000, ele anunciou que havia deixado a Convenção Batista do Sul por causa de suas doutrinas rígidas que não sustentavam mais crenças verdadeiras, embora permanecesse membro da Associação Batista Cooperativa.[99]

SaúdeEditar

Em agosto de 2014, Carter anunciou que tinha quatro tumores no cérebro e que se submeteria a tratamentos de radioterapia junto com a ingestão de uma série de remédios experimentais, como o pembrolizumab, aprovado pela Administração de Alimentos e Remédios dos Estados Unidos (FDA) em setembro de 2014. Em dezembro, o ex-presidente democrata disse em sua igreja que os últimos exames médicos feitos não revelavam rastros do câncer, mas ele continuou com o tratamento até fevereiro de 2015.[100]

Visita ao BrasilEditar

 
Jimmy Carter, presidente dos Estados Unidos da América, reverencia mortos da II Guerra Mundial, no Monumento Nacional, no Rio de Janeiro.

Em 1972, ainda como governador do estado da Geórgia, Jimmy visitou o Brasil. Nesta ocasião visitou o Cemitério dos Americanos, na cidade de Santa Bárbara d'Oeste, em São Paulo, tendo se interessado pelos descendentes de americanos que lutaram pela confederação.[101] No dia 3 de maio de 2009, Jimmy foi agraciado pelo governador do estado de São Paulo, José Serra, com a Grã-Cruz da Ordem do Ipiranga.[102]

Ver tambémEditar

Referências

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