Inflação

Disambig grey.svg Nota: Se procura o conceito em cosmologia, veja Inflação cósmica.

Inflação refere-se a um aumento contínuo e generalizado dos preços em uma economia. É comum que se divida a inflação em três categorias, com base na causa: de demanda, de custos e inercial.

Mapa dos países segundo a variação nos Índices de Inflação em 2019

A inflação de demanda diz respeito ao aumento de preços que se observa em casos onde o poder aquisitivo da população sobe em disparidade com a capacidade que a economia tem de prover os bens e serviços demandados. Em outras palavras, quando a demanda supera a oferta.

A inflação de custos ocorre quando os insumos necessários para a produção de bens e serviços ficam mais caros, e os custos de produção são repassados ao consumidor final. Dois dos exemplos mais comuns são a alta no preço da energia elétrica e a dos combustíveis.

A inflação inercial é aquela que resulta do impacto psicológico de tendências inflacionárias em períodos anteriores. Quando uma economia apresenta inflação de demanda, ou de custos, em níveis muito altos, ou por períodos muito prolongados, é comum que os agentes econômicos acostumem-se com o processo inflacionário e passem a praticar aumentos sistemáticos de preços, na tentativa de se proteger. Ao fazerem isso, no entanto, provocam mais inflação. O reconhecimento científico da inflação inercial é mais recente do que o das inflações de demanda e custos.

Ainda que capaz de sérios transtornos à economia de um país, inflação não deve ser confundida com hiperinflação. Esta última também consiste do aumento contínuo e generalizado dos preços. No entanto, se dá em uma proporção muito maior. Ao passo que um pouco de inflação é sintoma comum de economias saudáveis em crescimento, um nível muito elevado é sinônimo de recessão e crises de estabilidade.

Já foi estabelecido por alguns acadêmicos e autoridades monetárias que a taxa ideal de inflação é de 2%[1]. Isso provavelmente se deveria ao fato de que as pessoas não veriam razão para ficar com o dinheiro (entesourar) e o devolveriam à circulação. Ao fazerem isso, geralmente pela aquisição de bens e serviços, estimulariam a atividade econômica e combateriam recessões. Pela mesma lógica, investidores e potenciais emprestadores também veriam mais vantagem em investir e emprestar do que reter a moeda em suas mãos.

É possível que os primeiros registros do fenômeno da inflação datem da Idade Antiga. Ao longo da decadência do Império Romano, a cunhagem indiscriminada de moedas para cobrir as crescentes despesas militares foi causa de um grande processo inflacionário que agravou a situação já frágil sob o imperador Diocleciano. Este, em face do problema, promulgou, em 301, o Édito Máximo, que determinava valores máximos pelos quais os bens transacionados na economia romana poderiam ser vendidos, alegando que a verdadeira causa da inflação era a ganância dos mercadores que subiam os preços. Tal providência assemelha-se ao congelamento de preços promovido pelo governo Sarney, em fevereiro de 1986, como parte do Plano Cruzado.

O conceito de inflação pode ser contrastado com os conceitos de deflação, a redução contínua e generalizada dos preços e estagflação, a inflação acompanhada de estagnação econômica, ou baixo crescimento.

MediçãoEditar

A medição do processo inflacionário é feita através dos índices de inflação. Estes, por meios de técnicas estatísticas, tem por objetivo medir a inflação de um conjunto de produtos e serviços transacionados na economia.

A medição da inflação é feita através de uma cesta hipotética de consumo da população. Esta cesta reúne os bens e serviços de que costumam necessitar as famílias, observando sua quantidade adequada. Geralmente é realizada uma Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) para determinar a cesta de consumo média dessas famílias. Ou seja, é realizada uma média ponderada das cestas de produtos consumidas por estas famílias, para determinar o valor que será gasto na aquisição desse conjunto de itens.

A maioria dos índices de preços ao consumidor utiliza o Índice de Laspeyres para calcular a variação do nível de preços de um mês para o outro. As quantidades consumidas nos índices de Laspeyres são fixas.

Assim, os índices de preços ao consumidor calculam a variação dos preços de bens e serviços entre dois períodos, ponderados pela participação dos gastos com cada bem no consumo total. Repare que o índice calcula o gasto com o mesmo consumo em dois períodos diferentes, o que faz com que não ocorra substituição no consumo.[2]

O mais importante índice no Brasil é o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) do IBGE, utilizado para determinar as metas de inflação. O IPCA apura a variação de preços nos bens consumidos por famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos, em nove regiões metropolitanas (Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo), no Distrito Federal e no município de Goiânia.

Para se medir o andamento dos preços sem o efeito de distúrbios resultantes de choques temporários, exclui-se do IPC o preço do petróleo e dos bens alimentares não transformados – chamando-se esta medida "núcleo de inflação", ou "inflação subjacente".[3]

Períodos históricos inflacionáriosEditar

Pureza da prata ao longo do tempo nas primeiras moedas imperiais romanas. Para aumentar o número de moedas de prata em circulação, embora com falta de prata, o governo imperial romano repetidamente aviltou as moedas. Eles derreteram moedas de prata relativamente puras e, em seguida, cunharam novas moedas de prata de menor pureza, mas de valor nominalmente igual. As moedas de prata eram relativamente puras antes de Nero (54-68), mas na década de 270 quase não restava prata.
O conteúdo de prata das moedas de prata romanas diminuiu rapidamente durante a Crise do Terceiro Século.

Aumentos rápidos na quantidade de dinheiro ou no dinheiro circulante geral ocorreram em muitas sociedades diferentes ao longo da história, mudando com as diferentes formas de dinheiro usadas.[4][5]

China AntigaEditar

A China da Dinastia Song introduziu a prática de imprimir papel-moeda para criar moeda fiduciária.[6] Durante a dinastia Yuan mongol, o governo gastou muito dinheiro lutando em guerras custosas e reagiu imprimindo mais dinheiro, levando à inflação.[7] Temendo a inflação que assolava a dinastia Yuan, a Dinastia Ming inicialmente rejeitou o uso de papel-moeda e voltou a usar moedas de cobre.[8]

Da Idade Média até o IluminismoEditar

A Europa com o período da Alta Idade Média, viveu um extenso tempo desde o século XIII até 1290 com uma certa estabilidade de preços, pois na época a Europa Ocidental era rica em minérios e a agricultura apresentava as condições certas para uma produção suficiente para alimentação da região, observando que apesar da produção da época ser considerada elevada, a distribuição para a população camponesa e artesã era desigual para os membros da Igreja e além disso, as alterações climáticas prejudicavam ou ajudavam na produção agrícola.

Porém, durante o mandato de Eduardo II entre 1309 e 1329, houve a elevação inflacionária entre 6% e 7% ao mês até 1329, quando Eduardo II morreu, descendendo Eduardo III, em que iniciou a Guerra dos Cem Anos (1336-1450). Entre 1336 até 1350, a inflação anual era de 96% a 104%, até a epidemia de Peste bubônica quando a inflação disparou para 300% ao ano, pela escassez alimentar e de mão-de-obra.

Durante o haje do rei do Mali Mansa Muça a Meca em 1324, ele teria sido acompanhado por uma caravana de camelos que incluía 60000 carregadores, além de escravos carregando bastões de ouro, levando para presentes e compras uma carga de 80 fardos de ouro pesando 122 onças cada (3.8 kg; no total, ≅ 308 quilos). Quando ele passou pelo Cairo, gastou ou deu tanto ouro que baixou seu preço no Egito causando inflação. Um historiador árabe contemporâneo comentou sobre a visita de Mansa Muça:[9]

"O ouro estava em um preço alto no Egito até chegar naquele ano. O metical não desceu abaixo de 25 dirrãs e estava geralmente acima, mas a partir dessa época seu valor caiu e barateou em preço e tem permanecido barato até agora. O metical não excede 22 dirrãs ou menos. Este tem sido o estado de coisas por cerca de doze anos até hoje, devido à grande quantidade de ouro que eles trouxeram para o Egito e lá gastaram"
Xiabe Alumari[10]

Ibne Catir, Almacrizi e Ibne Hajar também atestaram queda na taxa de câmbio de ouro para prata atribuindo-a à passagem de Muça. O historiador Warren Schultz afirma que o episódio, entretanto, teria sido apenas "uma das muitas flutuações de curto-termo" registradas ao longo do século XIV no Egito Mameluco.[9]

A Revolução Americana levantou a questão de se combater a emissão de papel-moeda para favorecer o pagamento de dívidas, seja elas privadas ou estatais.[11] A constituição norte-americana já demarcava desde seu início como responsabilidade do governo o combate a falsificação da moeda, a fim de regular o seu valor.[12]

Inflação na AlemanhaEditar

Entre janeiro de 1919 e novembro de 1923 o índice inflacionário alemão variou em um trilhão por cento (1 000 000 000 000%). Chegou-se ao ponto de queimar dinheiro em lareiras para aquecer-se contra os rigorosos invernos. Tudo isso deve-se ao Tratado de Versalhes imposto pelos países vencedores da I Guerra Mundial, que acabou com sua infraestrutura e aniquilou sua economia, sem contar com a destruição causada pela guerra e da impressão de papel moeda pelo banco central.[13] No início do século XX, já havia economistas de várias vertentes que denunciavam políticas inflacionárias como uma forma de confisco por parte do governo.[14]

Histórico do quadro inflacionário no BrasilEditar

 Ver artigo principal: Índices de inflação do Brasil
 
Taxa de inflação anual (IPCA/IBGE).[15] de 1996 até 2016. O aumento verificado nos últimos anos deveu-se à crise econômica no país.

Os índices de inflação no Brasil são medidos de diversas maneiras. Duas formas de medir a inflação ao consumidor são o INPC, aplicado à famílias de baixa renda (aquelas que tenham renda de um a seis salários mínimos) e o IPCA, aplicado à famílias que recebem um montante de até quarenta salários mínimos.

Até 1994 a economia brasileira sofreu com inflação alta, entrando num processo de hiperinflação na década de 80 (Hiperinflação no Brasil). Esse processo só foi interrompido em 1994, com a criação do Plano Real e a mudança da moeda para o real (R$), atual moeda do país. Atualmente a inflação é controlada pelo Banco Central através da política monetária que segue o regime de metas de inflação.

Índices da inflação (IBGE)Editar

Metas de inflaçãoEditar

Desde 1999, o Brasil está sob o regime de metas de inflação, para orientar sua política monetária. Desta forma, a oferta de moeda pelo Banco Central segue uma estratégia para atingir uma banda de inflação determinada pelo Conselho Monetário Nacional.

Especificamente, temos o seguinte quadro inflacionário pelo IPCA cheio, no período 1999-2017ː[18]

  • 1999 = 8,94% (Teto da meta de 10%)
  • 2000 = 5,97% (Teto da meta de 8%)
  • 2001 = 7,67% (Teto da meta de 6%)
  • 2002 = 12,53% (Teto da meta de 5,5%)
  • 2003 = 9,3% (Teto da meta de 6,5%)
  • 2004 = 7,6% (Teto da meta de 8%)
  • 2005 = 5,69% (Teto da meta de 7%)
  • 2006 = 3,14% (Teto da meta de 6,5%)
  • 2007 = 4,46% (Teto da meta de 6,5%)
  • 2008 = 5,90% (Teto da meta de 6,5%)
  • 2009 = 4,31% (Teto da meta de 6,5%)
  • 2010 = 5,91% (Teto da meta de 6,5%)
  • 2011 = 6,50% (Teto da meta de 6,5%)
  • 2012 = 5,84% (Teto da meta de 6,5%)
  • 2013 = 5,91% (Teto da meta de 6,5%)
  • 2014 = 6,41% (Teto da meta de 6,5%)
  • 2015 = 10,67% (Teto da meta de 6,5%)
  • 2016 = 6,29% (Teto da meta de 6,5%)
  • 2017 = 2,95% (Teto da meta de 6%)

Moedas brasileirasEditar

A moeda nacional do Brasil mudou de nome várias vezes, principalmente nos períodos de altos índices de inflação. Na maioria das renomeações monetárias, foram cortados três dígitos de zero, estratégia esta que impediu que um quilo de carne custasse cerca de quatro milhões de unidades da moeda vigente, por exemplo.[19][20]

Classificação de processos inflacionáriosEditar

Os processos inflacionários podem ser classificados, segundo algumas características como:

  • Inflação de custos - processo inflacionário gerado pelo aumento dos custos de produção. Por causa de uma redução na oferta de fatores de produção, o seu preço aumenta. Com o custo dos fatores de produção mais altos, a produção se reduz e ocorre uma redução na oferta dos bens de consumo aumentando seu preço. A inflação de custo ocorre ceteris paribus quando a produção se reduz, podendo também ser efeito de choques de oferta negativos.[21]
  • Inflação de demanda - processo inflacionário gerado pelo aumento do consumo com a economia em pleno emprego. Ou seja, os preços sobem por que há aumento geral da demanda sem um acompanhamento no crescimento da oferta. Esse tipo de inflação é causada também pela emissão elevada de moeda e aumento nos níveis de investimento, pois, ceteris paribus, passa a haver muito dinheiro à cata de poucas mercadorias. Uma das formas utilizadas para o controle de uma crise de inflação de demanda, é uma redução na oferta de moeda, que gera uma redução no crédito, e consequente desaceleração econômica. Outras alternativas são os aumentos de tributos, elevação da taxa de juros e das restrições de crédito.
  • Inflação inercial - onde há um círculo vicioso de elevação de preços, taxas e contratos, com base em índices de inflação passados.
  • Inflação estrutural - Há ainda aqueles que discutem a chamada inflação (por razão) estrutural, proposta pela CEPAL, que tem a ver com alguma questão específica de um determinado mercado, como pressão de sindicatos, tabelamento de preços acima do valor de mercado (caso do salário mínimo), imperfeições técnicas no mecanismo de compra e venda.
  • Inflação prematura - processo inflacionário gerado pelo aumento dos preços sem que o pleno emprego seja atendido.
  • Inflação reprimida - processo inflacionário gerado pelo congelamento dos preços por parte do governo.
  • Inflação de expectativas - consequência de um aumento de preços provocados pelas projeções dos agentes sobre a inflação.
  • Inflação por câmbio flutuante - Ação também conhecida como Quantitative Easing. Quando o governo intencionalmente ou por má administração, imprime dinheiro, aumentando a oferta de moeda, é considerado como imposto silencioso pois o governo adquire o dinheiro que deseja reduzindo o valor das notas impressas, geralmente é a principal causa da hiperinflação, sendo esta a causa da hiperinflação brasileira de 1980.[22]

EfeitosEditar

DistorçõesEditar

 
Salário mínimo real e nominal nos Estados Unidos.

A inflação é responsável por diversas distorções na economia. As principais distorções acontecem na Distribuição de Renda (já que assalariados não tem a mesma capacidade de repassar os aumentos de seus custos, como fazem empresários e governos, ficando seus orçamentos cada vez mais reduzidos até a chegada do reajuste), na Balança de Pagamentos (inflação interna maior que a externa causa encarecimento do produto nacional com relação ao importado o que provoca aumento nas importações e redução nas exportações), na Formação de Expectativas (diante da imprevisibilidade da economia, o empresariado reduz seus investimentos), no Mercado de Capitais (causa migração de aplicações monetárias para aplicações em bens de raiz (terra, imóveis), e também a chamada Ilusão Monetária, que seria a interpretação errada da relação de ajuste do salário nominal com o salário real, por definição e que gera por sua vez a percepção errada de maior renda e consequentemente decisões equivocadas. As pessoas, julgando-se mais ricas, demandam mais bens e serviços e, com oferta a pleno emprego, causa dessa forma a inflação.

O papel da inflação na economiaEditar

Um efeito da inflação de pequena escala é que se torna mais difícil renegociar alguns preços, e particularmente contratos e salários, para valores mais baixos — então com o aumento geral de preços é mais fácil para que os preços relativos se ajustem. Muitos valores são bastante inelásticos para baixo, e tendem a subir; logo, os esforços para manter uma taxa zero se o nível aumenta, irão punir outros setores com queda de preços, lucros e empregos. Por conta disso alguns economistas e executivos veem essa inflação suave como um mecanismo de "lubrificação" do comércio. Segundo algumas escolas de economia, esforços para manter uma estabilidade completa de preços podem também levar à deflação (queda constante de preços), que pode ser bastante destrutiva segundo a maiorias das escolas de pensamento econômico, estimulando falências, concordatas e finalmente a recessão, que é o "descontrole" ou "descomando", da economia, alertado por Keynes, em sua obra editada finalmente em 1936. mas não é o pensamento austríaco, de que se a deflação geral de preços ocorre, dado um estoque de dinheiro relativamente constante, isso aumenta o salário real dos trabalhadores mesmo que o salário nominal permaneça constante, a deflação de preços seria apenas um resultado de mais bens e serviços sendo ofertados na economia.[23]

Muitos na comunidade financeira lembram do "risco escondido" da inflação como um incentivo essencial para o investimento, ao invés da simples poupança, riqueza acumulada. A inflação, desta perspectiva, é vista como a expressão no mercado do valor temporal do dinheiro, ou mais precisamente moeda, no chamado "economês" (linguagem do mundo da ciência econômica). Ou seja, se um real hoje é mais valioso que um real daqui a um ano, devido à desvalorização dos meios de produção, fonte desse real, então, deve haver uma desvalorização também do real na economia como um todo, no futuro. Desta perspectiva, a inflação representa a incerteza - valorização de "algo" que na verdade não existe, ou seja sobre o valor ou "renda, composta da e na moeda no e do futuro".

Segundo os economistas da Escola Austríaca, a inflação (no sentido clássico), provoca efeitos sobre a estrutura de produção da economia. Numa reacomodação, no que seria uma forma de se fazer algo para a sociedade, redistribuindo rendas e causando uma desproporcionalidade sem rejeição, em relação ao volume de demanda para os vários setores da economia, o que Keynes, concorda, já que os preços não mudam todos juntos (ceteris paribus); e sim cada um com diferente intensidade econométrica. No caso de inflação monetária, da moeda em si, em que a moeda é injetada no mercado de crédito (que é a moeda), acaba por se tornar em investimentos que só são rentáveis enquanto a inflação se acelera, e tão logo pare ou se reduza a inflação monetária os investimentos tornam-se não rentáveis e são liquidados, e o que leva finalmente, às crises econômicas, essa é a Teoria austríaca do ciclo econômico.[24]

A inflação, entretanto, além destas consequências, tem vários outros efeitos crescentemente negativos na economia. Efeitos que se relacionam com o "abatimento" de atividade econômica prévia. A inflação é geralmente resultado de políticas erradas, governamentais, segundo Keynes, para aumentar a disponibilidade de moeda, pois a moeda tem que ser real, dessa forma, a contribuição do governo para um ambiente inflacionário é vista como uma variação para mais ou para menos na chamada "taxa sobre a moeda em circulação", o "juro", como controle ou comando. Com o aumento ou diminuição da inflação, aumenta ou diminui o peso sobre o dinheiro em circulação - isso por sua vez promove um aumento da velocidade, na fórmula de Keynes (vide obra), de circulação do dinheiro, mais precisamente ou econometricamente moeda, o que por sua vez reforça para mais ou para menos o processo inflacionário (veja teoria quantitativa da moeda), em um círculo virtuoso ou vicioso, que pode levar à hiperinflação ou ao equilíbrio.

  • A crescente incerteza pode desestimular o investimento e a poupança.
  • Redistribuição da renda
    • Que se transfere progressivamente daqueles com rendas fixas (locatários, por exemplo) para aqueles com rendas mais flexíveis.
    • Que se transfere progressivamente daqueles que receberam o dinheiro novo (papel-moeda ou crédito) para aqueles que recebem por ultimo quando os preços relativos já sofreram alterações.[13][25][26]
    • De modo similar será beneficiado o indivíduo que emprestou dinheiro ou moeda, a uma taxa fixa, pois a política, como vimos acima é dinâmica, e será prejudicado o emprestador, surpreendido pela inflação.
  • Comércio exterior: se a taxa de inflação for maior do que a praticada em outros países, uma tarifa fixa de comércio será solapada pelo enfraquecimento da posição do país na balança comercial.
  • Aumento dos custos relativos a maior velocidade de circulação do dinheiro ou mais precisamente moeda (o exemplo simples é das pessoas que precisarão ir mais ao banco). Também devem ser considerados os custos, para empresas, da mudança continuada de preços (por exemplo, restaurantes que precisam constantemente refazer seus cardápios, ou cestas de aplicação financeira com vistas ao mundo real e não financeiro, com sua "ciranda").
  • hiperinflação: ou "ciranda" (vide processo hiperinflacionário da Nova República Brasileira (1985 - 1995), onde, se a inflação ficar totalmente fora de controle, interfere pesadamente no funcionamento normal da economia; prejudicando sua capacidade real de oferta de bens.

Numa economia em que alguns setores são "indexados" ou "realizados" ou corrigidos" quanto à inflação e outros não, a inflação age como uma redistribuição em sentido dos setores indexados (os reais, que verdadeiramente estão crescendo) e afastando-se dos setores não-indexados (os falsos, super valorizados, uma vez que a Economia se apresenta invertida, procure entender usando Cálculo Matemático, em quadrantes diferentes de desenvolvimento econômico).

Por conta destes efeitos nefastos (em quadrantes diferentes, usando-se Matemática e o Cálculo da Econometria), os bancos centrais costumam definir a estabilidade de preços como um objetivo primordial de suas políticas, com uma inflação perceptível, mas baixa, como ideal.

Por outro lado, segundo alguns economistas de formação heterodoxa, tais como Celso Furtado, a inflação não é um fenômeno meramente monetário: sua raiz está na questão distributiva, como Keynes também afirma, entre os grupos sociais de uma economia. Isto é, a inflação de preços é o meio pelo qual os grupos sociais ligados às atividades produtivas dispõem para ampliar a sua apropriação do acréscimo de renda criado no processo de crescimento econômico, levando a economia para novos equilíbrios distributivos entre esses grupos. Conforme o argumento de Furtado, se a inflação fosse um efeito meramente monetário e neutro em relação ao lado real da economia (o lado da produção de bens e serviços), sem afetar a distribuição de renda, o aumento generalizado de preços deveria ocorrer de forma proporcionalmente simétrica para todos os setores da economia e não é o que é empiricamente comprovado, defendendo a teoria de Keynes.

Ver tambémEditar

Referências

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  2. bcb.gov.br - pdf
  3. Relatório de Inflação, Vol. 2 (Comitê de Política Monetária, 2000), p. 90
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BibliografiaEditar

  • O Globo, 03.08.2006, Caderno “Economia”, pág. 27 (ref. inflação no período 1998-2006)
  • Inflação, o preço da prosperidade; Brian Griffiths; Tradução de Alexandra Fares; São Paulo; Editora Pioneira, 1981

Ligações externasEditar