Helen Keller

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Helen Adams Keller (Tuscumbia, 27 de junho de 1880Westport, 1 de junho de 1968) foi uma escritora, conferencista e ativista social norte-americana. Foi a primeira pessoa surdocega[1] da história a conquistar um bacharelado.

Helen Keller
Nome completo Helen Adams Keller
Nascimento 27 de junho de 1880
Tuscumbia, Alabama
Estados Unidos
Morte 1 de junho de 1968 (87 anos)
Westport, Connecticut
Estados Unidos
Nacionalidade norte-americana
Ocupação escritora, conferencista e ativista social
Assinatura
Helen keller signature.svg

Anne SullivanEditar

 
Helen Keller em 1899 com sua companheira e professora Anne Sullivan. Foto tirada por Alexander Graham Bell em sua Escola de Fisiologia Vocal e Mecânica da Fala.

A história sobre como sua professora, Anne Sullivan, conseguiu romper o isolamento imposto pela quase total falta de comunicação, permitindo à menina florescer enquanto aprendia a se comunicar, tornou-se amplamente conhecida através do roteiro da peça The Miracle Worker, que virou o filme O Milagre de Anne Sullivan (1962), dirigido por Arthur Penn (em Portugal, O Milagre de Helen Keller). Seu aniversário em 27 de junho é comemorado como o Helen Keller Day no estado da Pensilvânia, e foi autorizado em nível federal por meio da proclamação presidencial de Jimmy Carter em 1980, no centenário de seu nascimento. Tornou-se uma célebre e prolífica escritora, filósofa e conferencista, uma personagem famosa pelo extenso trabalho que desenvolveu em favor das pessoas com deficiência. [2] Keller viajou muito e expressava de forma contundente suas convicções. Membro do Socialist Party of America e do Industrial Workers of the World, participou das campanhas pelo voto feminino, direitos trabalhistas, socialismo e outras causas de esquerda. Ela foi introduzida no Alabama Women's Hall of Fame em 1971.

Infância, doença e as primeiras palavrasEditar

 
A casa onde Helen Keller nasceu em Tuscumbia, Alabama
 
Helen e Anne Sullivan, julho de 1888.

Nascida na cidade de Tuscumbia, Alabama, em 27 de junho de 1880, Helen era filha de Kate Adams Keller e do Coronel Arthur Keller (capitão do Exército dos Estados Confederados da América).[3] Helen ficou cega e surda aos 19 meses de idade devido a uma doença diagnosticada então como "febre cerebral" (hoje acredita-se que possivelmente tenha sido escarlatina ou meningite). Já nessa época ela conseguia comunicar-se com a filha da cozinheira da família, através de sinais. Aos 7 anos, Keller já tinha mais de 60 sinais com os quais se comunicava com sua família.

Em 1886, sua mãe, inspirada pelo relato de Charles Dickens em American Notes a respeito da educação bem-sucedida de outra mulher surda, Laura Bridgman, despachou a jovem Keller, acompanhada de seu pai, para ver o médico J. Julian Chisolm, especialista em olhos, ouvidos, nariz e garganta, em Baltimore, em busca de aconselhamento. Chisolm encaminhou os Kellers para Alexander Graham Bell, que estava trabalhando com uma criança surda à época. Bell, por sua vez, os aconselhou a contratar a Perkins Institute for the Blind, escola onde Laura Bridgman havia sido educada, localizada em South Boston. Michael Anagnos, diretor da escola, solicitou à ex-aluna, Anne Sullivan, ela própria uma pessoa com deficiência visual, para tornar-se instrutora de Helen. Este foi o início de uma relação de 49 anos durante a qual Sullivan tornou-se professora e acompanhante de Keller.

Anne Sullivan chegou à casa de Keller em 3 março de 1887, quando tinha 20 anos, e imediatamente começou a ensiná-la a se comunicar soletrando palavras em sua mão, a começar com a palavra 'boneca', utilizando ao mesmo tempo uma boneca que as crianças da Perkins School haviam feito para presentear Helen. Anne acreditava que poderia ensinar à Helen a conexão entre objetos e palavras. Helen aprendeu rapidamente as letras e na ordem correta, mas não sabia que elas formavam palavras. A princípio, Keller ficava frustrada porque ela não entendia que cada objeto possuía uma palavra única para identificá-la. Na realidade, quando Sullivan tentava ensinar para ela a palavra ‘caneca’, Keller ficou tão frustrada que chegou a quebrar a caneca. Seu grande salto evolutivo em comunicação começou no mês seguinte (em 5 de abril de 1887), quando compreendeu que os movimentos que sua professora fazia na palma de sua mão, enquanto deixava a água escorrer sobre sua outra mão, simbolizavam a ideia de ‘água’. Naquele mesmo dia, Helen aprendeu 30 palavras e, a partir de então, ela praticamente levou Sullivan à exaustão perguntando os nomes de outros objetos familiares de seu mundo. Helen passou a entender o alfabeto tanto o manual, quanto impresso em relevo, o que facilitou a leitura e escrita para ela.[3]

Formação, trabalho literário e atuação política e socialEditar

Em 1902 estreou na literatura publicando sua autobiografia A História da Minha Vida. Depois iniciou a carreira no jornalismo, escrevendo artigos no Ladies Home Journal. A partir de então não parou de escrever.

Em 1904 graduou-se bacharel em filosofia pelo Radcliffe College, instituição que a agraciou com o prêmio Destaque a Aluno, no aniversário de cinquenta anos de sua formatura.

Ao longo da vida foi agraciada com títulos e diplomas honorários de diversas instituições, como a universidade de Harvard e universidades da Escócia, Alemanha, Índia e África do Sul. Em 1952 foi nomeada Cavaleiro da Legião de Honra da França. Foi condecorada com a Ordem do Cruzeiro do Sul, no Brasil, com a do Tesouro Sagrado, no Japão, dentre outras.

Foi membro honorário de várias sociedades científicas e organizações filantrópicas nos cinco continentes.

Socialista[4], era filiada ao Partido Socialista da América (SPA), onde desenvolveu uma intensa luta pelo sufrágio universal, ou seja, pelo direito a voto às mulheres, negros, pobres etc. Em 1912 se filiou à Industrial Workers of the World (IWW ou "os Wobblies"), passando a defender um sindicalismo revolucionário.

Em 1924, começou a trabalhar para a American Foundation for the Blind (instituição fundada em 1921 em prol das pessoas com cegueira e baixa visão), onde ficou por mais de 40 anos. Nessa organização teve todo o apoio para lutar pelos direitos das pessoas com perda visual e devido às suas viagens pelos Estados Unidos várias conquistas foram obtidas: a criação de comissões estaduais para cegos, de centros de reabilitação e acessibilidade na educação das pessoas com perda da visão.

De 1946 a 1957, Helen empreendeu 7 viagens, visitando 35 países nos 5 continentes e encontrando vários líderes mundiais como Winston Churchill, Jawaharlal Nehru e Golda Meir. Aos 75 anos de idade, em 1955, ela iniciou sua mais longa viagem: percorrendo 64.374 km (40 mil milhas), por 5 meses, através da Ásia.[3]

Vida posteriorEditar

 
O presidente americano Dwight D. Eisenhower e Helen Keller, 1953.
 
Helen Keller com a atriz Patty Duke em 1961

Depois de ser nomeada embaixadora em Relações Internacionais pela Fundação Americana para Cegos no exterior, ela começou uma turnê pelo mundo. Entre 1946 e 1957, Keller visitou 35 países na América do Sul, Europa e África, [5] com estadias financiadas pela Fundação Americana para Cegos. [6] Em 1948, três anos após os atentados atômicos de Hiroshima e Nagasaki, ela visitou Hiroshima e Nagasaki como parte de seu programa de oposição à guerra e ficou encantada com as Boas-vindas calorosas que recebeu de duas milhões de pessoas nessas regiões. [5] [6] [7] Com o término da Segunda Guerra Mundial, visitou soldados que haviam perdido a visão ou a audição durante a luta, a fim de oferecer-lhes apoio e incentivo. Em 1954, ela participou da filmagem do documentário 'Helen Keller in Her Story', dirigido por Nancy Hamilton e narrado por Katharine Cornell, que ganhou o Oscar de melhor documentário de longa metragem no ano de 1956. [8]

Últimos anos e morteEditar

 
Catedral Nacional de Washington: local do descanso final de Helen Keller

Juntamente com Polly Thomson, ela viajou por todo o mundo e levantou fundos para surdos e cegos. Em 1957, Thomson sofreu um derrame do qual nunca se recuperou e morrera em 1960. Após sua morte, Winnie Corbally acompanhou Helen pelo resto da vida. Em 1961, Keller sofreu uma série de derrames que a forçaram a usar uma cadeira de rodas e reduzir suas atividades sociais e aparições públicas. Por isso, em 1964, ela não pôde comparecer à cerimônia em que recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade, um dos mais prestigiados prêmios civis dos Estados Unidos, pelo presidente Lyndon Johnson. Em 1965, ela foi incluída no National Women's Hall of Fame durante a Feira Mundial de Nova Iorque.

Keller morreu aos 87 anos, enquanto dormia, às 3h35 de 1º de junho de 1968, em sua residência em Easton, Connecticut, dias após sofrer um ataque cardíaco. Após a realização do funeral, seu corpo foi cremado e suas cinzas foram depositadas na Catedral Nacional de Washington próxima as de Sullivan e Thomson. Pouco antes de morrer, Keller exclamou: "Nestes anos sombrios e silenciosos, Deus tem usado minha vida para um propósito que eu não conheço, mas um dia eu o entenderei e depois ficarei satisfeita".

- Helen Keller

LegadoEditar

 
Homenagem em moeda de um quarto de dólar do estado do Alabama à Helen Keller

Helen Keller tornou-se um exemplo de superação e coragem, bem como um símbolo da luta pelos direitos das pessoas com deficiência. Um jornalista do The Journal of Southern History publicou que "... Keller é percebida como um ícone nacional que simboliza o triunfo das pessoas com deficiência".

Os editores do livro General Psychology ressaltaram a importância do caso Keller: “Ela é a única do gênero incentivada por uma professora de talento excepcional, uma grande observadora que descreveu o desenvolvimento gradual de sua aluna muito talentosa,uma garota genial, ao qual a natureza havia colocado um teste cruel, fechando totalmente as duas áreas principais do sistema sensorial". Ao mesmo tempo, a General Psychology relatou que Sullivan não recebeu inicialmente apoio da comunidade científica, pois parecia improvável que sua aluna se adaptasse ao ensino tão rapidamente.

O aprendizado de Keller significou um avanço importante na educação especial, embora existam outros casos semelhantes não conhecidos como os de Laura Bridgman. No entanto, o ensino de Keller foi o primeiro a ser registrado com confiabilidade em vários trabalhos escritos e originou muitos novos métodos na área da educação especial.

O palestrante motivacional e pregador cristão Nick Vujicic, que nasceu sem braços e pernas, confessou em sua autobiografia que Helen Keller exerceu uma grande influência em sua vida.

ObraEditar

CitaçõesEditar

PublicaçõesEditar

  • Optimismo - um ensaio
  • A Canção do Muro de Pedra
  • O Mundo em que Vivo
  • Lutando Contra as Trevas
  • A Minha Vida de Mulher
  • Paz no Crepúsculo
  • Dedicação de Uma Vida
  • A Porta Aberta
  • A História da minha vida

Referências

  1. «Conceituando a surdocegueira». www.ibc.gov.br. Consultado em 15 de março de 2019 
  2. «Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência | Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência». www.pessoacomdeficiencia.gov.br. Consultado em 17 de março de 2018 
  3. a b c «Helen Keller Biography - American Foundation for the Blind». www.afb.org (em inglês). Consultado em 17 de março de 2018 
  4. Helen Keller: Socialist and Pacifist
  5. a b Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome Dissent
  6. a b Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome Alabama
  7. Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome Biografia
  8. Predefinição:Compromisso na web

Ligações externasEditar